Lembranças de Paris: Hotel Lutetia

A fachada do hotel, com a ótima brasserie, à esquerda (letreiro branco)

Na primeira parte da minha viagem à França, em maio, fiquei hospedado no hotel Lutetia, que está completando 100 anos de existência agora em 2010. Adorei. Chegava cansado dos dias puxados, mas deliciosos, de trabalho. Antes de subir para o quarto parava no bar do lobby, em estilo art déco, que todas as noites tem um showzinho de jazz. Pedia uma tacinha de champanhe e depois era só ir para a cama, para sonhar com os anjos inspirado, como diria Dom Pérignon, pelas estrelas.

O hotel é muito bem localizado, no coração de Saint-Germain-de-Prés, ao lado da Grande Epicerie, paraíso gourmet. O garçom do café da manhã, dos melhores que já provei, me informa que há muitos brasileiros hospedados ali. De fato, escutava o português, do Brasil e de Portugal, no salão envidraçado enquanto traçava um croissant crocante que só ele, amparado por ótimos frios, e uma bandeja de queijo maravilhosa, mesmo que tivesse só umas quatro ou cinco variedades, eram todos muito bons.

Me lembrei dessas histórias todas hoje, quando aproveitei parte da manhã para gravar uns cartões de memória guardados faz tempo.

O cardápio do dia

Na última noite aproveitei para conhecer a brasseria do hotel. Tinha que acordar muito cedo na manhã seguinte. Era só jantar e subir para o quarto. O Lutetia tem dois restaurantes: o Paris, dono de uma estrela Michelin, mais dedicado à haute cuisine, que precisa ser reservado com boa antecedência, e a Brasserie Lutetia. Fiquei com esta. Também estava bem cheio, mas havia mesas disponíveis.

Champanhe Taittiger e a água favorita do Rei Sol

Sentei-me no fim do salão e, não poderia ser diferente, pedi uma tacinha de champanhe para matar a sede. O hotel tem o seu rótulo próprio de borbulhas, produzido pela Taittinger, que lanço um rótulo especial, o Cuvée Centenaire, um 100% Grand Cru, para marcar a data. Custa 19 euros a taça. E vale cada centavinho: que champanhe!  A água também é muito exclusiva, a Chateldon 1650, a favorita de Luis XIV, o Rei Sol.

Até dezembro está em cartaz um menu para comemorar o centenário do hotel. Custa 100 euros para um casal para uma refeição completa em cinco etapas, incluindo lingüiças bascas para começar, foie gras e lagosta na chapa (frutos do mar estão entre as especialidades do restaurante, que mantém um apetitoso balcão do lado de fora exibindo os pescados do dia, expostos sobre muito gelo, com limões galegos enfeitando a composição).

Salada de melão com presunto: receituário clássico bem executado

Eu fui em outros clássicos da casa. Pedi a saladinha de melão, doce, doce, doce, com presunto basco, receita arredondada com cebolinha francesa, tomatinhos-cereja e páprica.  Tava muito bom, ainda mais na companhia de uma taça de champanhe.

Panelinha de ferro com purê de batatas tipo aligot, frango, timo e alho: inesquecível, ainda mais com uma tacinha de Borgonha

Mas bom mesmo foi provar o frango da casa, uma acolhedora receita servida na panelinha de ferro. Foi, sem dúvida, o melhor frango de toda a minha vida, uma redenção para esta ave que até então raramente tinha me comovido à mesa. O prato é simples, e sensacional: são pedaços de frango bem douradinhos misturados num purê de batatas tipo aligot, bem cremoso. Se fosse só isso já seria bárbaro. Acontece que ali temos ainda pedaços de timo (a mojella dos argentinos, ou sweetbread, em inglês), que eu adoro, amo, e alguns dentes de alho tostadinhos e meio amassados, soltando todo o seu sabor. Ai, que prazer. Para realçar ainda mais a comida, pedi uma tacinha de um Borgonha digno.

Tortinha de chocolate Guanaja com nougatine: ai ai ai

Para encerrar, outro clássico da Brasserie Lutetia: uma tortinha de chocolate Guanaja com nougatine, uma belezura. Dormi contente.

Croissant e baguetinha crocantes, queijos, frios, manteiga, docinhos: café da manhã glorioso

No dia seguinte, mais uma vez, despertei com pompa e circunstância, provando os pães, queijos, frios e docinhos do café da manhã. De lá foi só pegar um trem pra Champanhe (neste link tem um monte de texto da viagem).

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Uma resposta to “Lembranças de Paris: Hotel Lutetia”

  1. Sandra Leig Says:

    Gostei tanto das dicas, que um dia ainda pretendo conhecer esse hotel conhecer esse hotel!

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