Archive for fevereiro \26\UTC 2010

Todas as histórias de Dubai

26/02/2010

Meus taxistas em um hotel de Muscat, capital de Omã

Ontem saiu no Boa Viagem, do Globo, a matéria sobre o Cruzeiro por Dubai.

Deixo aqui o link para a versão virtual da reportagem, que traz extras como galeria de fotos e link para os posts no Blog de Bordo, que fiz durante a viagem.

E abaixo estão os links para os posts que fiz aqui pro Rio de Janeiro a Dezembro.

Dubai vamos nós

O Dia em que a Banda de Ipanema me obrigou a comprar um tênis em Dubai

Quem diria: e não é que Omã e o Rio de Janeiro se parecem um bocado?

Saara ou os mercados árabes?

Cheguei

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Bondinho do Pão de Açúcar promove eleição curiosa

24/02/2010

O Pão de Açúcar de brioche do Traiteurs de France

Hoje subi e desci o Pão de Açúcar, rapidinho. Fui lá participar de uma votação. A empresa que administra o bondinho resolveu lançar a eleição para eleger um pão doce para representar a montanha símbolo do Rio de Janeiro e do Brasil. A curadoria é da querida Alice Granato, o que me fez não pensar duas vezes antes de aceitar o convite para ser jurado.
Comi umas coisas bem gostosas. A Escola do Pão serviu uma massa de abóbora ótima e leve, recheada com goiabada, que também pode ser servida salgada, com queijinho ralado por cima. Já o Talho Capixaba apresentou um folar, pão típico português, rechedo com figos. O La Pain au Lapin preparou uma delicada massa, lembrando brioche, recheada com banana. Enquanto isso, o pessoal da ótima Da Casa da Táta criou um pão de mandioca e arroz, polvilhado com farofa (de mandioca) e com um caldinho que dá uma caramelizada na parte de baixo da massa, sensacional. Uma delicadeza, que pode ser servida pura ou com recheios de queijos ou embutidos (fiquei imaginando uma bela mortadela ali dentro). O Garcia & Rodrigues levou um incrível folheado com recheio de maçã. Delícia. Mas acho que folheado, como bem lembrou uma jurada amiga, não é pão. Legal também era o brioche, no formato do Pão de Açúcar com o Uorro da Urca da Traiteurs de France. Só faltou o bondinho. Também adorei o pão de banana passa a castanha do pará, feito sem nenhum gordura, de maneira muito natural, da Jurema. Delícia, o pão e ela, uma simpatia. E, depois fui saber, pelo Gustavo Pinheiro, que ela era backing vocals da Maria Bethânia (quando ela ainda usava coro nos shows). Morri ainda mais de amores por ela, que faz pães sob encomenda e fornece, entre outros lugares, para o Mundo Verde (bem que eu conhecia aquele sabor). Também curti o pão da Brasserie Rosário.

E é sempre lindo subir o bondinho, ver a cidade do alto, e pensar: que caras de sorte somos os cariocas 😉
Melhor ainda se você reencontrar amigos queridos: tava todo mundo lá.
E, ainda mais gostoso, se fizer isso com uma tacinha de espumante na mão.

E não é que minha manhã foi bem divertida?
Só não precisava estar tão quente (aliás, tá na hora de colocar ar condicionado no bondinho, porque estava insuportavelmenete quente. Fico imaginando um russo ali dentro. Pode até morrer…).
Socorro!!!!!!!!!

Sabe que já tô ficando com vontade de chegar o inverno. Hummm. Buenos Aires, Mauá, Teresópolis… me aguardem.

E aqui deixo o link para quem quiser participar da votação ou simplesmente ver todos os candidatos.

Tour Laguiole: uma tarde gostosa no MAM

24/02/2010

Se este texto fosse escrito há duas semanas, poderia começar assim. “Entre todas as boas refeições que fiz em 2008, a melhor, sem qualquer dúvida, foi o menu degustação do Laguiole”. Então eu falaria dos acertos do chef  Pedro de Artagão, que é um rapaz jovem, estudioso, caprichoso, criativo e simpático. Acontece que em duas sextas-feiras passadas eu jantei no Tomo 1, para muita gente boa simplesmente o melhor restaurante de Buenos Aires, e no Le Pré Catelan, um menu do chef três-estrelas Michelin, Patrick Bertron. Fiquei mesmo em dúvida: não sei que refeição foi melhor, se o almoço no Laguiole, o jantar no Tomo 1 ou no Le Pré Catelan. Confesso que não sei dizer. Mas então dá para imaginar como curti o almoço no restaurante do MAM, sob a bênção de uma dessas tardes gloriosas do outono-inverno carioca, que, cá entre nós, são mais belas que as noites de Buenos Aires.
Pedro tem claramente um grande respeito pela gastronomia. Sua onda agora é recriar receitas clássicas, brincar com as referências, moderadamente. Faz isso com esmero, buscando de verdade a valorização dos ingredientes – sempre com cuidado na apresentação dos pratos, que rendem belas fotos. Seu filé de peixe é grelhado só de um lado, para preservar o frescor e delicadeza de sabor.
Quem tiver tempo pode escolher o Tour Laguiole, com 10 pratos, que foi o que fiz, ou o menu degustação, com quatro pratos, mais queijos e sobremesa. O almoço começou com um bolinho de bacalhau que, único deslize da refeição, estava um pouco gorduroso. Mas o molho tabasco caseiro conseguiu me animar bastante. Em seguida um carpaccio muito bem executado, com carne levemente curada a frio, em fatias pouco mais grossas que o habitual, que serve de base para lascas de grana padano e uma espécie de farofinha de pão, que dá uma agradável crocância. Dois riscos de uma molho meio bernaise complementam a receitas com um montinho de brotos de agrião. Em seguida, um dos pontos altos, uma releitura da ceasar salad, só que com uma delicada lula empanada no panco em vez de frango (muito, muito melhor mesmo). Um molho escuro, tendendo ao doce, desenha o prato, que ainda leva uma folhinha de alface, fios de azeite e umas pitadinhas de flor de sal. Foi uma das melhores coisas de todo este circuito.A coisa foi ficando mais séria quando chegou um camarão boiando num creme espesso e saboroso, coberto com uma palha de alho poró crocante e uma cebolinha francesa em delicadas fatias. O camarão, bem grande, estava grelhado corretamente, com aquela textura que explode na boca com a pressão dos dentes. Outra referência clássica veio logo: um linguado ao thermidor servido com molho leve, uma delicada gelatina de tomates e uns pedacinhos de limão. O passo seguinte foi um belo e carnudo escalope de foie gras com purê de baroa e uns molhinhos adocicados, incluindo um inusitado doce de leite, que caiu muito bem, aliás.
O outro capítulo era mais uma releitura. Servido num prato negro que valoriza a composição, Pedro apresenta um talharim à carbonara com Parma crocante e uns pedaços de grana padano. Já o cordeiro (na foto)veio impregnado da cultura árabe. As costeletas grelhadas só a ponto de criar uma pequena camada de carne selada, todo o resto com aquele vermelho suculento, levemente sangrando. Ao seu lado um creme de berinjelas bem temperado, folhas de hortelã crocantes, uma geléia desta erva, uns montinhos de coalhada com azeite e aquela cebola frita por cima. Delícia mesmo.
A primeira sobremesa remetia ao filme Estômago, dois punhados de cremes com textura similar, um de goiabada outro de gorgonzola. Aí veio uma tortinha de limão, como dizer?, desconstruída. Sobre uma base de delicada massa, um creme de limão com raspinhas de sua casca e um marshmellow queimado com maçarico ao lado. Então uma colher de brigadeiro denso e escuro, salpicado com flor de sal, chegou antes do circuito se encerrar com banana frita, caramelo e sorvete.
Quer dizer, havia quase acabado. No fim não deixe de pedir um chá, feito com ingredientes frescos que passeiam pelo salão num carrinho: capim-limão, cardamomo, hortelã…
Depois passeie pelo museu. E feche a tarde vagando pelo Centro.

Publicado em 29/6/2009

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Como é que eu nunca tinha ouvido falar no labskaus?

