Resquícios da folia: o bloco dos presidiários (e a chegada do frio, o caldo verde da Dona Ana…)

Batata, couve, paio regados com pimenta e azeite: num dia frio, garantia de felicidade

Ai ai ai.
Essa foi boa.
Apesar de já ter até chegado um friozinho à cidade e o carnaval já ter passado há 15 dias, ainda há ecos da folia na minha cabeça.
Só isso pode explicar:

Tava lendo a coluna Gente Boa de hoje e dei de cara com uma nota:

“Os oito blocos do presídio da Frei Caneca…”

Parei na frase. E pensei. “Cacete, oito blocos num presídio. O carnaval do Rio anda animado mesmo”.

Espantado, continuei a leitura. “…serão implodidos no próximo dia 13, precisamente às 11h”.

Ah, tá…

Falando na coluna Gente Boa de hoje, uma das notas diz respeito aos quitutes que estão sendo criados pelo pessoal do Aconchego Carioca para concorrer ao Comida di Buteco. Tem uma picanha de porco com cerveja e banana da terra e um camarão empanado na castanha de caju e molho de abacate.

Talvez sejam sensacionais, como é tudo neste bar. Mas é preciso cuidado. Não podemos desvirtuar os bares do Rio.  Picanha de porco com cerveja e banana da terra e camarão empanado na castanha de caju e molho de abacate eu prefiro comer em outros lugares que não botecos. Isso tá ficando muito chique pro meu gosto.

Estão querendo desmoralizar os botecos, parodiando o Moacyr Luz, que cunhou a brilhante frase ao se deparar com um jiló cheio de frufrus: “Estão querendo desmoralizar o jiló”. E eu digo o mesmo dos nossos botecos.

E já que estamos divagando sobre a cidade, que tempo doido este, né? Nunca tinha visto um verão tão quente, com tantas horas de sol e tão pouca chuva. Nunca tinha visto. Nunca tinha visto um mar por dias tão quente, muito quente, como no fim de janeiro, começo de fevereiro. Aí, de repente, não mais que de repente, o tempo muda e chega um frio raro para março, para o verão. Tá frio mesmo, um frio gostoso, que eu tava pedindo, que todo o carioca tava pedindo. Uma delícia, dá até vontade de subir a serra para sentir a temperatura cair ainda mais. Acender uma lareira, tomar um vinhozinho, se esconder nas cobertas, se afundar na leitura de um bom livro. Deu até para tomar o caldo verde sensacional da Dona Ana, do Galeto 183, coisa que queria fazer há tempos.
O tempo tá gostoso. Mas tem um monte de gente baqueada com gripes e resfriados. Quem tá feliz é a horta aqui de casa. Como andam sorrindo o manjericão, a malagueta, o tomilho, o capim-limão…

E viva o Luis Carlos da Vila. Viva o Walter Alfaiate. Viva Elton Medeiros, Dorina, Wilson das Neves. Viva Caymmi e Luiz Melodia.

E vivo o carnaval do Rio, que deu origem a este papo matinal meio maluco.

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Uma resposta to “Resquícios da folia: o bloco dos presidiários (e a chegada do frio, o caldo verde da Dona Ana…)”

  1. Dri Says:

    Pelo menos eu nao sou a unica louca, pq eu pensei exatamente isso!!! OITO BLOCOS no presídio!

    hahahahaha

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