Olha nós vamos na dança do Cachambeer

Meninas felizes paqueram a costela gigantesca e suculenta do Cachambeer, um boteco-boteco

Meninas felizes paqueram a costela gigantesca, acebolada e suculenta do Cachambeer, um boteco-boteco que vale o empenho em se visitar o Cachambi

O Julio comentou do Cachambeer há uns posts atrás. Não podia haver deixa melhor para eu republicar este post, escrito logo no começo da última edição do Comida di Buteco deste ano, quando estive lá pela primeira vez. Aproveito e deixo o link pro site dos caras.
O título do post é uma homenagem ao Almir Guineto, que sabe tudo de samba.

BOTEQUEIRO, VOCÊ PRECISA CONHECER O CACHAMBEER – publicado em 9/6/09

Você já foi a Cachambi? Não? Então eu vou te contar um negócio. Se você é apreciador de uma boa costela, se gosta de um chope bem tirado, com direito a saideira e boa prosa, enfim, se visitar botecos cheios de personalidade é a sua praia, você deveria considerar uma passeio até este bairro suburbano. Isso porque é lá mesmo que encontramos o Cachambeer. Uma única visita minha ao lugar foi o suficiente para colocar este bar na lista de endereços imperdíveis do Rio de Janeiro. E são muitas as razões para isso. Não falo só da costela que, desculpe o lugar-comum, derrete na boca, nem do gigantesco palmito coberto com abundantes camarões e catupiry disposto sem miséria. Tampouco estou apenas me referindo aos pastéis pesados de tanto recheio nem do joelho de porco pururuca, no melhor estilo Enchendo Lingüiça. Falo do conjunto da obra. A churrasqueira na calçada, hábito que vai se apagando nas biroscas da Zona Sul, ali é um perfumado cartão de visitas, que exala uma fumaça capaz de abrir apetite até do sujeito que acabou de almoçar. Falo do Marcelo Novaes, o atento, entusiasmado e simpático dono, que comanda o salão com a destreza dos que sabem exatamente o que fazem: Moraes é botequeiro dos bons, entende do riscado. Assim, quando decidiu comprar o bar perto de casa, mais como um ponto de reunião de amigos que como ganha-pão, ele convocou um amigo de longa data para comandar a cozinha. É o Pança, o chef da casa, cujo apelido bem da silhueta. É ele o criador junto do Moraes de um cardápio em louvor da tradicional comida de boteco. A costela que o moço prepara é simplesmente a melhor que já comi (são vendidos simplesmente 180 quilos desta carne por semana). E você tá achando que sou só eu? Veja como babam as meninas da foto. Não provei o joelho, mas pelo foto posso imaginar o que deve ser aquilo. Também saí de lá me devendo o palmito com camarão e catupiry, que também me seduziu através de sua imagem – as paredes da casa e o cardápio são estampados com muitas fotografias dos pratos, numa decoração um tanto inusitada e original. O menu (será que posso chamar assim?), aliás, é um capítulo à parte. “De noite, quando chego em casa, às vezes mexo nele”. Mexer, no caso, significa colar novas fotos com comentários sempre engraçados. O joelho de porco, por exemplo, tem este statement: “Duas ou três vezes por semana o cardiologista nem liga”. Ironia ou necessidade, o fato é que o prato é servido com um sonrisal. Já o pastel de camarão carrega a seguinte frase: “Se quiser creminho é melhor nem pedir. Aqui só tem camarão”. Isso é lá uma verdade, tem muuuuuuuuito camarão lá dentro. Para mim o pastel do Cachambeer é uma releitura do camarão à provençal – só que dentro de uma massa. “São 100 gramas de camarão por pastel. Fala aí, o meu pastelzinho é imoral, né?”, pergunta, já certo da resposta positiva. O bolinho de carne-seca leva praticamente apenas carne-seca, numa composição muito saborosa que ganha muito quando apimentada. Ícone deste lugar, o infarto completo é um petisco que faz jus ao nome: tem lingüiça, torresmo, coração de galinha, carne-de-sol, aipim frito, além de farofa e manteiga de garrafa. E, já ia me esquecendo, cebola por sobre tudo.  A aclamada picanha-de-sol é comprada na Feira de São Cristóvão. “Tenho um fornecedor ótimo. Ele me cobra R$ 18 pelo quilo, enquanto os outros vendem a R$ 13. Mas vai provar para ver a diferença, vale a pena”, exalta o seu produto.
No fim você não pode deixar de beber a saideira com o Moraes, na porta do bar. “Sempre convido os clientes para o último chope, na calçada, batendo papo. Quando o cara chega perguntando pelo chope de graça digo que não tem. Aqui não tem chope de graça. Tem uma saideira, se o cara não entender o espírito não leva”. Amigo de todos os freqüentadores, o dono da casa passeia de mesa em mesa, senta-se com os clientes, bebe um chope, vai à cozinha ver se está tudo correndo bem. Por isso o Cachambeer funciona. Não duvide: o Moraes, o seu Cachambeer, os seus chopes, suas costelas, joelhos, pastéis e afins, valem a viagem. Pode acreditar em mim. Se eu fosse você convidava os amigos e partir pro Cachambeer.
E já que estamos falando de botecos, uma novidade: sabe o Barril 1800, que há tempos está para fechar para reformas? As portas baixam definitivamente em breve. No lugar uma filial do paulista Astor, da turma da Brás e companhia. É do lado da minha casa. E eu já fiquei animado, torcendo pelo fim do Barril, apesar dos muitos momentos agradáveis vividos naquela varanda pega-turista. (Atualização em 11/9/09: esta ótima novidade ainda está em negociação, falta só a assinatura do contrato e logo quero anunciar isso aqui, em primeira mão, quem sabe?)

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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2 Respostas to “Olha nós vamos na dança do Cachambeer”

  1. Júlio Says:

    Minha esposa tb achou o pastel de camarão o melhor do Rio.Não é cpastel de camarão e sim camarão com pastel.Vale conferir

  2. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Cachambeer […]

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