Vejam como as pessoas gostam de reclamar à toa, chorar as mágoas que não são necessárias. Fazer drama é chato, mas faz sucesso nas redes sociais. Reclamar é sempre razão de aplausos, concordâncias. Uma chatice só. A pessoa vai no restaurante estrelado só para reclamar: reclama da quantidade de comida de cada prato, do excesso de etapas da refeição, ou da falta delas. Reclama de tudo. E o povo acha legal.
Me lembro até do mestre Raul Seixas: “Mas é que se agora
Pra fazer sucesso
Pra vender disco
De protesto
Todo mundo tem
Que reclamar”
Minha gente. Vamos parar de chorar pelo leite derramado…
Há cerca de quatro anos anunciaram que o Quadrifoglio de Silvana Bianchi fecharia as portas, dando lugar a outro restaurante.
teve gente que quase arrancou os cabelos. Mas o lugar já vinha dando mostra de cansaço. Estava desgastado pelo tempo. E tapetes puídos eram uma das evidências disso.
Pois bem. O restaurante reabriu infinitamente melhor. Hoje o Quadrifoglio é o melhor restaurante italiano da cidade. Acho. E olha que a concorrência é ótima.
Outro dia, o Carlota também anunciou que fechava a filial do Rio, que nunca foi lá grandes coisas (se a matriz paulistana já não é lá nenhum Brastemp, a casa carioca sempre foi, no máximo, razoável).
Pois no fim de semana ficamos sabendo que o chef Felipe Bronze está assumindo o lugar, para montar um restaurante dedicado a pratos pequenos, na linha Oui Oui e Miam Miam.
O sucesso de um restaurante depende de inúmeros fatores. Pode dar certo, ou não. Mas não resta dúvida de que será muito mais interessante que o Carlota. Teve gente que chorou o fechamento da casa da carla Pernambuco. Eu posso não ter comemorado, mas sequer fiquei um tantinho de nada triste.
Hoje, sim, eu comemoro a possibilidade de ter um bar de tapas do Felipe Bronze.
Era você que lamentava o fechamento da Chaika?
Não se preocupe. Quem sabe em breve não teremos uma boa notícia?
Arquivo da categoria ‘Queixas’
O Rio de Janeiro cada vez mais lindo: mas ainda falta tanta coisa…
02/07/2012
Ontem o Rio de Janeiro foi eleito Patrimônio Mundial da Unesc o, inaugurando a categoria “paisagem cultural”. Paraty, ao mque parece, segue o mesmo caminho, e deve logo ser tombada, como patrimônio histórico.
Sim, o Rio é lindo, e merece a distinção.
Sim, visitar o Rio pode ser extremamente divertido.
Sim, morar no Rio é delicioso.
Sim, o carioca, quando não é besta e prepotente, é gente boa, sujeito agradável.
Sim, essa combinação única de mar e montanha faz do Rio um lugar mágico: sair da praia para tomar um banho de cachoeira numa cidade grande é algo raro em todo mundo. E, depois disso, emendar em um chope, de chinelo e sem camisa, é a glória.
Sim, a cultura do samba, as feijoadas das escolas, os botecos, a Floresta da Tijuca, tudo isso cria um ambiente delicioso.
Tudo isso é fantástico.
Mas precisamos fazer o nosso dever de casa.
A pacificação dos últimos anos é algo essencial.
Programas sociais também.
Mas, precisamos, melhorar muita coisa. Não para os turistas, que deveríamos receber em quantidades muito maiores, mas para o próprio carioca.
Temos que criar condições de deslocamento pela cidade, porque nosso transporta público é algo deplorável. Precisamos limpar a cidade: sim, o carioca é muito porco. Basta ver a praia no final de tarde de um domingo de sol. Dá vontade de chorar.
Precisamos melhorar a qualidade dos nossos hotéis e restaurantes. Temos que desonerar o setor: o Rio está caro demais.
Precisamos ter uma empresa municial de turismo que seja útil aos visitantes. O quje temos hoje, a nível municipal, estadual e federal, é uma piada de mau gosto: o que é a Riotur, minha gente? E a Embratur? Fico com vergonha. Se compararmos com órgãos semelhantes do Chile, Argentina e Uruguai, e Peru, Colômbia, Equador e México, isso para ficar só aqui na nossa vizinhança, vemos que tomamos um banho. Não sabemos, infelizmente, vender o Brasil como um país turístico. nem o Rio como destino. Ainda não sabemos até hoje, o que é inacreditável…
Precisamos valorizar a cultura que ainda resta: das cachaças de Paraty e do Vale do Paraíba às festas folclóricas: a congada, o jongo, a ciranda. Precisamos preservar a riqueza gastronômica: os pratos caiçaras, a cozinha das fazendas, a tradição cervejeira da Região Serrana.
Precisamos acabar com a atuação promíscua dos taxistas, em especial os que ficam nos aeropostos.
Precisamos de tanta coisa. Pelo menos, parece que encontramos um prumo. Estamos no caminho. Mas é bom correr, para não perder o bonde. Não se sabe se teremos uma próxima chance.
O cerco aos vinhos importados, e a nossa grandeza gastronômica ameaçada
16/03/2012O Brasil precisa tomar vergonha na cara. E o que tem a ver ”o cerco aos vinhos importados, e nossa grandeza gastronômica ameaçada”, você pode se perguntar. Muita coisa. As duas coisas mostram como estamos atrasados. No momento em que começamos a fazer bons vinhos, com grandes empresas produzindo e exportando uma gama variada e consistente de estilos ao mesmo tempo em que surgem sem parar pequenas vinícolas, espalhadas por várias regiões, do Sul ao Nordeste, também andamos para trás, ameaçando essas mesmas conquistas. Num movimento orquestrado pelos gigantes do setor, o selo fiscal é mais um empecilho ao consumidor, inibindo a entrada de vinhos importados, um suplício para importadores e pequenos produtores, entrave burocrata e fiscal, uma tolice total. Não satisfeitas, Miolo, Salton, Valduga e companhia limitada agora tramam mais um golpe no enófilo, lutando pela aprovação de mais medidas contra a entrada de vinhos importados no Brasil, com aumento de impostos, salvaguardas etc.
Não aguentamos mais. E já está sendo organizada uma petição pública contra a medida (para ver, clique aqui).
O mundo do vinho está em polvorosa, e pipocam vários e-mails na minha caixa postal, com toda sorte de protesto.
Agora, faço o meu.
Vários movimentos estão se articulando para ir contra essas medidas todas. O que se passa no vinho, se passa igualmente com a gastronomia. Num momento em que todos olham para o Brasil, não conseguimos desenvolver como deveríamos a nossa rica gastronomia. Nossos restaurantes são os mais caros do mundo. É impressionante como pagamos caro muitas vezes para comer mal.
Estamos a anos de distância de outros países. A cozinha peruana é a bola da vez. Vejo casas de carne argentinas espalhadas por cidades dos EUA e Europa. Mas e o Brasil? Nada. Temos chefs se destacando, porque são guerreiros. Ser chef no Brasil é um ato de amor. Roberta Sudbrack, Claude Troisgros, Helena Rizzo, Rodrigo Oliveira, Paulo Barros, Luca Gozzani, Claudio de Freitas, Roland Villard, Alex Atala, Katia Barbosa, Frederic de Meyer, Kiko Faria, Felipe Bronze e tantos outros. Admiro essas pessoas. Lutam contra um sistema medonho, antiquado, colonizado, ignorante. Brasileiro não come miúdo. Brasileiro tem paladar distorcido, que valoriza os sabores doces, fáceis. As pessoas não comem mariscos. Jamais vão ter coragem de comer rins de vitela, ou chinchulines, ou jiló, e mesmo coisas simples e usuais, como cenoura, brócolis, são odiados pela maioria da população. Temos preconceito à mesa. Brasileiro gosta mesmo é de bife com fritas, big Mac e Coca-Cola. Infelizmente. Vejamos nossas feiras, que horror. Pouca oferta, e ninguém se preocupa com a sazonalidade dos produtos. Aos poucos vamos mudando, mas o ritmo é mais lento do que deveria. Nossa carne melhorou, e hoje até produzimos rúcula, aspargos frescos e cogumelos (parace piad, mas até pouco mais de dez anos atrás não havia nenhum dos três ingredientes por aqui: aspargos e champignon? Só conservas medonhas. Palmito idem). Sonho com o dia em que teremos restaurantes simples servindo robalo na brasa com palmito assado, farofa e arroz com coco fresco. Salivo imaginando baianas de acarajé perfumando as esquinas do Rio com aroma de dendê. Fico imaginando como seria bom ir à feira e comprar uma posta de filhote fresco, pescado ainda ontem nas águas escuras do Rio Negro. Seria muita utopia pensar em vieiras de Ilha Grande, ostras de Búzios, lagosta do Ceará, pitu de Paraty, tainha de Florianópolis, sururu do Recôncavo Baiano, pescada-amarela do Maranhão, surubim do Rio São Francisco e tantos outros pescados maravilhosos que habitam a nossa costa, seria demais querer comprar esses produtos frescos nas nossas feiras? Acho que não. Aviú, tucupi, paçoca de carne-seca, queijo Canastra, socol capixaba, farinha de puba do Maranhão, . Minha gente, vamos provar lombo com broto de samambaia, como em Diamantina, Minas Gerais. E pamonha de linguiça com queijo, lá