Archive for setembro \30\UTC 2009

Açorda: um clássico português

30/09/2009
Mais uma receita com pão e ovo como base, mas esta muito mais saborosa que a sopa alentejana: trata-se da açorda de mariscos, no caso devorada no restaurante Pinóqui, em Lisboa

Mais uma receita com pão e ovo como base, mas esta muito mais saborosa que a sopa alentejana: trata-se da açorda de mariscos, no caso devorada no restaurante Pinóquio, em Lisboa

Outra dia escrevi aqui sobre a sopa alentejana, que tem pão e ovo como ingredientes principais. É algo simples, de gente pobre, que acabou virando receita bastante representativa da culinária portuguesa. Há o hábito corrente em Portugal de se usar pão em diversas aplicações culinarias. Pode rechear embutidos, como a farinheira e a alheira, e ser usada em vários pratos bem típicos.

Talvez o que seja mais famoso, saboroso e comum nos restaurantes do país seja a açorda, que pode ter várias versões. Há vários restaurantes especializados no prato. Um deles é o Papaçorda, cujo nome dispensa disertações sobre a especialidade da casa.

Ontem almocei em um clássico lisboeta, o Pinóquio, na Praça dos Restauradores, pertinho da Rua Portas de Santo Antão, um corredor de restaurantes de mariscos. Pedi uma açorda de lagosta, amêijoa e gambas, que são camarões de tamanho médio. Estava divino. Uma massa de pão e ovo, temperada com alho e azeite, é coberta com boa quantidade desses mariscos, com coentro em profusão.

O garçom nos apresenta ao prato para então misturar tudo. Depois, traz uma pimenta pouco ardida e azeite. Não há como não adorar isso. Custa 19 euros o prato para uma pessoa. Eu comi só, mas deixei bastante pão. Porém, testemunhei um casal de amigos dividir um prato. Porque dá para dois, sim, com certeza.

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Tasca do Chico: turístico, sim, mas imperdível também

29/09/2009
O fado vadio da Tasca do Chico, sempre lotada às segundas e quartas

O fado vadio da Tasca do Chico, sempre lotada às segundas e quartas

Algumas coisas são obrigatórias a quem está em Lisboa. Comer os pastéis de Belém, por exemplo. E participar de alguma apresentação de fado vadio. Anteontem estive no Bar Tejo, na verdade a casa de um brasileiro do Acre, no coração da Alfama, um segredinho para poucos que me foi apresentado pela querida Vivian Rangel, que mora está morando em Lisboa. Além de fado, cantamos MPB, reggae e música africana, num espetáculo delicioso de diversidade. Havia japoneses, caboverdianos, brasileiros e portugueses.
Ontem fui a um clássico, que embora seja turístico, é também imperdível, o que é raro, como sabemos. Trata-se da Tasca do Chico, no Bairro Alto, um dos mais tradicionais endereços de fado vadio (fado vadio é uma apresentação quase que espontânea, quando os próprios frequentadores cantam e tocam).
A música rola às segundas e quartas e quem quiser garantir lugar é melhor chegar cedo, porque a casa fica lotada. Assim, só dá para ver da janela, o que não é de todo mal.
E se você quiser saber mais do Bairro Alto, ou ler sobre essas minhas andanças lusitanas, passa lá na Enoteca que está cheio de coisa.

Sopa alentejana: o sabor da simplicidade

28/09/2009
Ovo, pão, alho, coentro, sal e água: e não é que é bom?

Só ovo, pão, alho, coentro, sal e água: e não é que é bom?

Não que seja um prato que eu tenha caído de amores. É possível que nunca o prove novamente. Mas a sopa alentejana é um exemplo lovável de como se cozinha com pouco.

A sopa emquestão, originária do Alentejo, a região mais pobre de Portugal, é de uma simplicidade impressionante. Leva apenas água, alho, muito alho, como tudo em Portugal, coentro, azeite, pão e sal. Só isso.

Enquanto há ovo é uma deliciosa experiência gastronômica. Só quando ele acaba é que a coisa fica meio monótona, restando só o pão amolecido.

Mas o que conta, no caso, é a extração de sabor de tão poucos ingredientes. E o preço, só 2 euros. E assim se mata a fome baratamente.

