Balanço final do carnaval carioca

Foliã (ous eria foliã?) no desfile da Banda de Ipanema, no sábado de carnaval: Rio de Janeiro tascou títulos de Salvador e Recife

Agora, sim.
Já passou o desfile das campeãs, o Monobloco já travessou a avenida Rio Branco arrastando a multidão que ainda queria folia. E o ano, enfim, começa de verdade.
Sim, acabou o carnaval, deixando certo rastro de tristeza mas também muita alegria. Que bom que não tem mais bloco aqui na rua, penso. Que bosta não ter mais bloco aqui na rua, retruco comigo mesmo…
Enfim, passou. E foi bom e ruim.
O Rio já sapecou de Salvador o título de maior carnaval de rua do Brasil, com três milhões de foliões brincando na cidade, contra uns 2,5 milhões na capital baiana.
Que os nordestinos não se abalem. Mas tascamos também de Recife o troféu de maior bloco de carnaval do planeta. O Cordão do Bola Preta teve mais gente que o Galo da Madrugada em 2010. Quer dizer, mais gente eu não sei: dizem que foram 1,5 milhão lá e outras 1,5 milhão de pessoas aqui. Não tenho dúvidas de quem em 2011, se os pernambucanos não recrutarem turistas nas vizinhanças, o Bola fatura essa. É preciso lembrar que até bem pouco tempo o Bola levava uns 300, 400 mil só. Com este crescimento absurso do carnaval de rua carioca, o bloco cresceu (e nem foi na mesma proporção, se fosse, hoje o Bola teria umas 15 milhões de pessoas atrás dele).
“Quem não chora não mama/ Segura meu bem a chupeta/ Lugar quente é na cama/ Ou então no Bola Preta”.
Aliás, que o galo ponha as cristas de molho: o Monobloco já tá reunindo umas 400 mil pessoas…
Acompanhando o desfile das escolas de samba fiquei certo, mais uma vez, que as escolas do Grupo de Acesso do Rio são infinitamente melhores que a primeira divisão das agremiações de São Paulo. Vai Vai, Leandro de Itaquera, Mancha Verde, Gaviões da Fiel, pelo amor de Deus, não dá. Também, num lugar que transforma torcida de futebol em escola de samba, você vai esperar o quê, meu? Nem a Charanga Rubro-Negra, que fazia música de verdade, virou escola de samba…
Pronto, agora que já exercitei o meu orgulho carioca, vamos olhar pro nosso umbigo.
 
Como em tudo, o Choque de Ordem trouxe coisas positivas e outras negativas ao carnaval. No balanço final, foram mais ações boas que ruins.
 
A sujeira foi terrível, uma vergonha. E, nisso, nem dá para culpar a prefeitura. Não há Comlurb que dê jeito de limpar essa porcalhada toda. Qunta falta de educação.
Mas, nisso tudo, sabe o que seria engraçado, se não fosse trágico. Pior é ver os gringos, educadinhos em suas cidades, jogando lixo no chão, como essa gente sem educação que larga garrafas, cocos e palitinhos de sorvete na praia, que joga papel de bala no chão…
Depois da prisões dos mijões, é hora de agir contra os que jogam lixo na cidade: isso, aginal, também é um ato obsceno. Ou não é?
 
Agora, comentando alguns comentários que apareceram aqui.
Sobre as águas geladas. Eu, pessoalmente, prefiro assim, bem fria mesmo. Logo antes do carnaval a água estava muito quente, nem refrescava, e deixava a praia muito desconfortável, com aquele calorão, sem uma frizinha gelada. Com as águas frias, sopra sempre um ventinho refrescante.
Outra coisa boa da água gelada é que ela é bem mais limpa, vem de correntes antárticas e por isso, são tão frias. Isso acontece porque, basta olhar o mapa do Brasil para perceber, o Rio (Arraial do Cabo, Cabo Frio e Búzios, mais precisamente) estão bem numa esquina do país. Quando encontram resistência no continente, esses correntes sobem, no fenômeno chamado ressurgência, que traz muitos nutrientes também, dá as águas muito geledas e com muitos peixes e frutos do mar que vemos na Região dos Lagos. Isso se reflete também no Rio, às vezes com mais, às vezes com menos intensidade.
O que não gosto é da maré vermelha, que deixa a água feia. Ainda bem que foram só uns dias.
Também deram parabéns à Antártica. Eu não faria isso. O que a Ambev fez foi uma bela ação de marketing, que só merece aplausos dos diretores da empresa. Acho que investiram pouco pelo retorno de mídia que tiveram (e ainda venderam muita cerveja, porque estavam impondo um monopólio aos ambulantes, o que não funcionou).
Conversei com alguns venderdores que disseram que compraria a R$ 0,70 a lata para vender a R$ 2, mas estavam tendo que comprar em supermercado.
Então, para o próximo ano, para dar parabéns à Antártica é preciso que eles:
– Tripliquem a quantidade de banheiros químicos.
– Façam a limpeza diária deles.
– Não instalem aqueles curraizinhos ridículos.
– E, de fato, façam uma distribuição de cerveja a R$ 0,70, para que se venda pelo preço anunciado nos isopores, apagados neste ano.
Aí, se eu acordar de bom humor, posso até dar os parabéns a eles.
Hoje, ao contrário, só tenho queixas à cervejaria.
Mais uma coisa: o Afroreggae, gigante, precisa serguir os passos do Monobloco e passar a desfilar no Centro. Em Ipanema, não dá mais.

E agora chega: só falaremos de carnaval lá para outubro, combinado?
Mas de samba, não. De samba a gente fala sempre.
Então, hoje vamos dar um pulo lá na roda da Pedra do Sal?

Anúncios

2 Respostas to “Balanço final do carnaval carioca”

  1. Léo Says:

    acho que nosso carnaval de rua em breve vai ter a odiosa “organização” dos blocos de salvador, com abadás de 1000 pratas, etc…será que os cariocas vão entrar numa furada dessas?

  2. brunoagostini Says:

    torço para que não

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: