O valor de uma estrela

Bife ancho, batatas doces com açúcar mascavo e El Mariscal Pinot Noir e Tannat do restaurante urugaui El Tranvía, em São Paulo, escolhido para o jantar porque tem uma estrela do guia Quatro Rodas. E, ainda tem o chimichurri maravilhoso (ali no cantinho direito, quase fora da foto)

Bife ancho, batatas doces com açúcar mascavo e El Marichal Pinot Noir e Tannat do restaurante urugaui El Tranvía, em São Paulo, escolhido para o jantar porque tem uma estrela do guia Quatro Rodas. E, ainda tem o chimichurri maravilhoso (ali no cantinho direito, quase fora da foto)

Vamos dar uma curta interrompida na série sobre Buenos Aires a pé para falarmos sobre o outro lado do Rio da Prata. Melhor dizendo, vamos tratar do outro lado da Via Dutra, São Paulo, que tem um ótimo restaurante uruguaio, o El Travía.

Dizem que uma estrela Michelin vale 25% a mais no faturamento de um restaurante. A perda dela representa uma diminuição da mesmo porcentagem nos lucros. Isso lá fora, porque aqui no Brasil ainda não temos o Guia Michelin de restaurantes. Pois, então, entre tantos prêmios irrelevantes criados por revistas, guias e jornais de cultura e gastronomia, sem dúvida o mais relevantes de todos são as estrelas do Guia Quatro Rodas.

Fiquei pensando em quanto vale uma estrela do Guia Quatro Rodas para um restaurante brasileiro. Estive em São Paulo esta semana para cobrir encontro da Braztoa (Associação Brasileiras das Operadoras de Viagem). Numa das noites, cansado de andar e carregar revistas e folhetos, cheguei no hotel e só queria um bom restaurante bem perto dali, o Centrão de São Paulo.
Não tive dúvida. Abri no Guia Quatro Rodas e fui buscando restaurantes. Vi que o uruguaio El Travía (na foto) tinha uma estrela.
Isso bastou para eu ligar para lá, reservar uma mesa e pegar um táxi.
Foi um belo jantar, com morcilla, molleja e um biche ancho espetacular, além de incríveis batatas doces assadas com açúcar mascavo, bons pães e um chimichurri de primeira linha. E ainda bebi um vinho curioso, corte de Tannat com Pinot Noir, algo inédito para mim. Mas isso eu conto lá na Enoteca.

Essa mania de consultar o Guia Quatro Rodas é antiga, vem desde as minhas primeiras viagens com os pais, lá por 84, quando íamos com boa fequência a Búzios e eu mesmo tratava de folhear o guia, indicar pousadas, restaurantes e passeios. Acho que ali nascia um jornalista de turismo, porque eu lia e ficava pensando em como devia ser legal trabalhar para guias de viagem. Deu no que deu. Sempre fiz isso. Pegava o guia e via os restaurantes estrelados. Assim, fui parar em lugares incríveis que nunca seria capaz de descobrir sozinho. Andei mais de uma hora, desde as fazendas do Vale do Paraíba carioca, até Bananal, em São Paulo, só para comer no restaurante Dona Licéia, uma fazenda incrível no meio do nada, com comida sensacional. E também no Zur Sonne, em Serrinha do Alambari, que dizem anda caidão, mas já foi um ótimo lugar para se comer uma cozinha alemã que fuja da fórmula salsichas-chucrute-salada de batata-mostarda-chope. Tábua de Carne, em João Pessoa, além de algumas dezenas de casas em São Paulo foram escolhidas só porque tinham estrelas pelo Guia Quatro Rodas. Aí, fiquei pensando: quanto vale uma estrela do Guia Quatro Rodas? Taí uma pesquisa que esses institutos, universidades e entidades que se dedicam a isso podiam fazer.

E de noite voltamos à Argentina.

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