Archive for agosto \31\UTC 2010

Descanse em paz, Jotinha

31/08/2010

De luto pelo JB

A idéia original era fazer uma crônica emotiva. Lembrando, primeiro, da infância, lendo o jornal com o pai, tendo-o como referência do melhor jornalismo praticado no Brasil, reflexivo, combativo, inteligente. Depois trataria com imensa saudade do tempo em que trabalhei lá, de 2001 a 2006. Fecharia o texto sublinhando a tristeza de vermos sumir o Jornal do Brasil, dos amigos que perderam o emprego, por aí vai.

Mas não consigo. Como se houvesse um nó na garganta, hoje não sou capaz de escrever sobre o JB. Nenhuma palavra. Quem sabe amanhã.

Vou deixar só o silêncio.

Agora, ao meio-dia, alguns amigos, ex-funcionários e leitores do jornal vão se reunir em frente ao Amarelinho, na Cinelândia.

E já vou pegar o metrô. Também vou ao Centro. Mas não para esse nobre encontro. Vesti a camisa preta do luto. Vou subir o Morro da Conceição para uma cerveja gelada no Bar do Sérgio – devidamente acompanhada de uns bolinhos de carne. Depois, caminho até o Imaculada, um misto de bar e galeria, que ao que parece vai virar moda impulsionada por um já famoso bolinho de feijão com arroz (depois não diz que não avisei).

O programa foi inspirado em duas boas histórias que li recentemente (essa e essa).

Lá, no alto do Morro da Conceição, vou fazer um brinde ao Jornal do Brasil. Porque o Morro da Conceição representa um Rio que não existe mais. Assim como o JB.

Descanse em paz, Jotinha.

Um dia na Locanda della Mimosa

30/08/2010

A linda e bem nutrida adega, lugar mais importante da propriedade

Já faz mais de um ano que se fala no fechamento da Locanda della Mimosa, restaurante-pousada de Danio Braga, no Vale Florido, em Petrópolis.
De fato a propriedade está à venda, ao que se sabe. Mas enquanto isso, Danio Braga (que hoje também cuida dos hotéis Marina em Petrópolis e Búzios) continua dando expediente ali todos os fins de semana. Isso significa que uma estadia na Locanda della Mimosa continua sendo uma das melhores experiências gastronômicas do Brasil. Melhor ainda nesta época, com restinho do frio de inverno.

- Isso aqui é um restaurante onde se pode dormir, seguindo um conceito muito difundido na Itália – costuma definir assim a sua casa o Danio Braga.

A sala onde é servido o chá da tarde, das 17h às 18h

Estive na Locanda umas cinco ou seis vezes. Apenas numa dessas vezes me hospedei lá. E foi um programaço, apesar do preço salgado (R$ 1.000, no total, por uma noite, com chá da tarde, jantar, café da manhã e uma garrafa de vinho). Sinceramente, saí certo de que o investimento valeu – e muito – a pena.

A agradável piscina que faz ótima dobradinha com a sauna

Eu sugiro que se faça mais ou menos assim.

O ideal é sair cedo do Rio, antes do meio-dia.

Na teoria o check-in para a pousada de apenas seis quartos é a partir das 16h. Mas é quase certo que você possa chegar antes. Se o quarto ainda não estiver arrumado, que tal gastar o tempo entre a gostosa sauna e a piscina.

Vinho do Porto: ótima companhia para acompanhar os docinhos do chá da tarde

No fim da tarde, ali pelas 17h, é servido o chá da tarde, com bebidas quentes, biscoitinhos e docinhos. Para este momento sugiro que se abra uma boa garrafa de vinho do Porto (eu levei a minha) – que, inclusive, pode ser guardada para o encerramento da noite, quem sabe ao lado de um bom charuto na varanda do restaurante.

Coleção de garrafas de Mouton-Rothschild na rica adega: tente visitar

Já que você está hospedado na pousada, pode deixar para descer para o jantar bem tarde. Antes disso, cairia muito bem uma meia garrafinha de champanhe (também levado de casa, naturalmente).

Uma das refeições está incluída no preço da diária (R$ 710), assim como águas e refrigerantes, além de café (Nespresso) e chás. Pela comodidade, para quem está hospedado ali, melhor jantar na pousada, claro. Aproveite para pedir para o sommelier te levar para uma visita à adega (não é aberta a todos: hóspedes têm mais facilidade em conseguir e dá até, por exemplo, para combinar de se fazer ali um coquetel ou degustação de vinhos). O espaço é um museu, com várias garrafas, apetrechos e quadros em redor do mundo do vinho. E, naturalmente, há uma bela coleção de rótulos.

- É a parte mais importante da Locanda, foi a primeira ser construída, antes de tudo – conta o Danio sobre o seu xodó.

Quem sabe ali mesmo você já não escolhe a sua garrafa

Manteiga e azeite com alecrim para acompanhar o couvert na mesa florida

No jantar há sempre duas opções de menu: um tradicional, de cozinha italiana clássica, e outro, mais voltado à vertente criativa do chef. São cinco pratos, quatro cursos salgados e um doce.

É sob medida para um casal. Cada um pede um menu e divide os pratos. Assim, dá para provar todas as receitas.

O elegante salão onde são servidas as refeições

As massas ali, preparadas artesanamelte, são sempre um porto seguro, assim como as carnes em longos cozimentos e risotos.

Ossobuco de vitelo com risoto: demais

Já comi lá, por exemplo, um ossobuco de vitelo esplendoroso, com direito a garfinho especial para “pescar” o tutano (muito chique isso, nunca tinha visto antes, e eu amo ossobuco, e fico triste quando não consigo tirar a carne).

Parmentier de rabada: simples e delicioso

Também não me esqueço de uma incrível, em toda a sua simplicidade, o parmentier de rabada desfiada, com um cremoso purê de batata e o rico caldo de cozimento, além de uns azeitinhos temperados que faziam a diferença. Genial.

Massa coroada com trufas: todo os anos, entre outubro e novembro, tem

Também me fez enorme bem uma massinha com trufas. Aliás, o Danio todos os anos vai à Itália “caçar” trufas no Piemonte, e organiza, a partir do fim de outubro, e enquanto durarem os estoques, um festival com o raro tubérculo (aliás, este ano eu vou fazer esta viagem com ele, numa incrível jornada enogastronômica, com direito visitas a produtores de presunto, gorgonzola, pamigiano reggiano e Barbaresco, encontro com o presidente da Slow Food, jantar no restaurante Al Sorriso e concerto no Scala de Milão. Obrigado, meu Deus!).

O quarto rosa: bom para momentos de preguiça matinaçl

No dia seguinte resta acordar tarde, tomar o café calmamente, quem sabe com uma tacinha de espumante. Dá para chegar até umas 10h45 tranquilamente para ainda ser bem atendido. Depois disso o restaurante começa a ser arrumado para o almoço.

O check-out acontece até às 15h. Mas é possível dar uma esticadinha.

Depois de uma dessa, é só descer a serra feliz.

Leia mais sobre a Locanda della Mimosa clicando aqui.

P.S. – No fim de semana comecei a dar uma organizada nos arquivos do blog, coisa que pretendo continuar fazendo durante esta semana. Aí, vi que não tinha nada escrito sobre a Locanda. Publiquei, de lambuja, uma notinha que escrevi para uma revista. E aproveitei para dar o meu passo a passo para aproveitar ao máximo a Locanda.

Neste trabalho de passar a limpo todo o histórico do blog notei algumas falhas graves em relação às cidades flumineses: não tem nenhum post sobre Visconde de Mauá, nem de Niterói. Quer contar mais algumas historinhas de Nova Friburgo, que tem só texto. Também achei poucos os posts sobre Búzios e Petrópolis/ Itaipava. Aos poucos vamos preenchendo essas lacunas.

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Locanda della Mimosa: aproveite que o Danio Braga ainda está por lá

28/08/2010

Danio Braga e seu parmentier de rabada

Ao passar um fim de semana na Locanda della Mimosa, restaurante-hotel do chef Danio Braga em Petrópolis, suas únicas preocupações serão as escolhas, que não deixam de ser difíceis: depois de ser recebido com um acolhedor chá da tarde, é preciso decidir o que comer, que vinhos pedir, a que horas dormir, que filme assistir no DVD, e se é melhor relaxar na sauna ou com uma massagem. O cardápio da casa, uma das mais estreladas do Brasil, muda ao sabor dos ingredientes do mercado e divide-se entre as vertentes tradicional e criativa da cozinha italiana. Em outubro-novembro, quando elas chegam de Alba fresquinhas, as trufas brancas perfumam o salão neste endereço que está entre os mais seguros do país para provar a iguaria. A adega está à altura dos grandes sonhos. Entre as preciosidades da carta, um Chateau Cheval Blanc de 1990, considerada uma das melhores safras de Bordeaux, a R$ 11 mil.

Torrada, mussarela de búfala, tomate e manjericão: saladinha ótima para começar os trabalhos

Locanda della Mimosa – Alameda das Mimosas, 30, Vale Florido, Petrópolis, RJ. Tel.: (24) 2233-5405. www.locanda.com.br Diárias a R$ 710 por casal (inclui café da manhã, chá da tarde e uma refeição no restaurante).

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Índice de posts de cidades no Rio de Janeiro

28/08/2010
 Aqui nesta página eu fiz uma seleção de posts sobre as cidades do interior do Rio de Janeiro, para facilitar as buscas (neste link aqui), listei alguns posts e matérias que escrevi para O Globo sobre as cidades serranas do estado.

Búzios:
-
Búzios: fim de semana gastronômico
Insólito hotel (e um fim de semana perfeito na Região dos Lagos)
-
Fotoblog: um sábado de verão em Búzios
- Impressões do verão 2011 em Búzios

 

Ilha Grande:
-
Como estão as coisas na Ilha Grande depois da tragédia
O réveillon na Ilha Grande
Acidente na Ilha Grande: por um triz?
A caminho da Ilha Grande
Fernando Pessoa, a Ilha Grande e eu
Que tal visitar a DPO da Ilha Grande?

