Archive for outubro \30\UTC 2009

Acredite se quiser: a Travessa do Bagulho existe, e não está numa favela carioca

30/10/2009
Travessa do Bagulho

Na Idade Média a rua tinha as paredes cobertas de pôsteres do Bob Marley, além de lojas de seda e várias tascas para matar a larica. A guarda imperial nem chegava perto com o maior medo da blenfa

Com essa onda de a toda hora falar no Alentejo, me lembrei dessa foto daí. A Travessa do Bagulho, na cidadela de Évora. Reza a lenda que no tempo de Dom Alfonsus os maconheiros alentejanos se reuniam aí. Hoje, nem sinal de fumaça. A boca de fumo não existe mais, mas o nome ficou.

Acredite se quiser.

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Comilança para além do Rio Tejo

29/10/2009
Esporão

A Herdade do Esporão, em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, momentos antes de comemorarmos a conquista pelo Rio da Olimpíada de 2016!!!!!!!!!!!!

Se Portugal fosse uma pessoa, o Alentejo seria o estômago
Se fosse um shopping, a praça de alimentação
Se fosse uma casa, a cozinha
E se fosse uma cozinha, seria o fogão
E se fosse uma mesa, seria o prato
Se Portugal fosse uma cidade, o Alentejo seria a roça
Quase não se faz outra coisa por lá que não comer e beber, a plantar, e caçar, e pescar…
Repare na foto. O que há no fundo. Campos cobertos de vinhas, sobreiros e oliveiras. O Alentejo é isso.
Na semana passada saiu uma matéria minha lá no Boa Viagem sobre a região.
E na Enoteca, fiz um índice de posts com todas as histórias de Portugal.

Rapidinha: La Fiducia, novo restaurante do Valmir Pereira, já está funcionando

29/10/2009
241_551-Valmir Pereira

Valmir Pereira, ainda no D'Amici: no comando de nova casa, em Copacabana

Este post é rapidinho, praticamente um twitter: o La Fiducia, novo restaurante do Valmir Pereira, que deixou o D’Amici para esta nova empreitada, já está funcionando. Sem fazer alarde, em soft open, mas já está lá para quem quiser. Eu, por exemplo, quero.

Então, deixo o link pro post que fiz para a Enoteca, o primeiro lugar a anunciar a saída dele do D’Amici  e o projeto do La Fiducia.

Para quem ainda não sabe, o endereço: é Rua do Duvivier, 21, Copacabana. Tel.: (21) 2295-7474.

Um jantar na cozinha do eñe

28/10/2009

Havia reservado um lugar na cozinha do eñe. Era a Tabla del Chef. Mas eu não imaginava que era tão bem posicionada. Um balcão, logo ao lado da entrada, com vista para todos os fornos, fogões e cozinheiros em ação.

Eñe 1

Abrimos os trabalhos com uma bela cava.

Eñe 2

Que foi apreciada vendo o movimento e sentindo os aromas que vinham da cozinha. Foi aí que a brincadeira começou.

Eñe 3

Primeiro um tartar de ostras servido dentro de um tomatinho cereja: delicadeza e sabor, numa composição tão bela quanto gostosa.

Eñe 4

Depois, uma tapa das mais apreciadas na Espanha: tostada com jamón, ou seja torrada com presunto (serrano, por favor).

Eñe 5

Comíamos enquanto tínhamos mais ou menos essa visão aí, a correria dos cozinheiros, os gritos com os pedidos comandados, o vaivém dos garçons pegando os pratos.

Eñe 6

Para acompanhar uns pães veio esse trio legal, com azeites e flor de sal.

Eñe 7

Então, foi servido um dos pratos que mais despertara a minha curiosidade, a versão eñe das batatas bravas, que, como o nome dá a entender, levam um molho de pimenta.

Eñe 8

Foi quando recebemos este cardápio aí de cima, num computadorzinho. Ficamos vendo os pratos todos, comparando nossas fotos com as deles, aguçando a vista e o paladar. Divertido isso.

Eñe 9

E não paravam de sair os pedidos…

Eñe 10

Este, no caso, era para nós mesmos. Um tartar de peixe com ovas, daquelas que explodem na boca: sublime.

Eñe 11

Aí, passamos à outra cava, esta rosada.

Eñe 12

Bebemos na companhia dos pimientos de piquillo recheados com bacalhau.

Eñe 13

Depois vieram as vieiras com espuma de salsinha e creme – que tá escondida, mas é muito boa.

Eñe

Então foi servido este belo e perfumado ravióli de castanha de caju com molho de carne e foie gras.

Eñe 14

E ainda teve lombo de atum grelhado com creme baroa e azeite de defumado.

Eñe 15

O circuito salgado terminou só com o leitãozinho acompanhado de maçã caramelada que, de fato, não poderia faltar.

Eñe 16

Para encerrar, creme catalão com um Solera 1928 inesquecível.

Eñe 17

E ainda devoramos esse sorvete de torrone, bem cremoso…

Eñe 18

… com uma tacinha de brandy

Voltei para casa redondo e feliz. E meio alto…

Até que enfim: roda de altinho e frescobol com os dias contados

26/10/2009

Quem vai à praia no Rio de Janeiro, em Ipanema, especialmente, sabe: mais chato que a sujeira que alguns teimam em deixar na areia, mais ameaçador que os arrastões e  mais perigoso que um mar de ressaca, são as rodas de altinho e as duplas jogando frescobol. Essa é a pior praga das praias cariocas.

Isso tudo, como se sabe, é proibido há tempos, como é proibido levar cachorro para a praia, por exemplo. Mas ninguém cumpre. Quem é que nunca tomou uma bolada?

Pior que tudo é que essa gangue de atletas egoístas escolhe logo o melhor lugar da praia para ficar trocando as suas bolinhas, a beira do mar.

A foda-se o resto.  Quando muito, pedem desculpam quando te atingem. Isso quando não te olham de cara feia quando você não devolve a bola, como se o errado fosse você.

Pois deu n’O Globo hoje. Esse choque de ordem da prefeitura, que trouxe tantas boas medidas, e outras idiotas, como a proibição dos garçons no Bar Urca, promete acabar com isso.

Se Deus e o Eduardo Paes quiserem, no próximo verão quem quiser jogar frescobol e altinha vai ter duas opções: ou se manda para uma praia deserta ou, então, fica lá em cima, com a turma do vôlei.

Porque meia dúzia atrapalhando a praia de milhares, não dá, né?

Búzios: fim de semana gastronômico

23/10/2009
Restaurante do hotel Insólito: lindo e gostoso

Restaurante do hotel Insólito: lindo e gostoso

Vou a Búzios há 25 anos. Quer dizer, há 25 anos conscientemente. Porque certamente já estivera lá antes, mas a pouca idade então não me permite ter essa certeza. Há 25 anos adoro Búzios, com convicção.

Búzios me ensinou a viajar. Portanto, sou grato a Búzios. Porque viajar é pão nosso de cada dia.

Búzios me ensinou, ali pelos oito anos, que viajar é sensacional. Eu já  tinha, para a pouca idade, encarado a estrada uma boa quantidade de vezes. Tinha estado em Brasília com os tios, viajando de Transbrasil com a avó. Foi minha estreia em aviões e esse fato é muito maior que a visita a Brasília. Ah, também estivera umas duas vezes em São Lourenço, com os mesmos tios, a bisavó, os irmãos e pais. Embora a viagem tenha sido divertida, não é um destino que me inspire, e nunca mais voltei lá, embora vez ou outra tenha estado por ali, e sempre programando outra viagem para aquela zona, porque adoro o Sul de Minas. Mas, hoje, além de uma recordação, São Lourenço é uma água mineral, e não um destino turístico.

Mas Búzios, não. Búzios me pegou de jeito desde moleque. É um lugar que adoro estar, menos no verão e em feriado, portanto, não me convide nessas datas.

Essa ex-vila de pescadores resiste à invasão turística com bravura, e com o charme e elegância que conserva em suas praias, pousadas, restaurantes, bares e pessoas. Búzios, por incrível que pareça, continua o máximo.

Estive lá na semana passada. Duas coisas me impressionaram. A primeira: como está bom o restaurante do Hotel Villa rasa Marina, comandado pela jovem chef Lydia Gonzales. Foi, simplesmente, a melhor refeição que fiz nos meus 25 anos de Búzios. Só isso. E olha que já comi muito bem lá uma penca de vezes.Mas não como na tarde do último domingo.

Também fiquei impressionado com o hotel Insólito. Que lugar lindo, que vista incrível da praia da Ferradura. Quem não tem bala na agulha para se hospedar lá pode, ao menos, visitar o restaurantes (não se esqueça de reservar), que além de servir uma ótima comida (o foie gras da entrada é sensacional!!!!) tem um abiente muito agradável, olhe a foto e diga se não.

O festival começa hoje, mas eu ainda estou em São Paulo (aliás, como o bom o restaurante La Mar, tudo maravilhoso).

Fui a Búzios na semana passada e amanhã vou para lá novamente, desta vez motivado pelo festival de gastronomia da cidade. É uma proposta muito legal. O esquema é muito legal. São 40 restaurantes participantes. Cada um preparou mum prato para o evento. Entradas custam R$ 10, e o prato principal, R$ 15, enquanto a sobremesa sai a R$ 8. Quase todos os meus restaurantes preferidos participam: Sawasdee, Quadrucci, Satyricon, Don Juan, Cigalon, Capricciosa (de bom mesmo, faltou só o Marina e o Nelsinho).

Outra coisa legal, além dos preços, é a participação de cozinheiras locais, que vão apresentar os seus pratos em frente à colônia dos pescadores, na Rua das Pedras.

 Neste link (de uma matéria que fiz para o Boa Viagem) tem mais informações

Aqui a relação completa dos párticipantes:

• Sawasdee

▪Cappriciosa

▪Satyricon

▪ Café Colombina

▪Captains Sushi Bar

•Cigalon

▪Churrascaria Don Juan

•Brigittas

▪Baroque

•Parvati

▪Chez Michou

▪Pátio Havana

•Beach Pizza

•Cafeteria Number One

•Cantinho da Batata

▪El Lorenzo

▪ Salsa

▪ Bananaland

•Farias Grill

•Recanto do Sol

•Restaurante Boom

•Café La Provence

•Bistrot Bellavere

•Mr. Brad

•Restaurante do David

▪Mineiro Grill

•Sabor cubano

•Buzin

•Bar do Mangue

•Bar dos Pescadores

•Captains Restaurante Asiático

• Cafeteria Golden Fruit

•Carioquice Bar e Restaurante

•D´Jabour

•Pizzaria Famiglia Pizzi

•Escritório

•Primitivo

•Quadrucci

•Zuza

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

O Rio é demais

23/10/2009
Lindo, lindo, lindo

Lindo, lindo, lindo

Este é um post relâmpago, só para mostrar, para quem ainda não sabe, como é linda a nossa cidade. É ou não é?

A foto foi feita na noite de ontem, durante o Prêmio VT, no Morro da Urca. Deu para matar as saudades dos amigos paulistas, o Kiko, o Demian, o Paulo e toda a rapaziada da revista.

Giro pela Urca

22/10/2009
Mureta do Bar Urca: agora a imbecilidade governamental proibiu os garçons de servirem ali

Mureta do Bar Urca: agora a imbecilidade governamental proibiu os garçons de servirem ali

Hoje tem entrega do Prêmio VT no Morro da Urca. Então, me lembrei deste post sobre o bairro e resolvi republicá-lo, em mais uma etapa do resgate dos textos do Direto do Rio.

