Azumi: no Japão deve ser mais ou menos assim

Sushi com ovo de codorna e ovas: ótimo, mas nem era o Ueda que fazia

Isso é só uma homenagem necesária.

O Rio tem quatro restaurantes japoneses que merecem maior consideração. O Sushi Leblon, que é pop, o Shin Miura, que usa e abusa de influências ítalo-francesas, o Ten Kai, mais contemporâneo, e o Azumi, o mais tradicional de todos.
Nunca fui a Tóquio, mas suponho que um pé-sujo lá seja mais ou menos assim. Há sempre uma TV ligada em canais japoneses – muitas vezes programas de auditório inacreditáveis.   Escondido numa rua de Copacabana, perto da zona de prostituição da Prado Junior (há quem diga que, antes de virar restaurante, no local havia uma casa de massagens nipônica), com plaquinha discreta à porta, o Azumi vive lotado. São dois balcões, um de frios e outro de grelhados, além de mesas e algumas salinhas privativas.
As mesas eu não recomendo tanto. As áreas reservadas, com mesinhas baixas, são interessantes para grupos. Mas nada se compara a se estar nos balcões.
Já ouvi queixas sobre o lugar. Porque o Azumi não é fácil. Para começar, é caro. O cardápio não tem lá muitas explicações – e as garçonetes não dão conta desta função muito bem. É um restaurante para iniciados. Mas não tem grandes mistérios, quer ver?
O bom é chegar cedo para pegar, primeiro, um lugar no balcão de frios, onde os pescados são manipulados com destreza, resultando em cortes diferentes, às vezes mais grossos, noutras mais finos e valorizando as partes gordas. O usuzukuri, temperado com pimenta dedo-de-moça picadinha e cebolinha, é sensacional. Não saia dali sem provar o sushi de ovas salmão com ovo de codorna cru. Também vão bem os de minipolvo, ouriço e lula, este de uma fineza rara. O atum tem um corte preciso e os peixes do dia são altamente recomendáveis. Não se anime muito com o peixe cru, pois o melhor está ainda por vir.
Fique de olho nas cadeiras ao redor da grelha, logo depois de uns degraus. Elas ficam logo cheias, mas quem vai cedo (ou muito tarde) tem a prerrogativa de garantir lugar logo na chegada.  No meio da noite, ali pelas 21h, a espera é longa.
Lá na parte de trás, deixe o Jack, o figuraça que comanda a grelha, guiar o seu passeio. Pergunte o que está melhor no dia. Há clássicos sempre disponíveis. A língua de boi fatiada é imperdível. Os aspargos, a berinjela, o quiabo e um pimentão verde são especialidades. Enormes cabeças de peixe chamam a atenção. Ele garante que a carne é preciosa, mas ainda não consegui provar – ou porque não tinha, ou porque era muito para duas pessoas. Os espetinhos de carnes e legumes, em diversas variações, são deliciosos. Vieiras e ostras eu diria que são indispensáveis. Vez ou outra ele vai te servir uma provinha do que preparou para os clientes ao lado. Assim, vamos todos experimentando um pouquinho de tudo. A batata-doce japonesa e o cará na grelha são surpreendentes. Uma das especialidades de Jack é o omelete de siri com molho agridoce. E ele sempre aparece com novas façanhas. No fim da noite, traga com os clientes algum shochu.
Usando farinha japonesa, as milanesas estão entre as melhores da cidade. Já provei as de ostra (única vez que achei uma ostra cozida – frita, no caso – melhor que crua) e de filé, as duas sensacionais. Leves, com massa saborosa e crocante, sem muita gordura. E com molho agridoce denso, escuro e adequado. Da cozinha também me emocionei com o shiitake recheado de camarão. Que coisa. e ainda vemos sair coisas muito belas da cozinha. Inclusive aqueles fondues japoneses, que o nome não me recordo, além de teppan yaki, yakisoba, tempura, combinados e essas coisas todas.
Para fechar, doce de feijão.
E aí, gostou?

Publicado em 4/8/2008

Anúncios

2 Respostas to “Azumi: no Japão deve ser mais ou menos assim”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Azumi (e a perda do Jack Ueda) […]

  2. Azumi: aqui me tens de regresso « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] aqui me tens de regresso By brunoagostini Voltar ao Azumi, depois dos tristes acontecimentos, era ao mesmo tenpo uma vontade e um […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: