Archive for novembro \30\UTC 2009

Como se faz um grande hotel (e viva a crise mundial!)

30/11/2009

Protetor solar, água (com ou sem limão) e lencinhos na piscina do hotel Four Seasons de Miami

Um bom hotel se percebe nos pequenos detalhes. Seja Buenos Aires, Nova York ou Miami, no Four Seasons é sempre assim.
Ontem foi a deliciosa estátua do Botero.
E hoje, depois de trabalhar a manhã quase toda e antes do almoço no restaurante Sra. Martinez, no renovado Design District, em Miami, resolvi relaxar um pouco na gigantesca e bela piscina do hotel.
No quiosque que dá as toalhas, há dois itens essenciais que não se encontram facilmente por aí: água e protetor solar (com três fatores diferentes de proteção). Como bossa extra, uma das águas têm pedaços de limão siciliano, que dão um gostoso e refrescante cítrico. Além de lencinhos, blocos e lápis…
E, num lugar em que uma garrafinha d’água custa pelo menos US$ 6, beber uns copos sem pagar é um luxo.

Aliás, falando nisso, quem sonha em se hospedar em hotéis assim, mas o orçamento não permite, esta é a hora. A crise derrubou os preços em todo os EUA. O Four Seasons de Miami, por exemplo, está com diárias a partir de US$ 325. Quem ficar três noites, paga duas.
É agora ou nunca.

E, com o câmbio favorável aos brasileiros, a coisa fica ainda melhor. As ruas estão cheias de compatriotas. Todos, invariavelmente, com muitas sacolas de compras na mão.

Viva a crise mundial!

Comi uma estátua do Botero em Miami

29/11/2009

O título do post pode parecer mentira. Mas é pura verdade. Pura verdade de chocolate, diga-se.

Em todos esses anos de viagens, nunca tinha recebido uma amenity tão bem bolada (e gostosa) como essa aí da foto.

Foi há 15 minutos, no Four Seasons de Miami (nada melhor que um upgrade no último dia de viagem, certo?).
O chocolate é uma réplica da enorme estátua do Botero que enfeita o lobby do hotel. Que, inclusive, é da mesma cor. Dá mesmo vontade de comer.

Primeiro devorei as coxas gordas.

Depois, a cabeça. O doce ficou parecendo estátua grega.


Não sobrou nenhum membro para contar história…
Confesso que as coxas, o peito e a bunda foram as partes mais gostosas. Só não me pergunte por que razões… É só questão de gosto.

12 dias perfeitos no Rio de Janeiro

28/11/2009

Cachoeira depois da praia é a maior onda

Olá, Marly, tudo certo?
Não pense que me esqueci de você. Demorei porque foi um post relativamente trabalhoso, mas muito gostoso de fazer – e que pode ser muito útil para quem vem visitar a cidade.
Pois bem, você me pediu uma sugestão de roteiro de 12 dias no Rio de Janeiro e vou tentar ser rápido, sem entrar nos detalhes dos programas.
Para quem não lembra, vou dar uma refrescada na memória. A Marly apareceu há uns posts atrás, quando escrevi sobre um roteiro de fim de semana no Rio, pedindo dicas para 12 dias pela cidade. Achei uma boa oportunidade de fazer um roteiro mais longo, com vários programas. Um circuito que pode servir para qualquer turista, que pode ser usado de várias maneiras: de trás pra frente, aleatoriamente, como fonte de consulta, inspiração. Para quem nunca esteve na cidade é um roteiro básico, que permite entender o Rio em suas várias nuances e matizes.
(Não deixem de ler a atualização que eu fiz com as dicas dos leitores na caixa de comentários, porque a voz do povo é a voz de Deus)

Ela chega no dia 3 pela manhã e volta no dia 15.
Vamos lá?

Dia 3 de março é uma terça-feira.

3 de março – Terça-feira
Chegou de manhã? Eu programaria para a tarde uma caminhada no Jardim Botânico – de preferência logo depois de um almoço no Filé de Ouro. Assim dá para desintoxicar, esticar as pernas da viagem (isso faz um bem danado) e aproveitar o parque num dia mais tranqüilo. E ainda dá para tomar um café no fim de tarde lá dentro mesmo, no Café Botânica. Aproveite que está por ali e passeie pelos ateliês da região, que virou praticamente uma república de artesãos, estilistas, pintores, escultores, designers e artistas de todos os gêneros (parte da Gávea e a Dias Ferreira, no Leblon, também têm aglomerações de lojinhas do mesmo tipo, muito charmosas, em pequenos prédios ou vilas). À noite, para logo entrar no clima, sugiro um samba no Rio Scenarium ou no Carioca da Gema – há, ainda, outros ritmos em outras casas da região. A Lapa é quase inesgotável, mesmo numa terça-feira.

4 de março – Quarta-feira
Bom acordar tarde e torcer para o dia estar claro – lembrando que não são lenda as águas de março e, portanto se prepare para chuvas fortes no fim do dia. Aproveite a praia logo antes do almoço, deixando para comer alguns clássicos das areias cariocas. Eu sugiro os sanduíches do Uruguaio, no Posto 9, facilmente identificado pela bandeira. Vai ter que rolar, ainda, um Biscoito Globo acompanhado do Mate Leão e dá até para recorrer a algum japa rápido que faça entregas na praia (o serviço de entrega de comidas e bebidas na praia cresceu bastante, é uma tendência que tá se consolidando neste verão). E, entre os picolés e sorvetes, prefira os da Itália, os mais cariocas, naturais e gostosos – Kibon pra quê? Dá até para tomar um chopinho nas carrocinhas. Quando o tempo fechar, uma boa sesta nos deixa em forma para a noite. Quarta é legal ir a um boteco ver o jogo da rodada, às 22h, na TV de algum boteco. Ver jogo em boteco é algo muito carioca (só há uma restrição: quem não tolera palavrões deve evitar o programa). E faça como eu, torça pelo Mengão que é sempre mais divertido.

5 de março – Quinta-feira
Já ambientada à cidade, que tal encarar um cartão-postal? Vá até a estação do trenzinho do Corcovado e embarque até a estátua do Cristo. Se gostares de trilhas, cachoeiras e contato com a mata, reserve a parte da tarde para explorar os domínios do Parque Nacional da Tijuca – ou, quem sabe, subir pela floresta até a estátua com um guia credenciado. Em alguns lugares do parque dá até para comprar uma carninha e fazer um churrasquinho, ou um piquenique, quem sabe? Há mesas a poucos passos de gostosas cachoeiras (na foto), nem parece que estamos no Rio, bem no meio da cidade, aliás. Duvido que se arrependa de explorar a mata. Depois de um dia na floresta, a recompensa pode ser um jantar de gala. Caso haja bala na agulha eu sugiro o Le Pré Catelan, o melhor restaurante da cidade. Com muito menos dá para se ter um jantar bem romântico no Zazá Bistrô. Também vai bem uma passada no Sawasdee, o tailandês buziano que chegou com tudo ao Rio.  Ou outro bom restaurante que seu bolso ou gosto pessoal determinem (não se esqueça de ter em mãos o Guia Quatro Rodas, o mais confiável). Mas acho que depois de umas caminhadas, um belo jantar é um merecido presente.

6 de março – Sexta-feira
Sexta-feira, ótimo dia para atravessar a ponte rumo a Niterói. Se der para ir ou voltar de barca, melhor ainda. Acho um passeio agradável (se não der desta vez, tente fazer na viagem ao menos um passeio de barco, seja no Pink Fleet, com a turma do Macuco Rio, em qualquer saveiro ou nas embarcações da Marinha. Quase todos estão bem próximos do Centro e podem constar em algum roteiro pela área). Vá seguindo pela orla e dê a clássica paradinha no MAC para ver que, de fato, a vista do Rio a partir de Icaraí é espetacular. Vá seguindo até as praias oceânicas e estique a canga, de preferência, em Itacoatiara, a mais badalada do pedaço. Na volta, pare no Caneco Gelado do Mário para uns pastéis de siri, bolinhos de bacalhau, empadinhas de lagosta e camarões no alho e óleo, além de uma infinidade de pratos e petiscos com peixes e frutos do mar. Se quiser pode só fazer uma boquinha ali, deixando o altar (mistura de almoço com jantar, que acontece ali por volta das 20h e, como sugere o nome, é uma econômica fusão do almoço com o jantar, muito recomendada – e praticada por mim – para não ser obrigado a interromper um belo dia de praia para comer, isso sem falar nos benefícios orçamentários e mesmo estéticos) para o ótimos restaurante português Gruta de Santo Antônio. De lá para cama sob a bênção dos doces conventuais.

7  março – Sábado
Dia perfeito para passear pelo Centro é o sábado, bem mais vazio mas com algum movimento, mais que no domingo, por exemplo. Aproveite a exposição em cartaz no CCBB, uma retrospectiva sobre 200 anos de arte brasileira. Muitos restaurantes fecham as portas neste dia. Um dos que ficam abertos é o Casual (que tem um bar e um restaurante nas cercanias do Arco do Teles: o primeiro fica na Rua do Ouvidor, o outro, na Rua do Rosário. O chope é muito bom e a comida, gostosa, farta e com preços justos. Pode se esbaldar com as receitas portuguesas e com clássicos dos botequins cariocas). E não se esqueça: todo o primeiro sábado do mês acontece a Feira do Rio Antigo, na Rua do Lavradio, um mix cultural que aglomera antiquários abertos, samba e choro, feijoadas e outros quitutes, chopes e caipirinhas, além de muita animação ao ar livre. É cruzar os dedos para não chover.  Difícil vai ser querer ir embora da Lapa. A gente vai ficando, ficando, ficando. Quem sabe o dia não termina num restaurante de Santa Teresa ou nas mesas do Nova Capela, do Cosmopolita ou da Adega Flor de Coimbra, três clássicos restaurantes da Lapa, altamente recomendáveis, tradicionais, uma refeição com tempero de Rio Antigo.

8 de março – Domingo
Domingo é sempre um bom dia para passear pelo Parque da Tijuca (e aquele churrasquinho indica para quinta-feira pode bem ficar para hoje). Acorde cedo para pegar uma boa mesa. Na volta evite a Barra da Tijuca, volte pelo Horto, sem trânsito. Se você descer da montanha direto para um bom samba vai tirar onda. Termine o dia com uma roda de primeira, que começa ali pelas 20h, no Bip Bip, em Copa. Dali, aproveite a boa oferta gastronômica do bairro (que você pode conhecer lendo este post aqui) para fazer uma boquinha antes de desmaiar de sono.

9 de março – Segunda-feira
Ainda sob a animação da noite anterior, siga sua incursão pelo mundo do samba e aproveite uma das melhores rodas da cidade, capitaneada pelo onipresente boa-praça Moacyr Luz, o Samba do Trabalhador, a melhor oportunidade de passear pela Zona Norte. Antes de seguir ao Clube Renascença, onde acontece a festança a partir do meio da tarde, passe no bar Enchendo Linguiça, no Grajaú, para se deliciar com o seu incrível joelho de porco preparado naquelas TVs de cachorro onde geralmente são assados frangos. Incrível. Se boteco for a sua praia, passe no bar do Costa, que não faria feio a qualquer bom bar de tapas da Espanha. São dezenas de petiscos, uns expostos no balcão e outros feitos na hora. Do torresminho à inusitada combinação de maxixe, jiló e quiabo, é tudo muito bom. E a cerveja, sempre gelada. Sair do Samba do Trabalhador direto para ali seria um desfecho de ouro para a sua segunda-feira. E eu ficaria orgulhoso de você.

10 de março – Terça-feira
Dedique um dia inteiro ao Leblon. Comece em grande estilo, se nutrindo com os sucos incríveis do Universo Orgânico. Nesta fase do dia ainda vale explorar sucos de outros emblemas da especialidade no Leblon,o bairro que contém a maior densidade de casas de sucos fora-de-série do Rio. Aproveite que a fama da praia ainda corre à boca miúda e se posicione nas areias entre os hotéis Marina,  o ponto mais badalado deste verão. Gaste a tarde lá. Se gostar de extravagâncias enogaastronômicas arrisque uma incursão ao Bar d’Hotel, onde o chef Felipe Bronze coordena a cozinha. É um dos chefs mais inventivos e polêmicos do Rio. Muita gente critica. Sempre que como seus pratos eu aprovo.

11 de março – Quarta-feira
Reserve a quarta-feira para a Urca. Lendo este post você pode conhecer algumas dicas do bairro. Suba o bondinho, claro, aproveite para caminhar pelas ruas tranqüilas, pare para uma cervejinha com petiscos na mureta do Bar Urca (tem que ficar na mureta, senão não tem graça, tá?). Mas antes de seguir para o bairro, estique até o MAM para ver a exposição de Vik Muniz. E termine o dia no samba do Bar da Rampa, no Clube de Regatas Guanabara. Fica na beira da baía, bem perto da Urca. O samba é ótimo, a cerveja é gelada, os freqüentadores são divertidos e os petiscos de frutos do mar, muito gostosos.

12 de março – Quinta-feira
Aproveite que os restaurantes já funcionam, que a Casa do Pontal está aberta e que a quinta-feira garante uma praia mais vazia para direcionar a bússola à Barra da Tijuca e arredores. Vá pela manhã, no contrafluxo. Assim que possível tome a orla e pare logo no Pepê, eterno point da Barra, se quiser um banho urgentemente. Ou, então, o que é melhor, espere um pouco até chegar ao filé, a Reserva. Ande um pouquinho, se isole, e aproveite uma praia urbana só sua. Mergulhe à vontade para, então, observar um momento cultural. Reserve uma hora para uma visita à Casa do Pontal, um incrível museu de arte figurativa. E dali em diante é só escolher o restaurante, sabendo que: os de Vargem Grande estão mais próximos, os de Guaratiba mais distantes. E são tantos recomendáveis: Bira, Quinta, 476, Jardinetto, Rancho Petisco, Tia Palmira… Não queria estar na sua pele e ter que escolher só um.

13 de março – Sexta-feira
Se esta é a sua primeira vez no Rio e nunca visitou nenhuma cidade da Região dos Lagos, sugiro um bate-e-volta a Búzios, melhor se de carro alugado. Num cenário cansativo dá até para ir e voltar no mesmo dia. Mas eu passaria pelo menos um fim de semana por lá.
Mas vamos seguir em frente, tratando do Rio, porque se for para falar de um fim de semana em Búzios precisamos gastar outro post. Vamos fingir que você não quer saber de arredores e preferiu ficar no Rio.  Que tal começar o dia com um café da manhã (só disponível depois das 9h30, 10h) na Colombo do Forte, no Forte de Copacabana, com uma vista incrível da cidade. Aproveite para conhecer as instalações militares e, quem sabe, subir da roda-gigante que pelo segundo verão seguido se instala ali. Aproveite para dar uma passada no Posto 6 (se você gostar de cozinhar e tiver condições de fazer isso, passe na colônia de pescadores do Post 6, logo ali. Ultimamente, acompanhando as pesquisas de popularidade, só tem dado lula no Rio de Janeiro. Todos os dias vários barcos ficam ali na frente da Praia de Ipanema, pegando os moluscos, que estão baratinhos lá. Aqui em casa só tem dado lula também: à romana, com arroz e brócolis, com shiitake no vapor…).  Além de comprar pescados, eu também adoro mergulhar ali, água calminha, boa de nadar, com um belo panorama da praia de Copacabana, toda esparramada.  Sem falar que é muito gostoso fotografar os barquinhos. E também é divertido acompanhar a chegada das embarcações cheias de peixes. Termine o dia numa das noitadas mais agradáveis da cidade, o Samba, Luzia, o terraço do Clube Santa Luzia, ao lado do Aeroporto Santos Dumont, a partir das 22h. A vista da baía é daquelas que só o Rio tem, que enchem o carioca de orgulho e abestalham quem vê.

14 de março – Sábado
Acorde e vá direto à Praça General Glicério, em Laranjeiras, onde nas manhãs de sábado acontece uma deliciosa roda de choro, bem família, com muitas crianças. Ao redor, ótimas caipirinhas, bolinhos de bacalhau e uma feira com ótimas barracas de frutas, verduras e legumes, beleza para quem curte cozinhar e tem como fazer isso visitando a cidade (não é todo o turista que tem acesso às panelas e fogões). De lá percorra os botecos do bairro, dê uma passada no Largo Boticário e arrisque uma visita ao Museu de Arte Naïf, que anda com funcionamento irregular, lamentavelmente. Suba até Santa Teresa para curtir o fim de tarde. Ela pode começar com um drinque no Hotel Santa Teresa e terminar com um almoço tardio no Aprazível, que é uma delícia. Ah, sim: e muito bate-pé pelas lojinhas a teliês do bairro, como a Lola.

15 de março – Domingo
Ir embora num domingão de sol pode ser muito bom. Se o horário do vôo permitir eu acordaria bem cedo para um mergulho no Arpoador depois de uma boa caminhada, aproveitando a praia ainda vazia.
E bom retorno para casa.

Antes de terminar, algumas considerações adicionais.
– Nos 12 dias, reserve algum tempo para visitar uma cidade dos arredores, deixar a loucura urbana um pouquinho.
– Para Petrópolis dá até para ir e voltar no mesmo dia.
– A Búzios só vá se puder ir na manhã de um dia e voltar no fim da tarde do outro.
– Já até Paraty só vá se tiver pelo menos dois dias inteiros na cidade.- Ilha Grande é sempre uma ótima pedida. Mas com deslocamento de barco fica uma viagem um tanto cansativa, embora Mangaratiba esteja perto do Rio. Reserve pelo menos três dias completos lá, ou seja, pelo menos quatro noites.
– Não fique paranóica com a questão da segurança. O Rio não é mais violento que São Paulo nem que a maioria das capitais nordestinas, como Recife, Salvador e Fortaleza. Mas não vá dar colher de sopa ao azar. Evite mostrar objetos de valor, não ande por lugares escuros, tome cuidado na hora de pegar um táxi.
– Se você tiver uma boa máquina fotográfica, dispense a bolsa “oficial”, que geralmente chama a atenção e indica se tratar de equipamento eletrônico, e a coloque numa bolsa comum, aquela mesma na qual você carrega carteira, documentos e batom.
– Use e abuse do metrô, mesmo se você estiver de carro. Principalmente para ir da Zona Sul ao Centro.
Que você se divirta por aqui, aproveite as dicas.
E volte sempre.
Um abraço

Como a voz do povo é a voz de Deus, decidi incluir este adendo ao post com destaque.

Grumari e Maracanã são elementos essenciais numa visita ao Rio, como bem alertam vários leitores na caixa de comentários deste post.
As dicas estão aprovadíssimas.
Em minha defesa digo que seria incapaz de listar aqui coisas imperdíveis no Rio. Não tive a pretensão de fazer uma lista definitiva.
Aliás, aproveito para lançar uma pergunta que vai virar post: para você, qual é o programa imperdível no Rio.
Eu lanço a minha, feita com a ajuda de vocês:
– Pegar um sol na Prainha e em Grumari: Reserve para isso um dia da semana, melhor ainda se der para conjugar com uma refeição em algum bom restaurante de Guaratiba e Vargem Grande.
– Macacanã: Visitar o maior templo do futebol é essencial. Melhor se for em dia de jogo. Para os fanáticos pelo esporte o ideal é ver um clássico, de preferência com o Flamengo em campo. Já os que apenas desejam conhecer o estádio a visita pode ser num jogo entre um grande e um pequeno, já que é tudo mais fácil: chegar, conseguir lugar, ver a partida, voltar para casa. Mas nada pode substituir um Fla x Flu, nada. Há ainda a visita guiada, que não acontece em dias com jogos à tarde.
– Tomar um chope no Bar Brasil, para mim o melhor da cidade, cremoso, perfeito para acompanhar as receitas alemãs da casa.
– Ir aos sambas do Trapiche Gamboa, um dos melhores lugares da cidade para dançar.
– Dá para aproveitar a ida ao Maraca para passar no Aconchego Carioca, o boteco mais falado do momento. Além dos inacreditáveis bolinhos de feijoada, o camarão na moranga e as centenas de cervejas valem – e como – a ida até as cercanias da Praça da Bandeira. A Nina Becker, aquela graça de mulher, estilista e cantora da Orquestra Imperial, vai sempre. O Claude Troisgros vai. A Fernanda Thedim é fã. E eu, e a torcida do Flamengo. E, apesar de estar na moda, o boteco é bom mesmo. Quem quiser provar os quitutes na Zona Sul pode chegar na Cinemateque, em Botafogo, para onde a cozinha dá expediente nos fins de semana.
– Experimente o menu “executivo” ou do Fasano al Mare ou do Gero. Custam R$ 75, com entrada, prato principal e sobremesa – e o cardápio incluir vários clássicos do grupo, como o vitelo tonatto, a tarte tatin e a mil folhas, além de receitas que entram e saem conforme a disponibilidade dos ingredientes.

E para você, o que não poderia faltar?

Direto do Oasis

26/11/2009

Como muitos já sabem, tô viajando na estreia do Oasis of the Seas, o maior navio de cruzeiros do mundo. 

Escrevo só para mandar notícias.

Quem quiser acompanhar a viagem pode visitar os blogs lá d’O Globo. Na minha estreia no Diario de Bordo, vou publicar umas fotos e algumas historinhas do naviozão. E, na Enoteca, os vinhos que forem cruzando o meu caminho.

Galetos, uma instituição carioca

25/11/2009

Galeto Central: franguinho assado, arroz, fritas e farofa no shopping de informática

Muito se fala que o mais interessante numa viagem é vivenciar o cotidiano dos moradores das cidades, comer onde eles comem, usar os meios de transporte que eles usam, fazer os programas que eles fazem. Concordo plenamente. Exatamente por isso, nunca entendi muito bem porque as galeterias do Rio nunca receberam a atenção devida dos guias de viagem (nem aqueles restaurantes tipo uisqueria, com paredes de madeira e estofados em couro, como o Le Coin, o Álvaro’s e o Degrau, todos no Leblon). As galeterias são a cara do Rio, adoradas pelos cariocas, mas ignoradas pelos turistas. Esse post de hoje é dedicado a desvendar qual é o melhor galeto do Rio. Galeto entenda-se por galeteria, ok? Ou seja, não vamos ficar só na qualidade do franguinho servido. Podemos avaliar o chope, as outras carnes, o acompanhamento, o serviço e tudo o mais que contar pontos para você na hora de julgar um lugar.
As galeterias são emblemas do Rio. E estão por toda a parte, embora o Centro e Copacabana, os dois bairros mais cariocas por natureza, tenham os mais elevados índices de concentração dessas casas – acho que há mais de uma por quadra, em média. O esquema é sempre o mesmo. Uma grelha ardente é envolvida por um enorme balcão, quase sempre de fórmica e com bancos redondos de couro, daqueles da pior qualidade, onde os clientes se sentam. Os garçons circulam ali por dentro, sacando rapidamente pratos, talheres, copos e porta-guardanapos, e até paliteiros e saleiros de plástico, raridade hoje em dia. A cozinha é mínima, e são raríssimos os endereços que dispõem de mesas. Todos jogam no ar uma fumaça que ao mesmo tempo pode ser perfumada ou fedorenta, depende mais do seu estado de espírito (é perfumada quando você está com muita fome, e fedorenta em todas as outras ocasiões).
Os acompanhamentos clássicos são apenas batata frita, farofa (que pode ser de ovo), arroz e molho à campanha, que saem em ritmo industrial. Daí a cozinha poder ser pequena. A lingüiça, em geral vendida por unidade, é a melhor maneira de começar a refeição. Corações de galinha costumam fazer bonito também. Pãozinho francês, molho á campanha e pimenta são bem-vindos nessa hora. A relação custo-benefício é ótima: uma refeição individual custa na casa dos R$ 10.

Uma curiosidade é que o elemento principal do prato nem sempre é a ave que generaliza o nome desses endereços. Sim, há galeto (e também frangos) em profusão pelas mesas, quer dizer, balcões – é claro. Mas também são campeões de pedidos e idolatria os contra-filés, as picanhas, as bistecas, as costelinhas de porco… Os churrasqueiros, sempre suados (…), manuseiam com habilidade todos esses cortes. Porque galeto, no Rio, na verdade é uma churrascaria de balcão, estilo “bunda de fora”, uma denominação genérica de botecos cariocas que, de tão apertados, os freqüentadores exibem a derrière aos transeuntes. Reza a lenda que quem criou o nome foi Leila Diniz (grande Leila) inspirada num boteco da Gávea que ela adorava. Em tempos de censura militar, o letreiro exibia: “Bar b… de Fora”. E a moda pegou, com a expressão se tornando denominação desse tipo de lugar.
Um dos melhores galetos da cidade não é “bunda de fora”, embora seja apertado.  Tem sempre fila na porta (sim, tem porta) na hora do almoço (a foto foi feita na happy hour: sim, tem happy hour), às vezes para entrar, às vezes para pagar. Fica no terceiro andar do Edifício Avenida Central, entre dezenas de lojas de eletrônicos e bem ao lado do melhor restaurante japonês da cidade em minha opinião, o Shin Miura – dia desse escrevo sobre o “esqueminha” recém-visitado, degustação de pequenos pratos criados por Nao Hara. Mas voltemos às penas. O endereço em questão é o Galeto Central, sempre cheio. A pele da ave vem crocante, fazendo um torresminho delicioso (o meu cardiologista que não me ouça), e a batata frita tem colesterol acima da média, mas é gostosa mesmo assim. O arroz vem soltinho, o molho à campanha tem tomate e pimentões frecos, e a farofa é campeã, tostadinha. De que mais preciso?
Há galetos em toda a parte, como já disse. Em Copacabana sou fã do Sat’s, do Crack dos Galetos e do Quick Galetos, quase defronte ao Beco das Garrafas. Curto também o Galeto do Leblon. Em Ipanema, na esquina da Farme de Amoedo com Visconde de Pirajá, abriu há uns 10 anos o Galitos Grill (um dos poucos, talvez o único, a ter sítio na internet), uma releitura dessas casas, com mesinhas na calçada e um balcão pouco utilizado pela freguesia. Faz tempo que não como ali, mas adorava o galeto com tempero picante. Vou voltar lá dia desses… porque escrever este post me deu uma vontade de comer um galetinho com fritas e farofa irresistível.

Vai aí a minha lista de galetos favoritos:

Sat’s – Rua Barata Ribeiro, 7 – loja D, Copacabana. Tel.:  (21) 2275-6197.
Crack dos Galetos – Av. Rio Branco, 156, lojas 327/328, Centro. Tel.: (21 ) 2220-2336.
Galeto do Leblon – Rua Dias Ferreira ,154, Leblon. Tel.: (21) 2294-3997.
Rei dos Galetos  – Em vários endereços como: R. Rodrigo Silva, 36; Senador Dantas, 8, subsolo, entre outros.
Quick Galetos – Rua Duvivier, 28-A, Copacabana. Tel.: (21) 25412897.
Galeto Central – Av. Rio Branco, 156, Centro. Tel.: (21) 2262-7098

Faça a sua listinha também. E mande pra gente.

Publicado em 17/3/2008

Jardim de Napoli: a melhor cantina de São Paulo

21/11/2009

Polpetoni com tagliateli caseiro com molho de funghi: não preciso dizer mais nada

Muito se fala que São Paulo é a capital da gastronomia, coisa e tal. Acho isso uma bobagem. São Paulo tem, simplesmente, mais restaurantes que o Rio, só por ser uma cidade três vezes maior. Eu já escrevi outras vezes e continua achando não só que no Rio se come melhor, mas também com mais charme. Não sinto falta de nada por aqui, a não ser das cantinas. Ah, as cantinas, como adoro. Já estive em muitas.
Entre as mais proeminentes, Buttina, Caciatore e Mancini (estive em quase todas as casas da famiglia). No último domingo almocei no Jardim de Napoli, e a refeição foi tudo o que se espera de uma cantina. Ambiente bagunçado, garrafinhas de Chianti, com cestinha de pelha, penduradas no teto, e muita comida caseira, com massas mergulhadas em molhos perfeitos, depois de pães, conservas, queijos e embutidos abrirem os trabalhos.
Foi incrível.
Primeiro, uns pães de casca rígida e miolo macio, muito próprio a receber azeites, encharcando a sua massa delicada. Nele deitei fatias de berinjela em conserva e depois um parmesão delicioso, cortado finamente. Mas o melhor dos antipasti chegou por último, uma linguiça frita da qual nunca esquecerei na vida. Saborosa, crocante, frita no ponto exato, com uma pimentinha no fundo para deixar tudo ainda melhor.
Como nove em cada dez clientes da casa, pedidos o famoso polpetone. Passei a desconfiar que ninguém, no mundo, nem na Itália, nem em Nova York nem na Serra Gaúcha ou qualquer região de imigrantes, faz um polpetone melhor. Carne deliciosa, molho incrível, com baixa acidez e tempero perfeito, textura linda, quase cremosa.
Os garçons sugerem para acompanhar um tagliatele ao molho branco de cogumelos, e quem sou eu para não seguir conselho de garçom de cantina séria? Fomos nessa.
A massa conseguiu a proeza de fazer tudo melhorar. Os dois molhos, de texturas e cores distintas, aos poucos iam se misturando, criando uma terceira estrutura líquida, de textura cremosa e, como se diz, marmorizada, tendendo ao rosé. Salpicando um queijinho ralado, cheguei ao nirvana gastronômico, gozei pela boca. Delícia, sensacional, incrível, pela simplicidade, sabor, equilíbrio e, ao meu ver, até beleza: olha que lindo o prato.
Acompanhamos as duas etapas com o Yume, um Montepulciano d’Abruzzo da Caldora, muito bom e barato, por sinal.
E nem pedimos sobremesa.

Marketing de guerrilha (ou bagagem-propaganda)

20/11/2009

Mala da gol na esteira do Santos Dumont: quase peguei por engano...

A Gol, agora, coloca uma mala na esteira do Santos Dumont para lembrar os passageiros de conferir se a bagagem que você está pegando é mesmo sua.

Mas isso não é um post, é quase um Twitter…

Um olhar guloso sobre Buenos Aires – Por Cristiana Beltrão

19/11/2009

El Ateneo, visto palco-bar: um teatro transformado em livraria só podia mesmo ser algo espetacular: aqui no Rio, esses espaços estão virando igreja...

