Comida di Buteco: o melhor deste ano é o arroz de puta

Este ano resolvi me calar a respeito do Comida di Buteco. No ano passado, depois de me empolgar com a primeira edição, em 2008, já fiquei um tanto decepcionado com a história do petisco Doritos. Este ano, com o patrocínio da Hellmann’s e a consequente “sugestão” de que os participantes fizessem petiscos usando maionese, foi o fim da picada.
Para mim, essa é uma forma de prostituição. Recusei o convite para ser jurado desta vez. Hellmann’s e boteco são coisas que não combinam. São antagônicas.
Aí, a gente lembra que o Rio tem uma forte tradição de bares alemães, que servem salada de batata feita com… maionese. Mas é bem diferente, porque as casas sérias fazem a sua própria maioneses, como o Bar Brasil e o bar Luiz (este último, outro prostituto do capital, que trocou a Brahma, mais que centenária fornecedora de chope deles, pela porcaria da Sol, numa negociação a meu ver ridícula.
Por isso, só vou ao Bar Brasil, e abandonei o Luiz, com tristeza, porque a salada de batatas é sensacional).

Entendo que o festival é um negócio, que precisa faturar. Mas daí a se associar a uma marca estrangeira que produz um ingrediente ruim, agressivo à saúde e que não tem nada a ver com botecos, vai uma distância enorme. Não era preciso recorrer à Hellmann’s para viabilizar a parada.
Se a maionese quer patrocinar o evento, o que já é feio, que apareça nos folhetos e afins. Mas nunca como ingrediente de receitas, por favor. Este festival se fez famoso (e charmoso) em Belo Horizonte ao estimular os botecos a criar novidades, o que gerou uma saudável rivalidade entre eles. Porque não fizeram aqui como na capital mineira, sugerindo que os bares usassem um ingrediente específico ( no caso, o jiló) para os pratos, que não fosse a maionese, claro. Algo que tivesse a ver com a tradição botequeira. Tem tanta coisa interessante. O jiló, o inhame, a abóbora, a carne seca, o salaminho, a costelinha de porco. Tanta coisa que cairia tão bem numa disputa entre bares. Mas nunca a maionese, nunca.  Isso me parece tão óbvio.
E enquanto o Comida di Buteco for esta celebração do capital do estrangeiro, do mau gosto, este antro da maionese… enquanto for assim, vai lá que eu não vou.

E, pra fechar, sabe o que foi o melhor do Comida di Buteco este ano? O protesto do Bar da Frente, ali onde era o Aconchego Carioca original, hoje defronte ao endereço antigo. Eles não participaram do evento. Mas criaram um bolinho para meio que dar uma sacaneada no festival. Mostrando sagacidade, sabe o que preparam? Um bolinho de arroz de puta. Sensacional!

Mas, sei lá… Vai ver que sou eu que tô errado, que a grana vale mais que tudo.

Mas ainda boto fé no projeto. Desde que sem viajar na maionese…

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5 Respostas to “Comida di Buteco: o melhor deste ano é o arroz de puta”

  1. Dri Says:

    Pelo que eu li, tinham várias receitas sem maionese… Linguiça de coraçao de frango, o cabrito do Cachambeer. Nem sabia que a hellmans era patrocinadora, pra vc ver como essa “publicidade” foi mal sucedida!

  2. Ve Says:

    Engraçado que tb li várias coisas sobre o evento e não vi nada sobre maionese…

  3. Luzi Says:

    Quando li sobre o Comida di Buteco, vi que diversos pratos levavam maionese. Só não sabia o por quê…

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