Archive for julho \30\UTC 2010

Caldinho de piranha, polvo e pimenta pra esquentar

30/07/2010

O sensacional e macio polvo ao alho e óleo com arroz de brócolis: é só regar com azeite e pimenta e correr pro abraço

Começando do começo, o Caldinho de Piranha foi inaugurado em 94 por um pescador que costumava visitar o Mato Grosso, onde a iguaria foi criada, para lançar seu anzol. A casa simples numa rua escondida do bairro de Agriões fez imediatamente enorme sucesso. Não apenas pelo caldinho perfumado e denso, muito bem temperado e que fica muito melhor com azeite e pimenta, mas pelos pratos de frutos do mar. Rapidamente a fama se espalhou e o lugar cresceu, incorporando um imóvel vizinho. Virou um dos restaurantes mais cheios da serra, sempre lotado nos fins de semana, quando muitas vezes é preciso esperar por um lugar. É uma casa simples, com mesas relativamente apertadas.

Pratos e entradas podem ser servidos em meia porção. Cobra-se 60% do valor, mas os pratos vêm no capricho (o polvo ao alho da foto é uma farta meia porção acompanhada de arroz de brócolis com alho, também meia, claro).

O caldinho de piranha, ícone que batiza a casa. Faça como com o polvo: regue com azeite e pimenta e seja feliz

No início os preços pareciam piada de tão baratos. Mas, conforme foi crescendo a clientela fiel, o mesmo aconteceu com os preços. Além do caldinho ícone (R$ 3,50), os pastéis de camarão com catupiry (R$ 12) são perfeitos para começar. As iscas de cherne (R$ 21) são sempre bem-feitas, assim como o camarão à milanesa (R$ 53).

Entre os pratos principais, o escondidinho de camarão com catupiry (R$ 53) é um dos campeões de pedidos. Há coisas bem tradicionais do lugar, como a lasanha de camarão (72), as lulas recheadas de camarão e catupiry (R$ 72), as moquecas (entre R$ 62 e R$ 94) e o espaguete com frutos do mar (R$ 72). Os pratos servem com fartura até três pessoas.

O lugar é meio apertadinho, mas tem mesas do lado de fora e um balcão de bar onde o serviço é mais ágil

Mas, entre tudo, para mim o melhor são os camarões sem casca abafados no azeite, que com cebola ficam ainda melhores (R$ 53), e o polvo ao alho e azeite (R$ 68), o meu preferido. Para os dois vale pedir uma porção extra de alho frito (que eles não cobram). O acompanhamento ideal, também para ambos, são os brócolis cozidos (R$ ). É imprescindível, também nos dois, regar com azeite em abundância e alguma pimenta (aliás, a pimenta deles é bem boa). Os polvo apresenta sempre uma maciez absurda, rara de se ver. É do nível de um Rio Minho. De uma maneira geral, peixes e frutos do mar são de ótima qualidade, sempre preparados com correção, com temperro certo. Nunca comi mal lá. E olha que já fui dezenas de vezes. O serviço é que, ás vezes e apesar da simpatia dos garçons, é meio atrapalhado.

As cervejas chegam sempre estupidamente geladas. A caipirinha também é bastante apreciada pelos freqüentadores e há uma carta de vinhos modesta, com alguns exemplares portugueses, em sua maioria.

A casa abre de terça a domingo, do meio-dia às duas da madruga. E fica na R. José Elias Zaquem, 305, Agriões. Tel.: 21 2742-2881.

O site é o http://www.caldodepiranha.com.br

Publicado em 07/06/2008

Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Anúncios

Manel, obrigado, vai com Deus (e um agradecimento aos garçons cariocas, que na verdade na maioria das vezes são cearenses)

27/07/2010

Muito se fala se o serviço no Rio é ruim. Faço coro até com isso.
Mas, ao mesmo tempo, a cidade tem uma escola de garçons fabulosa.
Só no Rio garçom de botequim vira celebridade. Estão aí para comprovar a tese o Paiva do Jobi, o Cícero do Nova Capela, e o Chico, que de tão famoso virou até dono do seu próprio bar, em dobradinha com a Alaíde, quituteira de mão cheia.
Este time de craques perdeu um dos seus mais brilhantes jogadores esta semana. O Nova Capela, único restaurante da cidade com direito a dois nomes na lista de melhores garçons do Rio, perdeu o Manel, vítima de infarte. Logo ele, que tanto me serviu javalis e cabritos madrugada adentro, que tanto chope pousou em minha mesa, hoje repousa nos corações da boemia carioca.
Quando penso nesses caras me lembro do Armando Nogueira, frasista de mão cheia, que certa vez escreveu: “Jogador vê, craque antevê”.
O mesmo acontece com os bons garçons. Quando você vai levantar a mão para pedir mais um chope, ele traz a sua tulipa expelindo espuma, na pressão. Eles têm a rara capacidade de saber quando você não quer mais um chope, e não trazem. Esses caras te avisam quando o peixe do dia não está legal. E percebem quando você precisa de alguém para desabafar – não só isso, sabem dar os melhores conselhos.
Garçom carioca, que na maioria das vezes é cearense, vira amigo. Despede-se com abraço.  Até pede notícias da sua mãe, da sua filha. Pergunta por onde anda aquela sua namorada simpática. E serve, sem que seja pedida, aquela rodada de saideira na faixa.
Também são capazes de entregar bilhetes e dar recados àquelas belas moças da mesa ao lado. E até sugerem a sua companhia sem que você saiba.
Ô, Manel, que saudade. Quantas noites me salvaste. Quantas noites me serviste. Vá com Deus.

Risoto de grana padano com manteiga de trufas e ovo de codorna (e algumas variações)

24/07/2010

 

Essa receitinha eu já tô devendo há quase um mês para a Vivian Rangel.

É um risoto de grana padano com manteiga de trufas e ovo de codorna, facilíssimo de fazer, e mais ainda de devorar.

Escrevi a receita para passar o tempo no voo de volta da República Tcheca.

E aproveitei a presença da filha, ontem, para fazermos algumas variações aqui em casa, porque ela se encantou com o ovo de codorna em várias apresentações.

Para fazer o risoto basta ter um pacote de arroz italiano, tipo arbório e carnaroli. Além dele, precisamos de um queijo tipo grana padano, creme de leite fresco, ovos de codorna, manteiga de trufas, azeite, cebola e vinho branco. Também é fundamental um pouco de caldo, de preferência, caseiro.

É simples assim.

Vamos esquentar a bunda da panela em fogo alto. Quando estiver bem quente, despejamos um fio de azeite, sobre o qual vai frigir a cebola. Hoje tenho preferido usar o ralador, para termos uma pasta de cebola, mas também fica bom se ela for cortada em pequenos pedacinhos. Quando ela estiver transparente e macia, jogo um pouco de vinho branco, e deixo reduzir bem, sempre mexendo. Nesta hora jogo um pouco de sal.

Enquanto isso, na panela ao lado, deve ferver um caldo, que pode ser de frango, carne ou legumes, de preferência feito em casa.

Quando a perfumada mistura de cebola e vinho estiver bem pastosa, já secando, eu jogo um pouco de arroz, arbório ou carnaroli, e mexo com vigor. A seguir acrescento mais um pouco do vinho, e deixo borbulhar por alguns segundos.

Volto a mexer a mistura, passando então a acrescentar o caldo de carne (ou legumes ou frango), que deve estar bem quente. Nesta etapa convém abaixar um pouco o fogo.

É preciso ficar atento ao tempo recomendado de cozimento do grão, sempre indicado na embalagem, geralmente entre 13 e 17 minutos. Esse tempo deve ser contado a partir do momento em que entra o vinho branco.

Vamos mexendo sempre, até faltarem cerca de três minutos para o fim do tempo de cozimento sugerido. É esse cuidado que vai garantir um risoto al dente, como deve ser, com grãos íntegros (a cremosidade quem vai dar é o amido que ele vai soltar, associado ao creme de leite, ou manteiga, e ao queijo).

Neste momento temos o risoto base que pode ser finalizado de incontáveis maneiras, e vale explorar a criatividade e os melhores ingredientes disponíveis no mercado.

Para esta receita, jogo o queijo grana padano com fartura. Mexo um pouco, desligo o fogo e acrescento o creme de leite e mexo com muita força, para dar leveza ao risoto, aerando-o. 

Aqui temos vários caminhos a seguir.  Ontem testei três.