Primeiro a propaganda: hoje saiu uma matéria minha no Boa Viagem sobre verão em Buenos Aires, que você pode ler clicando aqui.
Depois, a Cristiana Beltrão, do
Bazzar, me escreveu um e-mail com este relato cool-intelecto-gourmet desta cidade que adoro. Pedi para publicar, ela deixou e cá está.
Mas, por favor, não babe…
Aliás, ela tem um ótimo blog, que vale a visita, especialmente para aqueles, como eu, que adoram viagens, comidas e vinhos. Para visitar, basta clicar aí  do lado direito, ou n o prórpio site do Bazzar. Divirtam-se.

UM OLHAR GULOSO SOBRE BUENOS AIRES – Por Cristiana Beltrão

O tango insinua… Viajante, prepare-se! Buenos Aires é ardente como sua música! E o melhor: a um passo de todos nós.
As razões para se enamorar são várias; dentre elas, a Literatura. Lá nasceu Borges, um de meus autores prediletos. Conhecer sua obra é passo fundamental para bailar pela cidade. Na vida das ruas, Buenos Aires não é cenário; é personagem. E perdoa, com delicadeza, o “portunhol” distribuído pelos brasileiros que recheiam a cidade.
Palermo, o bairro em que nasceu o autor, é o coração artístico e cultural da cidade. Jovens designers, ótimas livrarias, inúmeras galerias de arte e alguns dos melhores restaurantes ficam por lá.
Um dia ideal em Palermo começaria num domingo. Tomaria um brunch no Olsen ou no “ultra-cool” Bar 6 e depois cultivaria uma certa preguiça na Praça Serrano (Cortázar). Percorreria a deliciosa Honduras, sem esquecer de parar na Papelera Palermo para engordar a coleção de cadernos de viagens. Atravessaria a rua e devoraria os livros da Prometeo, ao som dos CD´s da Miles Discos. Saborearia cada rua, sem pressa. Após um almoço na varanda do Cluny, passaria uma tarde regada a café na livraria Eterna Cadencia com direito a alfajor “Santafecino” de Borges, discretamente retirado da bolsa. Para aqueles que me equivalem em estômago, um drink no animadíssimo Bar Uriarte seria indispensável antes de um delicioso jantar no Casa Cruz.
Para uma viagem no tempo, recomendo um dia em San Telmo. Seus inúmeros antiquários têm preços de abrir o apetite. Depois de vasculhá-los, encomende o sol e uma cerveja bem gelada na praça Dorrego. Aos domingos há feira de antigüidades e aulas de tango para principiantes. Se seu nível estiver um “passito” adiante, as opções são várias: pra quem quer dançar, a dica é o Niño Bien; se o negócio é assistir, há bailarinos competentes nos famosos Esquina de Gardel ou Señor Tango.
A Recoleta é elegante; um clássico. Suas amplas avenidas, lojas de grife e arquitetura européia constituem o cantinho mais parisiense da América do Sul. Para completar o clima, separe uma tarde para a L´Orangerie do Hotel Alvear. No jardim de inverno da histórica mansão, tome a melhor seleção de chás da cidade acompanhada de música clássica. A especialista Inés Berton cria “blends” de chás verdes, pretos e fermentados. O lugar, por si só, é uma viagem. Outro canto adorável no bairro fica na antiga passagem dos Correios. É a dobradinha do Sirop. De um lado da rua, oferece pratos, chás, tapas e lanches; do outro, a versão alinhada, e igualmente adorável, apresenta pratos mais elaborados e carta de vinhos completa.
O lado Cult do bairro se apresenta na abarrotada Pizzaria El Cuartito, fenômeno kitsch com filas intermináveis e inúmeras fotos, camisas de time, ventiladores e nostalgia pelas paredes. A busca é pela pizza de massa grossa, cheia de queijo, como as de antigamente. Lá o tempo não passou. A cozinha barulhenta e aparente despeja bandejas de inox em produção surpreendente. Todo dia é dia, toda hora é hora.
Puerto Madero também me encanta. Tem um quê de Nova Iorque e Chicago, com um sotaque singular. O antigo porto revitalizado agora fervilha com executivos e atrai investimentos de peso, como o grande complexo do grupo Faena. Lá, todos os caminhos parecem levar à CARNE! A sempre procurada Cabaña Las Lilas é o paraíso dos brasileiros em B.A. Para quem quer ver a renomada arquitetura do Hotel, mas não pagar sua diária, a opção é almoço ou café-da-manhã no EL MERCADO. Phillipe Starck conseguiu traduzir o clima porteño num salão extremamente original.
A busca pelas Obras Completas de Borges pode começar pela belíssima El Ateneo (na foto),  livraria instalada num antigo teatro no Barrio Norte e continuar, quem sabe, pela Ávila, instalada na Rua Bolívar, no Centro, desde o século XVIII. Na Avenida Corrientes, que já foi o local de maior concentração de livrarias do continente, há inúmeras opções, para todos os gostos e bolsos.
E os vinhos? Ah, os vinhos! Eis aí um capítulo à parte. Os 30 litros per capita consumidos anualmente por lá fazem nossos 2% parecerem um tanto tímidos. Nossa cultura de vinhos, ainda incipiente, é recheada de formalismos e prosopopéias. O porteño trata o vinho com naturalidade. Com raras exceções, as adegas mais cotadas têm lareira, música alta e sommeliers de cabelos compridos e tênis. Imperdível é o Gran Bar Danzón, programa perfeito depois de um dia no Centro, com visita à Plaza de Mayo e sua Casa Rosada (mais rosada do que nunca!) e de um ataque aos “emparedados” (sanduíches) do tradicional Café Tortoni.
Tenho várias razões para gostar da cidade. Como que visitando uma velha amiga, me sinto em casa, apesar de nossas marcantes diferenças culturais. E, por falar em cultura, ainda que a obra de Tarsila do Amaral não tivesse um nome capaz de encantar qualquer glutão, Abaporu, que em tupi-guarani significa “homem que come”, seria parada obrigatória. Quem a exibe é o imperdível Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires), que tem exposições temporárias e permanentes de altíssimo nível, além de ser um belo exemplar de arquitetura contemporânea.
Num sentido menos poético do que o atribuído por Borges, re-afirmo: “as ruas de Buenos Aires já são minhas entranhas”. Isso porque comi e bebi quase todos os seus bairros.
Meu gosto pra viagens é assim… vai da empadinha ao foie gras, do kitsch ao chique, do “cult” ao “pop”, da arquitetura à paisagem. Para famintos como eu, Buenos Aires é um cardápio completo!

