Peguei um bonde pra Santa

O bondinho amarelo parado no Largo dos Guimarães, o coração do bairro mais cool do Rio de Janeiro

Prometi há alguns posts abaixo escrever aqui sobre Santa Teresa, esse enclave artístico e boêmio tão carioca, com ruas de tomada por ateliês, botecos e um relativo sossego – isso tudo ali, tão pertinho do Centro. Esse bairro-mirante é lugar obrigatório no roteiro de qualquer turista. Nem que seja só um passeiozinho de bonde para apreciar a vista da cidade.

Curto muito o lugar. Santa é cool. Algumas das centenárias mansões começam a virar pousadas. Como a Mama Ruisa, a Solar de Santa, a Rio 180 Graus e a Castelinho. Não duvidem que virão outras. Pousadas de charme em Santa Teresa me parecem uma das mais fortes tendências na hotelaria carioca. Há ainda famílias que aderiram ao Rio Hospitaleiro, rede de pensões bed and breakfast com a chancela da prefeitura.

Para mim, o programa ideal nos meses de verão é pegar uma prainha pela manhã. Lá pelas três da tarde pega-se o metrô até a Estação da Carioca. A poucos passos dali está a estação do bondinho de Santa Teresa.

Até meados do século passado, o bonde era o principal transporte público no Rio de Janeiro. Hoje restam duas únicas linhas, percorridas nos emblemáticos trens amarelos, símbolos de Santa Teresa, reduto de artistas plásticos, boemios, músicos, blocos de carnaval e um público alternativo de uma maneira geral. Embarque na estação Carioca (R$ 0,60), passe por cima dos Arcos da Lapa e então comece a subir as ladeiras do bairro. Um bom ponto de descida é a Estação do Curvelo, perto de algumas das principais atrações, como o Museu da Chácara do Céu (Rua Murtinho Nobre, 96, 2285-2545) cuja coleção tem obras de artistas como Degas, Miró e, principalmente, Portinari, e o Parque das Ruínas (Rua Murtinho Nobre, 169, tel. 2252-1039, 3ª/dom 8h/20), onde acontecem shows nos fins de semana e exposições temporárias – não deixe de apreciar a vista.

     Siga o trilho do trem caminhando pela r. Almirante Alexandrino até chegar ao Largo dos Guimarães (na foto), o epicentro do agito etílico-cultural de Santa. Ali, fica difícil escolher onde se sentar para comer, beber e descansar. Na Adega do Pimenta o cardápio é alemão. No Bar do Arnaudo (r. Almirante Alexandrino, 316-B, 2252-7246), com “u” mesmo, a carne-de-sol é cotada entre as melhores da cidade. No Sobrenatural (R. Almirante Alexandrino, 432, tel. 2224-1003) invista nas receitas de frutos do mar. O Bar do Mineiro (r. Paschoal Carlos Magno, 99, 2221-9227) serve cerveja gelada e bolinhos de bacalhau famosos e vive cheio de turistas misturados aos cariocas. Um pouco mais distante, o Aprazível (r. Aprazível, 62, 2508-9174) apresenta um cardápio brasileiro caprichado, servido com uma das mais belas vistas da cidade, panorama, aliás, que é algo corriqueiro em Santa Teresa, um bairro-mirante. Se a visita for num fim de semana dá para se fartar com os acarajés da baiana Ângela, que arma a sua banquinha no Largo dos Guimarães. Guarde espaço para as sobremesas da Alda Maria Doces Portugueses (r. Almirante Alexandrino, 1.116, tel. 2232-1320), espaço tão dedicado à tradicional doçaria lusa que tem até um pequeno museu. No cardápio, ovos moles, toucinho do céu, pastéis de nata e afins.

      Além da boa fama de seus mirantes, bares e restaurantes, também os ateliês de artistas plásticos fazem os visitantes subirem morro acima. Talvez o mais famoso deles (o mais carismático, sem dúvida) seja Getúlio Damato, que vende as peças produzidas por ele, réplicas dos bondinhos feitas com material reciclado, no entrocamento das ruas do Aqueduto e Francisco de Castro. Não é difícil achar: a loja é um vistoso bonde estacionado à sombra de uma árvore. Veja também outras lojas e ateliês como La Vereda (r. Almirante Alexandrino, 428, tel. 2507-0317), Lola (Rua Santa Cristina, 181, tel 2224-7909) e Trilhos Urbanos (r. Almirante Alexandrino, 402-A, tel. 2242-3632).

     Tamanha concentração de artistas resultou no Arte de Portas Abertas, avento anual que acontece em julho, quando os ateliês recebem os visitantes e o bairro lotado vira uma grande festa. A despeito do trânsito e da dificuldade em estacionar, são os melhores fins de semana para passear por lá. A não ser que você seja um grande folião. Aí, o carnaval é imbatível mesmo. Alguns dos blocos mais animados do Rio circulam pelo bairro, como as Carmelitas, o Céu na Terra, o Badalo e o Aconteceu.

      Aproveite a visita e estique até o Mirante do Dona Marta, com acesso pela estrada do Corcovado, que leva ao Cristo Redentor. Respire fundo e desfrute a vista que alcança o Pão de Açúcar, a Baía de Guanabara e o Maracanã. 

     Santa Teresa é, sim, muito legal. Mas, à noite, circule com cuidado, pois é fácil se perder e entrar em alguma das favelas que cercam a região. Depois do sol cair, prefira sempre os táxis.

 

Tenho ido e pensado tanto em Santa Teresa que me deu vontade de republicar este texto aqui, de uns três anos atrás quase, que fiz lá para o antigo blog.

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2 Respostas to “Peguei um bonde pra Santa”

  1. Luciana Neiva Says:

    E viva Santa! Um bairro lindo, patrimônio da cidade, que precisa ser valorizado, conservado… Incluo mais duas dicas: Aprazível e Térèze, que são imperdíveis.

  2. Sarah Bas Eleazar Says:

    Acabo de voltar do Rio de Janeiro, minha primeira vez por lá. Sou paulista e confesso, achava um certo exagero essa coisa de falar que o Rio é lindo demais, citada muitas vezes, por quem conhece muitas cidades no mundo, comoa cidade mais bela de todas. É, mas realmente o Rio é lindo demais, as vistas são chocantes, emocionantes. Corcovado, Pão de Açúcar, Copacabana, Arpoador, Ipanema…tudo especial.
    Porém, nada me fezmais feliz do que Santa Teresa, eu já fui com a intenção de andar no bondinho rs, mas fiquei pasmada com a beleza do local, uma mistura de arquitetura parisiense com ares de cidade hippie. Que lugar diferente, aconchegante, estou apaixonada, quero voltar para esmiuçar cada caninho de ST e fiquei feliz em saber que estão surgindo tantas opções de hospedagem.
    O Rio deve, obigatoriamente, ser conhecido. Ô lugar lindo!
    PS: come-se muito bem por lá, comi que nem um faráo! kkkkkkk

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