Uma com ovo de codorna frito por cima, foi o que a Maria mais gostou (o da foto lá de cima).

 

Outro, este aí de cima, com quatro ovinhos jogados sobre o risoto, com a panelinha indo ao forno tampada por uns dois ou três minutos (com uma pitadinha de flor de sal sobre os ovinhos).

 

E o terceiro com os quatro ovos colocados crus no fundo da panelinha, com aroz por cima e uma camada de grana padano, que gratinou no forno alto, essa aí de cima.

Mas, para mim, o mais gostoso é assim: pegue uma panelinha tipo Le Creuset e jogue no fundo uns quatro ovos de codorna crus, cobrindo com uma boa colherada do risoto bem quente, que vão tratar de cozinhá-los (ovo de galinha também serve, mas não é tão delicado e gostoso). Sobre o arroz vai uma colher, também farta, de manteiga de trufas (azeite também rola, mas não é a mesma coisa). Então, finalizamos com mais um pouco de arroz e salpicamos com queijo. Dá até para botar por um ou dois minutos o potinho no forno, mas para os que apreciam a gema mole, nem precisa.

Fazendo assim, temos um risoto que aos poucos vai revelando segredos: primeiro as trufas e, no fim, os ovos.

Quem quiser entregar logo o ouro pode finalizar o prato com um ovo de codorna frito depositado no prato e coberto com mais uma colherzinha de manteiga de trufas.

Assim, é uma receita ótima para um casal, por exemplo, ou um grupo pequeno de amigos.

Caso haja mais gente acho melhor finalizar na panela em que o arroz foi preparado mesmo. Então, voltando lá em cima, logo depois de jogar o creme de leite, jogue um montão de ovos de codorna (ou uns cinco de galinha) – a quantidade vai depender da quantidade de pessoas convidadas para a brincadeira. E, nesse caso, acho melhor cada um se servir da manteiga de trufas na própria mesa.

Também cai muito bem nesta receita um pouco de cogumelos salteados à provençal, tipo champignon e shiitake. E quem não tiver ovo de codrona pode fazer com galinha. Uma técnica legal é cozinhar os ovos e passá-los no espremedor de batatas, criando quase um pó, delicioso.

Ir e vir: divagando sobre viajar e voltar para casa

23/07/2010

 

Festa hare krishna em pleno centro histórico de Praga, ao lado do famoso relógio astronômico

Depois de fazer o pior voo da minha vida, de Amsterdã para São Paulo 11 horas espremido entre dois marmanjos num assento central apertado, finalmente cheguei ao Brasil. Falta pouco pra chegar em casa. Consegui antecipar o meu voo de Guarulhos para o Galeão das 21h40 para 19h (Aliás, essa história de antecipar voo vale um post, que farei logo). Escrevo aqui do aeroporto, com saudades do Rio, dos amigos e da família. Saudades até do trabalho na redação. Saudade da rotina, de Ipanema, do calçadão.

Essa vontade louca de chegar ao lar doce lar me fez lembrar que uma das sensações mais significativas de minhas viagens é o prazer gigantesco do retorno. Gosto mais de voltar que de ir, prefiro o regresso à partida, meu quarto a qualquer suíte do melhor hotel. O que me fazer sair de casa é a certeza de voltar para ela.

Certa vez, estava viajando a trabalho por Portugal. Andava pelo Alentejo, cortando aquelas planícies lindas, nas quais se vê apenas campos de trigo, sobreiros, oliveiras e vinhedos. Ótima paisagem para a reflexão, para os pensamentos, inúteis ou não. Uma beleza linda, mas monótona, que estimula o raciocínio. A saudade da vida carioca era forte, imensa, incomensurável. “Quero minha casa de volta”, pensava comigo mesmo, ainda que a viagem estivesse divertida à beça. Mas já se passavam dez dias de estrada.

Um amigo me deu uma revista para ler. Nela havia uma entrevista com o escritor português Miguel Souza Tavares. Conforme eu lia, me encantava pelos seus pensamentos e idéias, pelos seus princípios, filosofias, palavras e amigos. Muito se falava sobre viagem nesta entrevista, porque ele é um viajante por natureza, desses que não perdem uma oportunidade de sair por aí visitando novos países e cidades, ganhando inspiração para escrever. Todos os seus livros tratam disso, da partida, do retorno, das mudanças que as nossas vidas apresentam durante essas jornadas mundo afora. Lá pelas tantas, ele disse algo mais ou menos assim:

“Adoro viajar principalmente porque o retorno para casa me faz bem. É o prazer da volta que me tira de casa para desbravar novos horizontes. É a certeza do retorno que me faz ir. Gosto mesmo é de voltar”.

Caiu a ficha para mim.

Nunca vou me esquecer desse momento, que me ajudou a entender porque gosto tanto de viajar – e também porque estava tão interessado na entrevista. Tenho paixão por visitar novos lugares ou de estar novamente nas cidades que adoro (em Buenos Aires já estive 11 vezes, e volto sempre que posso).

Mas uma das grandes razões, talvez a maior de todas, de tanto gostar de sair por aí, é que realmente tenho um prazer fora do comum em voltar para casa. O melhor dia de qualquer viagem é sempre o último, o dia da volta.
Adoro arrumar as malas, tanto para ir quanto para voltar. Mas sem dúvida, a volta me motiva mais que a ida. É algo um tanto contraditório, mas é assim, sou assim. É claro que me divirto e aprendo demais durante qualquer viagem, que tenho muito prazer. Só digo que voltar para casa é o maior deles.  

Durante muito tempo tinha isso como pensamento íntimo. Achava estranho. “Ninguém vai me entender”, pensava.

Desde a infância, com pais, avós e tios, depois na adolescência, com amigos e namoradas, e hoje em dia profissionalmente, seja sozinho, em grupo, com a família, os amigos, viajar sempre me deu imenso prazer, sempre foi meu propósito de vida. É a minha rotina: comer e viajar, viajar e comer, fotografar. Faço isso para depois escrever. Estou sempre às voltas com várias viagens (no momento, há várias em vista: Toscana ou Provence nas férias, dúvida cruel, caçada às trufas no Piemonte, sonho acalentado há anos, visita aos vinhedos do Chile, mais uma vez, Salvador, de novo e sem falar naqueles destinos mais próximos, escapadas rápidas de fim de semana ou feriadinho para Paraty e Petrópolis – e Teresópolis, que nem conta mais como viagem, já que a filha mora lá e a cada 15 dias, pelo menos, eu subo a serra para visitá-la).

Gosto de viajar para longe, para perto, para lugares desconhecidos, para destinos adorados e repetidos à exaustão: não passo um mês sem pegar a estrada. E isso lá se vão dez anos. Ou mais.

E sempre achei estranho, curiosamente esquisito, essa coisa de ser um apaixonado pelas viagens, mas ter um prazer maior mais com a volta que com a ida. O regresso é um tesão violento. O Miguel Souza Tavares me fez ver que não sou o único, que isso não é um comportamento isolado. Há outras pessoas assim. Pelo menos ele.

Durante qualquer viagem sempre me lembro daquela tarde bonita sentado num ônibus cortando o Alentejo. Folheava a revista, mirava a paisagem linda. Era véspera do meu retorno. Estava feliz por isso. Como estou agora, faltando umas duas horas para abrir a porta de casa, jogar a roupa suja no cesto da área de serviço, colocar os vinhos comprados na viagem dentro da adega, guardar os guias, tomar um banho e deitar na minha cama, que não é a melhor do mundo, mas é a melhor do mundo… para mim.

 Adorei a República Tcheca. Praga é linda. Bebi as melhores cervejas de minha vida. Provei vinhos muito mais gostosos do que podia supor. Comi em restaurantes ótimos. Andei por lugares deslumbrantes, igrejas barrocas e góticas, palácios lindos. Vi uma emocionante peça de teatro negro, pura magia. Cruzei a Ponte Carlos, esta obra de arte renascentista, pelo menos uma dezena de vezes. Até topei com uma festa hare krishna em plena área histórica. Mas nada me deu mais prazer que estar aqui, quase chegando em casa. E olha que ainda estou em São Paulo. A explosão de alegria virá mesmo quando o comissário, chegando ao Galeão, anunciar: “Atenção tripulação, preparar para o pouso”. E o êxtase acontece quando o taxista diz o valor do corrida. E, quando giro a chave na porta de casa, quase choro de tanta felicidade.

Ah, que delícia é a volta.

O insólito hotel Insólito, em Búzios (e um fim de semana perfeito na Região dos Lagos)

19/07/2010

Piscina na varanda da suíte Orfeu da Conceição: encha e seja feliz

Na suíte Orfeu da Conceição, a melhor entre as 12 do exclusivíssimo Insólito Boutique Hotel, em Búzios, a vida é sempre um espetáculo. Debruçada sobre a enseada da Praia da Ferradura, a varanda enorme tem uma hidromassagem de ladrilhos azuis e duas espreguiçadeiras com colchões confortáveis. Ambiente sob medida para um casal não querer nunca mais sair dali – até porque a vista, principalmente ao cair da tarde, com o sol morrendo ao fundo e os barquinhos coloridos balançando na água, é totalmente inspiradora. Para que este panorama raro possa ser apreciado a qualquer instante, no sofá ou na cama, a sala e o quarto têm paredes inteiras de vidro, do chão ao teto. Em cima da mesa repousam bem arrumados alguns livros de arte sobre a cultura popular brasileira, o tema da decoração, porque as suítes são todas diferentes: tem uma dedicada ao candomblé, outra à fotografia e literatura, uma outra à arte naïf e até uma inspirada nas borboletas.

Espumante para brindar a chegada

Nas áreas comuns, nada é comum – só o uso coletivo por todos os hóspedes. Insólito é mesmo um ótimo nome: o hotel, de fato, segue a definição do Aurélio: “Contrário ao costume, às regras, inabitual, incomum”. Algumas convenções na arte de receber são seguidas, sim: o casal brinda a chegada com uma taça de espumante, ainda bem. Mas fazemos o check-in ao sabor das borbulhas, praxe nos hotéis de classe, sentados à mesa da recepção, não de pé diante de um balcão impessoal. A cama é king size, e o enxoval, de muitos fios. É preciso que seja assim.  Mas os funcionários usam roupas despojadas.

E champanhe para acompanhar o dueto de ceviches do chef do hotel

Logo depois de se registrar os hóspedes são convidados a conhecer o hotel. O Insólito foi projetado em platôs que vão descendo as encostas do canto esquerdo da Praia da Ferradura, uma enseada de águas calmas. Primeiro, no alto, a recepção e o restaurante, comandado pelo chef argentino Sebastián Carci, com passagens pelo Sofitel de Buenos Aires e pela La Brasserie, do chef Erick Jacquin. No salão decorado com um belo painel de Iemanjá ele serve receitas com ênfase nos peixes e frutos do mar, como lagosta grelhada sobre carpaccio de manga com folhas e vinagrete oriental, camarão flambado com champanhe, acompanhado de risoto de castanha de caju ou o peixe com banana e palmito servido com molho de castanha de caju e uvas frescas. Prefira as mesas da varanda, com vista e brisa.

A piscina e o mar de Búzios

Descemos as escadinhas que levam à piscina e logo chegamos ao deque com pufes, almofadas e espreguiçadeiras brancas – que à noite ganha tochas e iluminação romântica.

Que vida dura é essa dos hóspedes do Insólito, não é?

 Mas o melhor está ao fundo. Esparramada à frente, a vista buziana em 180°, que pode ser apreciada nos bancos de almofadas macias que circundam toda a borda do pátio em madeira, localização estratégica do bar. Uma coisa.

A vista é aquela clássica de Búzios: o mar e os barquinhos a balançar nele

Mais alguns degraus abaixo e encontramos as saunas seca e a vapor, a grande hidromassagem e duas pequenas tendas para os hóspedes descansarem. De novo, o visual é uma festa. Dali temos dois caminhos a seguir: à esquerda baixamos até a piscina de água salgada, com seis metros de profundidade, usada para treinamento de mergulho, num deque próximo ao mar. À direita, depois de passar pela casa dos donos, quando entendemos porque apesar do serviço profissional e da estrutura invejável, conseguimos nos sentir visitando um amigo (muito rico, claro), um caminho leva até as areias da Ferradura. Ali funciona o Beach Lounge Insólito, sucesso no verão que passou. A área aberta a não-hóspedes tem DJ, tendas, sofás, espreguiçadeiras, pufes, lenços, espaço para massagem e um bar de onde saem coquetéis e pratos leves, como a verrine de berinjela agridoce com queijo de cabra e caviar.

