Archive for agosto \31\UTC 2009

Derrubaram a passarela do obelisco de Ipanema: e agora, o que mais falta?

31/08/2009

Já derrubaram a passarela do obelisco de Ipanema. Eba! Até que enfim!

Agora, só falta botarem abaixo:
– A perimentral
– A Help
– A Estação do Corpo
– O Hotel Othon, em Copacabana
– Os muros do Jockey Club
– A estátua da liberdade da Barra
– O batalhão de polícia do Leblon

E para você: sem falar no novo marco regulatório do pré-sal, o que mais deveria ser implodido?

Outra pergunta: assim como o obelisco de Ipanema, você acredita que o Botafogo e o Fluminense serão derrubados?  

P.S. – Mais tarde, com o tá virando hábito, eu subo uma foto.

Minha Ipanema (e o reencontro com uma crônica perdida)

28/08/2009

Nossa vida é cheia de doces surpresas. Quando a gente menos espera recebe um presente. Ontem o Google me informou que minha capacidade de armazenamento de e-mails está quase no fim (quem manda ficar mandando foto pra lá e para cá?).

Então comecei a limpar a minha caixa postal. Hoje dei de cara com um texto que julgava perdido. Foi o meu primeiro post no Direto do Rio de Janeiro, blog recém-encerrado lá no Viaje Aqui, da Editora Abril – mas ele continua ativo lá, dá para ler todos os posts, ao menos por enquanto. Este texto foi escrito em setembro de 2006, assim que cheguei em São Paulo para trabalhar na redação da revista Viagem e Turismo. 

Todo o primeiro ano do blog se perdeu em algum buraco negro da internet quando mudaram o sistema de publicação. Fiquei triste em perder vários textos. Quando os arquivos sumiram eu já tinha voltado para o Rio e o possível backup dessa primeira fase já tinha sido há tempos apagado do meu computador lá no 14º andar do NEA (uma gíria abriliana que significa Nova Edifício Abril, acho, é aquele prédio lá as margens do Rio Pinheiros).

Pois então aproveito a coincidência para republicar o texto, no qual eu fazia iuma apresentação do blog. Faz todo o sentido, porque o propósito deste blog é parecido com o antigo: falar do Rio – ainda que aqui eu também trate de outros lugares, como Los Roques (Dri, no fim de semana escrevo para você, ok?).

 

O pôr do sol em Ipanema, no mês de janeiro é assim, no mar: digno de aplausos

Minha Ipanema – publicado originalmente em setembro de 2006

Não cheguei a jogar bola na Prudente de Morais, como fez meu pai na década de 60. Nem vi o bonde cruzar Ipanema, dando a volta no Bar Vinte. Tampouco freqüentei as mesas do Bar Zeppelin, o predileto da turma do cinema novo, da esquerda festiva e da vanguarda musical do período. Nunca vi o pôr-do-sol das Dunas do Barato, também conhecidas como Dunas da Gal: minha praia é o Posto 9. Também não sou contemporâneo do Cinema Astória. Muito menos dos bodinhos, charretes e cavalos que ocupavam o Jardim de Alah, alugados pelas famílias para passeios pelas redondezas.
Mas recordo-me do burburinho sobre a tanga do Gabeira e da lona do Circo Voador, que pela primeira vez aterrissou no Arporador, no comecinho dos anos 80, antes de se instalar na Lapa. Lembro-me bem da aprazível varanda do Jangadeiros, onde comia benditas batatas fritas. Aplaudi efusivamente, sei lá quantas dezenas de vezes, os poentes do verão, quando o sol mergulha no mar prateado tingindo o céu com cores quase lisérgicas – seria efeito da fumaça dos cigaros enrolados pela vizinhança? Pode ser… Era muito pequeno no verão da lata. Mas peguei o impagável verão do apito. Aliás, como será apelidado o próximo verão? O último foi o do Coqueirão. Sugestões, por favor.
Muita coisa mudou desde o tórrido verão de 1976, quando cheguei por aqui, nascido no Humaitá, na noite do dia 10 de janeiro, quase 11. Logo nos primeiros meses de vida virei morador de Ipanema, condição que mantive até o ano passado, quando me mudei para o Leblon. A atual Rua Vinícius de Moraes chamava-se Montenegro – e por ali desfilava a musa Helô, fitada pelos companheiros Tom e Vinícius, que a eternizaram como a Garota de Ipanema. Hoje a canção batiza o bar, antes chamado Veloso, de onde a dupla observava a adolescente num doce balanço a caminho do mar.
Muita coisa mudou, é verdade. Mas muita coisa permanece, outras melhoraram até. Acreditem. E é disso que vou falar e lembrar nos próximos posts.

