Como é que eu nunca tinha ouvido falar no labskaus?

Cardápio à porta do restaurante Faria, no Centro do Rio, anuncia o prato feito com carne curada e batata

Fuçar novos e velhos restaurantes é um dos meus passatempos favoritos, já deu para perceber. Não resisto às sugestões dos amigos, às dicas dos jornais e revistas, às novidades. Há poucos dias o querido Julio, um dos meus leitores mais fiéis, deixou aqui um comentário: “Bruno, na Rua Teófilo Otoni (paralela à Marechal Floriano), tinha um alemão que fazia um frango defumado com pure de maçã… Nossa…era dos Deuses”.

Segunda, no começo de uma tarde fria, achei conveniente investigar.
Subi a Ouvidor, desci pela Quitanda, atravessei a Presidente Vargas e peguei a Rua da Candelária para começar a percorrer a Teófilo Otoni sem pressa.

Parei primeiro para ver o cardápio do Mocambo, um desses restaurantes com pinta de antigo, ao lado do Píer 22, um boteco que me apeteceu (dia desse volto lá). Segui caminhando, reparando nos restaurantes. Notei o forte acento alemão do restaurante Málaga: apesar do nome, o cartaz à porta indica que os pratos germânicos estão entre as especialidades da casa. Será que o Julio falava do Málaga? Vou procurar mais um pouco. Andei mais alguns passos até ver de longe um boneco com pinta de tirolês na porta de um restaurante. Era o Faria. Percorri o cardápio à porta, do tipo chama-freguês, cheio de especialidades alemãs, e decidi entrar. Talvez seja este restaurante a que o Julio se referia.

Enquanto procurava um lugar para me sentar defronte à TV que passava o Globo Esporte (porque eu queria rever os gols do Mengão, líder do Brasileirão), encontro um amigo dos tempos de pós-graduação em fotografia, o Luiz Régulo, sujeito boa praça, apreciador de botecos, assim como eu (o Luiz é fã ardoroso e freqüentador do Picote, no Flamengo, que eu ainda não conheço, uma das mais graves falhas no meu currículo).
Estávamos os dois sós, então, dividimos a mesa. Luiz trabalha ali perto e disse que almoça sempre ali. Vi pratos vistosos chegando às mesas vizinhas e tive a certeza de que comeria bem.

“O que você me recomenda, Luiz?”, perguntei.

“Eu sempre peço o labskaus”, me respondeu direta e laconicamente.

“E o que é isso?”.

Abre parêntese. O labskaus, fui saber depois, é aquele prato que aparece no fundo da foto que ilustra este post. Não dá para ver direito. Vou voltar lá logo. Aí, retomo o assunto com uma foto mais detalhada. Fecha parêntese.

“É um prato alemão tradicional. Eles marinam durante uns 15 dias a carne de boi. Depois, moem e misturam com um pouco de batata cozida e temperos diversos. Fazem uma espécie de hambúrguer e servem com dois ovos frios em cima, com uns pepinos em conserva ao redor. Era o prato clássico do Ficha, um restaurante alemão tradicional que funcionava bem aqui em frente. Quando fechou, há uns 10 anos, o cozinheiro e muitos garçons vieram trabalhar aqui no Faria. Aí, touxeram os principais pratos”, explicou.

Vi o preço, R$ 23: “É neste que eu vou”.

Não me arrependi nem um pouco. Mais que isso, adorei. E pretendo voltar lá para provar de novo o prato. Delicioso.

Joguei um pouquinho de pimenta do reino sobre tudo e tive 15 minutos de prazer degustando a, para mim, novidade.

Como é que eu nunca tinha ouvido falar no labskaus?

No fim, perguntei ao garçom sobre o Ficha. Descobri que ele fechou, na verdade, há apenas três anos. Era um clássico da área. Assuntei sobre o pato com purê de maçã:

“Um dia, quem sabe, seja incluído no cardápio. Temos vontade”.

Então, caro garçom, que seja feita a vossa vontade.

Publicado em 27/6/2008.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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5 Respostas to “Como é que eu nunca tinha ouvido falar no labskaus?”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Faria […]

  2. toptonerleme Says:

    Esse restaurante pertencia a uma senhora alema que o dirigia com um garcon e seu filho. Nos anos de 1980 toda quarta – feira serviam esse prato Labskau no almoco. Trabalhava proximo do local e junto com colegas de trabalho iamos almocar nesse restaurante.
    Fiquei contente que exista agora o Faria que serve o prato. Vou conferir 30 anos depois….

  3. Roberto Tremper Says:

    Meu último Labskaus no Ficha foi na década de 90. Hoje 27/09/2012 comi um no Faria. Muito bom, mas individual. Recordava-me do tamanho do prato no antigo Ficha, creio que era para mais de 2 pessoas. Também tinha em mente que tinha arroz misturado e que era com um ovo só, mas de avestruz……Quem confirma?

  4. jorge luiz Says:

    Boa noite eu sou Jorge Luiz (filho do Bernardo do bar restaurante ficha da rua tiofilo Ottoni 126 no centro rio de janeiro trabalhei 25 anos no ficha comecei como copeiro fui ajudante de cozinha depois passei pra garçcon e gerente e dono

  5. Jorge luiz Says:

    Sabe que essa receita era BAR REST FICHA
    Meu pai era o dono depois eu assumi

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