Cachoeira em Lumiar, Nova Friburgo, um dos lugares mais graciosos da região

Nova Friburgo:
- Dicas de Nova Friburgo
Vamos subir a serra? Os programas mais gostosos de Nova Friburgo
Da horta para a (boa) mesa no Parador Lumiar: o trabalho delicado, criativo e autêntico do chef Isaias Neries

Os bolinhos de bacalhau da Gruta de Santo Antônio, em Niterói

Niterói:
- Boto fé na Gruta de Santo Antônio, o melhor restaurante de Niterói, tão bom quanto os melhores portugueses do Rio (e mais: uma outra visita ao restaurante, que agora serve leitãozinho assado)

Paraty:
-
Paraty: o lindo calendário das festas populares
- Paraty em foco
Ilha do Araújo, em Paraty: vida de caiçara
Festa do Divino, em Paraty: maravilhosa
 – Restaurante Le Gite d’Indaiatiba, em Paraty, um lugar lindo e com comida deliciosa: imperdível é pouco

Locanda della Mimosa, em Petrópolis: um dos melhores restaurantes do Brasil

Petrópolis:
- Pousadas de Petrópolis: Parador Santarém Marina
Pousadas de Petrópolis: um gostoso almoço dominical na Alcobaça
Pousadas de Petrópolis: um dia na Locanda della Mimosa (mais Locanda clique aqui)
-Parada estratégica a caminho do Vale das Videiras
Fazenda das Videiras
Duetto: delicioso e lindo restaurante
A caravana rumo ao Parador Valência: quem me acompanha?
Um dia na Locanda della Mimosa (e mais um: Aproveite que o Danio ainda está por lá)
Vamos subir a serra? Uma seleção de programas deliciosos em Petrópolis
O Quiosque: bonito, gostoso e posicionado estrategicamente para um almoço antes de descer a serra
Casa do Alemão x Pavelka: quem é melhor?
Um jantar de gala no restaurante Il Perugino, em Itaipava
A torradinha Petrópolis com ovo “escondidinho” do hotel Quinta da Paz: memorável
Casa do Alemão
- Petrópolis, a cidade (do bacalhau) imperial
-
 O cardápio do restaurante da Cervejaria Bohemia, em Petrópolis
Fotoblog: a imperdível Cervejaria Bohemia, em Petrópolis

 Teresópolis:
-
Camponesa da Beira: um lugarzinho pra chamar de seu
Dona Irene: refeição de czar (e mais: um fotoblog)
Que frio: um sábado gostoso na serra
Orquidário Aranda: pra não dizer que não falei de flores
St. Gallen: mais uma cerveja deliciosa feita em Teresópolis
Caldinho de piranha, polvo e pimenta para esquentar
Tempêro com Arte: bom, bonito e barato, um restaurante para todas as horas em Teresópolis (e o favorito da filha)
Taberna Alpina, em Teresópolis: tudo como antes, o que é uma delícia
- Vamos subir a serra? Os programas mais gostosos de Teresópolis
– Manjericão, em Teresópolis: a pizzaria que começou a ensinar o carioca a comer pizza, acabando com a piada de paulista
- Casa do Alemão x Pavelka: quem é melhor?
- O Bar do Mineiro teresopolitano
- Bar do Rangel, pé-sujo de verdade
- Casa do Alemão
- Villa Sankt Gallen
Terê botequim, parte 1
Terê botequim, parte 2
- Terê botequim, parte 3
Uma tarde deliciosa na Truticultura Luzia, em Teresópolis
Le Canton ganha pista de esqui;
- Uma seleção com o melhor da boa mesa de Teresópolis, a casa da Seleção

Fazenda Chacrinha, em Valença: uma das mais belas do Vale do Café

Vassouras/ Miguel Pereira e Vale do Café:
- Chalé das Delícias: paradinha gostosa no caminho entre Miguel Pereira e Vassouras

 

E mais:
-
69 lugares para amar no Rio de Janeiro 1
69 lugares para amar no Rio de Janeiro 2
- 69 lugares para amar no Rio de Janeiro 3
Verão na serra (e inverno na praia): por que não?
Uma seleção de matérias gastronômicas
Insólito hotel (e um fim de semana perfeito na Região dos Lagos)
Rio Botequim no interior do Rio de Janeiro (e mais dez botecos muito queridos)

   

Escapadas até São Paulo e Minas Gerais:
-
Aiuruoca: o preço das coisas
Aiuruoca, montanha mágica: voltarei!
A caminho de Aiuruoca
5 programas imperdíveis em Aiuruoca

Outros índices:
-
De restaurantes na cidade do Rio de Janeiro
De reportagens sobre o interior do Rio de Janeiro para o jornal O Globo