Quadrifoglio ganha duas estrelas do Guia Quatro Rodas

27/09/2009
OQuadrifoglio reabriu com tudo, mantendo a tradição da casa no Jardim Botânico em receber duas estrelas do Guia Quatro Rodas, merecidamente, como antes

O Quadrifoglio reabriu com tudo, mantendo a tradição da casa no Jardim Botânico em receber duas estrelas do Guia Quatro Rodas, merecidamente, como antes

Nesta semana foi lançado o Guia Brasil 2010, que estou louco de curiosidade para manusear. Nesta edição tem uma matéria minha sobre bares que foi muito gostosa de fazer.

Mas isso é assunto pra depois. Daqui de Portugal o que quero falar é do Quadrifoglio, que foi reinaugurado com tudo. E o pessoal do Guia não deixou por menos: deu logo duas estrelas pros caras: merecidamente, acho eu. Só não acho certo o Gero ter só uma. Como diz sabiamente o Joaquim, o Gero é infalível.  Merecia mais que ser botafoguense, uma estrela solitária.

Aproveito o ensejo para publicar um texto que fiz logo que o Quadrifoglio reabriu as portas.

QUADRIFOGLIO: NOVO E ANTIGO – Publicado em 3/6/09

Quando foi anunciada a saída da Silvana Bianchi do Quadrifoglio ficamos apreensivos. O Quadrifoglio sempre foi uma das cozinhas mais consistentes da cidade. Eu nunca havia escutado um relato de qualquer refeição ruim lá. Historicamente, o Quadrifoglio sempre conquistou duas estrelas no Guia Quatro Rodas – o que se sabe, não é pouca coisa. Era um daqueles endereços sempre certeiros. Pratos clássicos da casa, como o ravióli de pêra com gorgonzola e a panqueca de tangerina, regada pelo fogo num espetáculo pirotécnico, deram fama interestadual a este restaurante italiano, sempre listado entre os melhores do Brasil na especialidade. Quem conhecia o lugar não escondia o temor. O assunto tomou as conversas da turma chegada em gastronomia, escaldada pela irreparável perda do Le Saint Honoré: seria o fim do Quadrifoglio?

Quando foi anunciado que um grupo de ex-funcionários do grupo Fasano havia se unido para assumir o restaurante, veio um certo alívio. Depois da inauguração ouvi relatos animadores, incluindo do nosso nobre Joaquim, respeitável referência. Na segunda foi a minha vez. O que posso dizer, de maneira resumida, é que há males que vêm para o bem, e o novo Quadrifoglio está ainda melhor que o antigo. A começar pela aparência. Porque na minha última visita ao Quadrifoglio a comida estava incrível e minha única ressalva foi quanto ao ambiente: acho que o carpete tava meio velho, a casa um tanto escura, uma decoração pesada. Agora não, o piso é de madeira, o salão está mais claro. Uma linda adega domina parte do segundo andar, exibindo uma boa seleção de garrafas. A reforma rejuvenesceu a casa do Jardim Botânico. Já gostei. Mas não basta uma bela estampa, é preciso conteúdo, nós sabemos disso. Então, fiquei altamente entusiasmado com a primeira graça da noite, uns biscoitinhos de aliche. A massa estava leve e delicada, com o peixe apresentando o seu forte e característico sabor na medida exata. É uma espécie de mini-grissini, dos melhores que já comi. Achei aquilo muito divertido com uma tacinha de espumante. Com os biscoitinhos veio a cesta com bons e variados pães, tudo feito ali, além de uns grissinis – e três potinhos: azeite de primeira, manteiga idem e uma sardella bem pastosa, saborosa, intensa. Couvert italiano é isso aí, não há o que inventar, veja o Gero e o Fasano.

Agradável foi folhear o cardápio e constatar que o que mais importava foi preservado. As receitas mais conhecidas dos tempos da Silvana Bianchi permanecem. Estão lá o ravióli de pêra com gorgonzola, a panqueca de tangerina… Mas predominam os pratos criados por Kiko Faria, ex-Fasano al Mare. Como era a nossa estreia no novo restaurante, preferimos investigar as novidades. O camarão envolvido por massa fresca vinha escoltado por pedaços de tomate levemente desidratado que estavam incríveis. Mas acho que o cozinheiro se esqueceu de colocar sal no crustáceo que, em compensação, estava naquele ponto certo de cozimento raro de ver, resistente à mordida, explosivo. Equilibrado estava o polvo no molho de tomates, com igual acerto no tempo de panela, muito saboroso.

