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Conheça o Astor da praia de Ipanema: as primeiras fotos

29/04/2010

O bar da Vieira Souto está bonitão, com mesinhas à moda antiga, fotos pelas paredes e, mais importante de tudo, com amplas áreas envidraçadas que valorizam a vista.

É  clima gostoso, um escurinho agradável.

O bar tem revestimento de azulejo branco e uma bonita iluminação.

Lá nos fundos tem este simpático painel.

A chopeira do bar, que tem umas cadeirinhas e promete ser muito frequentado.

As paredes são decoradas com bonitas fotos do Rio. Foram dois ensaios, um em PB outro em cor, encomendados a dois fotógrafos diferentes só para enfeitar a casa. Pra quem gosta de foto, do Rio e de bares, como eu, é uma exposição de alto nível, e dá para gastar um bom tempo vendo as imagens.

O cardápio é muito parecido com o da matriz, em São Paulo, quase igual. Uma seleção de receitas descomplicadas, típicas de bares e restaurantes tradicionais. Tem feijoada, rabada com polenta, muitos petiscos, uns sanduíches. Exclusividade carioca são umas receitas de frutos do mar, tipo camarão ao alho e óleo, caldinho de siri e lula frita. O petisco aí de cima é chamado besteira, mas eu chamaria de delícia: um pedacinhos de pão levemente tostados com queijo derretido por cima e espetados com nacos de filé à milanesa. Maravilha.

Outra exclusividade carioca é o drinque Guanabara, também muito recomendado, servido numa flute de champanhe. É leve, fresco e ácido e me parece um perigo para as moças, porque você vai bebendo e nem sente o nível alcoólico elevado.

Portanto, cuidado com ele… E depois não diga que não avisei.

O mojito também me pareceu bom. Mas este não provei.

Mas não dispensei uma taça do bom Monte do Pintor, um portuga de responsa…

… que ficou ótimo com o canapé de rosbife e ementhal.

Adorei essa vista entremeada pelas garrafas. As mesinhas do lado de fora vão fazer sucesso, garanto. Menois nas noites de chuva…

Taí, gostei.

E ainda deu para encontrar gente querida. O Moa, brindando com o Zé Renato, que me ajudou na matéria sobre os bares de São Paulo, que saiu no Boa Viagem de hoje, a Constance Escobar, uns colegas do Globo (a Carol Novaes, o Gustavo Leitão, a Lívia Breves) e mais um montão.

E você, vai querer o que?

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Astor de Ipanema: a verdadeira Esquina Carioca

29/04/2010

 

Na comida, no chope e na aparência, bem melhor que o Barril 1800, que não deixa saudades

 
 
Em 1998, quando o pessoal inaugurou o Pirajá, o bar foi virou a Esquina Carioca de São Paulo. De fato, era o encontro de ruas que tinha mais a cara de Rio de Janeiro em terras paulistanas. Ali me sentia em casa na temporada em que morei pelas bandas de Pinheiros. Vivia lá.
 
E agora, 12 anos depois, a Cia Tradicional de Comércio (entenda-se isso como sendo a pizzaria Bráz, os bares Original, Pirajá e Astor, e a Lanchonete da Cidade) tem a sua esquina carioca… no Rio de Janeiro.
 
E logo onde? Na Avenida Vieira Souto, onde funcionava o Barril 1800, meu vizinho de vida inteira. Que bom. 
 
Ponto melhor não podia haver.
 
Numa dessas coincidências, estive há pouco no Astor, que está funcionando desde segunda num esquema de soft open. Primeiro só para os sócios. Hoje e amanhã para alguns convidados (hoje havia jornalista e também um povo um pouco mais qualificado: artistas, músicos e outros que não sei quem são). No sábado tem festa de inauguração e, finalmente na terça, todo mundo pode aproveitar o lugar.
 
Justamente amanhã, numa grande coincidência mesmo, já que planajemos esta matéria há uns dois meses, sai uma reportagem sobre os melhores bares de São Paulo no Boa Viagem.
 
Para escrevê-la estrevistei o Edgard Bueno da Costa, um dos sócios da Cia Comercial de Comércio. No papo ele me disse que o Pirajá tinha uma posição privilegiada, entre outras coisas, por ser uma rara esquina de três ruas. O Astor carioca é quase isso. Está na esquina da Vieira Souto com  a Rainha Elisabeth, mas a três passos da Gomes Carneira, praticamente uma outra esquina tríplice.
 
Assim, à primeira vista, posso concluir. O nosso Astor é melhor que os outros.
E amanhã vou postar umas fotos, pra provar o que digo.

Café e Bar Brotinho, mas pode me chamar de Bar da Dona Maria, por favor

28/04/2010

Balcão de mármore, refrigerador antigo, paredes de um charmoso verde desbotado e, mais importante de tudo, uma senhorinha controlando tudo detrás do balcão

Café e Bar Brotinho é o nome oficial, gravado em letras negras pregadas na parede verde-clara, já com sinais de desbotamento. Mas ninguém sabe. Este clássico da Muda é conhecido como Bar da Dona Maria. É um dos bares cariocas de caráter,  personalidade, que representam uma linhagem tradicional. São aquelas casas de administração familiar, cujo dono dá expediente detrás do balcão e conhece os clientes pelo nome. As paredes são de azulejo e o balcão, de mármore, como antigamente. O refrigerador é praticamente uma peça de antiquário, e gela a cerveja à perfeição.
 
O Bar da Dona, inaugurado em 1960, Maria é asssim. Com outros predicados. Sabemos que boteco dá samba. Vários bares da cidade são instituições sambistas. Como o Bip Bip e suas rodas. Dona Maria também é bamba. Tão bamba que é o ponto de concentração do bloco Nem Muda Nem Sai de Cima, que puxa o samba no sábado duas semanas antes do carnaval, como que anunciando a festa. O bloco foi idealizado pela dupla Moacyr Luz (que foi o enredo deste ano) e Aldyr Blanc, que por anos moraram num mesmo prédio perto dali, a famosa Rua Garibaldi, e eram dos clientes mais assíduos do lugar. Aliás, falando em Rua Garibaldi, foi na feira que acontece ali às sextas que por alguns anos Moacyr Luz “arrendou” uma barraca para receber os amigos com muita pinga e cerveja, além de incontáveis quitutes feitos na hora de acordo com o que as bancas ofereciam de melhor no dia. Tudo regado a muito samba, claro. É dessas coisas que só poderiam  mesmo acontecer no Rio.
 

Li por aí que a Dona Maria tinha vendido o bar. No dia em que estive lá, faz pouco mais de um mês, ela estava lá, comandando o serviço do balcão. Hoje liguei para l,á. falei com ela.
“Não vendi o bar, isso é mentira, e cá estou todos os dias”, ela me disse um tanto ressabiada ao telefone.

 
Durante a semana o Bar da Dona Maria serve PFs e petiscos. Os pratos levam feijão espesso, arroz, farofa e fritas, essa combinação mais-que-perfeita que anda saindo de moda, dando lugar, por exemplo, a farofa de quinoa e chips de mandioquinha…
 

Croquetes, bolinhos de aipim e Original geladona: maravilha de mesa

O croquete de carne é famoso. Frito na hora, cai bem com a cervejinha, além da boa pimenta da casa (se jogar uma mostardinha preta, então, fica tudo ainda melhor). Os pastéis, também preparados após o pedido, batem um bolão.

Os bolinhos de carne, cobertos com rico molho de tomate, expostos na estufa

 

Boa também é a almôndega, mas esta fica exposta na estufa de vidro, como que maturando. Também pede uma pimentinha, e a companhia de um copo (americano, obviamente) de cerveja Original.

Gastronomicamente falando o dia mais concorrido é o sábado, quando são servidas a feijoada e o risoto de camarão(para dois, até três, custam R$ 27). Eles aceitam reserva, dando claros sinais de que as panelas são raspadas cedo. Se chegar depois de umas 15h é capaz de não ter mais nem o caldinho do feihão…
Sábado é bom pra comer. Mas se você me perguntar o melhor dia para visitar o lugar eu diria que é a segunda-feira. Porque de lá você pode seguir direto  de lá siga para o Samba do Trabalhador, capiteaneado pelo grande Moa, que começa a ficar bom ali pelas 17h. Uma beleza de programa. carioquíssimo, em plena segunda-feira. É para começar a semana com o pé direito (e na jaca).
 
 
Para encerrar, deixo essa seleção de frases que enfeita o cardápio.
E eu não preciso dizer mais nada…

Aiuruoca: o preço das coisas

27/04/2010

O meu chalé na Pousada Pedra Fina, a melhor da cidade: diárias a R$ 230 (ou R$ 260 nos fins de semana) com café da manhã e sopa no jantar

Atendendo a pedidos, vamos ao preço das coisas em Aiuruoca.

Me hospedei na Pousada Pedra Fina, a melhor da cidade. As diárias custam R$ 230 nos dias de semana e R$ 260 nos fins de semana. O valor inclui café da manhã e uma sopinha no fogão a lenha servida à noite. Para acompanhar há alguns vinhos, todos a R$ 35.
São chalés confortáveis e espaçosos, com lareira e boa roupa de cama.
O hotel de cinco quartos apenas tem uma ótima sauna finlandesa, que fica entre a úmida e a seca. Melhor que ela é a piscina de água natural, geladinha e gostosa.

Por dois dias almocei no restaurante da Dona Iraci, que funciona na casa da própria. Comemos nas duas mesas colocadas na varanda, forradas com toalhas floridas. O  almoço preparado no forno e no fogão a lenha custa R$ 22 por pessoa (se for leitão o preço sobe para R$ 30). Tem feijão, abóbora, farofa de milho, arroz, frango caipira (geralmente com ora-pro-nobis) e algumas variantes. A cachacinha nativa sai por R$ 1.

No Kiko & Kika, o restaurante deste casal que defuma maravilhosamente as trutas, o almoço custa um pouquinho mais. As entradas saem na casa de R$ 22, e os pratos principais custam R$ 30, em média. Eles vendem a truta congelada. Vale investir na defumada. O quilo sai por cerca de R$ 32 (não me lembro exatamente). Um quilo equivale a cerca de quatro pacotinhos, com duas bandas de filé. É coisa à beça. Como prato principal alimenta umas quatro pessoas. Como entrada (um patê, por exemplo, com creme de leite, cebola e cebolinha) para divertir uma dúzia de convidados, no barato, antes da refeição, como entradinha (deliciosa e fácil de fazer, por sinal).

O indispensável serviço de guia custa R$ 20 por pessoa. Se um casal quiser exclusividade, gasta R$ 100 para ter a pessoa ao seu dispor.

O táxi do centro da cidade até o Vale do Matutu custa R$ 80.

Comprei umn queijo na Cooperativa do Matutu por R$ 16 o quilo (a peça, de 1,5 kg saiu por R$ 24).

Tá beleza?

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Aiuruoca, montanha mágica: voltarei

26/04/2010

 

Dona Iraci e sua cozinha: fogão a lenha, leitão assado, feijão na panela de barro, farofa de milho, pimenta, cachaça, galinhas caipiras... Ui, que delícia.

Voltei encantado com Aiuruoca. Passou a fazer todo sentido o nome do circuito turístico desta região: Montanhas Mágicas de Minas. São mesmo mágicas aquelas elevações cravejadas de cachoeiras, estofadas com uma vegetação luxuriante, com samabaias e pequenas flores cobrindo os campos. Há borboletas e pássaros em profusão. Uma coisa linda.

O Vale do Matutu é sublime e me parece certo que este lugar, para o bem e para o mal, logo vai fazer sucesso entre ecoturistas, entre famílias que querem curtir a natureza e o clima rural, entre os místicos que acreditam nos poderes esotéricos daquela paisagem.

