Rodrigo Oliveira, do paulistano Mocotó, cozinha no Rio na próxima semana

Há pouco mais de um ano fiz a reportagem que me deu mais prazer na vida. Era um debate sobre a gastronomia brasileira atual. Fomos lá atrás, falar com Claude Troisgros, um dos que inauguraram uma nova fase nas nossas cozinhas, valorizando os ingredientes daqui, usando técnicas e influências europeias, e depois de todo o mundo.

Alex Atala, hoje o chef mais badalado do país, era como um elemento de transição entre o Claude e a nova geração que desponta agora esbanjando talento.

É uma rapaziada jovem e cheia de gás que vem desenhando um cenário muito interessante na nossa culinária. Gente como Ludmila Soeiro, do carioca Zuka, Helena Rizzo, do paulistano Maní, e Roberta Sudbrack, Pedro de Artagão, do Laguiole, e alguns outros, como Rodrigo Oliveira, do restaurante Mocotó, nos subúrbios de São Paulo.

Fui a São Paulo fazer a reportagem. Entrevistei a  Helena Rizzo e o Alex Atala (que, aliás, esteve esta semana no Rio, e a Enoteca anunciou em primeira mão que ele estuda abrir um restaurante na cidade). Conheci o Dalva & Dito, então novidade. E me despenquei até a Vila Medeiros, lá perto de Guarulhos (então, se você tiver uma longa espera no aeroporto internacional de São Paulo, já sabe o que fazer, né?), para comer no Mocotó, e entender um pouco mais sobre este lugar. Lá comi esta carne-de-sol laminada com chips de baroa, alho assado, pimenta de bico e este arroz que aparece ao lado, espetacular, com carne, cheiro verde…

 

Infelizmente o Rodrigo Oliveira não estava, viajava em um festival gastronômico.

 

Mas pude conversar longamente com o seu pai, o Zé Almeida, que abriu o restaurante em 1973 e está lá todos os dias. Tomamos umas boas pingas, como esta aí de cima, o Armazém Vieira.

Dias depois entrevistei por telefone o cara, que me impressionou. É humilde, interessado, inteligente, esforçado e criativo. É um dos maiores destaques desta nova geração. Faz uma cozinha brasileira com ênfase no Nordeste equilibrando ingrediente típicos com técnicas refinadas de cozinha, e uma boa dose de sagacidade na criação das receitas. Assim nasceram pratos como a carne-de-sol laminada com pesto de coentro, queijo coalho e pimenta de bico. O torresmo é louvável, a bisteca de porco confit, uma benção.

E olha só que legal. Fiquei sabendo hoje lendo o Ela que Rodrigo Oliveira vem ao Rio nesta semana que se inicia amanhã. Fará trás jantares no 66 Bistrô, a convite do Thomaz Troisgros.  Pergunta se eu não vou?

Se animou? Reservas no 2266-0838.

Este ano fiz outra matéria em que falava do Mocotó. Era sobre os melhores bares de São Paulo.

Aproveito para republicar o trecho do texto sobre a casa.

“Nas conversas vangloriando a oferta gastronômica da capital, alguns paulistas costumam listar em “mais de 80” as etnias culinárias encontradas na cidade. Se entre os bares a oferta não é tamanha, ao menos se encontram representantes de algumas escolas, como a portuguesa, a italiana, a nordestina e a argentina. Porque nessa coleção de bares que valem a pena em São Paulo, uma turma considerável optou por focar em determinado tema. Assim, você pode escolher entre um bar de tapas à moda italiana, uma cachaçaria com admirável comida sertaneja ou um boteco com salgados argentinos.

 É só seguir a direção para onde aponta a bússola do apetite.

Neste caldeirão multiétnico o endereço mais impressionante é o Mocotó. Qualquer esforço para se sentar naquelas mesas (que significa chegar até ao distante bairro de Vila Medeiros e esperar nas longas filas do fim de semana) vale a pena, quando se tem no prato a carne-de-sol preparada no vácuo pelo chef Rodrigo Oliveira, talento emergente na gastronomia paulistana, um jovem que depois de trabalhar com nomes como Laurent Suaudeau promoveu uma verdadeira revolução no boteco tocado pelo pai há quase 40 anos. Uma legião de fãs viaja até lá nos fins de semana para apreciar coisas como o mocotó com favada, o sarapatel, uma bistequinha de porco confit e o melhor torresmo que se tem notícia, este aí de baixo.

Mas você poderia dizer: “Ah, mas o Mocotó é restaurante, não é bar”. Eu discordaria dizendo: toda cachaçaria, por definição, é um bar. Então, aproveite a ótima seleção de pingas de todo o país.”

 

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Uma resposta to “Rodrigo Oliveira, do paulistano Mocotó, cozinha no Rio na próxima semana”

  1. Receitas Says:

    Opa, parabéns pelo blog, muito bom! abraços

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