Um fim de semana sambista no Rio de Janeiro

 

A Roda da Pedra do Sal, na noite de segunda: "se não guenta pra que veio?"

Aproveitando que hoje é sexta… Que tal roteirinho para um fim de semana sambista?

Da meia-noite de sexta à meia-noite de segunda. São 72 horas. De puro pandeiro, agogô e tamborim. E também de choro, de jongo, feijões e feiras.

E aí? Vai encarar a maratona e cumprir um fim de semana 100% dedicado ao samba no Rio de Janeiro?

Eu sugiro que se faça assim.

Sexta-feira, 23h45 – Vamos supor que dê para chegar à cidade até umas 22h, isso se já não cá estiveres. Então, em duas horas é possível chegar ao hotel ou casa da tia e deixar as malas, tomar um banho e botar a roupa (leve e descontraída, por favor. Salto, nem pensar, ele não será usado neste circuito. A não ser que você consiga requebrar como as mulatas do alto da plataforma).
Então, dá para por volta da meia-noite estar batendo na porta de alguma das muitas casas de samba que têm uma boa programação na sexta. Toque pro Centro da cidade. Neste dia tem Galotti no Trapiche Gamboa e o lugar fica lotado. Espere fila. Mesmo assim, é o melhor dia da casa e uma das melhores pedidas da noite. Gosto muito também do Clube dos Democráticos, que tem um velho salão de baile delicioso, onde dançam lindas meninas, sempre no embalo de algum grupo legal que toca bom samba (quinta e sábado também costuma a ser bom).
Pedidas turísticas, mas ainda assim ótimas, mesmo para os cariocas (tanto que em todas, todas mesmo, as vezes em que eu estive nessas duas casas eu me diverti horrores): Rio Scenarium e Carioca da Gema. A primeira é um dos melhores bares da cidade porque:
1) Tem uma decoração sensacional, com peças antigas, incluindo cadeiras de dentista, poltronas e cadeiras.
2) A música é sempre de qualidade.
3) A frequencia é muito legal, bem eclética: estrangeiros, cariocas e gente de todo o país dançando
4) Tem umas comidinhas legais.
5) É espaçosa, sempre tem uns lugares mais calmos para tomar um ar e conversar.
6) A música é de primeira.

Assim como no Trapiche Gamboa, saiba que haverá fila.
Já o Carioca da Gema, que tem um público ligeiramente parecido, mesclando gringos e nativos, é um lugar um pouco menor, não tão bom para dançar, mas com músicos sempre de primeiro time, como no Rio Scenarium. É mais para ouvir e cantar mesmo.
É bom lembrar, ainda, que o Circo Voador e a Fundição Progresso promovem umas noites bem legais de samba, às vezes só samba, às vezes com outros ritmos. E, além dessas todas, há diversas outras casas noturnas na Lapa e arredores. E não param de abrir outras. É só se achar.

Se quiser pode enfiar o pé na jaca, quem sou eu para pedir para não fazer uma coisa dessas.
Mas…

Sábado, 10h – Seria muito legal conseguir estar de pé a esta hora. Tome um café rapidamente, nunca na Escola do Pão, que pede um ritual demorado (e você vai sair de lá tendo comido muito, porque é tudo delicioso). Difícil encarar um sambinha depois, né? Se até 11h você conseguir estar na Praça General Glicério, em Laranjeiras, está ótimo. O grupo Choro na Feira, formado ali mesmo, despretensiosamente, toca até pouco depois do meio-dia. Então, dá para ouvir um chorinho, tomar um coco e até comprar legumes, verduras e frutas. Duas coisas são essenciais ali: beber umas caipifrutas na barraca que também vende ótimos CDs de samba e comer os bolinhos de bacalhau do sujeito que fica circulando com uma travessa de alumínio coberta com um pano (a mulher dele fica em casa, perto dali, fazendo os salgadinhos, que nos chegam ainda quentes).

Sábado, 14h – Fique e olho. Se for um sábado de feijoada nas escolas de samba carioca, siga para uma delas. Nos três fins de semana do mês elas acontecem. O roteiro delas é assim: Portela e Vila Isabel (primeiro sábado do mês), Mangueira (todo o segundo sábado do mês), Salgueiro (segundo domingo do mês) e Império Serrano (terceiro sábado de cada mês). Pra mim, essas são as melhores escolas de samba do Rio, e as que fazem as melhores feijoadas. (para ler um post sobre samba e feijão, clique aqui)

Sábado, 21h – Siga o mesmo ritual da noite anterior, variando as casas, ou repetindo-as. Isso se o feijão da tarde permitir.

Domingo, 10h – Se você juntar as palavras Laranjeiras e feira você encontra uma roda de choro. Primeiro foi na General Glicério, aos sábados, e mais recentemente, na Praça São Salvador, aos domingos. É programa para entrar pelo começo da tarde.

Faça um lanche leve, mas não saia muito das redondezas. Porque a próxima etapa acontece por ali, ou em Laranjeiras mesmo, ou no Jardim Botânico. Veja.

Domingo, 17h – “Se não guenta pra que veio?”. Essa é a pergunta que eu faria se você rejeitasse o arremate do fim de semana ao som de samba e ao sabor de feijoada. No domingão o samba come nas feijoadas da Casa Rosa, na Rua Alice, em Laranjeiras) e da Tia Elza (Rua Dona Castorina nas quebradas do Cosme Velho). Tia Elza, por sinal, é figura lendária do samba carioca. Na década de 1980 a casa fervia com intermináveis rodas seguidas de feijoada e feijão amigo. Há uns cinco ou seis anos a casa voltou a receber rodas de samba, com feijão, claro. Começa ali pelo meio da tarde do domigo e vai até umas 22h.

 Domingo, 23h – Vá dormir, meu filho, faça o favor.

 Segunda, 11h – Acorde bem tarde mesmo, vá a uma casa de suco e tome um daqueles bem energéticos.  Gaste o resto do tempo disponível ao calor do sol, intercalando com mergulhos no mar, ritual capaz de restabelecer física e moralmente mesmo o mais cansado dos seres.  

Segunda, 14h – Pensa que acabou? Que nada. Segunda é dia de samba no Rio. E dos bons. Na verdade, um dos melhores, se não o melhor, dia da semana para curtir uma roda. O Samba do Trabalhador, criado pelo querido amigo Moacyr Luz, rola no Clube Renascença, no Andaraí. E ainda tem o sambinha na Pedra do Sal, na Gamboa.

Minha sugestão para os empolgados?

Mas se quiser evitar a praia, ou se o tempo não estiver bom, vá para o Centro. Comece tateando o território. Vá circulando ali pela Pedra do Sal, onde o samba nasceu (sim, foi lá mesmo). Se quiser, entre no bar Gracioso e coma um rissoles de camarão, um os melhores salgados do Rio (leia mais sobre este bar aqui).

Outra boa pedida é estar no Bar da Dona Maria (leia aqui), na Muda, perto do Clube Renascença, no Andaraí. Passe no boteco, tome umas, e siga para a roda capitaneada pelo Moacyr Luz (leia mais aqui), que começa ali pelas 15 e esquenta mesmo umas 18h. De lá, siga novamente para a Pedra do Sal, que começa a ferver lá pelas 20h. E eu vou te contar um segredo: esta roda tem uma das maiores concentrações de moças bonitas da cidade (mas não espalha, tá?).

Ainda restam forças? Acredite, alguns seguem de lá diretamente para a Barra, onde rola o Pagode do Arlindinho, Arlindinho Cruz, é óbvio. Este parece que invade a madruga. Nunca fui, mas quem sou eu de duvidar?

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5 Respostas to “Um fim de semana sambista no Rio de Janeiro”

  1. Guilherme Lopes Says:

    Eita!

    Que beleza!

    Ainda mato uma segunda de trabalho e faço esse roterinho de cabo a rabo!

    Ah, gosto muito do Estrela da Lapa!

    ; )

  2. Juliana Amorim Says:

    Isso está divino!! Dos deuses!!! Ando meio afastada mas sempre saudosa. dia desses mesmo comentava que eu já não sabia qual o roteiro fazer.

  3. Júlio Says:

    Bruno, o Trapiche Gamboa bombou.Foi muito bom.Quem vier ao Rio e n for ao T.G. não conhece o Rio.Pensa q conhece.
    Abs tricolores cariocas

  4. Em homenagem ao Dia do Samba « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Leia também: Um fim de semana sambista no Rio de Janeiro […]

  5. Um pouco de carnaval « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Um fim de semana sambista no Rio de Janeiro […]

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