Antigamente, há muito tempo atrás, éramos nômades por obrigação. Andávamos em busca de comida.
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Gastronômade Brasil pela primeira vez no Rio de Janeiro: no próximo dia 22, sábado da outra semana, na Reserva Aroeira, em Piraí
13/09/2012O segundo dia no Ponta dos Ganchos: parecido, e diferente do primeiro
05/07/2011Com todo aquele frio de dez graus, com toda aquela chuva, o único remédio para o fim da manhã e o começo da tarde de sábado era me recolher aos meus aposentos para relaxar. Sauna e hidromassagem com muita espuma, hidromassagem e sauna com muita essência de eucalipto.
Piscina aquecida panorâmica para dar uma refrescada.
Televisão.
Sauna. E fiquei nesse motocontínuo por umas duas horas.
Claro que abriu o apetite. E descemos ao restaurante. Lá, uma senhorinha mostrava a técnica de um bordado que é tradição local, herença dos açorianos que colonizaram Santa Catarina.
Estea era a minha visão no almoço até a chegada do Josimar Melo…
… com quem dividi antes do almoço uma pinga da região, feita a partir do melaço, como o rum.
Nem de dia o frio dava trégua. Ainda bem mesmo no almoço a lareira dava uma esquentadinha no salão.
Primeiro, a boa cestinha de pães.

Depois, uma duplinha de ostras ao vinagrete, pescada do cardápio de petiscos da praia.
Com espumante, é claro. Não, não era champanhe, mas o agradável Chandon Brut, lá de Garibaldi.
Saladinha com folhas, tomate e palmito, para começar levemente a refeição.

Em seguida, arroz de siri, além de…

.. polvo e camarões grelhados com legumes, acompanhado de um molhinho de alho bem legal.
Encerrei com telhas de chocolate com mousse de maracujá.

Uma soneca e uma sauna depois… Subi para o bar, onde acontecia uma degustação dos vinhos que acompanhariam o jantar. Coisa fina, muito boa.
Primeiro, champanhe Pol Roger, que nunca é demais.

Depois, um branco de responsa, o Muscadet de Sévre et Maine Sur Lie Royal Oyster 2006, seco e mineral, seguido pelo…

… ótimo Fixin Domaine Pierre Gelin 2006, fresco e aromas de frutas negras e especiarias. Fixin é uma denominação da Borgonha, vizinha a Gevrey-Chambertin, que tem ótimos vinhos, a preços mais razoáveis que a média da região.

Para encerrar, um Tokaji de colheita tardia, mais leve e menos doce que os Aszú, rico e aromático, com aromas de mel a abacaxi maduro. Bons vinhos, que me pareceram adequados ao menu delicado da chef Paola Carosella.

De lá, descemos uma vez mais para o restaurante, para mais uma refeição memorável sob o comando da chef argentina do restaurante paulistano Arturito. Primeiro, lâminas de peito de pato curado, quase um presunto de Parma, servido sobre um brioche, com brotinhos. Par perfeito para o Pol Roger.
Depois, mexilhões à provençal absolutamente perfeitos. Ainda mais com um bom Muscadet.
O ato final entre os pratos salgados foi uma massinha caseira com coelho assado lentamente, desfiado, com pinoles tostadinhos. A foto está ruim, mas a comida estava sublime, ainda mais com o Fixin.
A sobremesa eu classificaria com uma obra de arte: confit de pêras, queijo manchego espanhol, crocante de amêndoas e alecrim, saba com trufas brancas… Um espetáculo de sabor, hamonia e texturas. Pobre fotógrafo, incapaz de retratar a grande desse momento memorável.
Encerramos com portos e charutos na varanda.
Na manhã seguinte, quando já salivava para repetir as gostosuras do café da manhã do dia anterior, vi que teria um novo menu para começar o dia: suco de manga com linhaça e água de coco, iogurte com papaia, granola e quinua e gomos de laranja com coco ralado. Variar é muito bom, mas ao menos o ótimo shot de couve, maçã e gengibre estava lá novamente. E eu, que sempre gostei de xote, fiquei a cantar:
“Cendo um cigarro de vez em quando,
Pra esquecer de pra alembrar,
Que só me falta uma bonita morena,
Pra mais nada me faltar,
Que só me falta uma bonita morena,
Pra mais nada me faltar….”
No caminho para o café, rejeitei o convite para a trilha: chovia e fazia frio. Não, obrigado.
Assim, o domingo começou cedinho, às 9h30, ao sabor de…
… sanduíchinhos de ervas e cenoura, presunto cru e até croque monsieur.
Eis que chega o café.
Depois, uma repetição da infalível fórmula ovos & ovas, dessa vez em forma de ovo molo com caviar. E, importantíssimo, uma bela torradinha. Ai ai ai.
Para terminar, tapioca com canela e doce de leite. Precisa explicação?
Voltei para o quarto. Acabou a preguiça. Dia de voltar para casa. Muito trabalho. Um cafezinho para dar um gás. A Sauna saideira. Mais um mergulhinho na piscina, mais uma sessão de hidro. A despedida.
Fotoblog: 24 horas deliciosas no hotel Ponta dos Ganchos em 31 imagens
03/07/2011Existem hotéis ruins, existem hotéis bons, existem hotéis ótimos e existem os extraordinários. O Ponta dos Ganchos é um desses hotéis fora de série, especialmente os bangalôs 21, 22, 23, 24, 25 e 26, que têm sauna no quarto, imenso, além de adega, hidromassagem, piscina aquecida e uma cama incrivelmente confortável.
O meu é o 21. Maravilha.
Logo que cheguei na tarde de sexta, com três horas de atraso, porque o Santos Dumont passou a manhã fechado, fui almoçar. O restaurante fica ao lado da prainha quase particular, com águas calmas, claras e frias, especialmente nesta época do ano, que tem muitos dias frios e chuvosos (daí eles criarem, entre outros eventos, o Ciclo dos Chefs) – mas a verdade é que, embora seja um resort de praia, nem dá vontade de sair do bangalô. É impressionante como o lugar é lindo, mas nos dias feios.
O salão é gracioso, com mesinhas de madeira, uma toalha feita pelas rendeiras locais, flores…
Estava interessado em comer pescados. Pedi um vinho em taça. O sommelier sugeriu que eu provasse os três disponíveis na ótima carta do hotel. Boa ideia.
Tinha um gostoso rosado provençal, um representante local, o Villa Francioni Sauvignon Blanc, produzido em São Joaquim, na Serra Catarinense, e também…
… o Viognier La Violette, de Jean-Luc Colombo. Difícil escolher.
Acabei prestigiando o rótulo brasileiro, dessa vinícola que gosto bastante.
No almoço, são dois cardápios, criados com a consultoria de Laurent Suaudeau. Um varia diariamente, trazendo sugestões do chef, outro é fixo, apresentando receitas de inspiração regional, como o arroz de siri e o camarão na moranga. Misturei os dois. Pedi as três entradinhas do menu do dia: uma deliciosa lula com salada de quinoa, …
… um caldinho de feijão preto com granité de limão verde, couve e farofinha e…
… um crab cake com iogurte e folhinhas da horta (aliás, as folhas são muito boas e frescas aqui, boa parte delas vinda da hortinha orgânica própria).
Do cardápio do dia local, pesquei o camarão da moranga, por sugestão da garçonete. Bem saboroso.
Encerrei com uma realmente muito delicioso cheesecake com calda de goiaba. Nham nham nham. Demais.
Voltei para o quarto para aproveitar o conforto: fiz uma sauna, mergulhei na piscina e encerrei a sessão de relaxamento imerso na espuma da hidromassagem. É claro que precisei cochilar depois.
Acordei e fui direto para o coquetel, no bar. Com champanhe Pol Roger, tudo o que já é bom fica ainda melhor.
Havia uns canapés para acompanhar.
