Archive for novembro \30\UTC 2010

Adegão Português: bamba de São Cristóvão, reduto mais lusitano no Rio de Janeiro

30/11/2010

Azeite, óleo essencial em São Cristóvão e redondezas

São Cristóvão, Benfica e o hoje chamado bairro do Vasco da Gama são tradicionais redutos da comunidade portuguesa no Rio de Janeiro, tanto que o time da cruz de malta está ali. Neste simpático subúrbio carioca encontramos alguns dos melhores lugares da cidade para se comer um bom bacalhau e outras especialidades da terrinha, como o vasto repertório de doces feitos com ovos.

A festa portuguesa que acontece nas manhãs de sábado na Cadeg, em Benfica, é um dos programas mais pitorescos do Rio de Janeiro, uma deliciosa bagunça ao som de cancioneiro popular ao ritmo da sanfona, comidas típicas (dá-lhe bolinho de bacalhau e também o bacalhau e a sardinha na brasa) acompanhado de cerveja e vinho verde tinto em garrafão de um litro, com barraquinha de doces conventuais num canto, bandeira de Portugal e muita animação.

Perto dali está o Adonis, endereço do melhor bacalhau da cidade na minha opinião, e onde é servido um chope primoroso, com colarinho espesso, cremoso. Chope de verdade, comida de verdade, cidade de verdade. Pena que tem carioca que não sai da Zona Sul.

Acontece que o restaurante mais famoso do pedaço, idolatrado por legiões de cariocas há pelo menos três décadas, é o Adegão Português, ali de frente para o Campo de São Cristóvão, o Centro de Tradições Nordestinas. Mas ali dentro quem brilha mesmo são as tradições portuguesas.

O restaurante tem filial na Barra da Tijuca, mas dizem que a matriz é melhor. Hoje as duas ostentam uma estrela do Guia Quatro Rodas (mas o restaurante de São Cristóvão até pouco tempo tinha duas, acabou perdendo uma).

O salão clássico e com aquela classe à moda antiga

Claro que preferi visitar o endereço oficial, uma casa verde de esquina, com dois salões bem tradicionais, com mesas bem espaçadas, quadros pelas paredes e garçons à moda antiga. O cardápio, claro, é de couro.

Basta o cliente se sentar para serem oferecidos bolinhos de bacalhau, primeira pedida de nove entre dez pessoas que comem ali, como pude constatar ao longo da refeição.

Dupla de bolinhos de bacalhau, azeite e boa malagueta feita na casa: receita do sucesso

Pedi uma dupla, que foi frita na hora, chegando à mesa bem quentinha, com casca crocante e um miolo macio, com ótimo tempero. Muita alegria regar com azeite e boa malagueta da casa, que nem foi preciso pedir: elas estão sobre todas as mesas.

Na hora de escolher o prato principal, muita dúvida, e uma única certeza: seria alguma receita de bacalhau. Há uma boa oferta de pratos chamados executivos, para uma pessoa, com preços na faixa dos R$ 39. Para um bacalhau de boa qualidade, está bem.

– Senhor, eu sugiro que peça um prato em meia porção. São postas muito melhores, altas. Pode confiar – disse o garçom, atencioso e simpático, eficiente.

Claro que aceitei a sugestão, e fui investigar o menu tradicional, com pratos individuais entre R$ 60 e R$ 85. Interessei-me por muita coisa: bacalhau na brasa, a gomes sá, a zé do pipo. Tantas receitas interessantes (sem falar em outras tentações listadas no menu, como polvo, cabrito e alheira). Mas, como dizia, estava com espírito clássico, então fui na receita mais emblemática do lugar, o bacalhau à lagareiro (R$ 85 em meia porção), junto de uma meia garrafa de um tinto gostoso do Dão, o Quinta dos Cavaleiros, altamente recomendável.

– Vou pessoalmente escolher a posta – saiu animado o garçom.

Bacalhau a lagareiro: sente só

Tempo depois voltou ele com uma grande travessa, que trazia um pedação de bacalhau, coberto com cebola passada no açafrão, batatinhas portuguesas ao murro, brócolis e alho fatiado, tudo embebido em muito azeite. Uma bela, perfumada e linda cena.

Repara a qualidade da posta, com lascas firmes, nítidas, untuosas e largas, como só os melhores bacalhaus apresentam

A posta realmente era de primeira qualidade. Os acompanhamentos estavam todos os no ponto certo de cozimento. Uma delícia, mas com um defeito muito comum por aí: o bacalhau foi dessalgado além da conta. Era preciso ter ficado de molho menos tempo para emprestar ao prato o sal rico em sabores que lhe conserva. Bacalhau é um prato salgado, que deve estar sempre um degrau acima, deixando justamente para os acompanhamentos a função de equilibrar a receita, sem sal. Estava ótimo. Se não fosse por esse detalhe, estaria perfeito (e do ótimo para o perfeito, como sabemos, há uma diferença enorme. Neste caso está no sal). Ainda assim, aprovado.

Dão Porta dos Cavaleiros, bela exemplar do Dão, amigo de fé do bacalhau

Pedi uma meia garrafa do delicioso Quinta os Cavalheiros, um Dão de bom preço (uns R$ 40 a garrafinha de 375ml).

Toucinho do céu: é isso aí mesmo, espécie de bacon santo, degustado no paraíso

Para encerrar, pedi um toucinho do céu que já se inscreveu entre os melhores da cidade para mim, junto aos doces do Antiquarius e da Alda Maria. Foi escolhido numa bandeja com uma cobertura de vários dessas delícias conventuais feitos às custas de muitas gemas de ovos e açúcar. Para a escolta, uma taça de porto, não podia ser diferente. O tal toucinho do céu do Adegão é isso mesmo que o nome sugere: espécie de bacon santo, doce e amendoado, com massa consistente e untuosa, espatáculo culinário degustado no paraíso. Espécie de glaciar amarelado coberto de neve açucarada. Digno de odes e louvores. E viva a metáfora. E os doces conventuais! E a cozinha portuguesa, maior inspiração dos nossos grandes botecos.

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Majórica: churrascaria à moda antiga que faz bonito (que chuleta deliciosa!)

29/11/2010

A fachada de pedra do belo prédio antigo: em reformas

 

Em quase um ano e meio no ar este blog nunca ficou tanto tempo sem post novo. É que a viagem da semana passada, de Fortaleza a São Luiz, foi extremamente cansativa e com internet bastante capenga durante quase todo o trajeto – isso quando havia algum sinal.

Mas cá estamos de volta. Retomando o assunto que ainda vigorava por aqui, os restaurantes tradicionais.

Hoje a estrela do post é a churrascaria Majórica, no Flamengo, um clássico inaugurado no começo da década de 1960, quando Porcão sequer sonhava em existir. Eu sempre ouvi impressões conflitantes sobre o lugar. Uns amam as carnes assadas na brasa, em bom ponto, suculentas. Outros acham um restaurante caro que serve comida, no máximo, trivial, muitas vezes com erros na execução. A julgar pela minha visita é um dos melhores endereços para se dedicar aos prazeres da carne. Comi ali uma chuleta sublime, servida em três etapas, com tremenda simpatia pelos garçons (já muitas críticas ao serviço, eu fui muito bem atendido, com cordialidade e eficiência).

O salão com muitos objetos de decoração em clima meio campestre meio espanhol

A fachada de pedra do restaurante está em reforma. Eu gosto do estilo.

Pratos na parede, clientes engravatados à mesa: assim é a Majórica

Lá dentro a decoração é bem á moda antiga, com paredes de madeiras e muitos ornamentos, como pratos. Além do comprido salão principal há mais dois, de tamanho razoável, somando uns 300 lugares – e mesmo assim tem dia, nos fins de semana principalmente, que fica fila na porta.

A enorme churrasqueira, estrela dso pedaço: tudo preparado no calor da brasa

No salão reluz a churrasqueira que chamusca as carnes em fogo alto, bem domando pelos assadores. Parte do balcão que protege as grelhas é ocupada por um refrigerador de vidro, que exibe as carnes, prática antiga do Rio que vem se perdendo (para lugares com muito movimento, como é o caso, a exposição não compromete a matéria-prima, mas tem restaurante de frutos do mar por aí que… não sei não, melhor conservar melhor seus pescados). 

A adega, as frutas e, na frente do garçom, a tal assadeira recheada de franguinhos

Há uma bonita adega no lado oposto ao da churrasqueira e, logo ao lado, sobre uma mesa temos uma assadeira redonda que guarda franguinhos de pele tostada, com alto índice de pedidos. Ali há muitas frutas, outra prática tradicional que vem se perdendo nos restaurantes do Rio.

À espera da linguiça, o copinho de Jerez ao lado do menu de couro

Rejeitei o couvert, mas logo pedi uma lingüiça que, em homenagem ao nome da casa e à origem ibérica da casa, foi devidamente escoltado por um copinho de Jerez Tio Pepe, que sempre cai bem com embutidos, acepipes bem salgados e tapas em geral.

O garçom servindo o embutido que vai até a mesa no espeto: dá vontade de pedir dois

A lingüiça era de boa qualidade, assada no ponto certo, e servida com uma belezura de vinagrete. Bom começo de churrascada.

Uma observação: nesta etapa também considero que deve ser ótimo pedido a fritada espanhola ou seja, uma tortilla, que cai como uma luva ao lado de um trago de Jerez fino.  

A partir daí tive enorme dificuldade. Apenas observando o cardápio fiquei indeciso. Levantei-me e fui até o balcão refrigerado que guarda os diversos cortes servidos. Admirado com a beleza de uma bandeja de T-bone, fiquei propenso a pedir este. Mas realmente fiquei em dúvida. Havia belas peças de picanha, apresentada em pelo menos três cortes: inteira (uma lindeza que ser três “mas tem gente que come só” adverte o garçom), ponta (a também conhecida como picanha nobre) e especial (no espeto). Também salivei ao ver steaks de filé mignon apetitosos, fraldinhas insinuantes e um contra-filé de fazer argentino não sentir saudades de um bife de chorizo. E, ainda que o propósito da tarde fosse uma carne bovina sangrenta, fiquei tentado ao ver belos e branquinhos filés de cherne, prontos para dourar na brasa. E igualmente fiquei com imensa vontade de provar os bifinhos de porco à milanesa, que também foram vetados porque o que queria mesmo era uma carne assada no carvão.

O preço não é barato: as carnes custam entre R$ 25 (o peito de frango grelhado) e R$ (dois cortes de picanha: a ponta e a chamada especial, ambas para dois), sem acompanhamento. A melhor solução para escolher as guarnições é optar pelas fórmulas combinadas, como a Oswaldo Aranha, que vem com farofa, arroz, batatas portuguesas (mas pedi a suflê, ali chamada “batata pastel”) e alho frito (que pode ser servido no prato ou à parte, como pedi). Também tem guarnição à francesa, que dispensa maiores esclarecimentos, e à majórica, que o garçom tratou de me explicar e eu me encarreguei de esquecer. Custam R$ 19,50 (e, junto com qualquer carne, servem duas pessoas bem). E, entre as opções de guarnição “solo”, temos aquilo tudo a que nos habituamos a ver em casas do gênero: arroz biro-biro, cebola empanada, aspargos na manteiga, brócolis ao alho e óleo, banana à milanesa, creme de espinafre, farofa dolabella, aquela com muito ovo e alguma farinha… Eu, que aprecio um bom filé à cavalo vejo com bons olhos a possibilidade de pedir um ovo frito. Também recomendo, para acompanhar a carne adequadamente e com muito menos calorias, a salada de rúcula com tomate que, coisa rara entre saladas, tem ótimas referências.

Então, como dizia, fui até a vitrine refrigerada para escolher minha carne. Cheguei a pedir o t-bone, que custa R$ 50. E, num gesto simpático, o garçom me recomendou a chuleta, ao preço de R$ 43, observando o meu apreço por carnes que venham com osso.

A chuleta servida com o acompanhamento à oswaldo aranha: encaixe perfeito, carne macia, uma delícia

A batata suflê me pareceu a melhor da cidade. E a farofa de ovos cumpriu bem o seu papel de absorver os caldos que a carne malpassada vai soltando conforme é fatiada pela faca. O arroz, que não me comove, estava ok

 E a carne estava ótima, um pedação alto junto ao osso. Macia, com sabor defumado da fumaça do carvão, rosadinha, suculenta e com bom nível de sal. Como disse, era um corte grande, que serviria duas pessoas. Eu estava só.

Depois de um tempo a carne pode voltar à brasa, por sugestão do garçom: recomendo

Logo veio o garçom, me oferecendo levar a carne novamente à churrasqueira para levar um susto e voltar quentinha. Ótima solução, em boa hora, porque ela já vinha esfriando. A carne voltou e pouco depois lá estava eu soltando a carne do osso, com alguma dificuldade.

– Posso levar para desossar e trazer só a carne – ofereceu o garçom, para o meu imediato consentimento.

Fechei a refeição saboreando essa que é a melhor parte, aquela carne macia e úmida que se localiza colada ao osso.

Dispensei as sobremesas, lista que tem como emblema a torta Santiago, feita com nozes e servida com sorvete de creme. Essa fica para a próxima, assim como a tortilla, a salada de rúcula com tomate, as versões de picanha, os bifinhos de porco à milanesa, as receitas de cordeiro, a maminha de alcatra fatiada, o galetinho inteiro… Para as próximas, melhor dizendo.

Depois pedi o café.

E saí contente.

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Cabrito do Nova Capela, por Claude Troisgros, para encerrar o assunto

21/11/2010

Cabrito, alho, arroz com brócolis: receita da felicidade à mesa

“A gente vai comer o pernil de cordeiro do Capela porque sabe que ele está sempre do mesmo jeito, isso é consistência, algo muito importante”.

Cabrito ou cordeiro, não importa. O fato é que a frase foi publicada ontem na coluna Gente Boa, de O Globo. E o autor é ninguém menos que o Claude Troisgros. Simplesmente ele. Vai ver que o cara não entende nada de comida, né?

De lambuja, e só de sacanagem, o restaurante que serve bolinho de bacalhau ruim, cabrito decadente e chope mal tirado, esse mesmo lugar ainda faturou o título de “melhor restaurante tradicional do Rio de Janeiro” no Prêmio Rio Show de Gastronomia, na noite de quinta-feira. Pois é.

Quem quiser saber mais sobre o assunto é só clicar aqui ou aqui.

Este blog, pessoalmente, declara totalmente encerrado por aqui esse assunto. E, na outra semana, depois de voltar da jornada nordestina, uma viagem à beira mar de Fortaleza aos Lençóis Maranhenses, aventura que se inicia hoje, vamos ao Nova Capela comer bolinhos de bacalhau, perninhas de cabrito e derrubar alguns chopes. Pra comemorar.

E viva o Nova Capela! E viva a tradição gastronômica carioca!

 

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O mistério das empadas serranas e praianas

20/11/2010

Empadinhas da Leiteria Santo Antônio, um clássico de Teresópolis, verdadeiras obras e arte: com ou sem pimenta?

Tem coisas que são engraçadas, né? Aqui no Estado do Rio são muito famosas a tal “Empada Praiana”. Ainda mais conhecida é a marca Empada Brasil – que faz questão de agregar ao nome a sua origem, Petrópolis. Temos ainda a também célebre Empada Carioca, que já chegou até a Rondônia.

Acontece que, em primeiro lugar, as melhores empadas não são encontradas na praia, mas na serra. Não são praianas nem cariocas. E, em Petrópolis, as melhores empadas são outras que não a tal Brasil. Duas empadas petropolitanas me chamam muito mais a atenção, e na verdade são muito mais gostosas: as da padaria Pão & Pão, em Nogueira, e a de queijo servida na Pousada Alcobaça. Muito boas.

Não Pão & Pão, uma portinha deliciosa na pracinha da estação de Nogueira, bem em frente a ela, todas as empadinhas são forradas com catupiry e depois cobertas com recheio e a massa, que é leve e gostosa. Tem vários recheios legais, tipo carne-seca, camarão. Mas acho que a minha preferida é a de berinjela. São, todas elas, bem melhores que as praianas, brasileiras, cariocas.

Na Alcobaça, onde só estive uma vez, comi uma empadinha deliciosa, caseira, macia, aconchegante. Demais.

Em Teresópolis também como empadinhas sublimes, bem melhores que essas mais afamadas. A começar pelas que são servidas na Leiteria Santo Antônio, no Centro da cidade, na Rua Duque de Caxias. Eles servem ali umas empadas maravilhosas, com recheios impressionantes, todos apresentados em duas versões: com ou sem pimenta, e eu sempre peço as com. A de carne-seca é obra de arte.

Ao lado da gostosa pizzaria Manjericão, ainda em Teresópolis, na outra esquina, tem um cara que faz empadas também lindas. Ele fica ali, na saída do Comary, com seu carrinho em vermelho e branco, vestido impecavelmente com calça e camisa social. Da chaminé de seu carrinho sai uma fumaça. E eu sempre passava por ele, sem fome, mas curioso para provar o acepipe. Até que um dia parei. Comi umas de três. Se me lembro bem, de camarão, carne-seca e calabresa. Todas estavam deliciosas, não só pela massa com aquelas importantes propriedades já apresentadas nesses texto, como a leveza, mas também pelos recheios, com gostinho caseiro, de comida da vovó. E ainda tem o cheirinho de fumaça, que não assa  o salgado, como eu acreditava, mas apenas mantém quente a pequena estufa que guarda e exibe as gostosuras. Custa R$ 2 cada uma. Relação custo-benefício em termos de prazer muito difícil de se superar. Ah, a empada da Leiteria Santo Antônio também custa R$ 2, e igualmente é capaz de causar calafrios de tão gostosa. Ainda mais se ela vier, como sempre vem, na escolta de uma boa e gelada cerveja.

Prêmio Rio Show de Gastronomia confirma: 2010 foi o ano de Roberta Sudbrack

19/11/2010

Roberta Sudbrack voltou para casa merecidamente com três prêmios: melhor chef, restaurante e contemporâneo. Bem que eu avisei...

Depois do jantar de apresentação da nova coleção da Roberta Sudbrack, eu disse que a chef ia faturar todos os prêmios de gastronomia este ano. Não deu outra, faltava apenas o Prêmio Rio Show, que foi entregue ontem. E ela fez barba, cabelo e bigode, ganhando três troféus: melhor chef, melhor restaurante e melhos restaurante contemporâneo.
Antes a chef já tinha ganho os prêmios da Vejinha, da Prazeres da Mesa.
Bem, acertei a previsão. Mas não há mérito nisso. Foi fácil. Depois de provar o novo cardápio da casa do Jardim Botânico, não tinha como não acertar.
A cozinha da Roberta Sudbrack foi o destaque do ano, não no Rio de Janeiro, mas no Brasil.
Parabéns, chef. Foi merecidíssimo.

Quem também brilhou ontem foi o Le Pré Catelan de Roland Villard, que ganhou os prêmios de melhor restaurante francês da cidade e também o de melhor decoração. O Braseiro da Gávea também se saiu muito bem, ganhando os prêmios de melhor para paquerar (que termo mais antiquado, né?) e custo-benefício. Outro que ganhou dois quadrinhos para prender na parede foi o o Garcia & Rodrigues, que triunfou em doce e café da manhã. E também o Astor, absoluto como melhor novidade (justo) e melhor para namorar (muito injusto). O Cipriani por sua vez ganhou o prêmio de melhor Italiano do Rio. O Adegão Português ganhou na sua especialidade (isso agora, depois que Antiquarius, Celeiro, Gero, Olympe e Satyricon foram alçados à categoria hors-concours, e nãop puderam concorrer). Também fez belo papel o Nova Capela, que ganhou o de melhor tradicional, o Jobi, que levou para casa o troféu de melhor pé-limpo, enquanto o Pavão Azul ganhou o de pé-limpo. O Bar Urca também deveria virar hours-concours, porque aquela mureta, ainda que os debilóides do poder público queiram acabar com isso, aquela mureta é imbatível. O Sawasdee venceu na categoria oriental, enquanto o Terzetto ganhou em vinhos, o Porcão em carnes, o Fasano al Mare em serviço, o Amir em árabe, o Gula Gula em salada, o Albamar em peixes e frutos do mar e por aí vai. Uma pequena observação: achei boa a ideia de cada jurado votar em dois restaurantes, acho que assim o resultado acaba refletindo melhor a opinião de todos.

Papelão mesmo fez este blogueiro. Que foi ao banheiro no exato momento em que foi chamado para subir ao palco para entregar o prêmio. Que vergonha. Mas o melhor de tudo foi escutar o meu nome sendo dito na voz da Maria Fernanda Cândido, na hora da apresentação dos jurados. Fiquei até vermelho…

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O cabrito do Nova Capela: mais duas opiniões respeitáveis

18/11/2010

O comentário do Bicho: "A camada externa que eu julgava seca se mostrou – já na primeira mordida – na verdade muito crocante. O interior que eu imaginava rançoso veio concentrado com aquele sabor deliciosamente cordeiroso. A gordura solidificada tinha se transformado em carne muito úmida e macia"

Muito bom este link aqui embaixo, do Que Bicho Me Mordeu, sobre o cordeiro (ou seria cabrito?) do Nova Capela.

 http://quebichomemordeu.wordpress.com/2009/09/19/o-que-o-japao-sim-aprende-do-rio

Aliás, falando nisso, o Moa me escreveu dizendo que “vc sabe que o Rio é tão charmoso no andar, na natureza, nas pessoas, que a gastronomia é tratada como cotidiano  banalizando raridades como a empada do Carangueijo, a fritada do Paladino ou o cabrito do Capela, uma excelência no paladar da madrugada: – gosto muito!”
No Nova Capela, o sublime vira banal.
Está dito por quem sabe.

E ainda tem mais. Ontem, depois de eu escrever este post, o Nova Capela faturou o Prêmio Rio Show de Gastronomia de “Melhor Cozinha Tradicional”. Pior é que tem gente que acredita que, ao falar mal do Nova Capela, está contibuindo para formar uma “massa crítica”, seja lá o que isso signifique, gente que acredita que, assim, está contribuindo para a gastronomia carioca. Francamente…

Para saber mais sobre este assunto, clique aqui.

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Mosteiro: um restaurante que merece uma missa em sua homenagem (e uma pensata sobre o trabalho das assessorias de imprensa e o dos repórteres)

17/11/2010

O salão classudo, com muita madeira, sempre tem gente, uma clientela fiel (e bastante sabida)

Outro dia li no blog da Luciana Fróes uma crítica de uma leitora se queixando das assessorias de imprensa. Segundo ela seriam essas empresas as responsáveis por restaurantes tradicionais fecharem as portas, no caso o post falava do Astrodome.
Mas que bobagem. As assessorias apenas fazem o seu trabalho. Quem está errado mesmo são as pessoas que escrevem sobre restaurantes, que aceitam qualquer pautinha besta, do tipo que junta dez clientes de uma mesma assessoria. Estão errados os assessores? Não, errados estamos nós, os repórteres, e também os críticos e outras denominações para pessoas que escrevem sobre comida. Já vi matéria com uns sete ou oito restaurantes, todos da mesma assessoria. Pode? Não deveria poder, mas sabe como é, né? Repórter até pode aceitar sugestão de assessoria, mas seu dever é estar na rua vendo o que há de novo. Repórter até pode visitar restaurante a convite, mas seu dever é frequentar os restaurantes da cidade por sua conta. Quem deve pautar o repórter, afinal, é ele mesmo, seus leitores e seus editores, e não os assessores. Mas não é que o tem acontecido, e isso não se restringe à área da enogastronomia, que fique claro. Repórter até pode pedir informações por e-mail, na correria. Mas seu dever é ir apurar as coisas onde elas acontecem. É entrevistar pessoalmente, ou pelo menos pelo telefone. É ver para crer. Ou não crer.
Esse preâmbulo é só para falar de dois restaurantes tradicionais que vivem lotados e não têm assessoria de impresa, visitados por mim não faz muito tempo: o luso-internacional Mosteiro, no Centro, e a churrascaria Majórica, no Flamengo (como hoje uma chuleta lá que não me sai da memória: com gosto de churrasco de antigamente, sabe? Um defumado de carvão e gordura. Delícia).
Não tem jeito: entra ano, sai ano, eles estão sempre cheios, e não precisam de assessoria de comunicação, porque servem comida honesta, sem firulas. Não precisam de mídia. Basta continuarem fazendo o que fazem há décadas: servir boa gastronomia.
Primeiro vamos falar do Mosteiro, que há muitos anos ostenta estrela do Guia Quatro Rodas, honraria maior da gastronomia brasileira (outro dia tratamos da Majórica, que me encantou). Esse restaurante tradicional do Centro do Rio andou saindo nos jornais não faz muito tempo. Mas não pense que foi por causa da sua comida, que é muito boa, mas pelo simples fato de que a casa pertence ao pai do ministro da Saúde José Temporão. Olha só que coisa… Até houve quem tivesse louvado as suas empadas, os pratos de bacalhau fartos e bem feitos. Mas o assunto nem era esse, eram as visitas do Temporão, filho, ao restaurante. Veja só que coisa esquisita…

Empadas irresistíveis circulam pelo salão: peça-as, por favor

Pois bem. O Mosteiro é um endereço certeiro para uma refeição à moda antiga no Centro. Nada de espuma, nada de louça chamativa, nada de sommelier famoso ou moça bonita na porta (que fique claro, não sou contra nada disso, até pelo contrário, mas quero reforçar que um restaurante não precisa disso. Pode ter, é interessante, mas não precisa). No Mosteiro tem boa comida, e só. E alguém lá precisa de algo mais que isso?
Pois então vamos falar dela, a cozinha, que é na verdade a única coisa que importa verdadeiramente em um restaurante. O resto é isso, o resto: serviço, talheres de prata, toalhas de linho… De que adianta se a comida é ruim? De nada, ao menos pra mim. Comida ruim, afinal, é o fim (e foi mal pela rima pobre, que não foi proposital).

Bolinhos de bacalhau também são oferecidos à mesa pelos garçons: regue com azeite e pimenta e seja feliz

No Mosteiro é praticamente obrigatório começar o trabalho com as empadas e os bolinhos de bacalhau, que vão circulando pelo salão sempre quentinhos, servidos pelo garçom (não acredito que você pensava que esse recurso tinha sido inventado pelo Belmonte, né?). São ótimos.

O Mosteiro tem até aqueles carrinhos de bebida , que andam sumidos por aí

Enquanto degustamos os acepipes e avaliamos o cardápio é possível apreciar o salão elegante, com muita madeira e até alguns detalhes de gosto muito duvidoso, como a fonte que enfeita (eu disse enfeita???) a entrada.

