Fisgado pelos pescados do Margutta

 

O salão lotado: gente sabida

Folheando o jornal na semana passada li em alguma coluna uma notinha bem curta dizendo que o Margutta estava com alguns pratos especiais de vieiras. Foi a senha para eu preencher uma grave lacuna no meu currículo gastronômico carioca: visitar o restaurante original, em Ipanema, porque só havia estado no do Centro.
Pelo que lia, e também de acordo com o que amigos respeitáveis me contavam, o Margutta sempre foi um daqueles portos mais que seguros para se lançar às delícias do mar.
Nas minhas visitas à filial do Centro, no prédio da Firjan, já tinha percebido o potencial deles para trabalhar, com sobriedade, inteligência e classicismo, os peixes e frutos do mar. Sempre frescos, que se diga. Sempre em receitas descomplicadas, respeitando a tradição culinária italiana (mediterrânea).
Aí, tendo como isca os tais pratos de vieiras (sou louco por elas), fui fisgado pelo restaurante dos Neroni na Rua Henrique Dummont. Caminhando no meio da tarde nublada do último sábado fui até lá.
Cheguei e peguei um salão lotado, com uma única mesa disponível, como que se me esperasse.

Prosecco para "limpar a boca", sempre um começo legal nas casas italianas, especialmemte nas dedicadas aos pescados

Como é sempre bom fazer nas casas italianas, pedi um prosecco, daqueles baratinhos mesmo, para abrir os trabalhos.
Chegou o couvert, que não me animou e, assim, foi dispensado: queria só saber de bichinhos do mar.

Vieiras al limone, com um toque de cebolinha francesa: felicidade é, depois de acabarem o mariscos termos o molho a a cesta de pães, que fazem belo conjunto. Até raspei a frigideira de ferro

Foi esta tacinha de prosecco mesmo que acompanhou a minha entrada, uma frigideira de vieiras ao limão, uma belezura de prato.  

Uma imagem pode mesmo dizer mais que mil palavras....

Olha só mais de perto.
As vieiras estavam tenras, frescas e muito saborosas, e o molho era um espetáculo, com uma acidez deliciosa, uma escada perfeita para fazer o marisco brilhar em toda a sua inconfundível delicadeza.
Dá um close nelas.
Depois de todas elas devidamente espetadas e apreciadas, restou o caldo. Aí entrou em ação a cestinha de pães, que me fez raspar toda a frigideira, gemendo de prazer.

Um branco leve e fresco, para deixar os pescados brilharem

Depois pedi um Pinot Grigio da Matile, produzido na Umbria. Gostosinho, levinho, baratinho, acidinho… Cumpriu bem o seu papel de deixar os ingredientes marinhos aparecerem com destaque.

Isso aí tava bom demais

Como não estava de brincadeira, o primo piatto foi um farfalle com lagosta e tomate (pedido em meia porção, como sempre é bom fazer nas casas italianas). Delirei. A massa estava no ponto exato de cozimento. Mas isso nem importa tanto. O que valia mesmo era o molho, tão simples, mas muito saboroso, com muitas lascas de lagosta grelhada com tomates refogados, tudo com acidez domada, em perfeita harmonia. Reguei com azeite, mas rejeitei o queijo parmesão. Quer dizer, rejeitei em parte. Primeiro fui recolhendo o crustáceo. Quando, já no fim do prato, não havia mais qualquer pedacinho de lagosta, aí sim, polvilhei um queijinho parmesão, dando nova dimensão à receita. Foi como se estivesse diante de outro prato. Ah, os temperos, como são interessantes…

Cherne com molho de camarões e vieiras: até as batatinhas fritas ajudaram...

 Como as vieiras eram o tema, escolhi o peixe servido com um molho preparado com elas e alguns camarões. Originalmente teríamos um linguado. Mas eu pedi um cherne.
O que se seguiu foi sublime. O peixe estava fresco, grelhado certinho, com um molho delirante. As batatinhas que aparecem ài à direita na foto cumpriram um papel fundamental no conjunto: passava elas no molho, levava rapidamente à boca. E pronto: as batatas mantinham a crocância, mas trazendo em sua umidade todos os sabores do rico composto de limão, vinho branco e os sucos deixados pelos pescados.  Por algum tempo, um bom tempo até, ignorei a matéria-prima mais nobre do prato para me dedicar a ficar só molhando as batatinhas no molho. Que beleza. Novamente limpei o prato, me valendo do pãozinho que restou da entrada.
Pulei a sobremesa.
Voltei andando para casa.
E dormi um lindo sono.
 
Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.
 
Anúncios

2 Respostas to “Fisgado pelos pescados do Margutta”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Margutta […]

  2. Paula Says:

    O Margutta não deixa a desejar em nada, também faz ótimas carnes e a mussarela de búfala empanada com molho tomate que é “o molho” é incrível.

    Sempre antendem ao seu desejo, como se fosse uma ordem.

    Belo restaurante. Belo post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: