Kinoshita: beleza é fundamental

Ovas curtidas no sal intercaladas com nabo: sensacional, raro, saboroso, surpreendente

Quase todos os meses vou a São Paulo. Adoro (só não me chame para morar lá de novo…). Às vezes volto no mesmo dia, não dá tempo de fazer quase nada. Mas, quando dá, ocupo todos os meus horários livres em bares e restaurantes (por isso ainda não encontrei espaço na agenda para ir ao Museu do Futebol e ao Museu da Língua Portuguesa). Se quiser, pode me chamar de ignóbil guloso.

Já estava para visitar o Kinoshita há pelos menos um ano.  Mas por razões, ora geográficas, ora financeiras, e também por compromissos de trabalho, acabei explorando outros salões, como os do Maní, do Bar Léo, do Filial, do Mocotó e do Dalva & Dito.

Mas na tarde de sábado consegui, finalmente, conhecer a casa e, principalmente, a cozinha do chef Tsuyoshi Murakami. Gostei de cara.  Grandes vidros deixam entrar a luz natural que ilumina os salões.  Não tenho dúvida de que, com exceção do Krug Room (quer saber mais? Clica aqui), não pode haver ali melhor lugar que no balcão. Dali acompanhamos o preparo dos pratos, numa cena que chegou a me lembrar o l’Atelier Robuchon, em Nova York. Tudo flui com naturalidade do lado de lá. Depois de um pré-preparo cuidadoso, as receitas são montadas com incrível facilidade e desenvoltura pela equipe.  Caldos, temperos e outras iguarias ficam ao alcance das mãos. Um ou outro pratinho dá um pouco mais de trabalho, exigindo finalização em um forno, ou acabamento na cozinha. Mas quase tudo acontece ali, na sua frente.

O prazer da comida, como tudo, também passa pelos olhos. Sim, beleza é fundamental. Ainda que eu devore com enorme prazer uma feijoada ou um espaguete à bolonhesa, que não são lá tão bonitos assim, adoro apresentações cuidadosas de pratos. Nisso, os japoneses são campeões. No Kinoshita não é difente. ver os caras montando os pratos não só os tornava mais belos como já aguçava o paladar.

Assim, atento ao que se passava do lado de lá do balcão, tive uma refeição memorável. Tudo começou com um kaki wakame su, que são ostras em wakame com shissô e gema de ovo, tudo bem temperadinhos com várias coisas, entre elas tabasco.

E foram vindo pratinhos (aliás, a louça, japonesa, é linda, e valoriza ainda mais as construções do chef): sunomono de lichia com vinagrete de pepino japonês, polvo lula e vieira ao creme de missô, sushis de peixe fresquíssimo com cortes precisos e impecáveis, ovas curadas no sal com nabo (na foto), usuzukuri de peixe branco ao ponzo…

Tudo delicado, incrível. Acampanhamos tudo com um belo saquê, e depois uma cervejinha, Kirin, claro. E encerramos com um doce incrível, um doce de consistência única recheado com brigadeiro. Desconfio que as crianças devem adorar, pelo textura e pelo sabor. É um doce lúdico.

São tão belos os pratos que merecem um post como o do eñe e o do Marina Búzios.

Vale uma visita ao site, para entender um pouco mais da filosofia da kappo cuisine, adotada ali.

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