Kinoshita: beleza é fundamental

18/11/2009

Ovas curtidas no sal intercaladas com nabo: sensacional, raro, saboroso, surpreendente

Quase todos os meses vou a São Paulo. Adoro (só não me chame para morar lá de novo…). Às vezes volto no mesmo dia, não dá tempo de fazer quase nada. Mas, quando dá, ocupo todos os meus horários livres em bares e restaurantes (por isso ainda não encontrei espaço na agenda para ir ao Museu do Futebol e ao Museu da Língua Portuguesa). Se quiser, pode me chamar de ignóbil guloso.

Já estava para visitar o Kinoshita há pelos menos um ano.  Mas por razões, ora geográficas, ora financeiras, e também por compromissos de trabalho, acabei explorando outros salões, como os do Maní, do Bar Léo, do Filial, do Mocotó e do Dalva & Dito.

Mas na tarde de sábado consegui, finalmente, conhecer a casa e, principalmente, a cozinha do chef Tsuyoshi Murakami. Gostei de cara.  Grandes vidros deixam entrar a luz natural que ilumina os salões.  Não tenho dúvida de que, com exceção do Krug Room (quer saber mais? Clica aqui), não pode haver ali melhor lugar que no balcão. Dali acompanhamos o preparo dos pratos, numa cena que chegou a me lembrar o l’Atelier Robuchon, em Nova York. Tudo flui com naturalidade do lado de lá. Depois de um pré-preparo cuidadoso, as receitas são montadas com incrível facilidade e desenvoltura pela equipe.  Caldos, temperos e outras iguarias ficam ao alcance das mãos. Um ou outro pratinho dá um pouco mais de trabalho, exigindo finalização em um forno, ou acabamento na cozinha. Mas quase tudo acontece ali, na sua frente.

O prazer da comida, como tudo, também passa pelos olhos. Sim, beleza é fundamental. Ainda que eu devore com enorme prazer uma feijoada ou um espaguete à bolonhesa, que não são lá tão bonitos assim, adoro apresentações cuidadosas de pratos. Nisso, os japoneses são campeões. No Kinoshita não é difente. ver os caras montando os pratos não só os tornava mais belos como já aguçava o paladar.

Assim, atento ao que se passava do lado de lá do balcão, tive uma refeição memorável. Tudo começou com um kaki wakame su, que são ostras em wakame com shissô e gema de ovo, tudo bem temperadinhos com várias coisas, entre elas tabasco.

E foram vindo pratinhos (aliás, a louça, japonesa, é linda, e valoriza ainda mais as construções do chef): sunomono de lichia com vinagrete de pepino japonês, polvo lula e vieira ao creme de missô, sushis de peixe fresquíssimo com cortes precisos e impecáveis, ovas curadas no sal com nabo (na foto), usuzukuri de peixe branco ao ponzo…

Tudo delicado, incrível. Acampanhamos tudo com um belo saquê, e depois uma cervejinha, Kirin, claro. E encerramos com um doce incrível, um doce de consistência única recheado com brigadeiro. Desconfio que as crianças devem adorar, pelo textura e pelo sabor. É um doce lúdico.

São tão belos os pratos que merecem um post como o do eñe e o do Marina Búzios.

Vale uma visita ao site, para entender um pouco mais da filosofia da kappo cuisine, adotada ali.

Feijoada solidária

18/11/2009

O Restaurante Alcaparra, na Praia do Flamengo, organiza nesse domingo, dia 22, uma feijoada solidária em prol do Educandário Romão Duarte, no Flamengo, que abriga crianças abandonadas. A “entrada” é uma camiseta no valor de R$75,00 e dá direito a um belo Buffet de feijoada e caipirinha liberada. A atriz Danielle Winits é madrinha do educandário e prometeu comparecer.

O restaurante fica na Praia do Flamengo, 150. E o telefone para reservas é  2558-3937  www.alcaparra.com.br