Bip Bip, um boteco carioca: 40 anos de samba (41 daqui a um mês)

Img_0320 cópia

A roda deste clássico bar quarentão de Copacabana

O Bip Bip é um dos bares mais pitorescos da cidade. Na rua Almirante Gonçalves, em Copacabana, é o único boteco que conheço cujo prato principal é o samba. Ninguém vai até lá para provar o caldo verde do Alfredinho (o barbudinho detrás do balcão). Nem para beber as latas de cerveja bem gelada que ele serve. Isso é acessório. A turma do samba vai até lá para batucar e cantar. Mais que um bar, o Bip Bip é uma roda de samba e um bloco de carnaval – dos melhores da cidade.
Com grande simbolismo, o bloco do Bip Bip inaugura e encerra o carnaval carioca. Sua primeira saída acontece exatamente à meia-noite e um minuto de sábado. Seu segundo desfile, não mais que uma volta no quarteirão, rola às 23h59 da Terça-Feira Gorda. Depois o samba come a noite toda. Tem ficado cheio até demais nos últimos anos. A rapaziada até torce para chover para espantar uns malas.
Vou até reproduzir um texto da sexta edição do guia Rio Botequim que diz muito sobre o bar: “Alfredo é a alma e o único garçom do bar. Aliás, não é o único. No Bip, todo mundo é garçom. A própria clientela se serve e, não raro, anota o que consome. O sucesso do boteco não se explica apenas pela excelência da música. Reina no Bip Bip um clima de celebração permanente. É, talvez, o único bar do planeta onde a nata da música se apresenta só pelo prazer de ser ouvida. Ninguém recebe um tostão.Muito pelo contrário. Todo mundo toca de graça e ainda paga a cerveja que bebe”.
Não é incrível?
Às terças (21h30) e domingos (20h) tem roda de samba. Às sextas, chorinho. Acho que quarta tem Bossa Nova. Walter Alfaite, Beth Carvalho e outros do mesmo naipe estão volta e meia por lá. É dos melhores sambas da cidade, uma sucessão de clássicos do gênero com direito a muita música pouco conhecida. Uma aula de samba.

Nascido em 13 de dezembro de 1968, no mesmo dia do AI-5, como em oposição a ele, o Bip Bip é ainda hoje um herói da resistência.
Para marcar a data amanhã acontece uma roda de samba que serve de pretexto para o lançamento de um livro sobre o bar. Mas não se trata de uma publicação qualquer. São 104 textos de vários freqüentadores do local. Só bambas assinando. Tem, como me informa o querido Juarez Becosa, colunista de boteco d’O Globo, gente como Hermínio Bello de Carvalho, Sergio Cabral pai, Paulo Cesar Pinheiro, Moacyr Luz, Paulo Cesar Feital, Nelson Sargento, Marceu Vieira e Henrique Cazes. As ilustrações são de craques como Nani e os irmãos Caruso.
O balaco rola amanhã na porta do bar, como uma noite de carnaval. Começa às 18h e não tem hora para acabar. Uma coisa é certa, cedo é que não vai ser.
São coisas como o Bip Bip que fazem do Rio uma cidade feliz apesar de tudo.
Peça uma porção de salaminho e umas latinhas de cerveja, prepare o gogó e entre na roda.

 

Publicado em 12/12/2008

Anúncios

2 Respostas to “Bip Bip, um boteco carioca: 40 anos de samba (41 daqui a um mês)”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Bip Bip […]

  2. Um pouco de carnaval « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Bip Bip: um boteco carioca, que é bloco de carnaval e roda de samba […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: