Botequim do Hugo: numa garagem do Itaim-Bibi, o mais carioca dos bares paulistanos

Por detrás do balcão, seu Hugo cuida de todo o atendimento: tira os pedidos, faz os drinques, serve os clientes, fecha a conta e dá o troco.

As garagens do Itaim-Bibi, em São Paulo, costumam guardar carrões e toda a tralha de famílias entre as mais ricas da cidade. No bairro há bares, hã, descolados, e restaurantes estrelados.
A garagem dos Cabral, no número 1014 da rua Pedroso Alvarenga, é diferente de todas as outras -e se parece muito mais com uma casa de subúrbio carioca que zona nobre paulistana. Isso porque a família transformou a garagem em boteco. Entre os bares de São Paulo, é o que carrega mais fortemente o sotaque do Rio de Janeiro (que me perdoem o Pirajá, o Posto 6 e tantos outros representantes do gênero bar-de-paulista-que-homenageia-o-Rio). A garagem desta família de origem lusitana tem um belo balcão de mármore, de trás do qual o senhor Hugo dá expediente apertado entre garrafas de bebida, potes de amendoim temperado e toda a sorte de objetos que não seria exagero algum chamar o lugar de pequeno museu. Tem rádio antigo, copo de time de futebol, flâmula da CBF, lampiões, bonecos, quadros, recortes de jornal e revista, berrante, suvenires turísticos, máquina de escrever, latas de cerveja importadas (e vazias e amassadas e enferrujadas), fotografias… Dá para gastar horas esquadrinhando as peças do bar dispotas em prateleiras de madeira que formam um conjunto cheio de charme, caótico, mas original, diferente e porque não dizer?, aconchegante.

Quando descobriram que sou carioca, e disse que ali se parecia muito com o Rio, eles sorriram, orgulhosos. E foram logo me mostrar as fotos que enfeitam o espaço que se tornou a garagem mesmo da família, que vive numa casa nos fundos do terreno. Tem uma boa coleção de imagens do Rio, como um preto e branco panorâmico do Cristo com a Lagoa ao fundo, fotos antigas do Centro, Aterro do Flamengo. Lindo de ver.

Apesar de todo o clima informal e familiar, o Botequim do Hugo, que acomoda até umas 30, 35 pessoas, tem endereço na internet e tudo.

E por que se parece com um bar do Rio? Porque é simples, barato, autêntico e, principalmente, tocado pelos patrícios portugueses, um traço marcante dos botecos cariocas que, ou são de donos lusitanos ou espanhóis.

Esta cenografia toda, capaz de enternecer um amante de botecos como eu, chamou a atenção de publicitários. Quando visitei o bar no fim da tarde da última quinta (durante a semana o bar só abre às 16h) uma equipe de profissionais envolvida na produção do comercial da Volkswagem que será veiculada durante a Copa fazia uma análise do ambiente que lembra um armazém de secos e molhados de antigamente (não à toa o card[ápio, escrito a mão, é dividido assim, entre os comer e bebes).Com fitas métrica os caras do comercial mediam as prateleiras enquanto fotos eram tiradas, na companhia de uma boa cerveja. Neste exato momento devem estar lá, gravando a propaganda que terá uma animada torcida brasileira vendo uma partida da Seleção na África do Sul. Para contrastar com o ambiente antiquado, vão instalar uma TV de plasma.

Não há muito o que se comer ali. Tem sanduíches variados (de linguiça e mortadela, a R$ 4, de gorgonzola, a R$ 5, e uns dez outros), os “Pastéis da Zezé” (de carne, queijo e palmito, a R$ 3) ou as porções (castanha de caju, a R$ 2, tremoços, a R$ 4, azeitonas chilenas, a R$ 5, e mortadela, a R$ 8).
Eu fui de pastel de carne, com massa caseira deliciosa e um recheio bem temperado e farto, espetacular combinação com uma boa pimentinha como a servida ali. Para acompanhar, uma bela caipirinha de lima da pérsia, preparada com gosto pelo próprio seu Hugo. Tive que partir para seguir a minha jornada botequeira. Mas prometi voltar com calma para gastar na garagem da família Cabral uma bonita e ensolarada tarde de sábado no outono-inverno paulistano.
Que assim seja.

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3 Respostas to “Botequim do Hugo: numa garagem do Itaim-Bibi, o mais carioca dos bares paulistanos”

  1. Júlio Says:

    Repare na prateleira do meio.Só scoth e o meu predileto Jack Daniels.

  2. Julio Calmon Says:

    Rapaz! Minha cunhada mora bem perto do Hugo. Gosto de ir lá quando estou em São Paulo. A cerveja é bem gelada. O ambiente é gostoso. São raros os bares que me sinto tão bem. O problema é que ele fecha bem cedo e acho que não abre no fim de semana. Sempre recomendo o Hugo.

    Abraços!

  3. Norberto Nicola Says:

    No dia 6 ou 7 de novembro estarei passando por aí. Me aguarde, Hugo!.

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