GIRO PELA URCA – Publicado em 10/6/8

Sábado de sol em junho no Rio. Bem ao contrário do verão, quando ou você vai pra praia lotada brigar por um lugar na areia ou procura um restaurante com ar-condicionado antártico ou fica sem camisa na frente de um boteco sombreado, a cidade está toda convidativa aos passeios. No inverno é diferente, o Rio é mais gostoso. A praia vazia e com sol camarada (já a água fria, nem tanto) é sempre bom programa. Os passeios off-Barra, com parada no Museu do Pontal e almoço de frutos do mar em Vargem Grande ou Guaratiba, podem ser feitos sem risco de se perder horas no engarrafamento debaixo de sol inclemente. O Jardim Botânico, o Zoológico, os museus, os passeios de barco pela Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar, as caminhadas na orla, o pedalinho na Lagoa. Toda a cidade se mostra mais acolhedora aos menos numerosos (e mais espertos) turistas. O carioca adora.
            Um programaço para esses dias assim, de céu claro, sol morno e brisa fresca, é se meter pela Urca. Uma caminhada pela Pista Cláudio Coutinho é uma ótima maneira de se começar. Depois vá andando com calma até o Bar Urca, reparando no bucolismo do bairro. Se acomode na mureta de pedra sobre a baía e chame o garçom. O Bar Urca é um desses lugares que só poderia haver no Rio. O restaurante de acento português é um dos melhores endereços da cidade para se tomar um chope. Porque os garçons cruzam a rua de bandeja em punho para servir os clientes do outro lado da calçada, sentados na tal mureta. Petiscos também podem ser servidos ali – e quem quiser pode até devorar uma bela posta de bacalhau lá mesmo. Nessas horas entendo porque amo o Rio e não troco isso aqui por nada. Repara na foto, a mureta num dia vazio.
            Mirar a cidade dali instiga a vontade de subir o Pão de Açúcar para ver aquilo tudo do alto. Esta é a melhor época para fazer o passeio de bondinho. Sem nuvens, com céu azul, luz do sol oblíqua e suave, as boas fotos são praticamente garantidas. Sem falar que tem menos gente (quer dizer, depois do fim deste mês, o tal Carioquinha, quando várias atrações turísticas da cidade dão grandes descontos a nós, cariocas) e o calor não incomoda como no alto verão, mesmo perto da hora do almoço.
            Na descida basta dobrar à esquerda ao sair da estação, subir uns poucos degraus da escada de madeira e pronto: você já está no salão do Zozô, um das boas novidades gastronômicas do ano. Trata-se de uma churrascaria, mas sem garçons circulando com espetos e carrinhos pelo salão. Você paga um preço fixo (R$ 59,60), mas o esquema é a la carte. Na mesa de frios, as saladas de praxe, os sushis e sashimis idem e umas outras bossas, como steak tartar. Do grill, da parrilla, da grelha ou do rolete saem os cortes. Para começar, costeletas de porco suculentas e bem temperadinhas, lingüiças e corações. Depois, picanha, claro, bife de chorizo, steak ao sal grosso, carneiro, costela e peixes. Tudo bem preparado, com uma ressalva: às vezes o serviço demora além do devido e as carnes chegam mais frias que o ideal. Os acompanhamentos são ok, sendo que o creme de espinafre, que já fez fama por aí, é realmente muito bom e acompanha solenemente as carnes (logo as outras churrascarias rodízio vão copiar, aposto. Eu, pelo menos, não me lembro de ver isso nos Porcões e Oásis da vida). A cebola assada também é bacana, bem mais saudável que a versão empadas que se vê normalmente.
            O cantinho de sobremesas, incluída no preço da refeição (eba!) tem coisas interessantes como  copinho de chocolate branco com tiramisu, queijadinha, quindim torta de doce de leite com biscoito, crepes feitos na hora e outras coisinhas.
            Mas, se a comida é boa, embora longe de emocionar, o melhor do Zozô é, disparado, a vista – valorizada pela enorme área envidraçada. De boa parte do salão se vê o Morro da Urca, o Pão de Açúcar e os bondinhos se cruzando, mas bom mesmo é se sentar colado à janela (reserve se não quiser contar com a sorte, porque o restaurante tem ficado cheio). A decoração tem parede de taipa, coleção de objetos folclórico-religiosos (adorei esta parte) e uma imensa e linda mangueira, que domina o visual – já li alguém comparando com A Figueira Rubaiyat, em Sampa, e tem tudo a ver mesmo. 
 O Rio, que já tinha o Zazá, o Bibi, o Miam Miam, mas que acaba de perder o Lulu, agora tem o Zozô.
 E no final, pesando tudo – a conta (uns R$ 200 para um casal e uma criança, com vinho, espumante, água, cafezinho e estacionamento), a qualidade da comida, a vista e tudo o mais –, achei um belo dum programa. Carioquíssimo.