de Pirenópolis, Goiás, e os doces de Goiás Velho (bênção, Cora Coralina). Doce de abóbora com coco, doce de mamão verde, goiabada cascão, em caixa, claro… e com queijo, por favor. Doce de espécie, bolo de goma… Pirarucu, tambaqui, jaraqui, matrinxã, tucunaré…Catado de aratu na folha de bananeira. Dendê da Bahia de Todos os Santos, leite de coco fresco feito na hora. Pimenta malagueta, coentro. Pimenta de cheiro, murici, aroeira… E as frutas? Bacuri, siriguela, açaí… Frango com quiabo, maxixada, jabá com jerimum, sarapatel, galinha cabidela, chouriço… Chambaril. Guaimum.Tapioca. Requeijão. Manteiga Aviação. Vamos provar o manuê de bacia, o camarão casadinho, e ensopado de peixe com banana verde, de Paraty. Entrevero, sapecada… o pinhão. Bolinho de tubalhau, marisco lambe-lambe, pititinga, lambreta. Unha de caranguejo, caranguejo toc toc. Moqueca de siri mole. Pé-de-moleque, curau, mungunzá, canjica. Quentão, vinho quente, aguardente. E ver que o acarajé fica muito mais rico quando servido com caruru, não só com vatapá. Prove uma buchada de bode bem feita. E não tenha medo da linguiça picante de Bragança Paulista. Já provou xinxim de bofe? Certa vez, a baiana Dadá me serviu um. Deliciosamente inesquecível. Filé à Oswaldo Aranha, sopa Leão Veloso. Arroz de cuxá, tacacá, . Virado à paulista, tutu à mineira, churrasco à gaúcha, empadão goiano, moqueca capixaba… Lambari frito. Pudim de cachaça. E o cortado de palma, pirão de parida, godó de banana, receitas dos sertões, de nomes tão gostosos assim. Matula. Afogado, barreado. E os diminutivos? Escondidinho, arrumadinho, picadinho… Costelinha com canjiquinha, lombinho, camarão ensopadinho como… Chuchu. Caipirinha! Quanta delícias miúdas. Moela no molho de tomate, língua ao Madeira, dobradinha à moda do Porto… A grandeza dos miúdos. Bolo de rolo, queijo coalho de leite cru (com melado, por favor), queijo-manteiga. Caldo de piranha, lombo de jacaré, delícias pantaneiras. Pintado à urucum, e o famoso “hipoglos”, também chamado pacu assado. Cachaças, tiquiras… espíritos do Brasil. Vamos valorizar o que é nosso. Vamos levar a sério o que comemos e o que bebemos. Este ano o Peru será o primeiro país do mundo a ter um ministro da Gastronomia. O embaixador, sabemos, já existe há uns 15 anos, Gastón Acurio, quando a cozinha andima começou a ganhar destaque pelo mundo, apresentando produtos autênticos, receitas de personalidade, valorizando ingredientes locais. Por aqui, não podemos nem trazer queijo de minas feito com leite cru, como mandam as regras mais básicas da produção de laticínios de qualidade. Peixe fresco do Amazonas? É raro mesmo em Belém e Manaus, imagine por aqui… Mônica Rangel, do Gosto com Gosto, em Visconde de Mauá, produz linguiças fabulosas. Não pode vender para outros estados. Para alguém produzir linguiça com selo de inspeção federal precisa ter uma fábrica com entrada para caminhões… Para que, meu Deus? Muito claro, para proteger os gigantes do setor. Assim, vamos. Criando latifúndios que só produzem commodities, sem qualquer valor agregado, sem mão-de-obra relevante, com trabalho mecânico. Café, cacau e outros produtos que já foram referências brasileiras hoje são uma vergonha. Quem entende do assunto sabe que o cacau bom mesmo vem do Equador, e o café, da Colômbia. África, Caribe e América Central dominam, quando o assunto é qualidade, algo que um dia já foi nosso. Vejamos os pequenos produtores rurais da estrada Teresópolis-Friburgo, que cultivam lindos campos, repletos de alface, rúcula, couve, cebolinha, salsinha, e tantas outras folhas, e muitos outros legumes: cenoura, pimentão, beterraba… O que acontece ali? Eles vendem baratinho para grandes atravessadores, que descem a serra todos os dias abarrotados, ganhando mil por cento com o trabalho. Se pagam R$ 0,10 o pé de alface, vendem por R$ 1, e nós pagamos R$ 2. Não existe incentivo. Ninguém ensina a essas pessoas que se eles platarem beringelas e pimentões eles podem produzir uma linda caponata, e vender a preços mais razoáveis. Podem ganhar mais dinheiro. Não, ninguém ensina. Eles ficam ali, vendendo pés de alface a R$ 0,10… O Brasil, lamentavelmente, é assim…
Mas há esperança. Vamos começar ajudando a acabar com esse selo fiscal, e com mais esse vergonhoso imposto querem nos meter goela abaixo?
Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.
Movimento anti-tabasco! Eu apoio
20/09/2010Quero meu pote de malagueta de volta, quero minha conserva de dedo-de-moça. Quero minha cumari, até a pimenta-de-bico, que só serve para enfeitar. Quero minha pimenta-de-cheiro. Quero a minha cambuci, minha aroeira, a falsa pimenta-rosa. Dai-me todas elas, por favor. Mas tabasco, não, te rogo.
Comida di Buteco: o melhor deste ano é o arroz de puta
01/07/2010Este ano resolvi me calar a respeito do Comida di Buteco. No ano passado, depois de me empolgar com a primeira edição, em 2008, já fiquei um tanto decepcionado com a história do petisco Doritos. Este ano, com o patrocínio da Hellmann’s e a consequente “sugestão” de que os participantes fizessem petiscos usando maionese, foi o fim da picada.
Para mim, essa é uma forma de prostituição. Recusei o convite para ser jurado desta vez. Hellmann’s e boteco são coisas que não combinam. São antagônicas.
Aí, a gente lembra que o Rio tem uma forte tradição de bares alemães, que servem salada de batata feita com… maionese. Mas é bem diferente, porque as casas sérias fazem a sua própria maioneses, como o Bar Brasil e o bar Luiz (este último, outro prostituto do capital, que trocou a Brahma, mais que centenária fornecedora de chope deles, pela porcaria da Sol, numa negociação a meu ver ridícula.
Por isso, só vou ao Bar Brasil, e abandonei o Luiz, com tristeza, porque a salada de batatas é sensacional).
Entendo que o festival é um negócio, que precisa faturar. Mas daí a se associar a uma marca estrangeira que produz um ingrediente ruim, agressivo à saúde e que não tem nada a ver com botecos, vai uma distância enorme. Não era preciso recorrer à Hellmann’s para viabilizar a parada.
Se a maionese quer patrocinar o evento, o que já é feio, que apareça nos folhetos e afins. Mas nunca como ingrediente de receitas, por favor. Este festival se fez famoso (e charmoso) em Belo Horizonte ao estimular os botecos a criar novidades, o que gerou uma saudável rivalidade entre eles. Porque não fizeram aqui como na capital mineira, sugerindo que os bares usassem um ingrediente específico ( no caso, o jiló) para os pratos, que não fosse a maionese, claro. Algo que tivesse a ver com a tradição botequeira. Tem tanta coisa interessante. O jiló, o inhame, a abóbora, a carne seca, o salaminho, a costelinha de porco. Tanta coisa que cairia tão bem numa disputa entre bares. Mas nunca a maionese, nunca. Isso me parece tão óbvio.
E enquanto o Comida di Buteco for esta celebração do capital do estrangeiro, do mau gosto, este antro da maionese… enquanto for assim, vai lá que eu não vou.
E, pra fechar, sabe o que foi o melhor do Comida di Buteco este ano? O protesto do Bar da Frente, ali onde era o Aconchego Carioca original, hoje defronte ao endereço antigo. Eles não participaram do evento. Mas criaram um bolinho para meio que dar uma sacaneada no festival. Mostrando sagacidade, sabe o que preparam? Um bolinho de arroz de puta. Sensacional!
Mas, sei lá… Vai ver que sou eu que tô errado, que a grana vale mais que tudo.
Mas ainda boto fé no projeto. Desde que sem viajar na maionese…
Stella Barros: tentativa frustrada de estragar a minha viagem à Disney
16/06/2010
Quando contratamos os serviços de uma agência de viagem, queremos duas coisas basicamente: o conforto de não termos que ficar comprando diversos itens em separado (passagens, hotéis, seguro, traslados, passeios etc) e o preço, já que essas empresas geralmente conseguem tarifas melhores do que as disponíveis para nós, pessoas físicas.
