
Um chope na pressa e uma porção de filezinho aperitivo com cebola, alho e salsinha, acompanhada de aipim frito: beleza
Quando comecei a frequentar botecos, ali em meados da década de 1990, o Bracarense reinava absoluto como o melhor da cidade, isso quando começaram a fazer concursos do gênero. Ganhava como o melhor salgado, o bolinho de aipim com camarão e catupiry, e ganhava como o melhor chope. Nesse tempo saudoso de iniciação à boemia lembro que não havia mesas e cadeiras do bar. Os donos dos banquinhos baixos eram os próprios clientes assíduos, que guardavam no depósito a mobília no final do dia.
Em 1998 um dos sócios, Armando, foi assassinado na porta de casa. Foi um baque. Mas o Braca seguiu firme por alguns anos como “o melhor botequim da cidade”, isso num tempo que que ainda existia um excelente Bofetada, na Farme de Amoedo, onde comíamos o badofe, misto de tutu com carne seca e torresmo, obra-prima, e tantos outros bons endereços já finados, como o Final do Leblon, de bendita capa de filé com feijão-manteiga, o Le Coin, reduto rubro-negro de comida farta e a preço justo.
Aí, a cultura botequeira aflorou com imensa força entre os cariocas, que vestiram a camisa, e começaram a visitar bares e mais bares, em locais distantes, como o Bar da Amendoeira e o Adonis (pessoal da Zona Sul indo até Maria da Graça, e mesmo Benfica, para petiscar e beber chope é fonômeno recente). Mérito, em parte, das ótimas edições do Guia Rio Botequim, que não se repete, mudando a fórmula a cada ano. O festival Comida di Buteco, ainda que com DNA mineiro, é reflexo de tudo isso.
Também foram surgindo novidades incríveis, como o Enchendo Lingüiça, no Grajaú, e o Petit Paulette e o Aconchego Carioca, ambos na Praça da Bandeira. Boteco virou cool.
No mesmo momento em que a concorrência crescia, ela foi engordada justamente pelos dois nomes mais famosos do Bracarense: a cozinheira Alaíde e o garçom Chico, que viraram sócios do Chico & Alaíde, também no Leblon, perto dali, levando parte da clientela.

Camarão empanado com catupiry, bolinho de abóbora com carne seca, bolinho de aipim com camarão e catupiry, bolinho de feijoada: companhias perfeitas para um chope e um bom pote de pimenta
Pois foi justamente aí, quando tudo conspirava contra, foi aí que percebi: menos badalado, o Bracarense está melhor do que há cinco ou seis anos atrás. Continua cheio, mas nem tanto. Não estampa reportagens como antes. Não recebe turistas como antes.

Em primeiro plano os bolinhos de feijoada, empanados na farinha de milho, aacompanhados de vários outros salgadinhos gostosos
Enfim, está melhor, porque algumas coisas não mudam: o Dirceu continua pilotando como ninguém a chopeira, o bolinho de aipim com camarão e catupiry continua do mesmo jeito, como nos tempos da Alaíde, o pernil é extraordinário, o caldinho de feijão, cremoso e saboroso. E ainda há boas novidades, como o bolinho de feijoada, com a receita da Katia do Aconchego, mas um pouquinho menor, há o bolinho de abóbora com carne seca…
… e uma empadinha de queijos fundidos maravilhosa, leve, gostosa.

Para encerrar, um close no filezinho malpassado com cebola, alho frito, cheiro verde e aipim: uma delícia
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29/06/2011 às 18:32 |
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