Segundo a Wallpaper, o Insólito seria uma das 40 boas razões para se visitar o Brasil. Ele bem poderia estar encarapitado nas escarpas da Riviera Francesa – até porque o francês é quase a língua oficial ali. Mas Emmanuelle Meeus de Clermont–Tonnerre preferiu a praia mais badalada do Brasil, lançada ao estrelato internacional pela sua compatriota Brigitte Bardot, para construir um dos mais exclusivos hotéis do país. Sinceramente, eu não sairia de lá para nada. Mas, caso queira aproveitar o melhor da Região dos Lagos, o seu fim de semana poderia ser mais ou menos assim.

Na sexta pela manhã toque para Arraial do Cabo, um dos melhores pontos de mergulho do país. Duas razões se somam para isso: a água clara que dá uma grande visibilidade e a chamada Ressurgência, que acontece exatamente ali (são as correntes geladas que vêm da Antártida em grandes profundidades e em Arraial do Cabo encontram o continente e sobem para a superfície). Esse fenômeno raro traz águas geladas (daí o nome Cabo Frio) cheias de nutrientes, o que atrai uma rica fauna marinha para aqueles mares.

Depois do mergulho, tente combinar com o barqueiro uma parada nas Prainhas de Arraial, acessíveis só por trilha ou barco e não só por isso as melhores areias do lugar: a água tem uma transparência incrível. Antes de voltar a Búzios, uma subida ao Pontal do Atalaia revela o pôr-do-sol mais lindo da Região dos Lagos.

Suíte da Villa: a maior e mais espetacular do hotel Marina Villa Rasa

A esta hora a fome já deve estar batendo. O hotel Vila Rasa Marina, que divide com o Insólito a condição de “melhor de Búzios”, está no caminho para a península. O restaurante Briza tem isso mesmo que o nome promete, com mesas ao ar livre de onde se escuta o barulho do mar. Recentemente o chef Danio Braga, um dos mais estrelados do Brasil, assumiu a consultoria do hotel, e está reformulando o cardápio, voltado para peixes e frutos do mar, que agora vão ganhar um acento um pouco mais italiano.

No sábado, não há em Búzios maneira mais agradável para se começar o dia do que na praia Azeda, de manhã ainda vazia. Ali pela hora do almoço, quando começar a encher, melhor ir embora. A faixa de areia é pequena, um povo sem educação ficando jogando frescobol e tem até cachorro…

Melhor sair e relaxar. Um dos melhores lugares para isso é no Morro do Humaitá, com a mais nobre vista de Búzios, sobre a Orla Bardot e a Praia da Armação. Quando Búzios despontou para o turismo, lá pelos anos 1960, era lá que se instalavam os melhores hotéis. A posada Casas Brancas é um desses endereços que resistiram ao tempo. Com classe. Inaugurado em 1974 tem não apenas o melhor spa da cidade, mas também as massagens e tratamentos feitos com a vista mais nobre. Vale a pena gastar uma tarde por lá.

Quem viajar a partir de setembro pode encerrar o dia no Quintal do Nelsinho, melhor restaurante de Búzios, que funciona na casa do próprio num clima de informalidade, mas a cozinha é coisa séria. O chef, como faz habitualmente, fechou o restaurante para viajar, desta vez para a Índia. Em setembro ele volta, com novas receitas e as clássicas, como o bacalhau com nhoque.

No domingo, para novamente fugir da multidão, o recanto mais sossegado de Búzios, pelo menos por enquanto, é a praia de José Gonçalves, no caminho para Cabo Frio. Porque, além de distante, tem acesso difícil, por estrada de terra. Com a vegetação nativa preservada, é uma pequena faixa de areia, que nem assim fica cheia.

Para outro fim de tarde antológico, a varanda do restaurante Satyricon é estratégica. No inverno, o sol de põe no mar defronte. Acomode-se na primeira fileira de mesas e peça o gran piatto di mare, uma bandeja com pequenas porções de frutos do mar, sempre frescos, que variam de acordo com o que os pescadores trouxeram: tem peixe cru ao limão, ovas de ouriço, mexilhões ao vinho, camarões cozidos, tartar de atum, vieiras na sua casca e outras leves e deliciosas coisas assim.

