La Goulue: Paris em Copacabana

Não dá mais para segurar, explode coração...

No fim da noite um casal, como que contratado pela casa para reforçar o caráter romântico do lugar, usou o palco para trocar juras de amor. Ele, um francês, ajoelhou-se. Disse algumas palavras, emocionado. Ela, brasileira, sentada na cadeira ocupada anteriormente pela cantora, fazia sinal de negativo com a cabeça, como que atordoada. Choraram. Abraçaram-se, beijaram-se. Foi bonito de ver. Pelo que entendi o rapaz volta pra França. A moça fica. Parece que vão se casar.
Se aquilo é teatro eu não sei. Mas se for verdade eles escolheram o lugar certo para a despedida – ainda mais em se tratando de algum francês. O restaurante La Goulue, em Copacabana, forma com a creperia Le Blé Noir, logo defronte, um dos enclaves mais franceses do Rio. Dá mesmo para se sentir um pouco na França em plena Xavier da Silveira – dos dois lados da rua.
O restaurante tem algumas particularidades. O chef Patrice Reignault, francês, é claro, desfila um repertório do cancioneiro popular de seu país em algumas noites. Noutras, músicos convidados sobem ao simpático e pequenino palco, com capacidade máxima para duas pessoas, acredito eu – bateria não cabe. A decoração tem um quê de cabaré, com pesadas cortinas vermelhas, velas, espelhos e quadros retratando a boemia parisiense.
Patrice chegou não faz muito tempo ao Brasil. Deixou para trás a sua estrela no Guia Michelin, adquirida no restaurante Des Peintres, que manteve até dois anos atrás, em Cagnes sur Mer, na Côte D’Azur. Coisa fina. Ele bolou o cardápio e eventualmente deve até manejar as panelas. Mas a cozinha hoje é comandada por uma jovem e muito simpática chef, que tem por hábito ir à mesa dos clientes saber o que achamos. Mostra boa técnica, alcançando um ponto correto nas carnes e equilíbrio nas receitas. O cardápio tem ícones franceses, a começar pelos patês do couvert, com pães caseiros quentinhos. Omeletes e suflês podem satisfazer os que estão com pouca fome. Para uma investida maior, há uma boa variedade de pratos, embora a lista não seja muito grande (ainda bem). Há peixes, cordeiro, pato, coq au vin, boeuf bourguignon… Patrice prefere controlar o salão, o que faz com cordialidade, agradavelmente.

O palquinho: Toda a noite é um tal de Charles Aznavour para cá, Ne me Quite pas para lá

Nem precisa dizer que o repertório musical é de clássicos franceses – seja lá quem se apresente. Toda a noite é um tal de Charles Aznavour para cá, Ne me Quite pas para lá. A cantora daquela noite, sensível, ficou visivelmente emocionada ao cantar Ne me quite pas. Depois confessou que foi por causa das carícias que tomaram conta do pequeno salão ao momento.
A carta de vinhos não é muito extensa, mas bem adequada à proposta da casa, o que significa o foco nos rótulos franceses, próprios para serem combinados com os pratos.
Saí com vontade de voltar. Queria ver o chef em ação. No palco, mas também na cozinha.
Nunca estive em Paris. Talvez seja até por isso. Mas por uma noite me senti num bistrozinho típico de Montmartre ou do Marais. Até porque o garçom, francês, mal falava português. Eu que tampouco falo a língua dele tive a mesma dificuldade em me comunicar com ele como teria em Paris. Será que ele fala português e, assim como o casal, estaria só criando um clima? Pode ser, pode ser.

Publicado em 26/4/2009

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Uma resposta to “La Goulue: Paris em Copacabana”

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