Minha Ipanema (e o reencontro com uma crônica perdida)

Nossa vida é cheia de doces surpresas. Quando a gente menos espera recebe um presente. Ontem o Google me informou que minha capacidade de armazenamento de e-mails está quase no fim (quem manda ficar mandando foto pra lá e para cá?).

Então comecei a limpar a minha caixa postal. Hoje dei de cara com um texto que julgava perdido. Foi o meu primeiro post no Direto do Rio de Janeiro, blog recém-encerrado lá no Viaje Aqui, da Editora Abril – mas ele continua ativo lá, dá para ler todos os posts, ao menos por enquanto. Este texto foi escrito em setembro de 2006, assim que cheguei em São Paulo para trabalhar na redação da revista Viagem e Turismo. 

Todo o primeiro ano do blog se perdeu em algum buraco negro da internet quando mudaram o sistema de publicação. Fiquei triste em perder vários textos. Quando os arquivos sumiram eu já tinha voltado para o Rio e o possível backup dessa primeira fase já tinha sido há tempos apagado do meu computador lá no 14º andar do NEA (uma gíria abriliana que significa Nova Edifício Abril, acho, é aquele prédio lá as margens do Rio Pinheiros).

Pois então aproveito a coincidência para republicar o texto, no qual eu fazia iuma apresentação do blog. Faz todo o sentido, porque o propósito deste blog é parecido com o antigo: falar do Rio – ainda que aqui eu também trate de outros lugares, como Los Roques (Dri, no fim de semana escrevo para você, ok?).

 

O pôr do sol em Ipanema, no mês de janeiro é assim, no mar: digno de aplausos

Minha Ipanema – publicado originalmente em setembro de 2006

Não cheguei a jogar bola na Prudente de Morais, como fez meu pai na década de 60. Nem vi o bonde cruzar Ipanema, dando a volta no Bar Vinte. Tampouco freqüentei as mesas do Bar Zeppelin, o predileto da turma do cinema novo, da esquerda festiva e da vanguarda musical do período. Nunca vi o pôr-do-sol das Dunas do Barato, também conhecidas como Dunas da Gal: minha praia é o Posto 9. Também não sou contemporâneo do Cinema Astória. Muito menos dos bodinhos, charretes e cavalos que ocupavam o Jardim de Alah, alugados pelas famílias para passeios pelas redondezas.
Mas recordo-me do burburinho sobre a tanga do Gabeira e da lona do Circo Voador, que pela primeira vez aterrissou no Arporador, no comecinho dos anos 80, antes de se instalar na Lapa. Lembro-me bem da aprazível varanda do Jangadeiros, onde comia benditas batatas fritas. Aplaudi efusivamente, sei lá quantas dezenas de vezes, os poentes do verão, quando o sol mergulha no mar prateado tingindo o céu com cores quase lisérgicas – seria efeito da fumaça dos cigaros enrolados pela vizinhança? Pode ser… Era muito pequeno no verão da lata. Mas peguei o impagável verão do apito. Aliás, como será apelidado o próximo verão? O último foi o do Coqueirão. Sugestões, por favor.
Muita coisa mudou desde o tórrido verão de 1976, quando cheguei por aqui, nascido no Humaitá, na noite do dia 10 de janeiro, quase 11. Logo nos primeiros meses de vida virei morador de Ipanema, condição que mantive até o ano passado, quando me mudei para o Leblon. A atual Rua Vinícius de Moraes chamava-se Montenegro – e por ali desfilava a musa Helô, fitada pelos companheiros Tom e Vinícius, que a eternizaram como a Garota de Ipanema. Hoje a canção batiza o bar, antes chamado Veloso, de onde a dupla observava a adolescente num doce balanço a caminho do mar.
Muita coisa mudou, é verdade. Mas muita coisa permanece, outras melhoraram até. Acreditem. E é disso que vou falar e lembrar nos próximos posts.

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11 Respostas to “Minha Ipanema (e o reencontro com uma crônica perdida)”

  1. JÚLIO Says:

    Eu ainda peguei as dunas, o apito e as latas do Solana Star….rs

  2. Dri Says:

    Não peguei nada dessa época, mas peguei essa cronica no ViajeAqui! E desde então, continuo firme e forte seguindo o blog… Quanto a Los Roques, não tem pressa. Eu não vou pra lá tão cedo mesmo, é só pra favoritar.

  3. Juliana Amorim Says:

    eu não conheci a antiga Ipanema, mas não lamento.Adoro a atual! Aprendi a gostar dela com minha amiga MAria que sempre me incentivou a vê-la (ipanema) por seus olhos apaixonados.

  4. CarlaZ Says:

    Não sabia que estava com blog novo…achei que tivesse “te perdido” quando saiu do Viaje Aqui…

  5. Júlio Says:

    Então foi vc .q pegou o Gabeira!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  6. Júlio Says:

    Peraí fiquei mal.O Gabi épegador. Bobo quem pensa o contrário.
    Salve Gabeira.

    • brunoagostini Says:

      ah ah
      Pois é, Julio, sabemos. E tem uma filha incrível, guerreira e bonita, corajosa. Viva o Gabeira. Que, nem precisaria, ainda é rubro-negro de coração. Abraços

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