Na segunda você vai embora entendendo porque Búzios é um dos destinos preferidos de todo mundo.

P.S. – Quando eu voltar ao Brasil (depois da viagem à República Tcheca, que você pode acompnhar aqui ou aqui) vou completar o post com mais umas fotos de Cabo Frio e Arraial do Cabo, e do Hotel Villa Rasa Marina.

Esta reportagem foi escrita para a edição de julho da revista TAM nas Nuvens.


Índice de posts de cidades no estado do Rio de Janeiro: clique aqui.

Em Praga, resquício do comunismo nos cardápios

17/07/2010

Eu sei que não dá  para entender nada do que está escrito. Mas eu te digo que esta é a seleção de pratos de porco do restaurante Hostinec  U Vahy. Repare à esquerda: todos os pratos indicam a quantidade de carne servida. (aliás, é tudo baratinho: para calcular o preço em reais, basta tirar um zero. Ou seja, por R$ 9 conseguimos fazer uma refeição bem servida)

Este é um dos resquícios do tempo do comunismo, me disse o garçom (não de lá, porque não falava uma palavra em inglês, mas do bar que me enfiei para trabalhar um pouquinho na chegada, espantando o jet leg).

Quer ler mais sobre a chegada?

Vai lá no Blog de Bordo e na Enoteca.

A caminho da República Tcheca: vai uma Pilsen aí?

16/07/2010

Trabalhando na sala vip da Diners, em Guarulhos: tá achando que é moleza?

Acordei às 7h20. Tomei café e corri para o computador para despachar uns textos, gravar uns DVDs para liberar cartões de fotos.

Então comecei a arrumar as malas. Sorte que é verão em Praga, e arrumar mala para um lugar quente é sempre mais fácil que para um lugar frio.

Como a viagem é curtinha, não é preciso muita roupa. Nem dá para levar outra mala para trazer vinhos e outras coisinhas gostosas, condição essencial de qualquer viagem ao exterior de um brasileiro privado aqui das boas coisas da vida por causa das tributações e da ganância de importadores – como custam caro as coisas gostosas aqui! Porque na volta o voo para em São Paulo e o trecho Guarulhos-Galeão é feito pela TAM, com todas aquelas restrições de bagagem que bem conhecemos (entristecidos).

Ah, claro, faltava o dinheiro para o táxi. Então, corremos para o banco.

Pouco depois das 10h saí de casa rumo ao Galeão. Lá peguei um voo para Guarulhos, onde estou agora. Só depois das 19h embarco para Amsterdã. Chego lá pela manhã. No comecinho da tarde, a última perna da viagem, da capital holandesa até Praga, o destino final.

Vai ser uma correria só. Para você ver, na quinta à noite, madrugada de sexta quase, estarei em casa de volta, enfrentando a mesma maratona da ida.

E tem gente que diz que vida de jornalista de turismo é moleza…

Bom é, ainda mais se você gostar da coisa. Mas não é mole, não.
Nos próximos dias vou tentar aparecer aqui para dar notícias. Mas quem quiser me encontrar falando de Praga é melhor visitar e Enoteca e o Blog de Bordo, onde estarei contando as histórias e fotos dessa viagenzinha que tem tudo para ser tão gostosa quanto corrida.
E vamos que vamos.

E agora me dá licença. Vou, em homenagem à República Tcheca, beber uma cerveja… Pilsen, é claro.

<!–[if gte mso 9]> Normal 0 21 false false false PT-BR X-NONE X-NONE <![endif]–><!–[if gte mso 9]> <![endif]–> <!–[endif]–>

E agora me dá licença, por favor. Vou, em homenagem à República Tcheca, beber uma cerveja… Pilsen, é claro.

Fotoblog: o Rio que eu amo

13/07/2010

Navegando nas lembranças digitais de um CD, me encontrei com montes de fotos. Imagens de um Rio que eu amo. Como as sardinhas no calor da brasa na Cadeg, aí em cima, e o chope bem tirado do Adonis, logo ali do lado da Cadeg, na foto de baixo.

Amo este lugar.

Terra de Machado de Assis.

Salve São Jorge.

Até o baiano Caymmi se rendeu.

Tem a Casa Rosa de imensas recordações, a última delas a festa de dois anos da filha…

…e a própria, ainda bem miúda. Que tarde linda.

Tem o pôr-do-sol nesta mesma Ipanema.

Tem a canga…

… E a Carmem Miranda…

… do carnaval

Tem o Posto 6 de dia…

… e de noite

E o que dizer do inestimável sanduba de pernil com abacaxi do Cervantes, redenção das madrugadas intermináveis?

A minha vizinha de sempre a Feira Hippie, sempre divertida, sempre trazendo aquele cheiro de couro que lembra os domingos de infância quando era montada do lado de casa a … Feira Hippie.

Teatro Municipal.

Kite surfe na Barra.

Santa Teresa.

Vitória-régia no Jardim Botânico.

E a linda vista de Niterói.

O que dizer do chope do Bar Brasil?

E da mureta do Bar Urca?

Fico sem palavras para definir o que é a roda de samba do Bip Bip. E as outras batucadas que rolam espontâneas por aí na Pedra do Sal, no Samba Luzia, nos Democráticos. Que coisa louca de tão boa ir num samba no Rio de Janeiro. Nunca foi? Que pena…
Abre parêntese. (A foto, como dá para se perceber pela bandeira do nosso guia, é de quatro anos atrás, praticamente na eleição passada, como as demais deste post noltálgico) Fecha parêntese.

Nossos mestres eternizados na Lapa.

Ah, e que saudade do Penafiel. Quase chorei…

Bistronomiques: os restaurantes do momento em Paris

10/07/2010

Au Bascou: o melhor foie gras da minha vida por uns 13 euros

Tenho uma amiga que diz gostar muito de comida. Mesmo assim, acha Paris horrível, um destino desagradável, ainda que nunca tenha pisado lá. Em compensação, ela é capaz de pegar um avião para passar o fim de semana nas praias de Vitória ou esticar a canga nas areias de Porto de Galinhas para umas férias. Cruzes…

Eu sinceramente não entendo como alguém pode não sonhar com Paris. Juro que não entendo, ainda mais se a pessoa gostar de comida.

Enfim, há gosto para tudo.

Parece não haver lugar melhor em todo o mundo para explorar as cores, os sabores e aromas dos alimentos. Os mercados, as feiras, as lojas, as grandes epiceries, as boulangeries. Uma loucura.

E aí há os restaurantes, de todos os tipos, para todos os gostos. Como comi bem nos dias que andei por lá. Nunca uma viagem de trabalho foi tão produtiva. Tudo gira ao redor do sabor, aí fica fácil. Já fuz umas cinco matérias, algumas notas, tenho mais duas reportagens engatilhadas e outras duas na gaveta. Além disso, fiz mais de 20 posts (dá para ler aqui e aqui), e só não fiz mais por falta de tempo. Cada rua, cada portinha revela um universo delicioso. Paris é demais. Quero estar sempre por lá. Revisitando lugares incríveis e descobrindo novos.

Esse nariz de cera todo é pra avisar que hoje foi publicada lá no Ela uma reportagem sobre os bistronomiques, restaurantes do momento em Paris. Sei que o movimento não é novidade. Nasceu timidamente há quase 20 anos, tomou fôlego e foi batizada de uns cinco anos para cá e, desde 2009, quase não se fala outra coisa em Paris. É bistronomique pra lá, bistronomique para cá…
Quando ela for publicada na internet, eu posto o link aqui.

Enquanto isso, deixo aqui o link para um post da Enoteca no qual listo os dez melhores bistronomiques de Paris.

Comidá de botecô: Moacyr Luz desvenda um bar de Paris

09/07/2010

 

Moacyr Luz é fera. Mesmo em Paris conseguiu encontrar um botecão de primeira linha (leia o post aqui). Lá, comeu, entre outras iguarias, tutuano de boi.
E mais:

“- Dobradinha recheada com pé de vitelo, tradução de pieds el paquets.
–  Um salsichão feito com as tripas do porco de nome andoullette bobosse.
–  Cabeça de vitelo cozida com inhame. E o nome: – tête de veau.
Ainda foi servido um gratin de brócolis pra disfarçar a violência, enquanto o colesterol saltava nas veias protuberantes”

Demais. Ah, se eu soubesse disso… Ficou registrado para a próxima visita a Paris, que espero seja logo.

Para ler mais sobre Paris, clique aqui ou aqui.