Descemos para o restaurante, que – ao menos nesses dias frios e chuvosos – parece ainda mais agradável à noite, com a lareira acesa e as velas sobre as mesas. Romântico é pouco.
Foi o primeiro dos dois jantares da chef Paola Carosella. Ela logo mostrou o seu talento ao servir uma sopinha de abóbora com queijo de cabra, brotos e uma torradinha de nozes. Foi servido com o Moët & Chandon Brut Imperial. Imagine só…
Depois, salada de figos bem maduros com mussarela artesanal de búfala, hortelã, rúcula, tomates crocantes (fabulosos, finos e delicados), limão siciliano e amêndoas. Uma beleza, uma gostosura, ainda mais…
… na ilustre companhia do Michele Chiarlo Gavi.
Depois de provar esse polvo na grelha com aioli, batatas ao murro , tapenada de azeitona preta e rúcula selvagem, me peguei a pensar se já havia alguma vez na vida comido um molusco melhor. Não me lembrei de outra ocasião.
Para harmonizar foi o escolhido o Quinta dos Roques Encruzado, vinhaço que adoro. Mas um casal do Pará, que comemorava aniversário de casamento, fez a gentileza de me servir uma taça do Chateau Grand-Puy-Lacoste 2000, que escolheram para brindar a data, um sensacional Bordeaux, que fez o polvo ficar ainda melhor. Quem disse que vinho tinto encorpado não pode se dar bem com frutos do mar?
Para a sobremesa, mais uma combinação leve e delicada, reunindo morangos, blueberries, mascarpone, vinho argentino Torrontés, baunilha e pistaches. Fómula infalível, servida com vinho à altura, o Sauternes Chateau Gravas.
O meu Bordeauxzinho, claro, ainda estava ali. Terminei a refeição com ele, levando o seu sabor até o quarto. Sonhei com os anjos.
Na manhã seguinte o tempo continuava feio ao mesmo tempo em que o lugar continuava lindo.
O café acompanha o alto nível do hotel. Começa com manteiga, requeijão, geleia, umas torradinhas e um pergaminho, sugerindo as atividades do dia, e trazendo informações, no caso pouco animadoras, da meteorologia.
A primeira refeição do dia no Ponta dos Ganchos é uma sucessão de delicadezas, um café da manhã equilibrado e saboroso, que varia todos os dias. Meu sábado começou com shot de maçã com couve e gengibre, tartar de frutas com lâminas de coco e mel…
…suco de cenoura com laranja, e um pratinho de iogurte com pêssego, mel e mix aromático, que continha, entre outros, gergelim e cardamomo. Uma beleza, leve e saudável.
Em seguida, hora dos quentes, muito aconchegantes: sanduichinhos de brie e geleia e de salaminho, pão de queijo recheado com peru e requeijão e uma cestinha de pães quentinhos, com croissant, pão francês e brioche de chocolate, além de pães de queijo simples. Ui ui ui.
Para acompanhar os carboidratos, as proteínas, servidas em bandejinha de vidro: queijo brie, minas, peito de peru, presunto, salaminho…
Tá pensando que acabou? Rá rá rá. Ainda teve ovo mexido com bottarga (catarinense, claro) e…
… um trio de irresistíveis bolinhos de chuva, com creminho e doce de leite (escondido por debaixo deles), só para acompanhar em grande estilo mais uma xícara de espresso.
Estamos cercados de fazendas de mariscos, com ostras, mexilhões e vieiras. Que só vim a provar no sábado. Amanhã eu conto.
A torradinha Petrópolis com ovo “escondidinho” do hotel Quinta da Paz: memorável
10/06/2011
O resultado final é esse aí: o ovo, acomodado debaixo da tampinha, é como se fosse a cereja no bolo de um café da manhã muito gostoso
Ontem publiquei no Boa Viagem uma matéria sobre a Região Serrana, tratando basicamente das áreas afetadas pelas chuvas em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, como o Vale do Cuiabá. Passei um fim de semana em cada cidade, começando por Petrópolis, onde me hospedei na Quinta da Paz. Gostei muito do lugar. O hotel fica num platô com vista privilegiada para as montanhas. Tem quartos confortáveis e espaçosos. E um time de funcionários muito simpáticos e eficientes. Mas o que me conquistou, e que me fará sempre lembrar de lá, foi algo que parece bobagem: uma simples torradinha Petrópolis, um clássico da cidade adorado pelos cariocas deve haver cerca de um século.
Acho que todos sabem do que se trata: um pão de forma com massa leve e fofa no estilo brioche é cortado em fatia alta, coisa de dois ou três dedos de espessura e preparado na manteiga, polvilhado de parmesão. Loucura total.
A receita é preparada na hora no café da manhã do hotel, que é ótimo por vários aspectos: é servido numa sala pequena, com linda vista para o jardim com pássaros coloridos e cantarolantes, tem uma boa variedade de pães, frutas, bolos, cereais e frios – e até um espumante para quem quiser abrilhantar a manhã – e tem uma estação na qual são feitos na hora – por uma moça muito simpática – ovos, sanduíches e a tal torrada Petrópolis. Sem contar – detalhe importante – que a louça é toda da cerâmica Luiz Salvador. Pelo conjunto da obra, um despertar sensacional.