Geralmente eu mesmo trato de organizar os meus roteiros, dispensando as agências. Entre outras razões, porque gosto de fazer isso. O prazer de uma viagem, para mim, começa já no seu planejamento. Mas, de uma maneira geral, acho uma boa usar as agências, e costumo a recomendar isso aos muitos amigos que sempre me pedem dicas de viagem.
Muita gente tem preconceito com as agências, confundindo pacotes com excursões. São coisas diferentes. Nem todo o pacote é excursão, mas toda a excursão, aí sim, é um pacote. Pacote pode ser totalmente personalizado: você escolhe o dia de partida e chegada, as cidades que quer visitar, o tipo de hotel e localização ideal, o seguro, se vai querer alugar um carro etc. Aí, o agente monta ao seu gosto um roteiro.
Certa vez, usei esse expediente para organizar uma viagem de um mês através da Agaxtur, entre Portugal e Espanha, e deu tudo certo. Também usei várias vezes os serviços da Coliseu Turismo, aqui do Rio, principalmente em viagens à Argentina. Também deu sempre tudo certo.
Quando resolvi levar a filha para a Disney, decidi procurar a Stella Barros, por ser uma referência em viagens para Orlando.
Mas que decepção. Se arrependimento matasse…
Vamos por partes.
Entrei em contato com eles pelo site, dizendo que queria uma viagem de uma semana para a Disney.
Eles logo retornaram o contato.
Dei mais detalhes: passei as datas, disse que gostaria de me hospedar em um hotel de preço moderado dentro do complexo da Disney, informei que seriam três passageiros e que precisaria de seguro viagem e de cinco dias de ingresso para os parques, e que esses deveriam ser daqueles que dão direito a visitar todos eles, e vários no mesmo dia, se quisesse.
Ok.
O primeiro orçamento chegou muito salgado. Pedi um hotel um pouco mais barato, e logo veio a sugestão do Pop Century.
Total: uns R$ 10 mil para três pessoas, com tudo incluído (e com uma promoção que daria US$ 300 para serem gastos lá). Razoável. Fechamos nesse.
A minha atendente disse que mandaria um boy para pegar a minha assintaura para o débito no cartão de crédito e que, quando a viagem se aproximasse, ela entregaria em minha casa toda a documentação e vouchers necessários.
Até aí, tudo fluiu bem: os e-mails eram logo respondidos, quase sempre no mesmo dia.
Mas foi só fecharmos o contrato para tudo mudar.
Meus e-mails com dúvias muitas vezes não eram respondidos, de maneira que eu precisava insistir umas duas ou três vezes para obter uma resposta. Coisas simples, como informações sobre transporte.
Foi se aproximando o dia da viagem, e a situação não mudava. Era difícil obter retorno da mesma atendente tão rápida antes de vender o seu pacote. Nota do pós-venda da Stella Barros? Zero, bem redondo.
Faltando alguns dias para o embarque, chegam no meu e-mail os vouchers para a viagem. Peraí! Mas ela não ia mandar tudo para o meu endereço?
Resultado: sem impresssora em casa, tive que imprimir tudo no jornal. Sinceramente, não é o que gostaria de fazer, porque era uma viagem particular, ainda que eu fosse aproveitá-la para visitar alguns restaurantes e fazer algumas fotos para complementar uma edição especial sobre Orlando, e também faria um texto sobre essa minha experiência em família na Disney.
Mas o pior ainda estava por vir.
Faltando uns três dias para a viagem, escrevi novamente para eles, pedindo mais algumas informações bem básicas: como seria o transporte entre o aeroporto e o hotel, de que maneira eu ganharia o crédito de US$ 300 e, finalmente, como receberia os ingressos.
A viagem seria no sábado, e esse e-mail foi mandado na quarta. Passou a quinta, que era feriado de Corpus Christi, eu sei, e a sexta, véspara do embarque. Liguei, mas não consegui contato com a minha atendente.
Então, no sábado, liguei algumas vezes no número indicado por ela. Ninguém atendeu. Entrei no site e busquei um número para reservas em São Paulo, o call center geral da empresa.
Fiz a queixa, e exigi que me informassem o que eu estava pedindo.
Um gerente esbaforido, dizendo que estava fora de seu horário de trabalho, e que teria ido à agência só para resolver o meu caso, me ligou. Para começar, se é dia de trabalho dele ou não, isso pouco me importa, sinceramente.
Mas tudo bem. Pelo menos as coisas estavam andando. Ele pediu alguns minutos para checar as informações, e disse que me retornaria. Ele fez isso, me passou os dados que eu precisava, e eu agradeci a atenção. E pediu desculpas. Neste caso, ponto positivo para eles. Nada mais que a obrigação, mas pelo menos resolveram as minhas pendências, ainda que poucas horas antes do embarque, o que atrapalhou, sem dúvida, os meus preparativos.
Mas o pior estava por vir.
Chegando em Orlando, descobri que a minha reserva era para a partir de sábado, mas eu estava chegando na manhã de domingo. Isso dificultou a minha localização pelos atendentes, tanto no transporte, ainda no aeroporto, como no check-in, já no hotel. Foi aí que descobri uma coisa: paguei sete noites, mas só usaria seis. Tudo bem, porque se não fosse assim, não teria um quarto disponível na manhã de chegada (cheguei umas 9h ao hotel). Considerando que estava viajando com a filha, seria muito conveniente não ter uma cama e um banho ao chegar. Mas, pelo menos, eu deveria ter sido avisado que seria desse jeito, não é verdade?
No primeiro dia, fiquei apenas algumas horas no Magic Kingdom. Voltamos para o hotel cansados e dormimos o resto do dia.
No segundo dia, passamos a manhã no Animal Kingdom. No fim da tarde, seguimos para Epcot, onde tinha uma reserva no restaurante marroquino. Foi quando descobri que, ao contrário do que eu havia pedido, meu ingresso dava direito apenas a um parque por dia.
Corri para o Guest Relations e, por sorte, ainda encontrei no escritório a relações públicas da Disney, pois tinha conhecido a equipe de comunicação deles durante a viagem feita em março, a convite do Orlando Convetion & Visitors Bureau. Ela me quebrou o galho, e conseguiu três ingressos para Epcot naquele dia. Mas imagine se eu não fosse jornalista de turismo?
Então, na manhã seguinte, terça-feira, gastei mais cerca de US$ 180 (e preciosa meia hora da minha viagem) para acrescentar um dia no meu plano de entradas para os parques junto da possibilidade de ir a quantos quisesse no mesmo dia.
Mas a maior decepção veio na manhã de quinta: os planos eram passar as primeiras horas do dia no Typhoon Lagoon e, no dia seguinte, fazer o mesmo no Blizzard Beach – reservando as tardes para outros parques.
Todos com roupa de banho, lá fomos nós para o parque aquático. Aí, veio a decepção maior de toda a viagem: nosso ingresso não dava direito aos parques aquáticos. Para isso, teria que desembolsar mais uns US$ 180.
Me lembrei de como fui claro ao pedir o pacote: quero ingressos para todos os parques da Disney. Mais uma vez, a Stella Barros errou feio. Nem preciso dizer que a filha ficou decepcionada com a situação, porque já estava há dias contando com a visita ao parque aquático. Foi o momento mais triste da viagem, e que comprometeu todo o resto do dia (acabamos chegando só lá pelas 16h no Hollywood Studios)
Seria demais dizer que a Stella barros estragou a minha viagem. Mas, sem dúvida, atrapalhou bastante. Em vez de ajudar, que é a essência do seu trabalho.
E eu me pergunto agora: o que faço? Entro na Justiça? Escrevo para os jornais? Faço um post pro blog? Acho que farei isso tudo…
Segue o segway (a cena patética na orla do Rio)
04/06/2010

Caminhãozinho alegre da empresa que aluga o aparelho em Bermuda: tudo bem, turista pode, mas guarda municipal... francamente...
Em todas as cidades mais turísticas ele virou uma praga. Inofensiva, mas uma praga. Cruzam as ruas levando grupos de visitantes que mal percebem onde estão. Temos vários deles em Nova York, Paris, Lisboa, Bermuda, Madri. Até aí, vá lá, tudo bem.
Acontece que no Rio é diferente. Quem conduz os segways pela orla carioca são os guardas municipais.
Parecem os PMS que ficam fazendo manobrinhas em seus quadriclos, igualmente ridículos, mas esses são ainda piores, porque são perigosos, ainda mais nas mãos de policiais despreparados.
