Original do Brás: boteco com bê maiúsculo

O petisco Doce Refúgio, que combina carne de porco com tamarinho, já nasceu clássico

Exte texto de hoje foi publicado há um pouquinho mais de um ano, no dia 23 de junho de 2009, exatamente há um ano e uma semana.
Nunca mais voltei lá, mas continuo admirando demais este boteco. Já o Comida di Buteco caiu no meu conceito. Este ano, boicotei total.

Já estamos nos últimos dias do Comida di Buteco. Queria paroveitar para escrever sobre um bar que só fui tomar conhecimento no ano passado, por causa do festival. É o Original do Brás, que ganhou simplesmente os quatro prêmios no ano passado. Estive lá este ano, na caravana de inauguração do Comida di Buteco 2009. Eu não tinha dúvidas de que se tratava de um bar especial, mas ainda assim me surpreendi. Por várias razões. É um bar bem limpo e arrumadinho, com bela decoração, inspirada no samba, tendo como patrono o mestre Luiz Carlos da Vila, morto recentemente. Contrasta absolutamente da vizinhança, um aglomerado de pés-sujos daqueles tão sujos que nem dá vontade de entrar. De um deles, logo ao lado, sai um karaokê que, de tão ruim, acaba nos divertindo, como um bom e risível show de horrores. Mas não é, naturalmente, esse convívio entre botecos diferentes que faz valer – e muito – a pena se despencar até Brás de Pina para visitar um boteco (os donos avisam que em breve vão abrir novos negócios ligados à baixa gastronomia, estes provavelmente na Zona Sul).
O Original do Brás é um Boteco com bê maiúsculo. Tem tudo o que importa numa casa do gênero, a começar pelo básico, a presença constante dos donos, gente da melhor qualidade, preocupados em fazer do seu o melhor de todos os botecos. Chope gelado (e cervejas para quem preferir), uma bela seleção de pingas e boas caipirinhas, e petiscos caprichados, no sabor e na apresentação. O petisco campeão do concurso no ano passado já é um clássico carioca. Chama-se rolê pelo subúrbio (tudo a ver com a proposta da casa) e consiste numa porção com quatro delicados bifinhos enrolados em cenoura, pimentão e bacon e cozidos no molho de cerveja, servidos sobre uma massinha leve de fubá. Delícia. Para este ano um dos sócios, Carlos Henrique Cadinha, criou uma receita muito interessante, chamada Doce Refúgio, que combina carne de porco com tamarinho. Uma coisa. Tem uma farofinha, uns pedaços de lombinho e umas massinhas folhadas para rechear, misturando tudo à sua maneira. Para melhorar, a fruta também é servida in natura – peça uma pinga para acompanhar e seja feliz, bicando a parati e mordendo o azedinho característico do tamarindo. Bom, muito bom. Cadinha cria e Dona Zilma, a cozinheira da casa, se encarrega de preparar com carinho e esmero os acepipes. Há outros acertos como o Também fazem bonito o anguzinho recheado com carne-seca e o caldinho pernambucano (feijão carioquinha com um ovo de codorna, carne-seca e milho verde), a alcatra suína flambada na cachaça com mandioca noisette.
A cachaçaria está muito bem representada por uma seleção com as melhores do país, desde a Anísio Santiago a outras menos conhecidas, como a Canarinho, da mesma família da mais famosa das pingas brasileiras, mas bem mais barata.
Assim como o Cachambeer, o Original do Brás é um daqueles lugares que fazem qualquer esforço para se chegar valer a pena. E, cá entre nós, Brás de Pina nem é tão longe assim.   
Eu já tô programando uma nova incursão seguindo a linha do trem rumo a Madureira. Tem muita coisa boa no caminho.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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2 Respostas to “Original do Brás: boteco com bê maiúsculo”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Original do Brás […]

  2. Felipe Jordão Says:

    quando fui conhecer o bar, fiquei com uma péssima impressão…
    pedimos um petisco com aipim frito, que, pra nossa surpresa, não era acompanhado de manteiga de garrafa…
    surpresa 2: pedimos a manteiga e ela nos foi trazida em um recipiente de louça de dimensões minúsculas e não na garrafa…
    surpresa 3: nos foi cobrado R$1,00 pela manteiga…
    chamei o dono pra conversar sobre o absurdo e, surpresa 4: ele disse: é isso? ah! eu mando tirar da nota!

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