Como se o cenário fosse pouco, o lugar traz todos os elementos típicos da roça. A simplicidade e cordialidade do povo, as festas caipiras de São João, o fogão a lenha, o tempo que passa mais calmo e, melhor de tudo, a comida.

Galinha caipira com ora-pro-nobis, broa de milho, leitão assado, feijão na panela de barro, cachacinha, pão de queijo… Ah, mas também tem as trutas do Kiko & Kika, algo fenomenal, inesquecível.

E tem a pousada Pedra Fina, com seus chalés confortáveis e com boa privacidade, com sua sauna finlandesa, sua piscina de água natural, suas sopinhas à noite…

Também tem as lojinhas no Casarão do Matutu: uma, de artesanato, vende sabonetes naturais, camisetas e lembrancinhas diversas. Outra, da cooperativa local, tem queijos, ervas secas para banhos, chutneys e até o ghee, aquela manteiga clarificada das cozinha indiana (há algumas comunidades esotéricas ali).

Aiuruoca, voltarei. Brevemente.

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A caminho de Aiuruoca

21/04/2010

A cidadezinha mineira tem lindas cachoeiras com o esta

Tem gente que não gosta de repetir viagens. Prefere engordar o currículo turístico. Sãoa os carimbadores de passaporte. Eu também adoro visitar lugares novos, mas rever os velhos conhecidos é tão bom ou melhor que as cidades calouras.
Buenos Aires, Paraty e Lisboa, por exemplo,estão sempre na minha lista de prioridades para as próximas viagens, e neste post não cabe nem elencar as razões, que não muitas e, no meu caso, complexas.
Apesar deste apreço, viajar para um lugar que ainda não pisei tem sempre um sabor diferente, o gosto da descoberta, o tempero do inesperado (ainda que a gente tenha pesquisado exaustivamente sobre o assunto).
Daí que estou muito animado com o roteiro do fim de semana. Aiuruoca, no Sul de Minas, é o destino da vez (na foto, da Laura Cavallieri, uma de suas lindas cachoeiras).Viagem boa, com direito a parada em Teresópolis para ver a filha e, quem sabe, me entregar de novo aos prazeres gastrômicos da RJ-130, vulgo Teresópolis-Friburgo, ou simplesmente Terê-Fri para os íntimos. Nas montanhas de Minas pretendo comer trutas, queijos e leitões, descansar e fazer trilhas na floresta, mergulhar em cachoeiras e fazer saunas, beber umas pingas e uns vinhos, que levarei. Falando nisso, acredite, está no programa até uma visita a uma vinícola, em Andrelândia (isso se a preguiça da folga permitir) – sim, acredite, há vinhos em Minas Gerais .
Na volta eu vou contando essas histórias por aí.
Não estranhem uma possível ausência nos próximos cinco dias. Vou estar no meio do mato. Até segunda.

E salve São Jorge!

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A horta: os personagens

20/04/2010

 

A hortinha da janela vai bem, obrigado.

Hoje vou apresentar esses personagens, que deram sabor fresco às minhas receitas, e algum trabalho para cuidá-los.

 

O manjericão foi uma das plantas que mais sofreram com as tempestades cariocas de duas semanas atrás. Muitas de suas folhas se queimaram, galhos se partiram e ela deu uma boa murchada. Mas já está bem, com muitos brotos surgindo em todos os ramos.

 

Logo ao seu lado na janela da sala, estão os dois oréganos…

 

… e as sálvias (a menor foi plantada recentemente, já que a que estava em seu lugar logo morreu)

 

Na jardineira vizinha temos três tomilhos…

 

… e duas manjeronas. (Nesses pequenos detalhes delicados da natureza, um raminho que se espalhou pelo chão começou a crescer como se fosse três novas plantas, olha que bonito).

 

Na ponta, ainda na janela da sala, está o alecrim, viçoso, verde, perfumado e crescendo com incrível vigor.

 

Ainda na janela, mas do lado de dentro de casa, ainda pegando a rebarba do sol matinal, a mesa da sala virou abrigo de vasinhos com pimenta. Hoje alberga dois, mas acho que cabem quatro e já vou tratar de arrumar companhia para a dupla.

