Impressões do verão em Búzios

Mix de entradinhas do tailandês Sawasdee: uma das delícias de Búzios

Búzios hoje tem até rodoviária. Escrevo de dentro dela, cozinhando meus miolos num calor infernal. A rodoviária de Búzios, noto neste instante, é do tamanho de um ônibus, daqueles que a Viação 1001, única empresa que opera no terminal, usa para transportar passageiros entre o Rio de Janeiro e o balneário mais, como dizer¿, badalado do Brasil.
Búzios está lotada neste verão que pelo menos por aqui, chegou com muita força. Que soleira gostosa fez no final de semana. Estou até ardido, vermelho (pareço até turista paulista).
Búzios está muito, mas muito cheia. “Nunca vi na vida um verão tão lotado como este”, revela o meu motorista de táxi, de aquatáxi, naturalmente. Teve momentos em que três navios estavam atracados junto à costa da cidade. Imagine quanta gente não circulou por ali. Pousadas estão todas lotadas, e muito caras. Paguei R$ 500 pára passar duas noites na pousada Solar do Peixe Vivo, que embora seja uma das mais bem localizadas, bem na Orla Bardot, em frente à estátua do JK (aliás, o ex-presidente se hospedava naquela casa), é uma das piores em que já estive (pelo menos nos últimos dez anos): o ar-condicionado não funcionava direito, a tomada do frigobar estava quebrada e o chuveiro era fraco (ainda bem que não precisei, porque a água quente era impossível de usar).
A verdade é que Búzios consegue ser uma delícia mesmo no verão: só os peixes e frutos do mar sempre frescos do Satyricon, os pratos apimentados, adocicados e ácidos do Sawasdee, e suas respectivas vistas para a praia da Armação, os mergulhos na Azeda, o fim de tarde no La Rocka, na Praia Brava, só isso já fazem Búzios valer a pena a qualquer tempo. Mas não resta dúvida que no inverno é muito melhor: quase não chove, os preços estão melhores, os restaurantes e ruas muito mais vazio. Búzios só é mesmo civilizada naquele tedioso período entre o carnaval e o Natal.
Mas adoro este lugar. Búzios é bom a qualquer tempo. Mesmo neste caos. Há fila para tudo: restaurantes, mesmo os ruins, lanchonetes, bares, mercadinhos, farmácias, vans e o que mais for.
Podia ser ainda muito pior. Sorte é que boa parte dessa massa de turistas que visita Búzios nesta época resolve fazer o totalmente dispensável passeio de 19 praias e três ilhas. Para isso, enfrentam, filas gigantescas no cais de embarque. Uma loucura. Vai lá que eu não vou. O Tal passeio que cobriria toda a península é a maior enganação. É mais ou menos assim.
– Aquela ali é a praia … era a Praia Azeda. Agora vamos parar para um mergulho. Cinco minutos depois, zarpamos.
Tudo isso com música ruim e alta, gente bêbada enchendo a cara, crianças chorando, casais discutindo a relação… Um inverno a bordo. Mas há quem gosto, acredito eu. Como disse, vai que eu não vou.
Sorte que muita gente prefere esse tour marinho infernal a se dedicar à praia. Sorte, muita sorte. Porque no verão, pelo menos de manhã, quando sai a maior parte dos passeios, ainda dá para ir à praia. Se esse pessoal não fosse passear de barco, não daria para ir a praia nem de manhã. Ontem, até o meio-dia e meia, a Azeda estava uma delícia. Depois disso, não dá.  A noite de Búzios é animada, como se sabe. Então, o pessoal acorda tarde. Pelas manhãs a praia é das famílias.
Dei sorte. Consegui antecipar a passagem de ônibus de volta para o Rio do meio-dia para às 11h. Três pessoas desistiram da viagem. Havia duas pessoas querendo antecipar a volta. Eram três lugares sobrando. Dei sorte em dobro. No ônibus lotado, sou o único passageiro que viaja sem ninguém ao lado.
Continuo a escrever remotamente. Agora na poltrona 27 do ônibus da 1001 (a 28 está ocupada pelo computador). Estamos parados no Graal. Não vou descer. Interrompi a leitura de “Mil dias na Toscana”, de Marlena de Blasi, para escrever um pouco mais dessas impressões de um fim de semana em Búzios no verão. Quero subir um post logo que chegar em casa, antes de cair no Samba do Trabalhador, emendando com o Samba da Pedra do Sal.
Agora escrevo de casa. Então, já me despeço. Depois post mais fotos e histórias do fim de semana em Búzios.
Agora, não. Agora a farra me chama. Quero comemorar. Com licença que vou sambar. Com uma passadinha pra comer empadas no Salete antes.

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5 Respostas to “Impressões do verão em Búzios”

  1. Carolina Amorim Says:

    Oi Bruno, que delícia!

    Búzios é sempre relaxante e romântico! Na próxima vez, gostaria de convidá-lo para conhecer o restaurante Cigalon, super tradicional também, 16 anos em Búzios.

    Beijo grande e bom samba pra vc!

  2. Caio Says:

    Oi Bruno. Nossa Búzios está lotada mesmo. Mas continua linda.
    Essa empada da Salete é aquele restaurante na Tijuca? Nossa faz tempo que não passo lá.
    Na zona sul tem alguma empada como aquela?
    Abs

  3. Caio Says:

    Aliás Bruno tem tempo que não vou na Tijuca. Acho que vou lá na quinta. Tem alguma sugestão de um restaurante simples gostoso por ali?

  4. Fotoblog: um sábado de verão em Búzios « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Novo Rio. Às 11h15 já está aí, no cais de Búzios (para ler outro post sobre a viagem, basta clicar aqui). Viagem tranquila, lendo um livro, descansando, bem melhor que de carro. Um pouco mais demorado, […]

  5. Clara Machado Says:

    Adorei Buzios! Fui no ano pasado e fiquei apaixonada pela gente e as suas praias!! Além disso tem muita coisa boa para fazer :) E a comida, mmm delicia! hehe
    Clara
    Buzios Hoteis

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