Dona Irene, em Teresópolis: refeição de czar

Frango à Kiev, um clássico da casa: só tome cuidado para não se queimar com a manteiga quente do recheio

Na semana passada saiu no Boa Viagem uma matéria sobre a Teresópolis-Friburgo. Reportagem que eu queria fazer há tempos, falando dos restaurantes, do queijo de cabra e das outras coisas gostosas deste caminho.
Aproveito para republicar aqui a parte que fala do restaurante Dona Irene, um dos meus preferidos. Vou lá desde criança e junto com o Antiquarius este lugar me fez entender como é bom comer comida boa. Me ensinaram, ainda, o que é um grande restaurante. E estão lá eles, desde sempre, com estrelas muitas. Só para citar um exemplo, lá se vão mais de 20 anos que eles ostentam, respectivamente, duas e estrelas no Guia Quadro Rodas, a principal premiação gastronômica do país, talvez a única com algum valor.
Ambos fazem isso com a mesma fórmula antiga: cozinha honesta, sem chef e coisas assim, regularidade, respeito às tradições, serviço elegante.
Dona Irene exibe um predicado extra: ninguém no Brasil serve comida russa, muito menos daquele modo, na escolta de uma vodca caseira sublime.
É um lugar para se ir, e voltar, e voltar, e voltar.

Na mesma matéria falo, ainda, do restaurante Camponesa da Beira, já tratado aqui neste blog.
E, para ler mais umas dicas de Friburgo, deixo este link aqui.


 

A primeira coisa a se fazer é ligar para fazer uma reserva. Nesta hora, você precisará escolher o prato principal, que pode ser um frango à Kiev, um estrogonofe, os mais pedidos, ou ainda o pojarski (uma almôndega de frango com gorgonzola), o varênique (sensacionais pasteizinhos cozidos com recheio de batata), o caquille (uma espécie de suflê de peixe) entre outras (poucas) receitas. O segundo passo é reservar pelo menos três horas para o banquete.
Quando chegar ao casarão no bairro do Bom Retiro, em Teresópolis, saiba que ali funciona uma das melhores cozinhas do país. Especializado na culinária russa pré-revolução, o restaurante Dona Irene serve uma longa refeição digna dos czares. Só esta farra gastronômica já faz valer uma visita à cidade.
Assim que se sentar à mesa, peça uma garrafinha da vodca feita na casa (a Nazdarovia, que pode ser comprada para levar), um segredo guardado a sete chaves por Maria Emília, a dona, que se tranca em um cômodo para preparar a bebida, sem que ninguém veja o destilado que é a melhor companhia para a primeira etapa do banquete.
As garçonetes logo se apresentam com os pratinhos, tão delicados quanto saborosos. São os chamados zakuskis: canapé de ovo com caviar, arenque, salmão, salada (russa, é claro), patê de fígado e outras coisinhas que variam regularmente, porque há sempre alguma novidade no menu. São, pelo menos, dez porções diferentes.
Depois chegam à mesa as entradas quentes, hora de mandar descer uma garrafa de vinho tinto. Asinhas de frango crocantes, rolinho de abobrinha com queijo e outros delicados pratinhos são servidos antes do grand finale desta etapa: bolinhos de carne de massa leve e delicada e o borsch, uma sopa de beterraba que faz um bem danado ao corpo e à alma, benefícios ainda maiores quando mergulho os tais bolinhos no caldo rosado e os levo à boca gotejando (melhor evitar camisas claras).
Daí, chega o prato principal, que você escolheu lá no início.
E, entre as sobremesas, a de nozes com chocolate é a minha preferida, mas é linda também a cassata de pitanga (não sei se este o nome, mas é por aí, um doce gelado e cremoso com este frutinha brasileiríssima).
Se você fizer apenas uma refeição em Teresópolis, que ela seja na Russa, como alguns chamam o restaurante. Mas a cidade, se não chega a ser nenhuma Petrópolis, com seus tantos restaurantes estrelados, também é muito bem servida no quesito cozinha.

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5 Respostas to “Dona Irene, em Teresópolis: refeição de czar”

  1. Leandro Says:

    Ainda lembro até hoje da refeição que tive lá, imperdível, vale até para quem está nas cidades vizinhas dar uma escapada até Teresópolis só para almoçar.

  2. Leandro Says:

    Lá eu pedi estrogonofe (diferente de todos que já comi, e ótimo) e posjarki ou algum nome parecido, carne e frango num molho delicioso. A pizza da Manjericão é muito boa, mas nenhuma leva carne.

  3. Cris Beltrão Says:

    Amo o Dona Irene (e ainda me lembro da própria!!)! Gostava mais do local anterior mas o programa continua imperdível. Difícil é voltar dirigindo depois da “vodka da casa”… Me lembro de ir guardando aquela fominha (tarefa quase impossível) para os wareniki do final. Que saudade! Que bom que você falou deles! Realmente um local original e admirável.

  4. Índice de posts de cidades no Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] – Camponesa da Beira: um lugarzinho pra chamar de seu – Dona Irene: refeição de czar […]

  5. Tempero com Arte: bom, bonito e barato, um restaurante para todas as horas em Teresópolis (e o favorito da filha) « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] a ela onde ir, e geralmente cumpro as suas vontades). Não adianta eu sugerir o banquete russo da Dona Irene, as receitas ótimas de bacalhau da Camponesa da Beira, ou mesmo as pizzas delicadas da […]

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