Agora trocamos de cômodo. No escritório a horta tem no canto direito um vaso grande. Nele, primeiro plantei um capim-limão, que honra o nome, transformado num aromático matagal urbano cítrico confinado num parapeito. Junto ao capim-limão plantei, em outubro do ano passado, um humilde brotinho de hortelã-pimenta, que o chef Checho Gonzales me deu de presente quando visitei o seu restaurante, o Ají, em São Paulo.

Avisado de que eu estava montando uma hortinha na janela de casa, Checho me deu outro regalo. Era um ají, esta pimenta andina que tempera, entre outros pratos clássicos peruanos, o ceviche. Estava seco e ele me disse que, plantando as sementes, elas nasceriam.

E eu espalhei elas pela sementeira. Logo vieram os brotos. Alguns foram transplantados. Os maiores estão deste jeito aí de cima (plantei a jardineira em duas etapas), altos e com muitas folhas novas e flores surgindo.

Este vaso, agora exuberante com o crescimento do Ají, vinha sendo palco de tentavas frustradas de agricultura de pimenta. Umas cinco outras, de espécies diferentes,  foram plantadas. Todas vieram do vaso comprados em floriculturas e não resistiram. Ao menos, concederam os seus frutos picantes por algum tempo. Mas essas pimentas vendidas em loja são fadadas à morte precoce, porque são criadas para serem exuberantes, darem muitas flores e frutas até serem vendidas. Mas aí não dão conta de seguir em frente. Porque, na verdade, são praticamente plantas ornamentais que servem mais para serem dadas de presente do que para iniciar um cultivo. O bom é que, além de darem pimentas frescas, as plantinhas ainda pode virar boas conservas (tenho ainda duas aqui na geledeira, bem gostosas e ardidas, preparadas com pinga, vinagre, alho, louro e um fio de azeite).

A última pimentinha plantada nessas circunstâncias deu pimenta para a rabada do fim de semana. E ainda está lá, toda avermelhada, corada, toda cheia de dedos-de-moças. Embora com folhas murchas, anunciando o seu falecimento.

Ao lado desta pimenteira está o vaso do cheiro verde: dois pés de cada. Temos três variedades.

Primeiro a salsinha aí de cima, que parece estar adorando a queda de temperatura, cheia de novas folhinhas…

… depois a cebolinha, que já me proporcionou muitas finalizações de pratos com suas pontinhas finas que a fazem se parecer com a cebolinha francesa, na teoria ingrediente mais nobre…

… E, por fim, o coentro, que está na segunda geração, porque a primeira não vingou (pelo tamanho dá para perceber que a salsinha e o coentro são muito mais, digamos, maduros – tem pelo menos uns seis meses a mais).

Fechando a linha de temperos da janela do escritório tenho um vasão de hortelã, no qual plantei dois pés, e já usei em várias ocasiões (principalmente no chá, mas também para temperar o cordeiro, na salada com iogurte…).

No meu quarto, mais quatro vasos.

No primeiro, o cebolinha francesa, a ciboulette, como gostam alguns mais frescos (ou afrancesados).

Ao seu lado, uma das minhas plantações favoritas: uma pimenteira só de malaguetas. É um quarteto, quase do mesmo tamanho, cheio de pimentas penduradas, outras florescendo e uma série de brotos aparecendo. Ao que me parece, elas estão muito bem ali, onde pegam bastante sol.

No quarto também botei outra jardineira querida, aquele que recebeu os brotos de mostarda e couve chinesa, a exemplo do ají plantados desde semente e, por isso, mais altas na minha estima de agricultor. (Mas a história da sementeira fica um pouco mais para baixo).

O que importa é que ali, neste pedacinho de terra, estão crescendo essas verduras, que ando louco para matar, apesar de ser o genitor, e transformar em salada (aliás, alguns dos brotinhos, claro, já foram parar no prato faz tempo).

Na extremidade da janela do meu quarto ainda tenho o manjericão roxo, que já rendeu um lindo pesto. A exemplo do seu irmão mais verde, ele se deu muito bem ali, mostrando estar muito bem adaptado ao clima ipanemense.

