
Voltar ao Azumi, depois dos tristes acontecimentos, era ao mesmo tempo uma vontade e um temor.
Tinha curiosidade para ver como andam as coisas no balcão de grelhados do saudoso Jack.

E um grande medo ficar triste ali, sem a grande figura do balconista a me servir.
Mas tivemos a sábia ideia de ir jantar lá na noite de domingo passado.
E veio a sugestão: “Por que não nos sentamos nas mesas?”
Fomos os primeiros a chegar, umas 19h30, logo depois da abertura das portas (às 19h). Eu, sempre fiel aos balcões de todos os japas (abaixo, o de frios), mais ainda no Azumi, onde nunca na vida inteira havia sentado em uma mesa, aceitei. E lá fui eu pros subterrâneos do restaurante copacabanense.

Gostei do atendimento das moças, simpático, eficiente na medida do possível, e esforçado e competente na tarefa de explicar o complexo cardápio da casa.
Começamos com o amuse bouche japa de praxe.
Depois pedimos uma dose dobrada de molusco: sunomono de polvo e uma duplinha de minipolvo. Beleza pura.

E, ao questionar a garçonete sobre o que havia de diferente no dia, recebemos a sugestão quase em tom de provocação: “Temos grilinhos caramelizados”.
Nessas horas eu penso: ajoelhou, tem que rezar.

Então, palitamos os insetos.

Com a boa companhia de umas pequeninas, muito miúdas mesmo, sardinhas curtidas em sal. No pratinho retangular e comprido ainda vinha uma curiosa, mas dispensável, espécie de mousse de saquê, além de lâminas de nabo.

E elegemos a seguir um combinado de sashimis, com a escolta devida de uma cumbuca de arroz, para brincarmos de sushiman montando bolinhos ao nosso gosto.
No pratinho, cinco fatias relativamente grossas e muito bem cortadas de cinco peixes muito diferentes entre si: um atum (o rosado, lá no alto), pargo (no meio, à esquerda), olho de boi (ao centro), um peixe cujo nome me esqueci (no meio, à direita) e serra (o da frente). Cada um cortado de um jeito distinto, em sentidos diferentes, respeitando cada tipo de carne.

Mas ninguém vai ao Azumi de bobeira. E ainda faltavam complementos ao jantar.
“Por favor, vale a pena este bolinho de creme com siri?”.
Diante da resposta afirmativa, fomos nele.

Mas o bife à milanesa, feito na farinha de panco, era uma dívida antiga do casal, então não restou outra alternativa senão também comandá-lo.
E lá vieram as duas frituras, que são daquelas que valem as calorias que custam à nossa silhueta.

E lá fomos nós mordendo os empanados, jogando por sobre eles um molho escuro, espesso e levemente defumado e aquela indispensável pimentinha japonesa que também leva gergelim na composição e arde gostosamente.
Sobremesa, pra quê?
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