Giro pela Urca

Mureta do Bar Urca: agora a imbecilidade governamental proibiu os garçons de servirem ali

Mureta do Bar Urca: agora a imbecilidade governamental proibiu os garçons de servirem ali

Hoje tem entrega do Prêmio VT no Morro da Urca. Então, me lembrei deste post sobre o bairro e resolvi republicá-lo, em mais uma etapa do resgate dos textos do Direto do Rio.

GIRO PELA URCA – Publicado em 10/6/8

Sábado de sol em junho no Rio. Bem ao contrário do verão, quando ou você vai pra praia lotada brigar por um lugar na areia ou procura um restaurante com ar-condicionado antártico ou fica sem camisa na frente de um boteco sombreado, a cidade está toda convidativa aos passeios. No inverno é diferente, o Rio é mais gostoso. A praia vazia e com sol camarada (já a água fria, nem tanto) é sempre bom programa. Os passeios off-Barra, com parada no Museu do Pontal e almoço de frutos do mar em Vargem Grande ou Guaratiba, podem ser feitos sem risco de se perder horas no engarrafamento debaixo de sol inclemente. O Jardim Botânico, o Zoológico, os museus, os passeios de barco pela Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar, as caminhadas na orla, o pedalinho na Lagoa. Toda a cidade se mostra mais acolhedora aos menos numerosos (e mais espertos) turistas. O carioca adora.
            Um programaço para esses dias assim, de céu claro, sol morno e brisa fresca, é se meter pela Urca. Uma caminhada pela Pista Cláudio Coutinho é uma ótima maneira de se começar. Depois vá andando com calma até o Bar Urca, reparando no bucolismo do bairro. Se acomode na mureta de pedra sobre a baía e chame o garçom. O Bar Urca é um desses lugares que só poderia haver no Rio. O restaurante de acento português é um dos melhores endereços da cidade para se tomar um chope. Porque os garçons cruzam a rua de bandeja em punho para servir os clientes do outro lado da calçada, sentados na tal mureta. Petiscos também podem ser servidos ali – e quem quiser pode até devorar uma bela posta de bacalhau lá mesmo. Nessas horas entendo porque amo o Rio e não troco isso aqui por nada. Repara na foto, a mureta num dia vazio.
            Mirar a cidade dali instiga a vontade de subir o Pão de Açúcar para ver aquilo tudo do alto. Esta é a melhor época para fazer o passeio de bondinho. Sem nuvens, com céu azul, luz do sol oblíqua e suave, as boas fotos são praticamente garantidas. Sem falar que tem menos gente (quer dizer, depois do fim deste mês, o tal Carioquinha, quando várias atrações turísticas da cidade dão grandes descontos a nós, cariocas) e o calor não incomoda como no alto verão, mesmo perto da hora do almoço.
            Na descida basta dobrar à esquerda ao sair da estação, subir uns poucos degraus da escada de madeira e pronto: você já está no salão do Zozô, um das boas novidades gastronômicas do ano. Trata-se de uma churrascaria, mas sem garçons circulando com espetos e carrinhos pelo salão. Você paga um preço fixo (R$ 59,60), mas o esquema é a la carte. Na mesa de frios, as saladas de praxe, os sushis e sashimis idem e umas outras bossas, como steak tartar. Do grill, da parrilla, da grelha ou do rolete saem os cortes. Para começar, costeletas de porco suculentas e bem temperadinhas, lingüiças e corações. Depois, picanha, claro, bife de chorizo, steak ao sal grosso, carneiro, costela e peixes. Tudo bem preparado, com uma ressalva: às vezes o serviço demora além do devido e as carnes chegam mais frias que o ideal. Os acompanhamentos são ok, sendo que o creme de espinafre, que já fez fama por aí, é realmente muito bom e acompanha solenemente as carnes (logo as outras churrascarias rodízio vão copiar, aposto. Eu, pelo menos, não me lembro de ver isso nos Porcões e Oásis da vida). A cebola assada também é bacana, bem mais saudável que a versão empadas que se vê normalmente.
            O cantinho de sobremesas, incluída no preço da refeição (eba!) tem coisas interessantes como  copinho de chocolate branco com tiramisu, queijadinha, quindim torta de doce de leite com biscoito, crepes feitos na hora e outras coisinhas.
            Mas, se a comida é boa, embora longe de emocionar, o melhor do Zozô é, disparado, a vista – valorizada pela enorme área envidraçada. De boa parte do salão se vê o Morro da Urca, o Pão de Açúcar e os bondinhos se cruzando, mas bom mesmo é se sentar colado à janela (reserve se não quiser contar com a sorte, porque o restaurante tem ficado cheio). A decoração tem parede de taipa, coleção de objetos folclórico-religiosos (adorei esta parte) e uma imensa e linda mangueira, que domina o visual – já li alguém comparando com A Figueira Rubaiyat, em Sampa, e tem tudo a ver mesmo. 
 O Rio, que já tinha o Zazá, o Bibi, o Miam Miam, mas que acaba de perder o Lulu, agora tem o Zozô.
 E no final, pesando tudo – a conta (uns R$ 200 para um casal e uma criança, com vinho, espumante, água, cafezinho e estacionamento), a qualidade da comida, a vista e tudo o mais –, achei um belo dum programa. Carioquíssimo.

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3 Respostas to “Giro pela Urca”

  1. Léo Says:

    meu lugar preferido do Brasil! amo esse bairro…essas ruas..a praia da urca…putz…

    E o Zôzô? sabe o que aconteceu? acho que fechou

  2. laura Says:

    Qual o nome da rua que margeia a Baia de Guanabara? Na Urca? A Rua que tem uma mureta.

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