Do outro lado da casa, na ala sul, onde está também a cozinha e a copa, o quarto da filha tem um, digamos, terroir menos propício à agricultura predial de subsistência. Não bate sol e, além disso, tem mais vento, muitas vezes agressivo, como foi na semana retrasada.

Por isso escolhi  plantar ali o louro, maior e mais resistente, que virou tempero cada vez mais recorrente (adoro louro, mas fresco, e não dá para sair pra comprar duas folhinhas a cada assado que vamos preparar, né?. Então, recorremos aos ramos que vão secando na cozinha depois de comprados na feira, mas não é a mesma coisa). O arbusto estava todo feliz, cheio de novos brotinhos. Mas o mau tempo acabou com os ramos bebês, e até rasgou umas folhas veteranas, mostrando que não tava de bobeira. Fosse uma erva, não teria resistido aos ventos. Mas como é uma arvorezinha, bravamente encarou as rajadas geladas.

O tempo não tava de bobeira. Não tava mesmo. Além das encostas fluminenses, também devastou este vasinho com quatro pés de ají que plantei, só pra ver no que dava, porque as sementes vingaram mesmo, e até sobrou brotinho de pimenta.

Quer dizer…

Sobrou até a tempestade de 15 dias atrás.

Depois do horror, veja no que se transformou a minha sementeira, que tinha brotos vigorosos de ají, couve chinesa e mostarda.

Eram pés orfãos de chão, ainda esperando um pedaço de terra para crescerem.

Mas o temporal arrasou a plantação. Sobrou isso aí. Um broto de mostarda tentando seguir a vida, uns frágeis brotos de agrião (tentei plantar, mas o que nasceu das sementes nunca cresceu o suficiente sequer para ser transplantado) e um monte de papel dos envelopes de sementes, que indicavam o lugar em que cada uma estava, triturados pela intempérie. Nada que uma terrinha nova e um arado manual, removendo a terra, não resolvam. E já estão a postos três pacotinhos da Isla Pak (de funcho doce, acelga e estragão russo).

E, por fim, ainda tem o poejo, que também sofreu com as chuvas (veja as folhas queimadas pelo vento cortante), mas já está plenamente recuparado das lesões. Eu é que ainda nem sei bem pra que serve esta erva.

Fazendo essas fotos, escrevendo este post, percebo a importância que tem esta hortinha besta na minha vida.

Botecos na terra de Hugo Chavez

19/04/2010

Camarões com cogumelos ao alho (e una copa de añejo) do La Tertulia

Herança dos colonizadores espanhóis, as tascas são o equivalente venezuelano dos bares de tapas, inclusive na aparência. Na capital, Caracas, esta tradição está concentrada na área da Candelaria, com várias delas. La Tertulia, La Cita e Mallorca estão entre as mais conhecidas. Percorrer esses balcões, praticamente colados uns nos outros, é o melhor programa gastronômico na cidade.  Boa parte delas abre ainda pela manhã, ali pelas 10h, e só fecha à noite, mas não muito tarde. Podem te servir desde um simples café, ao almoço e jantar. Mas bom mesmo é investigar as suas porções de petiscos, no melhor estilo “salir de tapas”.

Localizada num vale no alto da serra, mas colada ao mar, Caracas tem uma ótima oferta de pescados frescos. Peixes, lulas, polvos e camarões enfeitam em algumas dessas tascas as vitrines refrigeradas. Nelas é possível tanto escolher as porções de acepipes frios quanto os frutos do mar ainda crus que logo irão para a chapa, onde são preparados algumas das receitas quentes, à vista do cliente. Como reza a tradição espanhola, queijos, embutidos e frios, como os presuntos crus, que ficam pendurados no bar, também integram os cardápios, que têm ainda pimentões grelhados. Mas na Venezuela as porções são bastante fartas.

Na Cerveceria Tertulia (na foto) o balcão fica movimentado no horário de almoço. Um bom rum añejo, como o Aniversário, que lembra até um Jerez, é uma ótima maneira de se começar a brincadeira. Na Venezuela há cogumelos muito bons. O prato de champignon com camarões à provençal é um dos melhores, ainda mais quando regado com azeite e pimenta. No fundo da travessa o molho perfumado nos obriga a passar o pão. O lugar parece pequeno, mas há um grande segundo andar, com mesas e um bufê de almoço, além dos refrigeradores com o pescado do dia.

Logo na esquina de baixo, a La Cita tem um balcão ainda maior, com fileiras de bancos dos dois lados e um time de atendentes dos mais simpáticos. Aos habituados à Argentina vale saber que nas tascas venezuelanas empanadas são equivalentes aos nossos empadões e não são pastéis de forno. O recheio mais comum é o de bacalhau, que faz bastante sucesso ali. Mas bem melhor é o vinagrete de polvo, com tentáculos miúdos, mas fartos e macios, muito bem temperado. Um pratinho de sobremesa, como é servida a porção que fica exposta numa geladeira à porta, parece pouco. Além do rum (no La Cita  a sugestão do maitre é o Santa Teresa, de solera) e das cervejas nacionais, como a Polar e a Zulia, as sangrias são bem populares. Também próximo dali está a Tasca Mallorca, menor e mais intimista, com poucas mesas e um bar. Especialidades? As mesmas: saladas de frutos do mar, camarões com cogumelos, empanada de bacalhau, peixe grelhado…

Além da Candelaria, há mais tascas recomendáveis em outras zonas da cidade, como o bairro de Sabana Grande, por exemplo, onde está a ótima Rías Gallegas. Como nas outras, o balcão é o melhor lugar a se acomodar.  A decoração combina belos painéis de azulejo com pratos pendurados nas paredes. A porção de cogumelos salteados com alho, encorpada com um molho perfumado, vale a investida. Só não esqueça de pedir o pão para limpar o prato.

La Tertulia – Esquina de Alcabala com Urapal, La Candelaria. Tel.: (212) 572-9757.
La Cita – Esquina de Alcabala com Avenida Este, La Candelaria. Tel.: (212) 572-8180.
Mallorca – Av. Este, entre Alcabala e Puente Anauco, La Candelaria. Tel.: (212) 572-5974.
Rías Gallegas – Av Francisco Solano, esquina com Apamate, Sabana Grande. Tel.: (212) 763-0575.

É dia de feira (e de visita a favela, passeio de bote, escalada no Pão de Açúcar)

16/04/2010

Feira da Praça General Osório: ponto de partida para uma refeição

Ontem, no novo programa do Claude, delicioso, por sinal, ele começa o dia na feira da Praça General Osório, aqui do lado de casa, sempre às terças. Compra os ingredintes do seu bobó.
Aí, me lembrei dessa materinha aqui, feita para a revista Red, da Tam. Então resolvi publicá-la aqui.

Jeep Tour pela Rocinha, voo de asa delta e passeio de helicóptero já não estão com nada. A onda agora, no Rio de Janeiro, é visitar programas sociais em favelas, ir à feira para depois  degustar cachaças e ter aula de cozinha brasileira em Santa Teresa, navegar de bote até as Ilhas Cagarras, escalar o Pão de Açúcar e fazer ioga no Jardim Botânico. O tal turismo de experiência, cada vez mais difundido, é isso aí. Várias agências cariocas se especializaram em organizar roteiros diferentes pela cidade, projetos voltados à sustentabilidade, valorizando aspectos humanos e naturais, a vivência.
Parcerias com os melhores hotéis do Rio facilitam a vida dos visitantes. A Curumim, agência de turismo cultural e ecológico, leva os hóspedes dos hotéis Marina para ver o Rio de maneiras distintas. O passeio pelo Jardim Botânico é guiado por biólogos que contam histórias e esclarecem as dúvidas. Depois da caminhada pelo parque, uma sessão de ioga à sombra das árvores. “Cada vez o turismo deixa de ser contemplativo para ser de experiência”, diz Marcio Macedo, criador da agência. Uma das atividades mais procuradas é a chamada Aprazível Experiência Culinária. É assim. Antes de subir até Santa Teresa, os turistas visitam alguma feira da Zona Sul, dependendo do dia da semana, geralmente em Ipanema ou Leblon. Depois, o grupo vai até o restaurante Aprazível, cuja vista e atmosfera fazem jus ao nome. Primeiro uma degustação de cachaças – que pode ser enriquecida com frutas compradas na feira originando caipirinhas de vários tipos, sucesso entre os estrangeiros – e, depois, uma aula de cozinha brasileira, seguida de almoço, naturalmente. No lugar das cachaças, ou mesmo combinada a elas, uma seleção de vinhos brasileiros pode acompanhar o almoço, que termina preguiçosamente no cair de tarde estonteante do lugar. Entre outros roteiros a empresa organiza visitas a ateliês do mesmo bairro de Santa Teresa, com direito a conversa com os artistas, e o Tour Comunitário por uma favela carioca com uma interessante obra social, uma maquete da comunidade que já foi notícia em todo o mundo.
Programa semelhante a este, também com visita à ONG Morrinho, que desenvolve o projeto, é um dos tantos oferecidos pela Matueté no Hotel Fasano. A agência que cuida dos passeios dos hóspedes do hotel na Vieira Souto também é paulistana. Mas os passeios são para lá de cariocas. Os turistas podem escalar o Pão de Açúcar, fazer um tour de moda, visitando ateliês contemporâneos, ou um roteiro arquitetônico, passando pelo barroco colonial – tour que pode ser estendido até o modernismo de Niemeyer. O guia, aqui, é chamado anfitrião. Uma das especialidades da empresa é personalizar os roteiros. Ganham força, por exemplo, especialmente entre o público corporativo, reuniões ou palestras em mansões de Angra dos Reis, Ilha Grande e Búzios, ou a bordo de embarcações que navegam pelas águas cariocas. Tudo ao gosto do freguês.
No Copa o concierge recomenda os passeios da Rio Hiking, especializada em turismo de aventura. Entre as 22 atividades cariocas, há de tudo: do batido voo livre a escalada no Pão de Açúcar, passeio de caiaque ou a cavalo e  mergulho nas Ilhas Cagarras.
Mesmo quem não é mergulhador deve considerar o passeio até o arquipélago, de frente para Ipanema e Leblon. A maneira mais divertida de se fazer isso é nos botes rápidos da Macuco Rio, que também navega até Niterói, Ilhas Tijucas (lá pelos lados da Barra) e pelas águas da Baía da Guanabara.

Curumim – Av. Almirante Barroso, 63, 2809, Centro. Tel.: (21) 2217-7199. http://www.curumim.tur.br

Macuco Rio – Av. Infante Dom Henrique, s/nº, Marina da Glória. Tel.: (21) 2205-0390. http://www.macucorio.com.br

Matueté – Rua Tapinás 22, 7º andar, Itaim. Tel.: (11) 3071-4515. http://www.matuete.com

Rio Hiking – Tel.: (21) 2552-9204. http://www.riohiking.com.br

Estatísticas: 200 posts do blog (muito obrigado!)

16/04/2010

Minha alma canta/ Vejo o Rio de Janeiro...

Estatística é um troço muito chato, vide as transmissões contemporâneas de futebol.

Número, definitivamente, não é comigo. Prefiro as letras.

Mas devido à redondez dos… números quis fazer este textinho.

Ontem publiquei o post 200 deste blog. Foram oito meses e meio até aqui. E, voltando aos números:

– 200 posts
– 26.234 visitantes únicos
– 616 comentários

Nos últimos dias a média tem sido de 200 visitas diárias. Com picos de 300. O recorde foram 622 visitas em um único dia.

Mas nada disso importa muito. O que vale, de verdade, é que tenho um imenso prazer em fazer isso aqui.

E agradeço a todos os amigos que aparecem aqui, os que conheço e os que ainda não pude ver pessoalmente.

Um abraço a todos.

E vamos em frente!