Sábado de sol: um café com torradas especial, inclusive por conta das cerâmicas com assinatura de Luiz Salvador
Mas, como dizia, foi a tal torradinha que me enfeitiçou. Logo que chegamos para o café de sábado, o melhor dia da semana, a copeira cordial perguntou se queríamos uma torradinha Petrópolis. Estado na cidade, a oferta se torna ainda mais irrecusável. Aceitamos, e ela perguntou se queríamos a versão tradicional ou a “escondidinha”.
Então, ela explicou que essa era a especialidade da casa, feita com um ovo colocado dentro de miolo de pão. É tirada uma tampinha redonda, onde o ovo – caipira, claro – é acomodado. Ele vai endurecendo ali, com o calor. Mas chega à mesa com uma redondora gema mole, que causa aquele efeito fenomenal quando se junta aos carboidratos (pode ser arroz, massa etc).
Essa manhã, que poderia ser banal como quase todas, acabou sendo uma ocasião memorável.
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Todas as histórias da África do Sul
26/05/2011

Uma zebra em Pilanesberg, uma dos safáris mais acessíveis da África do Sul, a pouco mais de duas horas de carro a partir de Johannesburgo
Hoje foi publicada no Boa Viagem a matéria sobre Johannesburgo e o safári em Pilanesberg. Essa foi uma das melhores viagens da minha vida, diferente de todas as outras. Amei.
Então, resolvi deixar aqui, além do link para a matéria, também para todos os posts, nos três blogs que atualizei durante a viagem.
Primeiro, os posts aqui no Rio de Janeiro a Dezembro:
- O meu primeiro safári
- As cervejas sul-africanas: não deixe de prová-las
- O Rio de Janeiro e a Cidade do Cabo: (quase) nada a ver
- Cape Malay, a cozinha típica da Cidade do Cabo
- O kudu e outros sabores sul-africanos
- A caminho da África do Sul: apesar de o almoço no Mocoté ter furado, o blog tá animadão
No Blog de Bordo:
- A despedida (de gala) da África do Sul
- Fotoblog em Pilanesberg: dois dias e três safáris em 20 imagens
- Emperos Palace: miniatura de Las Vegas ao lado do aeroporto de Johannesburgo
- África do Sul quer mais turistas brasileiros
- Fotoblog: na Cidade do Cabo, um almoço da autêntica cozinha Cape Malay
- Fire and Ice: um hotel moderno e malucão
- Pedaladas por Soweto
- A caminho da África do Sul
Na Enoteca:
- Nomes estranhos, vinhos e girafas
- Fotoblog: vinhos e vinhedos de um dia saboroso na Cidade do Cabo e arredores
- Nebbiolo e outras castas começam a ser cultivadas na África do Sul
- O Cape Tawny e outros belos vinhos sul-africanos servidos no avião
- Antes da Pinotage, um Bordeaux























































