No bar do Antiquarius, de tapa em tapa

27/08/2010

Espumante com biscoitinhos de queijo: sempre o melhor começo

Mesmo quando o restaurante não está lotado, faço sempre questão de esperar por uma mesa no bar do Antiquarius. Faz parte do ritual clássico começar ali, seja nos confortáveis sofás das mesinhas ou mesmo nas cadeiras altas do balcão, com vista privilegiada do salão. Caso não haja lugar por ali, não me dou por vencido, e fico no mezanino mesmo, sentado naqueles móveis lindos (e antigos) que estão à venda. Mas nunca vou direto para a mesa. Gosto de começar ali, primeiro com os biscoitinhos de queijo, que são uma loucura. Na escolta de uma boa taça de espumante (ou champanhe mesmo, que ali faz todo o sentido) vão chegando os pratinhos do couvert: bolinhos de bacalhau e rissoles de camarão são imperdíveis, mas os croquetinhos de carne também fazem bonito. Só depois dessa brincadeirinha é que aceito o convite do maitre para ir até a mesa.

Na terça passada era para ter sido mais um processo mais ou menos assim. Mas acabei passando a noite inteira no balcão do bar, na ilustre companhia do amigo Pedro Mello e Souza – aliás, ninguém conhece melhor aquela casa que ele.

Assim, foi o próprio quem conduziu o menu. Só fui seguindo os seus pedidos, todos inéditos para mim no Antiquarius.

Primeiro fomos ficando no bar porque a casa estava absolutamente lotada, e era só uma terça-feira. Lotada mesmo, com muita gente em pé ali na parte do bar. Isso por volta das 21h, quando começamos o percurso. Acho até que vi o Rodrigo Santoro numa mesa…

E nós fomos ficando no bar. Primeiro, com o propósito de conseguir uma mesinha, depois, acabamos preferindo ficar ali mesmo, só nos belisquetes, coisa que nunca tinha feito no Antiquarius, e achei demais. E já que bebíamos um bom branco português, ficamos só nadando nos sabores do mar (aliás, teve um chouriço flambado na bagaceira, só para quebrar o ritmo das ondas, o marulho, a calmaria marinha).

Camarão à Zico: panelinha ardente com pimentões, alho, muito alho, e lindos crustáceos

Depois dos petiscos do couvert, começamos a encorpar os nossos pratos. Fizemos uma linda sequência de belisquetes assados em fogo alto nessas charmosas panelinhas de barro aí de cima. Depois do aquecimento, entramos em campo com o pé direito.

- Manda descer aí uma porçãozinha do Camisa 10 – pediu o Pedro.

Eu logo entendi que se tratava do camarão à Zico, prato clássico da casa. Apesar do ataque do Mengão estar devendo, o prato bate um bolão – ganhou este nome porque a Sandra, mulher do Galinho, quando foi morar na Itália pediu a receita ao Perico. Era algo simples, um clássico português, como as gambas ao ajillo, uma combinação de camarões, pimentões vermelhos e alho, muito alho, assados com bastante azeite em fogo altíssimo. Uma beleza. Tão bom, mas tão bom, que até as torradas imersas naquele azeite rico eram algo sublime.

As pequeninas enguias afogadas em azeite e pimenta dedo-de-moça entraram para a galeria de "pratos imperdíveis do Antiquarius" para mim

A etapa seguinte quitou uma dívida antiga de mim comigo mesmo: provar as tais angulas, as pequenas enguias, servidas afogadas em azeite e pimenta dedo-de-moça, que chega à mesa ainda borbulhando de tão quente. Olha só: parece até uma macarrão oriental, ou sei lá, um broto de bambu. Mas não parece um peixe. Adorei. Para pescá-las na cumbuca de barro fervente nós recebemos garfinhos de madeira. E o momento entrou para a minha história. Demais. Vou pedir sempre. Apimentado, salgado, untuoso, o pratinho é uma delícia.

- Ah, mas tu tens que provar os joaquinzinhos – disse-me o Manuelzinho, ao ver meu encanto com as enguiazinhas.

Sabia que não se tratava de um primo patrício do maitre da casa. Então, perguntei, curioso:

- Joaquinzinhos?!?!?!

- São pequenos peixinhos, que comemos vários de uma vez lá em Portugal. Um amigo sempre me traz. E também tem os pombinhos assados, uma delícias, comemos o bichinho inteiro, pequeninos, com cabeça e tudo – lembra, saudoso, Manuelzinho, o maitre que é a essência do Antiquarius, a alma alentejana.

Lagostins com curry, assados ao forno: sinto até o perfume e ouço as borbulhas do molho muito, mas muito quente

Que tal uns lagostins à moda do Antiquarius? Boa. Mas se você pensa que esta é uma receita bem lusitana, estás muito enganado. Pode ser, no máximo, uma receita com inspiração em Goa, antiga colônia portuguesa na Índia. Isso porque se trata de um delicioso lagostim ao curry, que me confirmou outra característica rara do Antiquarius: o esmero e excelência no preparo dos crustáceos.

