
Maria acenas pro personagens na parada da tarde no Magic Kingdom: a menina ficou encantada
Quando contratamos os serviços de uma agência de viagem, queremos duas coisas basicamente: o conforto de não termos que ficar comprando diversos itens em separado (passagens, hotéis, seguro, traslados, passeios etc) e o preço, já que essas empresas geralmente conseguem tarifas melhores do que as disponíveis para nós, pessoas físicas.
Geralmente eu mesmo trato de organizar os meus roteiros, dispensando as agências. Entre outras razões, porque gosto de fazer isso. O prazer de uma viagem, para mim, começa já no seu planejamento. Mas, de uma maneira geral, acho uma boa usar as agências, e costumo a recomendar isso aos muitos amigos que sempre me pedem dicas de viagem.
Muita gente tem preconceito com as agências, confundindo pacotes com excursões. São coisas diferentes. Nem todo o pacote é excursão, mas toda a excursão, aí sim, é um pacote. Pacote pode ser totalmente personalizado: você escolhe o dia de partida e chegada, as cidades que quer visitar, o tipo de hotel e localização ideal, o seguro, se vai querer alugar um carro etc. Aí, o agente monta ao seu gosto um roteiro.
Certa vez, usei esse expediente para organizar uma viagem de um mês através da Agaxtur, entre Portugal e Espanha, e deu tudo certo. Também usei várias vezes os serviços da Coliseu Turismo, aqui do Rio, principalmente em viagens à Argentina. Também deu sempre tudo certo.
Quando resolvi levar a filha para a Disney, decidi procurar a Stella Barros, por ser uma referência em viagens para Orlando.
Mas que decepção. Se arrependimento matasse…
Vamos por partes.
Entrei em contato com eles pelo site, dizendo que queria uma viagem de uma semana para a Disney.
Eles logo retornaram o contato.
Dei mais detalhes: passei as datas, disse que gostaria de me hospedar em um hotel de preço moderado dentro do complexo da Disney, informei que seriam três passageiros e que precisaria de seguro viagem e de cinco dias de ingresso para os parques, e que esses deveriam ser daqueles que dão direito a visitar todos eles, e vários no mesmo dia, se quisesse.
Ok.
O primeiro orçamento chegou muito salgado. Pedi um hotel um pouco mais barato, e logo veio a sugestão do Pop Century.
Total: uns R$ 10 mil para três pessoas, com tudo incluído (e com uma promoção que daria US$ 300 para serem gastos lá). Razoável. Fechamos nesse.
A minha atendente disse que mandaria um boy para pegar a minha assintaura para o débito no cartão de crédito e que, quando a viagem se aproximasse, ela entregaria em minha casa toda a documentação e vouchers necessários.
Até aí, tudo fluiu bem: os e-mails eram logo respondidos, quase sempre no mesmo dia.
Mas foi só fecharmos o contrato para tudo mudar.
Meus e-mails com dúvias muitas vezes não eram respondidos, de maneira que eu precisava insistir umas duas ou três vezes para obter uma resposta. Coisas simples, como informações sobre transporte.
Foi se aproximando o dia da viagem, e a situação não mudava. Era difícil obter retorno da mesma atendente tão rápida antes de vender o seu pacote. Nota do pós-venda da Stella Barros? Zero, bem redondo.
Faltando alguns dias para o embarque, chegam no meu e-mail os vouchers para a viagem. Peraí! Mas ela não ia mandar tudo para o meu endereço?
Resultado: sem impresssora em casa, tive que imprimir tudo no jornal. Sinceramente, não é o que gostaria de fazer, porque era uma viagem particular, ainda que eu fosse aproveitá-la para visitar alguns restaurantes e fazer algumas fotos para complementar uma edição especial sobre Orlando, e também faria um texto sobre essa minha experiência em família na Disney.
Mas o pior ainda estava por vir.
Faltando uns três dias para a viagem, escrevi novamente para eles, pedindo mais algumas informações bem básicas: como seria o transporte entre o aeroporto e o hotel, de que maneira eu ganharia o crédito de US$ 300 e, finalmente, como receberia os ingressos.
A viagem seria no sábado, e esse e-mail foi mandado na quarta. Passou a quinta, que era feriado de Corpus Christi, eu sei, e a sexta, véspara do embarque. Liguei, mas não consegui contato com a minha atendente.
Então, no sábado, liguei algumas vezes no número indicado por ela. Ninguém atendeu. Entrei no site e busquei um número para reservas em São Paulo, o call center geral da empresa.
Fiz a queixa, e exigi que me informassem o que eu estava pedindo.
Um gerente esbaforido, dizendo que estava fora de seu horário de trabalho, e que teria ido à agência só para resolver o meu caso, me ligou. Para começar, se é dia de trabalho dele ou não, isso pouco me importa, sinceramente.
Mas tudo bem. Pelo menos as coisas estavam andando. Ele pediu alguns minutos para checar as informações, e disse que me retornaria. Ele fez isso, me passou os dados que eu precisava, e eu agradeci a atenção. E pediu desculpas. Neste caso, ponto positivo para eles. Nada mais que a obrigação, mas pelo menos resolveram as minhas pendências, ainda que poucas horas antes do embarque, o que atrapalhou, sem dúvida, os meus preparativos.
Mas o pior estava por vir.
Chegando em Orlando, descobri que a minha reserva era para a partir de sábado, mas eu estava chegando na manhã de domingo. Isso dificultou a minha localização pelos atendentes, tanto no transporte, ainda no aeroporto, como no check-in, já no hotel. Foi aí que descobri uma coisa: paguei sete noites, mas só usaria seis. Tudo bem, porque se não fosse assim, não teria um quarto disponível na manhã de chegada (cheguei umas 9h ao hotel). Considerando que estava viajando com a filha, seria muito conveniente não ter uma cama e um banho ao chegar. Mas, pelo menos, eu deveria ter sido avisado que seria desse jeito, não é verdade?
No primeiro dia, fiquei apenas algumas horas no Magic Kingdom. Voltamos para o hotel cansados e dormimos o resto do dia.
No segundo dia, passamos a manhã no Animal Kingdom. No fim da tarde, seguimos para Epcot, onde tinha uma reserva no restaurante marroquino. Foi quando descobri que, ao contrário do que eu havia pedido, meu ingresso dava direito apenas a um parque por dia.
Corri para o Guest Relations e, por sorte, ainda encontrei no escritório a relações públicas da Disney, pois tinha conhecido a equipe de comunicação deles durante a viagem feita em março, a convite do Orlando Convetion & Visitors Bureau. Ela me quebrou o galho, e conseguiu três ingressos para Epcot naquele dia. Mas imagine se eu não fosse jornalista de turismo?
Então, na manhã seguinte, terça-feira, gastei mais cerca de US$ 180 (e preciosa meia hora da minha viagem) para acrescentar um dia no meu plano de entradas para os parques junto da possibilidade de ir a quantos quisesse no mesmo dia.
Mas a maior decepção veio na manhã de quinta: os planos eram passar as primeiras horas do dia no Typhoon Lagoon e, no dia seguinte, fazer o mesmo no Blizzard Beach – reservando as tardes para outros parques.
Todos com roupa de banho, lá fomos nós para o parque aquático. Aí, veio a decepção maior de toda a viagem: nosso ingresso não dava direito aos parques aquáticos. Para isso, teria que desembolsar mais uns US$ 180.
Me lembrei de como fui claro ao pedir o pacote: quero ingressos para todos os parques da Disney. Mais uma vez, a Stella Barros errou feio. Nem preciso dizer que a filha ficou decepcionada com a situação, porque já estava há dias contando com a visita ao parque aquático. Foi o momento mais triste da viagem, e que comprometeu todo o resto do dia (acabamos chegando só lá pelas 16h no Hollywood Studios)
Seria demais dizer que a Stella barros estragou a minha viagem. Mas, sem dúvida, atrapalhou bastante. Em vez de ajudar, que é a essência do seu trabalho.
E eu me pergunto agora: o que faço? Entro na Justiça? Escrevo para os jornais? Faço um post pro blog? Acho que farei isso tudo…