Málaga: um leitão da pesada

Augusto Vieira e o seu leitão: sucesso absoluto, com fila na porta

Por mais pena que tenha das vítimas deste infanticídio suíno, sou louco por um leitãozinho. A carne macia e suculenta, a pele crocante e o sabor delicado deste bichinho, muito próprio a receber temperos, já me fez desviar o caminho numa viagem por Portugal só para explorar os restaurantes de Mealhada, a terra do leitão da Bairrada (não se engane, o Pedro dos Leitões tem mais fama, mas o melhor é mesmo A Meta dos Leitões, logo ao lado). Com o mesmo nobre propósito de me deliciar com leitões visitei o que é considerado o restaurante mais antigo do mundo, o Sobrino de Botín, em Madri, inaugurado em 1725 (reza a lenda que os leitões, chamados ali chochinillo, são assados no mesmo forno desde a inauguração da casa). Também assim me perdi pelas estradinhas que conduzem às zonas rurais de Tiradentes, em Minas Gerais, atrás do que é considerado o melhor leitão pururuca do Brasil, o preparado na Pousada Villa Paolucci. O cozinheiro da casa desenvolveu um aparelho para fazer a pele do bicho pururucar, uma forte fonte de calor que transforma o toucinho em torresmo em segundos, um espetáculo.
Esses três leitões citados aí em cima são famosos, muito famosos. E fazem jus à fama, são mesmo excelentes, inesquecíveis, sublimes. Mas eu posso te contar um segredo que eu descobri há pouco tempo? No restaurante Málaga a quinta-feira (e também noutros dias, sob encomenda) é o dia de leitão à pururuca. Isso não seria nada demais, se não fosse o fato de que leitão do Málaga é tão bom quanto esses todos aí de cima. Não fica a dever nada a ninguém. O bichinho é levado inteiro à mesa e cabe a você escolher o corte que preferir. Prove primeiro o pernil, depois peça a paleta e termine devorando um naco de costelinha, aquela carne enlouquecedora presa ao osso por um lado e com o torresminho do outro.
Percebi que leitão ali é coisa séria quando o cearense Augusto Vieira, o Seu Augusto para os mais chegados, foi até a minha mesa para falar do preparo, os melhores pedaços, essas coisas. O porquinho é assado por oito horas, ganhando uma consistência daquelas que dispensam a faca, daquelas que, como diria certo vendedor de milho que vi na Bahia “tão macio que até ‘benguela’ come”. Papo vai, papo vem, ele me contou que também estivera nos três restaurantes que eu citei, justamente para pesquisar as melhores maneiras de se preparar o bicho. Ele, que passou por endereços tradicionais da cidade, como o João de Barro, o antigo Real Astória e o também finado 14 Bis, no Santos Dumont, me contou que todos os anos viaja pelo mundo e pelo Brasil, para comer e trazer novidades para o seu restaurante e aperfeiçoar o que já existe no cardápio.
O leitão me seduziu por completo, mas o lugar também reserva outras muitas boas surpresas. A começar pelo labskaus (já falado aqui neste blog). O Málaga é um restaurante certeiro para uma boa refeição no Centro. É honesto, não inventa, trabalha com clássicos. Há sempre alguma novidade em cartaz, para não deixar ninguém enjoar dos pratos do cardápio fixo e das sugestões do dia. Receitas substanciosas estão entre as mais recomendáveis, ótima pedida para esses dias frios como hoje. A paleta de cordeiro cozida lentamente vai muito bem com o risoto milanês. E fez fama o kasseler mit kartoffel salat (traduzindo, o nosso bom e velho carré defumado com salada de batata). O menu é bem clássico, com pratos italianos, portugueses, espanhóis, alemães e franceses. E a carta de vinho me pareceu bem ajustada à proposta, com algumas opções em taça. É um lugar para se ir e voltar, ir e voltar, ir e voltar.

Publicado em 16/7/2009

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6 Respostas to “Málaga: um leitão da pesada”

  1. Nico Says:

    É HEXAAAAA BRUNO!!!!!

  2. Guilherme Biazzi Nogueira Says:

    Meu Caro Amigo Bruno,
    Estou louco à procura e hotéis bons e baratos no Rio de Janeiro. Será que poderia me ajudar ?! Estou indo com a minha namorada no começo de Janeiro.
    Grato Pela Atenção,
    Guilherme.

    • brunoagostini Says:

      Olá, Guilherme. Ando bem ocupado até quarta. Vou tentar responder antes, mas se não conseguir, na quarta eu te escrevo.

  3. Luca Says:

    Nosa, Málaga é um restaurante que eu tenho que riscar da minha listinha.

    Bruno, que tal um post com os restaurantes clássicos do Centro, tipo Cedro do Líbano, Málaga e etc?

    Guilherme,
    Tem um hotelzinho fofo e simples do lado da minha casa chamado hotel Santa Teresa que cobra uns R$120-150 a diária (um albergue na zona sul vai te custar, no mínimo, uns R$ 35). É no Bairro Peixoto, que é dentro de Copacabana mas é uma região super calma, perto do metrô e da praia.

    Bjs

  4. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Málaga […]

  5. Ana Almeida Says:

    Nossa gente fomos nesse fim de semana na Villa Paolucci la em Tiradentes e comemos o famoso leitao a pururuca. Nosso grupo tinha 14 pessoas (paulistas, mineiros e cariocas). Desses, 7 passaram muito mal. Eu apos 4 horas do almoco vomitei durante 2 horas, quase 10 vezes. Nunca vi coisa igual. No dia seguinte liguei para la e ninguem pode me atender pois estavam preparando almoco para mais 50 pessoas. Coitados!!!!!

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