Tenho uma teoria: peça um prato de camarões para ver se o chef sabe cozinhar, porque este crustáceo delicado tem um ponto de cozimento muito preciso, e só os grandes restaurantes sabem alcançá-lo. No Antiquarius eles sabem. Eu é que não sabia que eles sabiam, porque ali raramente saio do circuito bacalhau e pratos encorpados de carne à moda portuguesa. Peixes e frutos do mar não me lembro de ter pedido uma vez na vida sequer. E olha que foram muitas as visitas. Mas os pedidos não variavam tanto: picadinho, bacalhau à lagareiro, perna de cordeiro à moda de Braga (com feijão branco, uma delícia que pode ser facilmente dividida por duas pessoas), escalopinhos ao roquefort e outras coisas do gênero.

A versão alentejana de nossa querida linguiça na cachaça

Foi justamente a esta altura que decidimos ficar por ali. Para brindar, pedimos uma porção de chouriço na bagaceira.

- Vamos pedir um tinto?

- Que nada, esse branco tá bonzão, vamos nele mesmo.

E seguimos em frente.

Casquinha de centolla: transbordando sabores e temperos

Primeiro uma casquinha de centolla (casquinha, não, cascona). Era um conchão recheado com creme bem temperado com este caranguejo.

Já passava de uma hora da madrugada quando chegaram a Malu Mader, o Tony Belloto e uns amigos. Pediram rapidinho.

A sopa rica de frutos do mar é uma cumbuca coberta com massa folheada e recheada com um bisque de salmão e crustáceos: demais, demais, demais!!!

Ainda tivemos tempo de ordenar a sopa rica de frutos do mar, um inebriante pote coberto com uma massa meio folheada. Lá dentro um bisque realmente rico, muito perfumando, com pedaços robustos de salmão e camarão, um desses raros pratos dignos de antologia, nascido para dias frios: quente, espesso, condimentado, acolhedor. Uma sopa que é prato principal. Grand finale.

É… O Antiquarius, que sempre foi o melhor restaurante do Leblon de tantos restaurantes, é também o melhor bar de tapas do Leblon de tantos bares de tapas…

E o clássico pratinho de doces, que sozinho já justifica uma visita ao restaurante do Leblon

Depois dessa bagunça toda ainda devorei o pratinho de doces, inevitável. Encharcada, sericaia, rocambole de laranja, estrogonofe de nozes (acredite, este doce de nome estranho que eu nunca havia provado é muito bom).

Dispensei o café. Eram 2h30. Pedi um táxi. Dormi como um anjo.

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Uma semana para variar o menu

25/08/2010

Jamón Iberico Gran Reserva, da Josep Llorens e Fills: presunto especial é a estrela do festival do restaurante espanhol eñe, que foi prorrogado até o fim desta semana. Vale muito a pena

Para quem quiser dar uma variada nos pratos convencionais e provar cardápios diferentes esta semana está bem interessante.

No restaurante Atlantis, no Sofitel, o chef Roland Villard está convocando para um festival de crepes. Ele serve a receita à moda da Bretanha, com trigo sarraceno, assim como na ótima creperia Le Blé Noir, perto do Sofitel, ali em Copacabana mesmo (só que LPC eles são servidos enroladinhos, e não abertos). Assim como no restaurante da Xavier da Silveira, a melhor pedida para acompanhar a iguaria é uma taça de sidra .

No Sushi Leblon começou ontem um minifestival de cozinha, digamos, nipo-espanhola em roupagem contemporânea. O chef catalão Esteban Jaurequi se junta à colega carioca Karen Couto para montar uma seleção de nove receitas bem interesantes. Ambos trabalharam com Ferrán Adrià e mostram alguma influência dele. O menu, que custa R$ 195, me parece bem interessante. As entradas são ouriço em texturas com ovas de peixe, ostra fresca com vingreta, ovas de arenque e bacon, tempura de tomate-cereja com wasabi e brioche cozido no vapor e frito, recheado com caranguejo, molho de frango e amendoim. São mais quatro pratos, mais encorpados: atum com berinjela na brasa, missô e molho ponzu, ovo cozido a baixa temperatura com caldo de alga kombu e atum seco, tortilla de alcachofra com bacalhau e, para encerrar, uma bonita composição chamada “Mar e montanha”, reunindo camarão, vieira, frango e shimeji. Para encerrar mais um prato bonito, pelo menos nas fotos: sorvete de limão com gengibre fresco sobre pé de moleque de gergelim, mousse de chocolate e iogurte.

Na noite de sexta-feira os apreciadores de uma boa cerveja, e das coisas brasileiras, de uma maneira geral, não podem perder o encontro no Clube Campestre, no Alto Leblon. Guilherme Studart, o maior expert em botecos cariocas, e Chico Jr., autor dos livros “Roteiros do Sabor Brasileiro” e “Roteiros do Sabor do Estado do Rio de Janeiro”, organizam uma degustação chamada “A arte das cervejas especiais”, com uma seleção de algumas das melhores louras do Brasil. Serão servidas a Backer Pilsen, de Ribeirão das Neves, MG; a St. Gallen Weiss, de Teresópolis, RJ; a Eisenbahn Pale Ale, de Blumenau, SC; a Baden Baden Bock (bock), de Campos do Jordão, SP; a Bamberg Rauchbier, de Votorantim, SP; a escura Demoiselle (porter), de Ribeirão Preto, SP; e a artesanal Fraga Weiss, do Rio de Janeiro, RJ. Quem conduz a prova é o autor desta última marca, o cervejeiro Sérgio Fraga. Para acompanhar a degustação serão servidos pratos bem brasileiros, especialidade do café do Alto, o simpático bar do clube (aliás, um ótimo lugar para se tomar um bom café da manhã à maneira nordestina, pernambucana, mais especificamente).  Na noite de sexta os cervejeiros vão comer, entre outras coisas, caldinho de feijão, caldinho de sururu, ovo cozido colorido, pastel de carne, ensopadinho de caranguejo, anguzinho do Dudu, beiju com presunto defumado, pernil assado do Bracarense e salada de feijão fradinho com bacalhau do Poleiro do Galeto, na Cadeg. Como sobremesas, bolo de rolo, bolo Souza Leão e bolo de aipim. Parece incrível, né? Custa R$ 125. Pena que não estarei por aqui… Quem quiser reservar deve escrever para este e-mail aqui: chicoju@terra.com.br

E para quem ainda não foi, o Festival de Jamón (na foto) do espanhol eñe (leia mais aqui) foi prorrogado por mais uma semana.

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Fotos de botecos: sensacional isso aqui

25/08/2010

Preciso visitar todos. Acho que vou refazer o programa igualzinho…

http://oglobo.globo.com/blogs/fotoglobo/posts/2010/08/22/domingueira-318097.asp

Bar da Frente e Aconchego Carioca: é só atravessar a rua… e ainda tem o Petit Paulette ali do lado…

24/08/2010

 

Bar da Frente: herdou o endereço e a geladeira de cervejas do Aconchego carioca, além da vocação para criar deliciosos petiscos

Já havia tentado, sem sucesso, visitar o Bar da Frente, que assumiu as instalações do Aconchego Carioca quando este vitorioso botequim carioca precisou ampliar o espaço para a clientela crescente.

Assim nasceu mais um lindo lugar para se gastar o tempo entre cervejas e petiscos ali naquele outrora esquecido recanto carioca, a rua Barão de Iguatemi, nas adjacências da Praça da Bandeira. Hoje em menos de um quarteirão temos três bares dignos de nota: o Aconchego Carioca, pai de todos, hoje em nova casa, o Petit Paulette, absolutamente imperdível, e agora o Bar da Frente, na casa do primeiro e também imperdível como o segundo. Na verdade, os três botecos são imperdíveis. Aos profissionais do ramo, vale uma investida demorada para investigar os três de uma vez. Mas também, é preciso lembrar, cada uma das casas merece uma visita exclusivamente dedicada a ela, com passeio mais completo e profundo pelos menus criativos que são a marca daquelas cozinhas. Quer saber a verdade? Cada um desses botecos merece pelo menos três visitas. E pronto. Tem prato até, como o bolinho de feijoada, que merece ser provado três vezes, pelo menos… por ano…

Mas, como dizia, já havia tentado visitar o Bar da Frente. Foi na sexta passada, ao redor do meio-dia e qualquer coisa, quase uma da tarde. Acredite, a casa estava lotada, assim como os bares todos do pedaço. Vagas? Claro que não havia. Depois de umas três voltas, desisti. Hoje consegui, enfim, meu lugarzinho na varanda do bar da Frente, ainda enfeitada pelo desenho que faz menção ao Aconchego Carioca.

O bolinho de arroz de puta do Bar da Frente é servido com molho de mostarda com caramelo e um potinho de pimemta da boa

Tentei provar o tal chope artesanal Botto Bier servido ali, mas não estava disponível. Fiquei na cerveja mesmo. Pedi um petisco que estava muito curioso em provar, o bolinho de arroz de puta, que é uma reinterpretação de um dos carros chefes da casa, uma homenagem às meretrizes. Com o nome oficial de arroz-de-puta-rica, mistura o cereal com carne seca, lingüiça, palmito, carne, frango, cenoura, ervilha e cenoura, tudo servido com uma coroa de dois ovos. O tal bolinho, ao que me pareceu, não é tão complexo assim, leva menos ingredientes (carne seca, lingüiça e cheiro verde, em especial). Mas é uma delícia. Sequinho, tem um recheio realmente delicioso. O toque gourmet fica por conta do molho de mostarda e caramelo, que dá uma bossa agridoce na parada, e a boa pimenta da casa dá conta em acentuar o tempero. Bingo! Beleza!

O Bar da Frente herdou mais que o endereço do Aconchego. Ficou, por exemplo, com a famosa geladeira de cerveja, ainda posicionada no mesmo e estratégico lugar, a porta do bar, como uma vitrine.

Apesar de ter adorado o bolinho e de ter ficado curioso para provar vários pratos do cardápio, com receitas muito interessantes (entre os petiscos, como o camarão crocante, empanado no coco verde e servido com chutney de maracujá e molho de iogurte com hortelã, e croquete de bacalhau com molho de azeite, azeitonas pretas, alho e ervas, e entre os pratos principais, o risoto de rabada).

O salão, agora mais espaçoso, tem ar condicionado e mantém a antiga decoração, com redes penduradas no teto e quadros de cervejarias e de artistas nordestinos

Mas resisti à tentação. Porque a missão da tarde incluía uma visita ao Aconchego Carioca, porque ainda não tinha ido no novo endereço, um casarão de esquina, com salão refrigerado, algo muito bem vindo, essencial quase, nos dias quentes de verão. E continuam lá as redes penduradas no teto, os quadros de cervejarias e de artistas nordestinos.

Moquequinha de camarão: creme de baroa com gengibre coroado com os crustáceos bem temperados

Foi só atravessar a rua que lá estava eu no Aconchego. Tinha em mente pedir, como sempre, os bolinhos de feijoada, uma das obras-primas da gastronomia brasileira. Mas, pela primeira vez, não fiz isso, resolvi investigar outros sabores. Comecei com uma gostosa tigelinha, chamada moquequinha de camarão, uma creme de baroa carregado no gengibre (delícia) com esses crustáceos lá em cima. Goteje a pimenta. Seja feliz.

Ainda estava cogitando pedir os bolinhos de feijoada quando duas receitas me chamaram a atenção: deixa arder, uma porção de pimentas dedo-de-moça recheadas com carne-seca e requeijão, e o bolinho de feijão branco com rabada.

Perguntei à garçonete sobre qual era melhor.

- Sou suspeita, porque sou eu que faço a pimenta.

- Ah, que ótimo, eu quero, então.

- Mas pior é que já acabou, acaba rapidinho…

- Então, snif, me dá o bolinho de rabada.

Bolinho de feijão branco com recheio de rabada do Aconchego carioca: massa meio seca, algo entre o acarajé e o falafel, mas o recheio estava incrível

Quando chegou a travessa, eram seis bolinhos, que mais lembravam um falafel. E a massa, de fato, era mais seca do que eu esperava, longe daquela cremosidade estonteante do bolinho de feijoada. Mas, ao menos, o recheio estava bom, muito bom, com uma deliciosa carne de rabo de boi. Também adorei o prato: reparou que é um caroço de feijão branco? Novamente era só pingar a ótima conserva de pimenta local, de onde é possível resgatar algumas rodelas de dedo-de-moça, que podem ser depositadas sobre os petiscos, instante de glória que me parece adequado a todos os pratos do cardápio.

Estava um pouco ressabiado com o Aconchego. Porque, além de colocarem maionese na receita do Comida di Buteco deste ano, ainda criaram um prato paralelo, usando Doritos, para fazer um agrado em outro detestável patrocinador do evento.

Agora, depois de visitar novamente a casa, e imbuído do espírito pacifista que gosto de ter, mas nem sempre tenho, vejo que apesar dos pesares, o Aconchego ainda é, sem qualquer dúvida, um dos melhores botecos do Brasil, com louvável seleção de cervejas (umas 200 diferentes) e petiscos verdadeiramente deliciosos, e pratos igualmente assim.

Agora, com o Bar da Frente, a rua Barão de Iguatemi entra definitivamente para a galeria de ícones da gastronomia carioca.

Que legal.

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Na Osteria dell’Angolo, o macarrão do Chico

23/08/2010

Penne com camarões e abobrinha em um molho cremeso com açafrão: delícia

À exceção do time que escolheu para torcer, o Fluminense, o Chico é um cara que sabe das coisas. (Que Chico? O Buarque, ora bolas.)
Come quieto. Anda no calçadão. Tem casa no alto do Jardim Botânico e apartamento em Paris. Morou em Roma quando exilado. Gosta de ler e escrever. Curte jogar uma pelada. É do samba. Compõe para mulheres e crianças. E, além disso tudo, gosta de freqüentar bons restaurantes. Ele tem uma queda especial pelas casas italianas (morou em Roma, lembra?). No Rio, é visto com regularidade em alguns dos melhores endereços da especialidade: Quadrifoglio, Capricciosa, Margutta, Osteria dell’Angolo. Neste último, em Ipanema, pede sempre uma massa com camarões, abobrinha e açafrão.
E eu, que não sou bobo nem nada, quando fui almoçar lá pedi o prato do chef. Quer dizer, do Chico. É bom mesmo. Massa de grão duro, cozida no tempo certo (no caso, um penne, mas pode ser farfalle, espaguete, talharim. Você decide). O molho usa aqueles camarões médios que são uma faca de dois gumes. Se cozidos além do tempo, ficam duros e o sabor delicado se acentua horrivelmente (sabe aquele camarão que você provou no bufê e não gostou? É isso aí. Também, queria o quê: o bicho fica lá, horas e horas, cozinhando no réchaud…). Em compensação, se ficar o tempo certo no fogo (nunca mais de cinco minutos, dizem os sabidos) é, para mim, o camarão mais saboroso de todos. Para mim, não há VG, pitu, lagostim ou assemelhados que superem aqueles camarõezinho médios em termos de sabor e textura. Mas só quando preparados no tempo certo. Como foram nas duas vezes em que comi o prato.
O molho preferido do Chico leva ainda abobrinhas quase cruas, que dão alguma crocância à coisa. E o açafrão perfuma e colore o prato. Uma pitadinha de salsinha picada e está pronta a receita. Regar com azeite extra-virgem é altamente recomendável. E o queijo parmesão deve ser usado com absoluta moderação para não se sobrepor à delicadeza do conjunto.  
O Chico sabe das coisas.
Ah, quase me esqueço de dizer: o cara também adora o couvert da casa, que varia de acordo com os ingredientes, como deveria ser qualquer cozinha que se preze. Eu também adoro: no minha última visita tinha vinagrete de frutos do mar fresquinhos, abobrinha e berinjela grelhadas, brócolis no azeite com palmito, azeitonas pretas incríveis… E pães, muitos pães, para passar no azeite que resta na travessa. Aí você entende porque vez ou outra a Osteria dell’Angolo papa o título de melhor couvert da cidade. Não dispense a seleção de antipasti sob nenhuma hipótese.
Também não falei que o ambiente é muito gostoso, com a luz natural invadindo o salão pelos janelões de canteiros bem cuidados. Nem disse que o Chico também curte o risoto de endívias preparado ali, escoltado regularmente por um potente Dolcetto D’Alba.
E tampouco disse que o restaurante também prepara outras receitas do norte da Itália com estrema competência. Tem risoto de camarão com aspargos, pernil de vitela com polenta, fusilli com mascarpone e tomate seco… E os peixes e frutos do mar estão sempre frescos, pode pedir sem medo. É famoso (e cheiroso, e bonito) o espaguete com frutos do mar.
A carta de vinhos tem preço justo. Pensando bem, o cardápio todo tem preços justos.
E perdão por não ter avisado antes: o restaurante tem uma filial no Centro, na rua Teófilo Otoni, 63.
Mas, diante do prato preferido do Chico, que importância há em todo o resto?
Fecho a historinha de hoje com uma dica: se quiser viver um momento ainda mais buarquiano, saiba que ele se senta sempre no mesmo cantinho do segundo andar, sempre mais vazio. É só pedir que o garçom te acompanha à mesa do Chico. Isso se o próprio não estiver por lá bebendo o seu vinho e comendo o seu prato preferido.

Publicado em 2008.

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Le Vin, em Ipanema: três anos de praia

20/08/2010

O cassoulet do Le Vin, na escolta de um Bordeaux: o restaurante é infalível para saborear o receituário francês

Este texto foi escrito há quase dois anos, em novembro de 2008, mas penso que continua atual. O Le Vin é um endereço certeiro para passear pelos sabores típicos de bistrô francês. Merecem palmas, por exemplo, os rins com mostarda,  o pato confit e o steak tartar. Adoro aquela casinha.

Enquanto o Le Deux Magots não vem para o Brasil, o Le Vin completa um ano no Rio. Parece mais. Para mim, foi uma das melhores novidades da temporada 2007/2008, uma das belas contribuições paulistanas à gastronomia carioca. O Le Vin parece ter sido feito para Ipanema. Numa antiga mansão na arborizada Barão da Torre, tem uma das varandas mais agradáveis da cidade. E uma das adegas mais lindas, ocupando a garagem da casa. Os vinhos acompanham bem o menu de bistrô, prevalecendo os rótulos franceses com algumas concessões a outros europeus e alguma coisa do Novo Mundo.
O cardápio apresenta todos os clássicos franceses: das ostras frescas (de Santa Catarina) para divertir a boca aos ovos nevadas, à tarte tatin e ao crème brûlée da sobremesa, não falta nada. Na minhas três visitas, pude fazer um passeio por alguns dos pratos clássicos da casa, muitos já provados nas filiais de São Paulo. A primeira coisa que pedi, na visita inaugural, foi o cassoulet, com muita carne, feijões íntegros a a gostosa casquinha de farinha de rosca. Estava especialmente bom o confit de canard, um dos melhores que já comi, tanto que me fez pedir o prato isoladamente. Me esbaldei com o rim de vitela ao molho mostarda, a ponto de raspar o prato com o pãozinho do couvert – que, aliás, vai muito bem com o patê e a manteiguinha servidos juntos. Também curti as moules et frites (ou seja, mexilhões à provençal com batatas fritas) e o steak tartar, servido com o mesmo acompanhamento. E não posso esquecer do risoto de bacalhau. Ainda falta muito a provar: quero muito os escargots com manteiga de alho e salsa, o boeuf bourguignon e o fricassée de champignons à la crème de foie gras. Isso sem falar nas tartines e sanduíches e nas saladas (de chévre chaud, de camarão flambado com Pernod e de pato desfiado, entre outras). E ainda tem sopinhas, omeletes, tartares e carpaccios. Eu volto logo.

Antes que me esqueça, outra coisa que gostei: os vinhos foram sempre sugeridos com correção e sem ganância. O sommelier indica vinhos em várias faixas de preço, explica os estilos, como deve ser. E ainda leva para um passeio na linda adega.

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