Não houve como resistir às sugestões do maitre: cavatelli com molho de coelho e favas e pernil de cordeiro com polenta e pecorino. Cozido lentamente, adensando o seu próprio molho, o cordeiro chegou perfumando a mesa. É um pernil preparado de maneira inteligente, fugindo do convencional. Eles tiram uma manta de carne da peça, temperam com ervas e enrolam, quase como um rocambole. De intenso sabor, duas altas fatias regadas pelo próprio molho buscam o equilíbrio na polenta com pecorino ralado à mesa. É um prato que praticamente exige um vinho maduro, potente e estruturado para se revelar por inteiro. Delicado era o cavatelli, uma massa de formato rústico, como um pequeno spätzle. Não era capaz de imaginar o quanto se dão bem o coelho com as favas. Hoje acho que nasceram um para o outro.

Confesso que no capítulo sobremesa quase mandei às favas, ops, quase me esqueci do plano de explorar os pratos novos do cardápio. Por um triz não pedi a panqueca de tangerina, um daquelas pratos que nunca me cansaria de repetir. Mas fomos em frente e pedimos o diamante alla variegato, que é uma boniteza só, e os profiteroles al gianduia. O primeiro é um chocolate (em forma de diamante) recheado com calda de avelãs e laranja, servido sobre uma espécie pão-de-ló. As carolinas também levam avelãs, o que as tornam mais interessantes.

Um café acompanhado por biscoitinhos nível Fasano e uma taça de vinho do Porto depois, fui embora feliz e despreocupado. O Quadrifoglio vai muito bem, obrigado.

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Padaria Bassil: a melhor esfirra do Rio

25/09/2009
Padaria Bassil, na Saara: Garrincha era fã e, reza a lenda, uma aposta com Jordan, zagueiro do Flamengo, teria resultado nas cores dos azulejos da casa, alvi-negros

Padaria Bassil, na Saara: Garrincha era fã da casa, nos anos 60, e, reza a lenda, uma aposta com Jordan, zagueirão do Flamengo, teria resultado nas cores dos azulejos da casa, alvi-negros

Depois de 33 anos de contínua investigação, esta semana cheguei à conclusão definitiva de minhas pesquisas. A melhor esfirra do Rio é servida numa padaria. A Bassil, no coração da Saara, assa no forno a lenha a massa recheada com carne ricamente temperada. Não tem pra ninguém: nem pro pessoal da Galeria Menescal, nem pro povo do Largo do Machado, nem pra galera do Amir. As esfirras da Bassil são insuperáveis. E não pense que é só. O quibe também é uma loucura. E a esfirra aberta tem uma bossa extra: a massa é levemente folheada.

Acomode-se no balcão, peça os seus salgados, regue com os molhos de pimenta árabe e o suco de limão, e seja feliz.

Ah, sim, eles também vendem pães, preparados no forno a lenha, além de pastas diversas, para o pessoal comer em casa.

Agora já sabe: na próxima vez que for bater pernas pela Saara, já sabe onde comer.

Buenos Aires a pé: Avenida de Mayo

24/09/2009
O Café Tortoni é um símbolo de Buenos Aires. Passe ali nem que seja só para um rápido cafezinho

O Café Tortoni é um símbolo de Buenos Aires. Passe ali nem que seja só para um rápido cafezinho com churros

As decisões políticas argentinas circulam pela Avenida de Mayo, que liga a Casa Rosada, sede do Poder Executivo, ao Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo. Dez quadras separam os dois edifícios históricos, mostrando-se um deleitoso trajeto que percorre a Catedral Metropolitana, o badalado, elegante e tradicional Café Tortoni, a Estação Peru de metrô, tal e qual era no início do século passado, e praças recheadas de monumentos – com direito até a O pensador, de Rodin, instalado na Praça dos Congressos. E é quase certo deparar-se com alguma manifestação. Os piqueteros não falham, evidenciando a alma política dos argentinos, que não se furtam em reclamar do governo. Já uma tradição é o encontro pontual das mães da Praça de Mayo, que há quase 30 anos, todas as quintas-feiras às 15h30, encontram-se na praça defronte à Casa Rosada para protestar contra os filhos desaparecidos durante a ditadura.

Uma sugestão  é começar o passeio ali mesmo, na Casa Rosada. Durante a semana, acontecem visitas guiadas à tarde ao prédio que é sede do governo desde 1873. Há um museu com mais de 10 mil peças que pertenceram a presidentes argentinos. Ainda na Praça de Mayo, onde encontra-se também o Palácio do Governo da Cidade de Buenos Aires, o El Cabildo e a Catedral merecem atenção. O primeiro é um edifício antigo, que passou por várias modificações e hoje, depois de minuciosa reforma, é uma espécie de museu, com visitas guiadas. Guarda um recanto delicioso: uma passagem que liga a rua Hipólito Yrigoyen à Avenida de Mayo. O pátio embebido na atmosfera colonial argentina é ótimo para descansar e abriga uma pequena feira de artesanato.

Em frente ao Cabildo, em diagonal, situa-se a Catedral. A fachada, com 12 colunas que representam os apóstolos, tem inspiração grega. Mas o interior é barroco. Os altares monumentais, a cúpula em estilo renascentista e o piso de ladrilho impressionam pela beleza. Um órgão com quase 3 mil tubos ainda funciona.

Seguindo em direção ao congresso, duas paradas estratégicas: a primeira na Estação Peru, que conserva a aparência original. A segunda, mais demorada, no Café Tortoni, tradicional reduto da intelectualidade portenha, freqüentado por gente do quilate de Jorge Luis Borges, que sentava-se na penúltima mesa da parede direita de quem entra. Aberto desde 1858, hoje é um verdadeiro centro cultural, abrigando atividades relacionadas ao tango e ao jazz. Lá funciona, ainda, um escritório de informações turísticas nos fundos do café, ao lado das mesas de bilhar.

Caminhando pela avenida, dona de incontáveis cafés, livrarias e restaurantes, aprecia-se a arquitetura de inspiração francesa dos prédios, as cúpulas e fachadas, até chegar à Praça dos Congressos, que conta vários monumentos. O prédio da legislatura é um dos mais bonitos da cidade, em estilo academicista italiano. A cúpula imponente de cobre que faz lembrar o Congresso do EUA, em Washington, e a decoração com inspiração greco-romana podem ser apreciadas do lado de fora. Acontecem visitas guiadas, mas os horários são restritos, assim como o número de pessoas. Deve-se consultar a disponibilidade.

Para finalizar com chave de ouro o passeio, degustação de pizzas e empanadas na La Americana. A casa, inaugurada em 1935, não faz parte dos circuitos turísticos e cobra preços honestos. Além de, o mais importante, servir deliciosas pizzas e empanadas em diversos sabores, além da fugazza, espécie de pizza recheada de queijo. Afinal, é impossível ir a Buenos Aires e não degustar os pastéis de forno que são objeto de idolatria dos argentinos. Fica a dica: o recheio de carne picante é o de mais sucesso.

Onde comer
La Americana – Avenida Callao, 83. Tel.: 4371-0202.
Gran Café Tortoni – Avenida de Mayo, 825. Tel.: 4342-4328.

Principais atrações: Casa Rosada, El Cabildo, Catedral Metropolitana, Café Tortoni, Estação Peru de metrô  e Congresso Nacional. A avenida abriga ainda vários monumentos, com especial destaque para a escultura O pensador, de Rodin, na Praça dos Congressos, em tamanho natural.

Ver para crer: carpaccio de ossobuco

24/09/2009
Consomê de ossobuco com finas lâminas da carne, ervas e brotos: estrela do cardápio vietnamita do Sawasdee. Coida de doido: quero mais.

Consomê de ossobuco com finas lâminas da carne, ervas e brotos: estrela do cardápio vietnamita do Sawasdee. Coida de doido: quero mais.

 

Segunda fui lá no Sawasdee experimentar o cardápio do festival vietnamita. Fiquei fissurado nesse prato aí da foto, para mim disparado o melhor da noite: trata-se de um caldo perfumadíssimo de ossobuco, cheio de esrvinhas e, o pulo go gato: finas lâminas desta carne, como um carpaccio que cozinha lentamente no caldo. Uma delícia.

Quero mais.

Como a Adriana ficou curioso, decidi publicar a foto e contar um pouquinho mais deste pratos, um dos melhores dos últimos tempos. Pelo menos para esse ossobucólatra aqui que vos escreve.

Buenos Aires a pé: Puerto Madero

23/09/2009
Guindastes e armazéns, marcos da paisagem de Buenos Aires, avistados da varanda do Hotel Madero

Guindastes e armazéns, marcos da paisagem de Buenos Aires, avistados da varanda do Hotel Madero

Desde que, há  cerca de 15 anos, Puerto Madero renasceu com as reformas dos antigos armazéns, a região não pára de sofisticar-se. E parece que não vai sair de moda nunca. Primeiro chegaram os restaurantes, bares, faculdades e escritórios. Em seguida, foram erguidos edifícios de arquitetura moderna, que contrastam com os prédios de tijolinho aparente. Agora, a região – que transformou-se no metro quadrado mais caro de toda a Argentina – ganha um microbairro, idealizado por Alan Faena. O primeiro prédio inaugurado é o hotel que leva o sobrenome do jovem empresário, um antigo armazém reformado pelo arquiteto francês Philippe Starck. Luxo, requinte e sofisticação em cada detalhe marcam o empreendimento, que conta com dois restaurantes, um bar e uma sala de shows intimista que, abertos a não-hóspedes, já caíram nas graças da elite portenha. Entre os pontos altos do hotel, além das instalações suntuosas, destaque para o check-in e o check-out – que podem acontecer a qualquer hora – e o experience manager, espécie de assistente pessoal que funciona como recepcionista, concierge e relações públicas. Coisa fina.
Apurado também  é o ambiente do Cabaña Las Lilas, uma das mais afamadas parrillas (churrascarias à moda argentina) de Buenos Aires. A brincadeira começa com champanhes e pequenas empanadas. Segue por entradinhas como tomates secos, pasta de gorgonzola, vinagrete de lulas e incontáveis pães caseiros. Em seguida, um dos muitos cortes, com destaque para o bife de chorizo e o asado de tira, os mais pedidos. E termina com as sobremesas e petit fours. Uma tentação irresistível. Curioso é saber que o restaurante é de um brasileiro (algo como a melhor feijoada do Rio de Janeiro ser servida em um restaurante de um argentino).
– Quando eles descobrem que o dono é brasileiro, a coisa fica feia – conta, divertindo-se, o brasileiríssimo Matias Medeiros, gerente da casa, importado do Figueira Rubayat, de São Paulo, dos mesmo donos.
O serviço é  primoroso e a carta de vinhos – com precisas descrições de cada garrafa disponível – é uma das maiores da Argentina, apresentando opções dos principais países produtores, mas com destaque maior para os exemplares nativos. No total, são quase 200 vinhos diferentes, com algumas raridades em cartaz.
Puerto Madero acabou se transformando em um dos principais centros gastronômicos da capital argentina. Além do Las Lilas, os armazéns abrigam cozinhas como as do Bice, do Sorrento del Puerto e do Il Gran Caruso, entre outras, todas altamente recomendáveis. Mesmo batendo pernas e analisando em minúcias os cardápios exibidos às portas, fica difícil escolher. 
Mas Puerto Madero não vive só da boa mesa e da sofisticação. Natureza e história também  se manifestam. Além das rugas evidentes nos antigos armazéns, dois navios (a Fragata Sarmiento e a Corveta Uruguay) foram transformados em museus e ficam ancorados nos diques. Ademais, toda a zona além da Avenida Carlos M. Noel é uma reserva ecológica preciosa, que abriga centenas de espécies de pássaros e outros animais característicos das lagoas dos pampas. Perfeito para uma caminhada, piquenique ou simples repouso.

Onde comer
Cabaña Las Lilas – Alicia Moreu de Justo, 516. Tel.: 4313-1336.
Hotel Faena – São dois elegantes restaurantes: El Mercado e El Bitro, ambos abertos a não-hóspedes, como o bar El Living.

Onde ficar:  Hotel Faena – Rapidamente transformou-se no supra-sumo da hotelaria argentina, sinônimo de luxo e sofisticação. Martha Salotti, 445. Tel.: 4010-9000. www.faenahotelanduniverse.com

Paraty em Foco: começa hoje festival de fotografia na cidade mais gostoso do Rio

23/09/2009

 

Há uns seis anos, quando eu fazia uma matéria sobre a presença constante de fotógrafos em Paraty (para a revista de Domingo do JB), conheci o Giancarlo Mecarelli, fotógrafo dos bons, um italiano que se apaixonou por Paraty e se mudou para lá. Ela havia inaugurado há pouco a sua galeria no centro histórico, totalmente dedicada à fotografia, sempre com ótimas exposições em cartaz, além de sacadas c0m uma das mais belas vistas de Paraty.
Além do heroísmo que é criar uma galeria de artes no Brasil (ainda mais de fotografia) ele foi além: criou um festival de fotografia, na cara e na coragem, sem o apoio de ninguém. Assim nasceu o Paraty em Foco, que chega hoje à sua quinta edição atraindo, estima-se, cerca de 5 mil pessoas à cidade, segundo cálculos do bureau de turismo local.

