Su-chique

Sushi Leblon

Ovo e arroz, com azeite de trufa por cima e flor de sal: combinação perfeita

Era uma terça-feira fria. Não tínhamos reserva, pois elas são aceitas apenas até 21h30. Chegamos por volta das 22h30. Do táxi vimos uma fila à porta. Bem, não era exatamente uma fila, mas um aglomerado de pessoas. Gente jovem, bonita e bem arrumada, bebericando e batendo papo – e fumando (depois da bem-vinda proibição do fumo nos restaurantes, reparou como ficaram movimentadas as portas?). Estar na porta do Sushi Leblon à espera de uma mesa faz parte do ritual, do ver e ser visto na rua mais badalada do Leblon, onde os famosos se exibem para as lentes dos fotógrafos de celebridades com seus novos, atuais e antigos namorados, casos e amantes. O Sushi Leblon talvez seja o restaurante mais presente na Caras e nas colunas sociais.
Quem não quiser mesa tem mais facilidade, às vezes, se preferir um cantinho no balcão, que é, afinal, o melhor lugar de um bom sushi-bar. Antes disso, mesmo que não seja preciso, o que é raro, eu recomendo uns minutinhos lá fora, para entrar no clima, com um copo de espumante ou saquê na mão.
Mas como estava frio e nos ofereceram cadeiras no balcão, fomos direto para lá – e não saímos mais dali, só trocamos de lugar, mesmo quando nossa mesa vagou. Para quê, se ali podemos consultar o cara que faz os cortes precisos, colhendo detalhes de ingredientes e formas de preparo? E ainda nos distraímos vendo o trabalho artesanal, a construção meticulosa das receitas e os novos pedidos (que não raramente nos fazem pedir igualzinho: “O que era aquilo? Faz um para mim também?”).
Passeamos por todo o cardápio, que é o que se deve fazer ali. O lugar é um japa tradicional, com os pratos de sempre: sushi, sashimi, teppan-yaki, yakissoba, tempurá e temaki.  Mas com alguns capítulos dedicados à cozinha contemporânea, sempre de acento oriental. Sem desvirtuar nem um nem outro.
Começamos com um bom saquê, que acompanhou finas fatias de peixe cru temperadas, o ussuzukuri. Servido numa bela cerâmica, aparecia em três versões, todas regadas por azeite: um com pimenta biquinho e cebolinha, outro com pesto de azeitonas pretas e o terceiro, o melhor para mim, com um toque cítrico. Já com uma tacinha de espumante rosado, continuamos com um trio de sashimis: de salmão, robalo e lírio, um peixe que minha ignorância não me permitia conhecer.
– Lírio, o que é isso?, perguntei ao sushiman.
– Um peixe, ora, me respondeu com a naturalidade de quem apresenta um salmão.
– Com esse nome, não deve vir do Japão…
– Não, não. É brasileiro, tem bastante na nossa costa, aqui no Rio mesmo. Temos usado muito e tem feito sucesso. Fica ótimo em sushis e sashimis, tem uma carne suave e macia, veja se não é?
O cara tinha toda a razão, logo virei fã do bicho.
Os três peixes, bastante frescos, vinham cortados com delicadeza, numa bonita composição – afinal, beleza é fundamental.
Em seguida a coisa foi ficando mais séria. Primeiro vieram uns sushis de vieira, salpicados com flocos daquela pimentinha japa vermelha e seca, além de uns nacos de lichias grelhadas. Ótimo, ainda mais para um amante dessas conchas. Junto, noutra travessinha, uns rolinhos de massa delicada recheados com tartar de atum daqueles bem roxos, saca? E uns makimonos de salmão.
Uma bela surpresa veio depois: uma dupla de shitake com flor de sal e raspas de limão siciliano, sucedida por outro par, este de salmão gravlax com caviar. Ainda tinha um molhinho amarelo que não soube identificar de que era feito, nem me lembrei de perguntar, de entretido que estava com os meus pauzinhos.
Aí, então, veio uma coisa simples, mas que foi uma das que mais gostei de comer nos últimos tempos: um sushi de ovo de codorna frito com azeite trufado e uma florzinha de sal por cima. A gema molinha misturada ao arroz me fez lembrar da infância: adorava fazer isso em casa, só que com ovo de galinha mesmo e arroz branco – para tristeza da minha mãe, que condenava a prática, e alegria do pai, quem me apresentou a parada. Inebriado pelo retorno do tempo, mal reparei no sushi de peixe branco que veio junto – injustamente, diga-se.
Ainda havia tempo e espaço para o clássico da casa: finas fatias de salmão e foie gras marinados no missô. Com cebolinha picadinha por cima…Ai ai ai. Só pude lamentar virem apenas três fatias. E foi impossível rejeitar o tempurá de camarão – dos grandes – que tava no ponto certinho, com massa crocante e carne tenra.
Sabe que a sobremesa nem me fez falta?

 

Publicado em 15/10/2008

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Uma resposta to “Su-chique”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Sushi Leblon […]

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