A cena é um tanto ridícula a meu ver. E, em termos de policiamento, não serve para nada senão para desperdiçar dinheiro público. Alguém pode me dar uma razão para eles estarem dirigindo um aparelho caro daqueles? Porque não estão de bicicleta ou a pé, como qualquer guarda em qualquer cidade do mundo? Fora do Rio, apenas os turistas usam esse meio de transporte estranho. Por aqui é estatal, ridiculamente.
E nem vou entrar no mérito de o quanto é cômico ver a tropa circulando a bordo deste biciclo.
Por aqui são os nossos guardinhas, que andam pela orla com cara de bobos, como que deslumbrados com a coisa. Nem prestam atenção ao que se passa ao seu redor. Preocupados em dirigir o troço, ficam cegos. Ou melhor, ficam segways.
A piada é péssima, mas à altura da cena ridícula que é ver os guardas municipais atrapalhando o trânsito na ciclovia acelerando ao máximo os seus brinquedinhos.
É tão deprimente que, em vez de colocar um flagrante do segway cruzando Ipanema com as insígnias da Guarda Municipal, preferi posta essa foto lá de cima, bem mais simpática, do ônibus da empresa que aluga segways, em Bermuda. Na ilha os turistas vão pra lá e pra cá sobre o aparelho. Mas turistas podem ser ridículos.
Smiles, não, Cries
25/03/2010As companhias aéreas fazem de tudo para irritar o consumidor.
Atrasam voos, remarcam assentos, somem com as malas, inflacionam os preços organizadas em cartel.
Agora, a Gol (ou seria a Varig?) resolveu quebrar contratos, enganar os clientes. Agora, no programa Smiles, não bastam mais as 10 mil milhas de sempre para se emitir um bilhete para qualquer destino da América do Sul: eles pedem 20 mil pontos.
Na manhã de hoje fui tentar reservar passagens para o feriado da Semana Santa e qual não foi a minha surpresa? Para a volta era preciso desembolsar 20 mil milhas. Sim, 20 milmilhas.
Isso, além de desrespeito, é quebra de contrato: porque quando comprei as minhas passagens, tinha da empresa a “garantia” de que com 10 mil pontos au teria um bilhete para qualquer destino do Brasil e da América do Sul operado pela Gol. Mas agora, no meio do jogo, mudaram as regras. Sem avisar, como sempre.
Smiles? Que nada. Cries.
Claro que não vou gastar 20 mil milhas para emitir a passagem. O que farei é não mais escolher a Gol.
Navios de cruzeiro no Brasil: uma estranha temporada
05/03/2010
Pssageiros no deque do MSC Sinfonia na temporada passada: coisas estranhas andam acontecendo nas embarções
Está estranha esta temporada de cruzeiros no Brasil.
Para começar, tivemos um cruzeiro do Corinthians.
Meu, esse é, sem nenhuma dúvida, o programa turístico mais esquisito da história. Parece que tinha Biro-Biro a bordo, bateria da Gaviões da Fiel e palestra do Socrátes. Dá para crer?
Mas, além disso, tivemos outras intempéries.
- 200 passageiros foram esquecidos no porto de Fortaleza por um navio da MSC, que zarpou antes da hora, num acontecimento inédito para mim.
- Uma tripulante apareceu estranhamente morta em um navio da mesma MSC.
- E, agora, encerrando a temporada, um navio da Royal Caribbean ficou de quarentena em Búzios depois de centenas de passageiros passaram mal a bordo.
Estranho, tudo muito estranho…
E alguém aí se lembra de mais alguma bizarrice?
Balanço final do carnaval carioca
22/02/2010
Foliã (ous eria foliã?) no desfile da Banda de Ipanema, no sábado de carnaval: Rio de Janeiro tascou títulos de Salvador e Recife
Agora, sim.
Já passou o desfile das campeãs, o Monobloco já travessou a avenida Rio Branco arrastando a multidão que ainda queria folia. E o ano, enfim, começa de verdade.
Sim, acabou o carnaval, deixando certo rastro de tristeza mas também muita alegria. Que bom que não tem mais bloco aqui na rua, penso. Que bosta não ter mais bloco aqui na rua, retruco comigo mesmo…
Enfim, passou. E foi bom e ruim.
O Rio já sapecou de Salvador o título de maior carnaval de rua do Brasil, com três milhões de foliões brincando na cidade, contra uns 2,5 milhões na capital baiana.
Que os nordestinos não se abalem. Mas tascamos também de Recife o troféu de maior bloco de carnaval do planeta. O Cordão do Bola Preta teve mais gente que o Galo da Madrugada em 2010. Quer dizer, mais gente eu não sei: dizem que foram 1,5 milhão lá e outras 1,5 milhão de pessoas aqui. Não tenho dúvidas de quem em 2011, se os pernambucanos não recrutarem turistas nas vizinhanças, o Bola fatura essa. É preciso lembrar que até bem pouco tempo o Bola levava uns 300, 400 mil só. Com este crescimento absurso do carnaval de rua carioca, o bloco cresceu (e nem foi na mesma proporção, se fosse, hoje o Bola teria umas 15 milhões de pessoas atrás dele).
“Quem não chora não mama/ Segura meu bem a chupeta/ Lugar quente é na cama/ Ou então no Bola Preta”.
Aliás, que o galo ponha as cristas de molho: o Monobloco já tá reunindo umas 400 mil pessoas…
Acompanhando o desfile das escolas de samba fiquei certo, mais uma vez, que as escolas do Grupo de Acesso do Rio são infinitamente melhores que a primeira divisão das agremiações de São Paulo. Vai Vai, Leandro de Itaquera, Mancha Verde, Gaviões da Fiel, pelo amor de Deus, não dá. Também, num lugar que transforma torcida de futebol em escola de samba, você vai esperar o quê, meu? Nem a Charanga Rubro-Negra, que fazia música de verdade, virou escola de samba…
Pronto, agora que já exercitei o meu orgulho carioca, vamos olhar pro nosso umbigo.
Como em tudo, o Choque de Ordem trouxe coisas positivas e outras negativas ao carnaval. No balanço final, foram mais ações boas que ruins.
A sujeira foi terrível, uma vergonha. E, nisso, nem dá para culpar a prefeitura. Não há Comlurb que dê jeito de limpar essa porcalhada toda. Qunta falta de educação.
Mas, nisso tudo, sabe o que seria engraçado, se não fosse trágico. Pior é ver os gringos, educadinhos em suas cidades, jogando lixo no chão, como essa gente sem educação que larga garrafas, cocos e palitinhos de sorvete na praia, que joga papel de bala no chão…
Depois da prisões dos mijões, é hora de agir contra os que jogam lixo na cidade: isso, aginal, também é um ato obsceno. Ou não é?
Agora, comentando alguns comentários que apareceram aqui.
Sobre as águas geladas. Eu, pessoalmente, prefiro assim, bem fria mesmo. Logo antes do carnaval a água estava muito quente, nem refrescava, e deixava a praia muito desconfortável, com aquele calorão, sem uma frizinha gelada. Com as águas frias, sopra sempre um ventinho refrescante.
Outra coisa boa da água gelada é que ela é bem mais limpa, vem de correntes antárticas e por isso, são tão frias. Isso acontece porque, basta olhar o mapa do Brasil para perceber, o Rio (Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios, mais precisamente) estão bem numa esquina do país. Quando encontram resistência no continente, esses correntes sobem, no fenômeno chamado ressurgência, que traz muitos nutrientes também, dá as águas muito geledas e com muitos peixes e frutos do mar que vemos na Região dos Lagos. Isso se reflete também no Rio, às vezes com mais, às vezes com menos intensidade.
O que não gosto é da maré vermelha, que deixa a água feia. Ainda bem que foram só uns dias.
Também deram parabéns à Antártica. Eu não faria isso. O que a Ambev fez foi uma bela ação de marketing, que só merece aplausos dos diretores da empresa. Acho que investiram pouco pelo retorno de mídia que tiveram (e ainda venderam muita cerveja, porque estavam impondo um monopólio aos ambulantes, o que não funcionou).
Conversei com alguns venderdores que disseram que compraria a R$ 0,70 a lata para vender a R$ 2, mas estavam tendo que comprar em supermercado.
Então, para o próximo ano, para dar parabéns à Antártica é preciso que eles:
- Tripliquem a quantidade de banheiros químicos.
- Façam a limpeza diária deles.
- Não instalem aqueles curraizinhos ridículos.
- E, de fato, façam uma distribuição de cerveja a R$ 0,70, para que se venda pelo preço anunciado nos isopores, apagados neste ano.
Aí, se eu acordar de bom humor, posso até dar os parabéns a eles.
Hoje, ao contrário, só tenho queixas à cervejaria.
Mais uma coisa: o Afroreggae, gigante, precisa serguir os passos do Monobloco e passar a desfilar no Centro. Em Ipanema, não dá mais.
E agora chega: só falaremos de carnaval lá para outubro, combinado?
Mas de samba, não. De samba a gente fala sempre.
Então, hoje vamos dar um pulo lá na roda da Pedra do Sal?