23/02/2010

Cardápio à porta do restaurante Faria, no Centro do Rio, anuncia o prato feito com carne curada e batata

Fuçar novos e velhos restaurantes é um dos meus passatempos favoritos, já deu para perceber. Não resisto às sugestões dos amigos, às dicas dos jornais e revistas, às novidades. Há poucos dias o querido Julio, um dos meus leitores mais fiéis, deixou aqui um comentário: “Bruno, na Rua Teófilo Otoni (paralela à Marechal Floriano), tinha um alemão que fazia um frango defumado com pure de maçã… Nossa…era dos Deuses”.

Segunda, no começo de uma tarde fria, achei conveniente investigar.
Subi a Ouvidor, desci pela Quitanda, atravessei a Presidente Vargas e peguei a Rua da Candelária para começar a percorrer a Teófilo Otoni sem pressa.

Parei primeiro para ver o cardápio do Mocambo, um desses restaurantes com pinta de antigo, ao lado do Píer 22, um boteco que me apeteceu (dia desse volto lá). Segui caminhando, reparando nos restaurantes. Notei o forte acento alemão do restaurante Málaga: apesar do nome, o cartaz à porta indica que os pratos germânicos estão entre as especialidades da casa. Será que o Julio falava do Málaga? Vou procurar mais um pouco. Andei mais alguns passos até ver de longe um boneco com pinta de tirolês na porta de um restaurante. Era o Faria. Percorri o cardápio à porta, do tipo chama-freguês, cheio de especialidades alemãs, e decidi entrar. Talvez seja este restaurante a que o Julio se referia.

Enquanto procurava um lugar para me sentar defronte à TV que passava o Globo Esporte (porque eu queria rever os gols do Mengão, líder do Brasileirão), encontro um amigo dos tempos de pós-graduação em fotografia, o Luiz Régulo, sujeito boa praça, apreciador de botecos, assim como eu (o Luiz é fã ardoroso e freqüentador do Picote, no Flamengo, que eu ainda não conheço, uma das mais graves falhas no meu currículo).
Estávamos os dois sós, então, dividimos a mesa. Luiz trabalha ali perto e disse que almoça sempre ali. Vi pratos vistosos chegando às mesas vizinhas e tive a certeza de que comeria bem.

“O que você me recomenda, Luiz?”, perguntei.

“Eu sempre peço o labskaus”, me respondeu direta e laconicamente.

“E o que é isso?”.

Abre parêntese. O labskaus, fui saber depois, é aquele prato que aparece no fundo da foto que ilustra este post. Não dá para ver direito. Vou voltar lá logo. Aí, retomo o assunto com uma foto mais detalhada. Fecha parêntese.

“É um prato alemão tradicional. Eles marinam durante uns 15 dias a carne de boi. Depois, moem e misturam com um pouco de batata cozida e temperos diversos. Fazem uma espécie de hambúrguer e servem com dois ovos frios em cima, com uns pepinos em conserva ao redor. Era o prato clássico do Ficha, um restaurante alemão tradicional que funcionava bem aqui em frente. Quando fechou, há uns 10 anos, o cozinheiro e muitos garçons vieram trabalhar aqui no Faria. Aí, touxeram os principais pratos”, explicou.

Vi o preço, R$ 23: “É neste que eu vou”.

Não me arrependi nem um pouco. Mais que isso, adorei. E pretendo voltar lá para provar de novo o prato. Delicioso.

Joguei um pouquinho de pimenta do reino sobre tudo e tive 15 minutos de prazer degustando a, para mim, novidade.

Como é que eu nunca tinha ouvido falar no labskaus?

No fim, perguntei ao garçom sobre o Ficha. Descobri que ele fechou, na verdade, há apenas três anos. Era um clássico da área. Assuntei sobre o pato com purê de maçã:

“Um dia, quem sabe, seja incluído no cardápio. Temos vontade”.

Então, caro garçom, que seja feita a vossa vontade.

Publicado em 27/6/2008.

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Balanço final do carnaval carioca

22/02/2010

Foliã (ous eria foliã?) no desfile da Banda de Ipanema, no sábado de carnaval: Rio de Janeiro tascou títulos de Salvador e Recife

Agora, sim.
Já passou o desfile das campeãs, o Monobloco já travessou a avenida Rio Branco arrastando a multidão que ainda queria folia. E o ano, enfim, começa de verdade.
Sim, acabou o carnaval, deixando certo rastro de tristeza mas também muita alegria. Que bom que não tem mais bloco aqui na rua, penso. Que bosta não ter mais bloco aqui na rua, retruco comigo mesmo…
Enfim, passou. E foi bom e ruim.
O Rio já sapecou de Salvador o título de maior carnaval de rua do Brasil, com três milhões de foliões brincando na cidade, contra uns 2,5 milhões na capital baiana.
Que os nordestinos não se abalem. Mas tascamos também de Recife o troféu de maior bloco de carnaval do planeta. O Cordão do Bola Preta teve mais gente que o Galo da Madrugada em 2010. Quer dizer, mais gente eu não sei: dizem que foram 1,5 milhão lá e outras 1,5 milhão de pessoas aqui. Não tenho dúvidas de quem em 2011, se os pernambucanos não recrutarem turistas nas vizinhanças, o Bola fatura essa. É preciso lembrar que até bem pouco tempo o Bola levava uns 300, 400 mil só. Com este crescimento absurso do carnaval de rua carioca, o bloco cresceu (e nem foi na mesma proporção, se fosse, hoje o Bola teria umas 15 milhões de pessoas atrás dele).
“Quem não chora não mama/ Segura meu bem a chupeta/ Lugar quente é na cama/ Ou então no Bola Preta”.
Aliás, que o galo ponha as cristas de molho: o Monobloco já tá reunindo umas 400 mil pessoas…
Acompanhando o desfile das escolas de samba fiquei certo, mais uma vez, que as escolas do Grupo de Acesso do Rio são infinitamente melhores que a primeira divisão das agremiações de São Paulo. Vai Vai, Leandro de Itaquera, Mancha Verde, Gaviões da Fiel, pelo amor de Deus, não dá. Também, num lugar que transforma torcida de futebol em escola de samba, você vai esperar o quê, meu? Nem a Charanga Rubro-Negra, que fazia música de verdade, virou escola de samba…
Pronto, agora que já exercitei o meu orgulho carioca, vamos olhar pro nosso umbigo.
 
Como em tudo, o Choque de Ordem trouxe coisas positivas e outras negativas ao carnaval. No balanço final, foram mais ações boas que ruins.
 
A sujeira foi terrível, uma vergonha. E, nisso, nem dá para culpar a prefeitura. Não há Comlurb que dê jeito de limpar essa porcalhada toda. Qunta falta de educação.
Mas, nisso tudo, sabe o que seria engraçado, se não fosse trágico. Pior é ver os gringos, educadinhos em suas cidades, jogando lixo no chão, como essa gente sem educação que larga garrafas, cocos e palitinhos de sorvete na praia, que joga papel de bala no chão…
Depois da prisões dos mijões, é hora de agir contra os que jogam lixo na cidade: isso, aginal, também é um ato obsceno. Ou não é?
 