A programação é da melhor qualidade, com exposições incríveis (leu a matéria hoje no Segundo Caderno do Globo? Está ótima, com lindas imagens, a da bailarina, então, nem se fala). Passa lá no site deles:  http://www.paratyemfoco.com/

A programação é extensa: tem workshops, entrevistas, palestras, projeções e exposições,  além disso, ações sociais, leilões e até um encontro de blogueiros, do qual lamentavelmente não poderei participar – por razões profissionais.  Sábado embarco para Portugal na nobre companhia do Célio Alzer para um giro por restaurantes e vinícolas. As historinhas desta aventura enogastronômica lusitana eu vou contando aos poucos lá na Enoteca. Mass prometo não desaparecer daqui. E pretendo, até lá, encerrar a série sobre Buenos Aires, falar mais do Vale das Videiras, e também tratar de assuntos pendentes: o Eñe (não esqueci, não, viu Juliana) e outros.

Aliás, alguém quer reforçar algum pedido de assunto a ser tratado aqui?

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Vale das Videiras: e os escargots da Alameda 914 estão chegando ao Rio no lugar do Carême

22/09/2009
Ovelhas pastam no gramado na frente da Fazendas das Videiras, que acaba de completar dez anos

Ovelhas pastam no gramado na frente da Fazendas das Videiras, em Petrópolis, que acaba de completar dez anos

No fim do mês passado estive no Vale das Videiras para uma data muito especial,  os 10 anos da Fazendas das Videiras (na foto), uma pousada-restaurante lindíssima e charmosa onde tudo gira ao redor dos vinhos, do nome dos quartos à decoração.
Era a minha segunda visita ao lugar.
Para marcar a data convidaram algumas pessoas para uma série de jantares ao longo de agosto. Escolheram  alguns clientes assíduos e jornalistas que escreveram sobre eles, entre os quais este repórter aqui (escrevi sobre eles em 2005, quando era editor do caderno de turismo do JB), que se sentiu muito honrado com o convite. O jantar foi um pequeno apanhado das receitas do lugar. Nunca me esquecerei do jantar e dos vinhos escolhidos para a noite de gala. Mas isso eu conto com mais detalhes amanhã.
Acabei protelando a publicação da experiência aqui, ainda que a Adriana tenha pedido um post pra já, por uma razão muito simples: estive lá no dia 28 e o casal Erni e Gaspar Vianna, os donos, viajaram para a França no dia 8 – e, como administradores zelosos que são, fecharam as portas do lugar, que só abre no fim do mês, quando eles voltam.
Mas hoje, ao ler o Segundo Caderno de O Globo, achei que era hora de falar de lá. Porque quando estive no Vale das Videiras queria almoçar lá no Alameda 914, um pequeno restaurante especializado em escargots, que eu havia visitado há uns quatro anos (por ocasião da mesma pauta sobre a região), e adorado. Fiquei sabendo, ainda na noite de sexta, que a casa tinha fechado (de fato, não atendiam o telefone quando tentei reservar).
Então, isso me permitiu ser surpreendido positivamente pelo ótimo churrasco na estrada até a Fazenda das Videiras. experiência que render até post.
Mas chega dessas digressões: achei que tinha que falar agora do Vale das Videiras porque li hoje em Gente Boa que o Otto, ex-dono do Alameda 914, vai ocupar o endereço do Carême. Se eles mentiveram a ótima mão nas receitas e a qualidade do caramujo, tem tudo para fazer o maior sucesso.
No domingo havia conversado com uma conhecida sobre ele, porque fui informado de que o Otto não participaria desta edição da Festa da Primavera da ABS,  na próxima sexta, como de hábito.
Ao menos, depois da notícia ruim domingo, veio a boa de hoje.
Já avisei em casa: vou ser um dos primeiros clientes. E quero comer os escargots com manteiga de ervas e alho, a receita mais clássica, mas também uma com rabada, incrível, o risoto com escargots e cogumelos e o espetacular ossobuco que leva o molusco na receita.
Aliás, falando em ossobuco, o Sawasdee está com um festival vietnamita. Fui lá ontem provar. E fiquei embasbacado com o caldo com carpaccio (sim, carpaccio) de ossobuco. Uma coisa de doido, o melhor da noite, para mim. Pode ir lá conferir.

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