Ode ao 28

20/10/2009
Cabrito com coradas do 28: sublime e barato

Cabrito com coradas do 28: sublime e barato

Demorou, mas encontrei um lugar capaz de substituir o Penafiel nos meus almoços no Centro. Um lugar que me fez até recuperar um pouco da minha auto-estima de carioca, em parte perdida com o fim do Penafiel. É o restaurante Pastoria, mais conhecido como 28, ali na Gamboa, sito à Rua Barão de São Félix, 28 (o telefone é 2263-2438). Além de conservar móveis antigos e ter um salão alongado, com banheiros e cozinha ao fundo, assim como o Penafiel (tinha) também tem cardápio datilografado e uma cozinha que arrebenta. E não cobram caro por isso. O clássico da casa é o cabrito com batatas coradas. Achei melhor que o do Nova Capela. Eles pegam os melhores pedaços do bicho (leia-se sempre partes com osso, agarradas e entremeadas a ele) e marinam com cebola, tomate, alho. Sabe aquele esquema de assar no próprio caldo, restando um líquido espesso, com os temperos amolecidos, a gordura diluída (para alegria das papilas e tristeza dos médicos) e o sabor impregnado? Então, é assim, com maestria rara, que o 28 serve a sua especialidade. É difícil acreditar nisso, mas podes crer, até as batatas coradas deixam imensa saudade.
O cardápio tem outras coisas que me deram muita vontade de provar e para isso voltarei com muito gosto para lá outras vezes. Mas na estréia tive que ir no clássico da casa, o cabrito. E hoje, saudoso, tive que repetir. Das próximas vezes prometo (sem muita ênfase) que tentarei experimentar o polvo à portuguesa (R$ 29), o bacalhau á espanhola (R$ 60), a carne-seca com feijão (R$ 13), o mocotó com feijão branco (R$ 12)…
Estive lá pela primeira vez na sexta. Voltei no almoço de hoje. E ambos foram momentos sublimes. Pelo ambiente à moda antiga, o serviço cortês, a comida estupenda e a Brahma Extra garrafa de 600 ml (essa cerveja é raridade hoje em dia. Mais um elemento do passado. E eu achei que ela nem existia mais).
Nas paredes, além da tabela de preços antiga e cheia de produtos extintos, como o Crush, há algumas matérias e crônicas de jornais que já haviam exaltado o 28 muito antes deste atrasado e desatento repórter. E, pior: eu lera as duas. Mas o 28 não ficou na minha memória, sabe-se lá por quais obscuras razões. Mas agora recebi recomendações que foram ordens. Um amigo que escreve sobre botecos já havia me dado a dica. Depois, aqui na caixa de comentários do blog, o Luciano Caruso também me indicou como restaurante bom e barato. Luciano, muito obrigado.
Quem passa na porta não dá um tostão pelo lugar, exceto se olhar para dentro e ver as mesas sempre lotadas com gente de todo o tipo. É fácil  notar a alegria das pessoas por comer ali. Quando estive pela primeira vez quem almoçou por lá com o grupo de amigos foi o Nelson Rodrigues Filho, com suas imensas barba e barriga que me fez o identificar de imediato. O 28 fica escondidinho num canto da Gamboa, esse bairro tão mágico e emblemático da cidade, que sempre centralizou as relações do carioca com o mar (ficava ali o famoso Cais do Valongo) viveu um século 20 abandonado. Mas de uns anos para cá, aos poucos, a vida foi renascendo ali. Na Pedra do Sal, marco primordial do samba, considerado o lugar de nascimento do mais brasileiro dos gêneros musicais, ali perto, voltaram a acontecer rodas de batucada, que foram, aliás, se espalhando pela vizinhança. Primeiro o Morro da Conceição. Até chegar às cercanias da Praça Mauá, emendando com a zona de prostituição portuária da cidade. O bloco Escravos da Mauá, e suas rodas mensais de sexta-feira, caíram nas graças da galera, a ponto de ter que transferir o seu desfile de carnaval para a manhã por causa da superlotação que marcou as últimas saídas.  Nesse embalo foram abrindo casas noturnas, como o Trapiche Gamboa. Hoje se diz que a Gamboa é a nova Lapa.
Mas o 28 atravessou 81 anos (foi inaugurado em 1927) ali naquele pedaço esquecido. O 28 não se atualizou, digamos. Que bom. Ainda pratica preços antigos (o cabrito bem servido para dois custa R$ 25), serve comida farta, e você é atendido pelo dono e sua família, que se reveza nas funções com delicadeza. É um pé-sujo, de acordo com o que se convencionou chamar isso. Tudo bem que eles não trocam a toalha a cada cliente – e é capaz de você se sentar diante de uma mancha fresquinha de feijão deixada pelo seu antecessor. Mas o banheiro, a cozinha escancarada aos olhos dos freqüentadores e todas as instalações são impecavelmente limpos, a ponto de chamar a atenção. No cardápio está escrito: “Almoços e jantares com asseio e prontidão”. Quanto ao asseio e à prontidão, é verdade absoluta. Mas a casa hoje só abre para o almoço. Quem sabe agora, com a Gamboa recuperando os seus bons tempos, o 28 não passe a abrir até mais tarde. Só espero que ninguém resolva fechar o 28. Torço para que o Belmonte e os Garotas fiquem bem longe do 28. Caso contrário, vão se ver comigo. Viu?

O fado vadio e (prestes a ser) tombado

19/10/2009

A viagem por Portugal, além dos posts aqui e lá na Enoteca, começa a ser publicada lá no Boa Viagem. A primeira das matérias é sobre o fado, que pode ser tombado como patrimônio imaterial da Unesco.

Para ler a reportagem inteira é só clicar no link abaixo.

 

http://oglobo.globo.com/viagem/mat/2009/10/16/nos-dez-anos-da-morte-de-amalia-rodrigues-passeie-pelas-melhores-casas-de-fado-de-lisboa-768082180.asp