Agora, comentando alguns comentários que apareceram aqui.
Sobre as águas geladas. Eu, pessoalmente, prefiro assim, bem fria mesmo. Logo antes do carnaval a água estava muito quente, nem refrescava, e deixava a praia muito desconfortável, com aquele calorão, sem uma frizinha gelada. Com as águas frias, sopra sempre um ventinho refrescante.
Outra coisa boa da água gelada é que ela é bem mais limpa, vem de correntes antárticas e por isso, são tão frias. Isso acontece porque, basta olhar o mapa do Brasil para perceber, o Rio (Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios, mais precisamente) estão bem numa esquina do país. Quando encontram resistência no continente, esses correntes sobem, no fenômeno chamado ressurgência, que traz muitos nutrientes também, dá as águas muito geledas e com muitos peixes e frutos do mar que vemos na Região dos Lagos. Isso se reflete também no Rio, às vezes com mais, às vezes com menos intensidade.
O que não gosto é da maré vermelha, que deixa a água feia. Ainda bem que foram só uns dias.
Também deram parabéns à Antártica. Eu não faria isso. O que a Ambev fez foi uma bela ação de marketing, que só merece aplausos dos diretores da empresa. Acho que investiram pouco pelo retorno de mídia que tiveram (e ainda venderam muita cerveja, porque estavam impondo um monopólio aos ambulantes, o que não funcionou).
Conversei com alguns venderdores que disseram que compraria a R$ 0,70 a lata para vender a R$ 2, mas estavam tendo que comprar em supermercado.
Então, para o próximo ano, para dar parabéns à Antártica é preciso que eles:
– Tripliquem a quantidade de banheiros químicos.
– Façam a limpeza diária deles.
– Não instalem aqueles curraizinhos ridículos.
– E, de fato, façam uma distribuição de cerveja a R$ 0,70, para que se venda pelo preço anunciado nos isopores, apagados neste ano.
Aí, se eu acordar de bom humor, posso até dar os parabéns a eles.
Hoje, ao contrário, só tenho queixas à cervejaria.
Mais uma coisa: o Afroreggae, gigante, precisa serguir os passos do Monobloco e passar a desfilar no Centro. Em Ipanema, não dá mais.

E agora chega: só falaremos de carnaval lá para outubro, combinado?
Mas de samba, não. De samba a gente fala sempre.
Então, hoje vamos dar um pulo lá na roda da Pedra do Sal?

Sambotafogo: valeu, Juarez Becoza!

21/02/2010

 

Rissoles do Gracioso, os melhores do Rio: cronista me apresentou este e muitos outros botecos

Primeiro, caro leitor, tal você, lendo, eu seguia as dicas dele, revelando botecos obscuros para mim, como o 28 (ou Pastoria) e o Gracioso, ignorados até estamparem as páginas do Rio Show.
(O Gracioso é o bar da foto, que serve os melhores rissoles do Rio, com recheio delicioso de camarão)

Depois, através de um amigo comum, acabei apresentado ao Juarez Becoza, cronista dos botecos cariocas, o melhor deles atualmente ao lado do Moacyr Luz, de quem também me tornei amigo, orgulhosamente, depois de ser fã por tempos, como fui do Juarez.

Para ele cheguei até a sugerir umas pautas e ajudar nas reportagens, com fotos e informações, como na do balcão do Rio Minho, na do bar da Colônia de Pescadores, em Búzios, na do Caldinho de Piranha, em Teresópolis, e na do Trailer do Lapinha, que serve o melhor e mais barato camarão casadinho (e lula recheada) de Paraty.

Hoje o cara me revelou mais um segredo (segredo, aliás, depois do título da Tijuca, está na moda, né?). É o bar do Botafogo, que às terças abre para não sócios, quando rola uma roda de samba de primeira.

E, falando em futebol… Hoje, Vasco e Botafogo decidem quem é o vice dos vices. Porque o campeão, o rei do Rio, o maior time do mundo, a gente já sabe quem é, não é?

Voltando ao samba de Botafogo, na quarta tem outro ótimo, também em um clube, o Guanabara, que tem um dos melhores botecos do Rio, o Bar da Rampa (que já foi também motivo de crônica do Juarez – e minha também – mas esse eu já conhecia antes de ele me contar). O bar fica de frente para o mar da Enseada de Botafogo e, além de petiscos marinhos variados, serve cerveja gelada. E a roda de samba é ótima, com direito até a recitais de poesia (na última vez que fui a Elisa Lucinda falou umas coisas bonitas no intervalo). Vale muito a pena.

Já dá quase pra fazer uma matéria: samba nos clubes de Botafogo.

Ou samba nos clubes da cidade: ainda tem o Renascença, no Andaraí, o Santa Luzia, no Centro, e deve haver outros, alguém sabe?
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Dona Irene, em Teresópolis: refeição de czar

19/02/2010

Frango à Kiev, um clássico da casa: só tome cuidado para não se queimar com a manteiga quente do recheio

Na semana passada saiu no Boa Viagem uma matéria sobre a Teresópolis-Friburgo. Reportagem que eu queria fazer há tempos, falando dos restaurantes, do queijo de cabra e das outras coisas gostosas deste caminho.
Aproveito para republicar aqui a parte que fala do restaurante Dona Irene, um dos meus preferidos. Vou lá desde criança e junto com o Antiquarius este lugar me fez entender como é bom comer comida boa. Me ensinaram, ainda, o que é um grande restaurante. E estão lá eles, desde sempre, com estrelas muitas. Só para citar um exemplo, lá se vão mais de 20 anos que eles ostentam, respectivamente, duas e estrelas no Guia Quadro Rodas, a principal premiação gastronômica do país, talvez a única com algum valor.
Ambos fazem isso com a mesma fórmula antiga: cozinha honesta, sem chef e coisas assim, regularidade, respeito às tradições, serviço elegante.
Dona Irene exibe um predicado extra: ninguém no Brasil serve comida russa, muito menos daquele modo, na escolta de uma vodca caseira sublime.
É um lugar para se ir, e voltar, e voltar, e voltar.

Na mesma matéria falo, ainda, do restaurante Camponesa da Beira, já tratado aqui neste blog.
E, para ler mais umas dicas de Friburgo, deixo este link aqui.


 

A primeira coisa a se fazer é ligar para fazer uma reserva. Nesta hora, você precisará escolher o prato principal, que pode ser um frango à Kiev, um estrogonofe, os mais pedidos, ou ainda o pojarski (uma almôndega de frango com gorgonzola), o varênique (sensacionais pasteizinhos cozidos com recheio de batata), o caquille (uma espécie de suflê de peixe) entre outras (poucas) receitas. O segundo passo é reservar pelo menos três horas para o banquete.
Quando chegar ao casarão no bairro do Bom Retiro, em Teresópolis, saiba que ali funciona uma das melhores cozinhas do país. Especializado na culinária russa pré-revolução, o restaurante Dona Irene serve uma longa refeição digna dos czares. Só esta farra gastronômica já faz valer uma visita à cidade.
Assim que se sentar à mesa, peça uma garrafinha da vodca feita na casa (a Nazdarovia, que pode ser comprada para levar), um segredo guardado a sete chaves por Maria Emília, a dona, que se tranca em um cômodo para preparar a bebida, sem que ninguém veja o destilado que é a melhor companhia para a primeira etapa do banquete.
As garçonetes logo se apresentam com os pratinhos, tão delicados quanto saborosos. São os chamados zakuskis: canapé de ovo com caviar, arenque, salmão, salada (russa, é claro), patê de fígado e outras coisinhas que variam regularmente, porque há sempre alguma novidade no menu. São, pelo menos, dez porções diferentes.
Depois chegam à mesa as entradas quentes, hora de mandar descer uma garrafa de vinho tinto. Asinhas de frango crocantes, rolinho de abobrinha com queijo e outros delicados pratinhos são servidos antes do grand finale desta etapa: bolinhos de carne de massa leve e delicada e o borsch, uma sopa de beterraba que faz um bem danado ao corpo e à alma, benefícios ainda maiores quando mergulho os tais bolinhos no caldo rosado e os levo à boca gotejando (melhor evitar camisas claras).
Daí, chega o prato principal, que você escolheu lá no início.
E, entre as sobremesas, a de nozes com chocolate é a minha preferida, mas é linda também a cassata de pitanga (não sei se este o nome, mas é por aí, um doce gelado e cremoso com este frutinha brasileiríssima).
Se você fizer apenas uma refeição em Teresópolis, que ela seja na Russa, como alguns chamam o restaurante. Mas a cidade, se não chega a ser nenhuma Petrópolis, com seus tantos restaurantes estrelados, também é muito bem servida no quesito cozinha.

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O carnaval, o verão e o choque de ordem (e viva Paulo Barros)

17/02/2010

Cordão do Boitatá, na manhã de domingo: sol, fantasias, água de mangueira e fila nos banheiros

Acabou.
E foi bom, mas ainda há muito a se melhorar.

Não há dúvida de que a prefeitura se esforçando para ordenar o carnaval teve um resultado altamente positivo. Muita gente ainda mijou nas ruas, mas já se esboça um pouquinho de bons modos, com a maioria dos foliões enfrentando filas para ir ao banheiro.

Então, duas coisas precisam ser feitas para que em 2011 festa de Momo seja ainda melhor no Rio:
– Colocar mais banheiros químicos (pelo menos o dobro).
– Limpar os banheiros químicos todos os dias.

Outro problema deste ano foi o mau cheiro – e olha que teve muito menos xixi, hein. Em Ipanema, por exemplo, onde desfilam muitos e grandes blocos, a pista junto à praia, que virou uma zona nos anos anteriores, com um monte de gente acampada, motando barracos e vendendo comida e bebida, este ano estava (quase) livre desses ambulantes que, instalados na via pública, de ambulantes não tinham nada.
A coisa estava melhor. Acontece que não choveu. Então, a partir de domingo, com a sujeira acumulada, juntando com o fedor dos banheiro, o cheiro ficou insuportável quando o sol batia – e o sol bateu muito, todos os dias.
E esse sol foi a característica deste verão.

Enquanto São Paulo se afogava o Rio viveu gloriosamente os meses de janeiro e fevereiro (até agora, pelo menos) mais ensolarados que eu já vi. O mar, na maior parte dos dias, estava lindo – na verdade, quente demais para o meu gosto.
E não se vê, há dias, uma gota de chuva por aqui.
Só sol, só sol, só sol.
Eu, acredite, ando pedindo uma que um pouquinho de água caia do céu. Minha horta tá esturricando.

Outro ponto positivo deste verão que começa a acenar em despedida foi a vitória, anunciada agorinha, da Unidos da Tijuca.
Enfim, a criatividade e a ousadia de Paulo Barros saiu vencedora na apuração. Até que enfim.

Depois de seis anos cobrindo o desfile das escolas de samba na Sapucaí, muitas vezes com direito a presença no Grupo de Acesso e também no sábado das campeãs, em 2010 preferi fugir da Avenida. Fui em alguns blocos, mas o melhor do meu carnaval foi descansar. Por isso a longa ausência do blog.
Mas, agora que o carnaval passou e 2010 efetivamente começou, vamos ao trabalho.

O resto é bar

12/02/2010

Pastéis de feijão do Bar do Mineiro que, apesar do nome, é um boteco, e dos bons

Outro dia fui parar no Boteco Salvação, que de boteco não tem nada, é só um bar, nada mais que isso.

Então, começamos a conversar sobre o tema. Afinal, o que é um bar e o que é um boteco, o que um difere do outro.

Debatemos um pouco para que eu concluísse que boteco são aqueles tocados pelo dono, com administração familiar, sem filiais. Aqueles em que os mais chegados têm conta, aqueles cujos televisores não são de plasma e nem passam novela, só futebol. Tanto faz se serve cerveja ou chope. Boteco é o Bar Rebouças, apesar do nome. É o Chachambeer e o Original do Brás, é o Adonis, o Antigamente, o Petit Paullete,  o Bar do Mineiro, o Aconchego Carioca, o Pavão Azul, todos engordados pelos olhos dos donos.

Boteco, para mim, é isso. O resto, parodiando a canção da bossa nova, o resto é bar, é Belmonte, é Devassa, é Informal…

Novo menu do Le Pré Catelan: trilogias e pratos finalizados à mesa

10/02/2010

Torradinhas, grissinis folheados com gergelim, manteiga, azeite... o começo é o mesmo de sempre

Sou fã incondicional do Roland Villard. Já fiz umas 20 refeições no Le Pré Catelan, nas mais diversas situações. Comemorando uma data especial, apurando uma matéria, participando de degustações de vinhos, trabalhando pelo Guia Quatro Rodas, convidado para jantares com a participação de chefs estrangeiros ou para o lançamento de novos menus.
Na semana passada estive lá novamente, para provar as novidades do cardápio, que são muitas.
Roland gosta de criar trilogias, três versões de um mesmo ingrediente. Este era o mote para a nossa visita, mas havia mais.
Começamos com os grissinis de massa folheada com gergelim e as torradinhas fininhas, fininhas, lambuzadas com manteiga ou afogadas no azeite. Adoro isso, adoro, e não dispenso nunca o couvert, ao qual sempre acrescento os pães da casa, ótimos, principalmente o que leva água de maçã para ajudar na fermentação, resulando numa massa levee de casca crocante.

Amuse bouche: rolinho de pato com geleia de figo e um creme de cogumelos

Então, veio o amuse bouche, que varia sempre. Desta vez, um rolinho de pato com geleia de figo e um creme de cogumelos.

Trilogia de crustáceos...

Depois começaram as trilogias. Primeiro, de crustáceos: tartar de lagostim com manga, camarão grelhado com palmito em tiras e ravióli de lagosta.

... e agora, por outro ângulo

Agora visto por outro ângulo…

Nham nham nham: camarão sobre pupunha desfiada e ravióli de lagosta

… e mais um ponto de vista (é bonito, e é gostoso).

Trio de escargots: bom, bonito e o maior barato

Depois, saboreamos o trio de escargots. Com manteiga de ervas, a maneira mais tradicional de se preparar o molusco, em uma tortinha, com o bicho afogado em um molho cremoso, e uma torradinha, quase uma bruschetta francófila.

Trio de foie gras, com escalope sobre tapioca de goiabada, creme brulée e picolé: interpretações do mesmo fígado gordo de pato

Aí, chegou o meu preferido, o trio de foie gras. Roland é craque no preparo de fígado gordo. Ele arrasou no escalope sobre uma tapioquinha recheada de goiabada, que estava um espetáculo. O creme brulée de foie gras estava muito saboroso, com consistência e jeito de bom patê. E, para fechar a trilogia, um “picolé” em crosta de avelã. Ai ai ai…

Roland com a "picanha francesa"

Então, Roland anunciou que estava querendo resgatar algumas tradições francesas, como o cote de bouef, um corte da costela (“é o fran rack do boi”, explicou) macio, saboroso e com várias cortes agarrados ao osso, permitindo a exploração de vários sabores, texturas e graus de gordura (“esta é a picanha dos franceses”, comparou).
Depois de assar a carne na cozinha, usando forno com temperatura controlada e até termômetro para deixar a carne o tempo exato no calor, Roland invadiu o salão com a peça perfumada, ainda mais aromática por estar deitada em um leito de ervas, com alecrim, cebolinha e outras dessas plantinhas que nos fazem feliz.

Com habilidade de um gaúcho, Roland fatia a carne

Com destreza de um gaúcho de Nova Bréscia (sabia que 99% dos garçons das melhores churrascaria cariocas são de lá?), fatiou a carne em cortes não muitos finos, para valorizar a textura incrível da carne.

O cote de boeuf é servido com o melhor molho bernaise que já comi (as folhas de alface, apesar de lindas, confesso que não comi)

Eu comi uns quatro pedaços, feliz, feliz da vida. Até porque, o molho bernaise que era servido junto foi o melhor que já comi.

Articlino flamba os crepes suzettes: resgate da tradição de finalizar os pratos à mesa

A tal tradição que o Roland quer resgatar é o preparo ou finalização dos pratos na frente do cliente ao lado da mesa.Assim, encerrarmos o percurso com um crepe suzette esplêndido.

Massa leve, calda perfumada e sorvete derretendo: que mais posso querer?

Foi também, a exemplo do bernaise, o melhor que já passou pelo meu prato, preparado com perfeição pelo ótimo maitre Articlino, braço direito do Jean-Pierre, que não estava lá naquela noite (acho quer foi o meu primeiro jantar no Le Pré Catelan sem a presença dele).

Sobremesa na compania do Domaine de Coyeaux Muscat de Beaumes de Venise fica ainda melhor

Para melhorar ainda mais a sobremesa, ela foi acompanhada do Domaine de Coyeaux Muscat de Beaumes de Venise, sensacional.

Docinhos para encerrar o jantar com o café: sirva-se à vontade

Encerramos com a linda bandeja de petit fours, sempre indispensável ali.

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