Saara: a salvação dos (ainda) sem-fantasia

Não somos só nós, as ruas da Sarra também se enfeitam para a festa de Momo

Já que ontem falamos da compra de fantasias, hoje resolvo publicar este textos, de dois carnavais atrás, ainda do tempo do Direto do Rio de Janeiro.

Vocês sabem que, em alguns dos blocos mais legais da cidade, a fantasia é praticamente obrigatória, sob pena de todos os foliões te olharem como um estranho no ninho, caso do Cordão do Boitatá, que desfila domingo de manhã no Centro, e Céu na Terra, amanhã pegando o bondinho de Santa Teresa, também cedinho. Você não vai querer pagar este mico, né?
Mas quem não tem fantasia não precisa se preocupar: basta ir ali até a Saara para montar a sua. Com R$ 10 dá pra fazer a festa na mais curiosa, barulhenta, tumultuada e divertida concentração de lojas populares do Rio. Tem gente que não gosta de andar por ali. Eu adoro me espremer na multidão, sentir o calor humano (calor mesmo) e comprar coisas baratas. Nesses dias pré-carnavalescos, então, a freqüência anda especialmente agradável, cheio de gatinhas procurando as suas fantasias. Tive lá agora e já vi uma galera entornando suas latinhas, e muita gente se conhecendo. Vai lá conferir. Tá muito divertido, apesar de lotado. Tem que ter um pouquinho de paciência. Aos mais atrasados, amanhã as lojas abrem também.
Só não espere alguma organização, porque o pessoal vende de tudo. Numa mesma banca é possível encontrar camisas do Flamengo e tênis da Nike falsificados, capas para banco de carro, CDs piratas, um isopor de cerveja e refrigerantes e até mesmo um pacote de alho(!!!), talvez a única coisa que seja original. A quem busca fantasia, todas as lojas podem ter alguma coisa que sirva. Mas as duas, digamos, sumidades em carnaval são as lojas Turuna (Rua Senhor dos Passos, 122-124) e Silmer (Rua da Alfândega, 171).
Eu, que já tinha o meu chapéu panamá, bermuda branca e camisa azul, só precisei de R$ 7 para completar a minha fantasia: R$ 6 foram investidos na compra de uma medalha de São Jorge (todo o sambista é devoto de São Jorge, não é verdade?) e R$ 1 na aquisição de uma fita azul para substituir a preta “que veio de fábrica” no chapéu. Pronto. Virei o Monarco da Portela.
Se você esbarrar com um representante da Velha Guarda da Portela não tão velha guarda assim, posso ser eu. Então,vamos cantar juntos: “Ouvi cantando assim/ oôô oôô/ A majestade do samba / oôô oôô/ Corri pra ver/ Pra ver quem era/ Chegando lá era Portela/ Era Portela do Seu Natal/ Ganhando mais um carnaval/ Era a Portela do Claudionor/ Portela é meu grande amor/ Era rainha de Oswaldo Cruz/ Portela muito nos seduz/ Foi mestre Paulo seu fundador/ Nosso poeta e professor). Sou mangueirense, mas amo a Portela do fundo do coração. E o Império Serrano, a Vila Isabel, a Unidos da Tijuca e o Salgueiro. Às outras escolas devoto apenas simpatia.
Estando lá, na ausência do Penafiel (buáááááá) não deixe de provar as gostosuras das mil e uma noites servidas no Cedro do Líbano e o Sírio e Libanês, ambos na Rua Senhor dos Passos, a poucos metros um do outro. Tenho uma queda maior pelo Cedro, mas até hoje não cheguei à conclusão definitiva sobre qual dos dois eu prefiro. E acho uma delícia provar os quibes, esfihas, kaftas, folhas de uva recheadas e outras receitas árabes nesses dois endereços tão tradicionais – e parecidos. Se estiver com pressa, pode parar na frente dos restaurantes que os salgadinhos são vendidos num balcão. Outro endereço emblemático na Saara é a Charutaria Syria (quase em frente aos dois restaurantes). Quem curte pitar não pode deixar de conhecer.
Por fim, atentendo ao pedido do Guilherme Lopes, assíduo colaborador deste blog, uma breve explicação do que é a Saara, se é que a Saara tem alguma explicação, e é esse um dos seus encantos: ser o caos.
Saara significa Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega. Claro que o nome carrega também outra simbologia além da gramática. O Deserto do Saara é associado à cultura árabe. Quem não lembra da marchinha? “Atravessamos o Deserto do Saara. O sol estava quente e queimou a nossa cara. Alá-lá-ô-ô-ô-ô”. Tem tudo a ver, porque a Saara é desde suas origens predominantemente árabe. A região é demarcada entre avenida Presidente Vargas, a Praça da República, a Praça Tiradentes e a Rua Uruguaiana. É mais ou menos isso. A Saara é uma espécie de 25 de Março carioca. Melhor, uma espécie de 25 de Março misturada com Pelourinho e Palestina, já que tradicionalmente árabes, estes principalmente, com já foi dito, e judeus mantém lojas ali. É um conjunto de ruas, boa parte com casario antigo bem preservado, lotada de lojas que de tudo vendem. Centenas de barraquinhas de camelôs e ambulantes de todos os tipos vendem toda a sorte de mercadorias. Durante o carnaval as ruas ficam enfeitadas com banderinhas, máscaras e faixas. E a oferta de produtos ligados à festa multiplica-se: parece que só existem artigos de carnaval à venda. Sempre que quero comprar alguma coisa barata, qualquer coisa, é pra lá que eu vou. Fica bem no Centro. Tem até uma rádio que toca nos alto-falantes (reparou a caixa de som no meio da foto? Pois é a rádio Saara). É imperdível para quem curte estar no meio do povão.

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2 Respostas to “Saara: a salvação dos (ainda) sem-fantasia”

  1. maria ines vinheiro pereira Says:

    gostaria de saber em que loja do saara encontro chapu panama pralana vermelho(se que tem desta cor) se não qual as cores que tem e o preço

  2. anita reis Says:

    gostaria de saber onde encontro armações de asas e varios estilos e já decoradas.

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