Obrigado, 1015 leitores

27/08/2009
Às vezes a gente tem que ser repetitivo, né? Um abraço a todos!

Às vezes a gente tem que ser repetitivo, né? Um abraço a todos!

Acabo de dar uma olhada nas estatísticas deste blog e vi que hoje chegamos à casa dos mil leitores. Exatos 1015 até o presente momento (com 61 comentários) – tá bom para o primeiro mês, né?.

O que queria era agradecer a todos que me acompanham desde o Viaje Aqui. Obrigado, obrigado. Aos pouquinhos esse blog vai ficando mais legal e completo, por causa da presença e participação de todos.

Um abraço

Los Roques no Boa Viagem de hoje

27/08/2009
Cadeira, guarda-sol e uma geladeirinha: o suficiente para passar uma tarde em Cayo de Agua

Cadeira, guarda-sol e uma geladeirinha: o suficiente para passar uma tarde em Cayo de Agua

Como alguns de vocês já sabem, a minha viagem para Los Roques rendeu uma matéria no Boa Viagem de hoje.

Quem não leu em papel pode ler no Globo Online. Passa lá: http://oglobo.globo.com/viagem/

Leiam, comentem, repassem os links, copiem os textos…

Aproveitem e vejam a galeria de imagens. E, quem se interessar, pode passar lá na Enoteca  que mais tarde vai ter um post sobre vinhos venezuelanos. Sim, eles existem.

E, aproveitando a deixa, adianto para a Dri que vou escrever um relato mais pessoal da viagem aqui, com diquinhas espertas, jualgo eu.  Aguardem nos próximos dias.

Teatro Municipal: centenário e triste

26/08/2009
Foyer do Teatro Municipal: vazio quando deveria estar explodindo em comemorações pelos seus 100 anos

Foyer do Teatro Municipal: vazio quando deveria estar explodindo em comemorações pelos seus 100 anos

Sabe que eu fico espantado com uma coisa? Há 100 anos, desde a sua inauguração, todos sabíamos que em 2009 o Teatro Municipal completaria um século de vida. Precisavam nossos bestas governantes deixar as reformas para coincidirem justamente com a data? Será que não dava para começar um pouco antes as obras? Agora é tarde para lamentos do tipo. Mas é triste, muito triste mesmo, ver o maior palco do Brasil em importância estar fechado quando devia estar explodindo em comemorações pelo centenário. Está tristinho. Um teatro com tapumes, andaimes, peões, furadeiras e pincéis deve estar em profunda depressão. Sei que vai voltar lindo. Mas estar fechado neste momento é de uma burrice sem tamanho.
Escrevi isso porque vi agora um comercial louvando as reformas. E ainda por cima gastam dinheiro com essa bobagem. Mas quem é que precisa ver propaganda informando a quantas andam as obras? Além de desperdiçarem a chance de festejos dignos da idade do teatro, ainda jogam no lixo a  nossa grana em anúncios que não são outra coisa senão propaganda de mau gosto. Pior, de coisa que deveriam mesmo é se envergonhar.

Esses nossos políticos, puta que os pariu…

Desculpem, aqui ando mais desbocado que o habitual.

Ah, em tempo: Los Roques fica para amanhã, ok?

Ah, em tempo – parte 2: agora que a casa está em ordem e a vida voltou à normalidade, fica prometida uma maior assiduidade do blogueiro neste espaço.

Fico aguardando as visitas, comentários, perguntas e dicas. Sobre tudo o que vale a pena, porque a alma não é pequena.

Los Roques: incrível

25/08/2009
Bando de guaramare: ave onipresente e safada

Bando de guaramare: ave onipresente e safada

Passei aqui rapidinho só para dar notícias e falar de Los Roques. Quer dizer, só deixar um gostinho. Um dia desses eu conto mais.

Por agora o que posso dizer é que Los Roques é sem nenhuma dúvida um dos lugares mais incríveis que já visitei.

Suas praias e a sua fauna são algo espetacular. Adorei.

Deixo a foto de uma revoada de guaramares, uma espécie de gaivota malandra, que em vez de pescar o seu próprio peixe fica atacando os pelicanos, tentando lhes roubar o alimento.

A caminho de Los Roques

11/08/2009
Pelicanos, me aguardem!

Pelicanos, me aguardem!

Direto do Galeão. Passei aqui rapidinho só para avisar que, possivelmente, não haverá muitos posts até o dia 20. O blog está saindo para pequenas férias em Los Roques, na Venezuela.

Dicas são sempre bem-vindas.

Se der apareço para contar como estão as coisas. Mas desconfio que não terei tempo – sem falar que, ao que consta, a internet por lá é lenta, lenta. Assim como eu pretendo ficar.

Até.

Bela crônica – e o Paladino da tradição

10/08/2009

Linda a crônica de hoje do Joaquim Ferreira dos Santos na contracapa do Segundo Caderno. Recomendo a leitura tanto para os apaixonados pelo Rio quanto os que cultivam o amor pelas palavras. Se o cara ainda curtir botecos, tanto melhor.
Joaquim Fala da Marechal Floriano, antiga Rua Larga.
Vale muito a pena a leitura.
E aproveito a deixa para daqui no meu cantinho republicar o texto que fiz sobre o Paladino.

O fabuloso omelete de bacalhau do Paladino, clássico do Centro, regado com azeite, com um chope bem gelado: espetáculo1

Paladino da Tradição – publicado em 17/06/2008
Desço a Rua da Quitanda em direção à Presidente Vargas. O carro apressado, nada educado, passa rápido, jogando o esgoto que brota do chão nas calças das pessoas. O mendigo sujo pede cigarros e esmolas a quem quer que passe. O PM conversa com o vendedor de bolsas de grifes famosas falsificadas. Parecem amigos de infância. Um protesto tumultua o trânsito. E não há sirene de ambulância que dê jeito de abrir passagem na Rio Branco paralisada. Estou no meio de um inferno. Barulho, multidão, sol do meio-dia, fome… E ainda digo aos amigos que amo trabalhar no Centro do Rio.
Atravesso a Presidente Vargas andando pela frente da Candelária. Lembro-me da chacina inevitavelmente todas as vezes em que passo pelos desenhos das pessoas no chão, uma marca da tragédia para que ninguém se esqueça daquela madrugada de 1993. Do outro lado da avenida o fluxo de pedestres já é um pouco menor. Não preciso mais me desviar de executivos, boys, camelôs e estudantes que entopem o nosso Centro querido. Me abrigo do sol nas grandes marquises que protegem as calçadas. Dobro à direita na Rua Uruguaiana e sigo em frente. Na esquina com a Marechal Floriano, entro num armazém com armários de madeira repletos de bebidas e conservas. Não é um mercado de secos e molhados qualquer. É o Paladino, com mais de 100 anos de vida, de bons serviços prestados à cena etílico-cultural da cidade.
O endereço vive lotado na hora do almoço. O que é engraçado, porque ali não é servido o que se convencionou chamar de almoço. O cardápio mais que enxuto apresenta algumas poucas coisas: uns sandubas, omeletes e porções de frios, além de polvo e sardinhas portugueses enlatados. O que se hoje conhece como boteco, nas suas origens era assim, um armazém que servia umas coisinhas para comer. O chope tirado na tulipa é daqueles que se pode chamar de primoroso. Tem colarinho de três dedos, de creme espesso, copos bem limpos (sim, isso é muito importante, não só em termos de higiene, mas de garantia da integridade da bebida, muito afetada por resquícios de gordura ou detergente) e é servido gelado como manda o protocolo da bebida no Rio de Janeiro.
Quando quero um almoço leve que não seja uma saladinha do Gula Gula do do Delírio Tropical apelo ao Paladino. Hoje pedi, como quase sempre, uma omelete de bacalhau. Fofinha e leve, com muitas lascas do peixe, cebola e salsinha, é regada com azeite português na própria mesa (reparou no brilho da foto?). Mas o garçom leva embora a lata. Peça para ele deixar, mas não é certo conseguir isso. Vai depender do humor dos garçons, dia bom, dia ruim, dia ruim, dia bom. O que pode parecer falha grave no atendimento, na verdade, é parte do folclore de nossos botecos: o serviço tem que ter um quê de ranzinza. Uns pedacinhos de pão francês acompanham e dão mais sustância à refeição.
Há quem coma e beba de pé, no balcão centenário de madeira escura. Porque as mesas vivem lotadas na hora do almoço. Para melhor aproveitar os dois pequenos salões, há pouco espaço entre elas, a ponto de ser uma dificuldade alcançar as mais distantes. No meio da confusão e do aperto, enquanto traço prazerosamente a minha refeição, o garçom gentilmente me pede para passar para a mesa do lado o trio (sanduíche de salaminho, queijo e ovo, um dos clássicos da casa) e a omelete de sardinha. Volta em seguida, agora solicitando minha ajuda no serviço dos chopes. Os vizinhos até me ofereceram, meio brincando, meio de verdade, 10% de serviço.
Só não deixe de levar dinheiro vivo, porque o Paladino é tradicional até o caroço e não se rendeu à modernidade do cartão de crédito. Taí um defeito desse emblemático lugar, que vinha me parecendo perfeito. O pior é que eu sempre me esqueço disso. Dia desses chego lá sem um tostão. Espero não precisar lavar pratos. Se o Paladino é tão das antigas, será que rola um pendura?

Rio vai ganhar Museu da Gastronomia Brasileira

07/08/2009
Costa Mágica no Porto do Rio: será que agora vai?

Costa Mágica no Porto do Rio: será que agora vai?

Passei agora só para contar uma possível novidade, rapidamente. Hoje, no mesmo dia em que conheci os projetos para o Museu da Imagem e do Som, que vai ocupar o terreno da Help (e para onde irão as putas?), fiquei sabendo que o Rio deverá ganhar uma outra atração interessantíssima, o Museu da Gastronomia Brasileira.  Salivo só de pensar.

Provavelmente ocupará uma área na região do Cais do Porto (na foto), como parte do projeto de revitalização desta região. Parece que, enfim, agora vai.

A iniciativa é da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (FNHRBS), com parceria do Senac e do Sebrae. Palmas para eles, se a coisa vier mesmo a acontecer. Já tem até prazo de conclusão: dois anos. Disso, realmente, eu duvido.

Novidades gastronômicas cariocas

06/08/2009
Bar Pavão Azul, em Copa: agora com anexo do outro lado da rua

Bar Pavão Azul, em Copa: agora com anexo do outro lado da rua

Duas novidades dos bastidores. No blog antigo eu comentei, não faz muito, que os donos do Pomodorino, do Artigiano e do Fiorino, três restaurantes italianos no estilo BBB (bom, bonito e barato) pertencentes à mesma família, estavam com dois terrenos incríveis para abrir restaurantes na Zona Sul. Ontem, no jantar de apresentação dos vinhos da Filipa Pato, no Zuka, fiquei sabendo que, de fato, são dois terrenos. Mas, colados um ao outro, serão transformados em um só restaurante – coladinho ao Artigiano. Com adega subterrânea e outros dois andares, já tem nome, Anna, e está quase pronto. Já estou salivando de vontade de conhecer. Em tempo: os vinhos lá têm preços imbatíveis, o mesmo, às vezes até menor, que em lojas, acredite em mim – sem falar na boa oferta de rótulos, coisas diferentes e de várias importadoras.
E já que falamos de novidades, o digníssimo Pavão Azul (na foto), um dos melhores botecos da cidade, sem qualquer dúvida, está ampliando os seus domínios. Já funciona, logo defronte ao bar, um anexo que vai desafogar um pouco o lugar, sempre lotado à noite e nos fins de semana. Vai ficar mais fácil se deliciar com as pataniscas de bacalhau, pastéis e risoto de camarão.
Oba.