Na adega repousam ótimos vinhos, com destaque para os portugueses

Na bonita adega repousam grandes vinhos, e outros não tão bons asssim, mas com preços justos, por isso, quase todas as mesas têm garrafas sobre elas.
Avaliando as entradas se percebe claramente as fortes inclinações lusitanas (sardinha com salada de agrião, queijo da Serra da Estrela…). Essa impressão se confirma ao percorremos o restante do menu, cujo setor mais importante, e vasto, é aquele dedicado aos pratos de bacalhau: são dez receitas no total, entre elas o Mosteiro (grelhado, com brócolis, cebola, ovo e batatas cozidas), o à Zé do Telhado (lascas grelhadas com cebola, azeitona, batatas, pimentão e gratinado) e a fritada de bacalhau à Jair Coser (lascas de bacalhau, ovos, cebolinha, salsa, tomate e batatas cozidas).
Outra seção altamente relevante é aquela, logo abaixo, que lista os pratos de peixes e frutos do mar, que igualmente merece consideração. Tem um monte de coisa boa, veja se não tem: haddock escocês defumado à beurre noir (cozido ao leite com batatas cozidas), risoto de Camarão VG à Don Rivera (com arroz, tomate, cebola e ervilhas e grão), espetada mista de frutos do mar (com polvo, lulas, camarão, peixe, pimentão e cebola), frutos do mar à provençal (lulas, peixe,camarão, polvo e molho de tomate), polvo à Don Luiz Leite (guisado com arroz e brócolis), polvo grelhado com arroz e açafrão, moqueca de badejo, entre outros. Um dia vi no salão ser servido um camarão ao catupiry. E até eu, que desenvolvi certa aversão a esse queijo, que considero gostoso, até eu fiquei vontade de ir lá e pedir esse prato que na adolescência já foi a minha receita favorita.
Aliás, reparou quantos pratos levam nome de gente?
E o restante do menu continua assim, um festival de clássicos: filé chateaubriand (tornedor com molho de champignon e arroz à piamontese), filé mignon à La Broche (ponta de filé mignon com batata prussiana), tornedor ao molho de mostarda com batatas cozidas, filé à Oswaldo Aranha e assim por diante. Como boa casa portuguesa é servido um substancioso arroz de pato, com certeza. E, entre as sobremesas, uma bela seleção de doces da terrinha, como a barriga de freira, o toucinho do céu, o pastel de natas. Mas também tem goiabada com queijo, morango com chantily e até um irresistível mineiro de botas (para quem não sabe, e sei que muita gente não sabe, trata-se de uma combinação de banana, queijo minas, ovo, canela e açucar caramelizado. Belezura).
Já estive no Mosteiro umas cinco ou seis vezes. Nunca foi barato, mas sempre saí de lá feliz da vida. O Mosteiro, na Rua São Bento, merece uma missa. Com direito a canto gregoriano, como a que acontece perto dali, no Mosteiro de São Bento que, aliás, lhe empresta o nome e batiza a sua rua.

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Rio Minho: restaurante mais antigo do Rio, inaugurado em 1884, um porto seguro para comer pescados

16/11/2010

A porta de vidro para o salão refrigerado: entrada do restaurante mais antigo do Rio de Janeiro, segundo do Brasil, inaugurado em 1884

Era uma barganha. E me lembro bem do preço e ocasiões, todas elas (ou quase todas). E olha que foram muitas.
Dizer que me lembro do preço é meia verdade. Recordo-me só mesmo que era barato, coisa de uns R$ 12, numa quantidade que acredite você dava até para dividir entre duas pessoas sem fome avassaladora, o que não é o meu caso (mas já vi duas damas e até casais, repartindo o prato farto, transbordando tentáculos de polvo).

A fachada do Rio Minho, outro clássico carioca

O cardápio do Rio Minho, o restaurante mais antigo do Rio de Janeiro e, segundo constam os arquivos históricos, o segundo mais velho do Brasil, atrás apenas do espetacular Leite, em Recife, mas, pois bem, o cardápio do Rio Minho não é extenso nem curto, trazendo uma seleção de receitas que valoriza os pescados que o dono, o espanhol Ramon Dominguez, vai diariamente buscar em Niterói (o restaurante já pertenceu a portugueses, daí o seu nome, mas desde a década de 1980 o dono é esse espanhol zeloso, que dá expediante ali todos os dias).
– Acordo uma três e meia para logo depois das quatro estar chegando ao mercado para comprar peixes, crustáceos, mariscos.

A fachada do restaurante na Rua do Ouvidor: o "bunda de fora" está escondido na Avenida Alfredo Agache, com vista para a Perimetral

O restaurante inaugurado em 1884 tem ambiente à moda antiga, e garçons como tal. Mas no salão refrigerado, confesso, estive pouco, umas cinco vezes, sempre em missões oficiais (uma vez almoçando com diretores do jornal, nos tempos de JB, noutra com o pai e um amigo, numa outra como inspetor do Guia Quatro Rodas, e por aí vai). Fui muito ao Rio Minho. Por alguns períodos semanalmente, eu diria. Mas sempre gostei – e era o que podia pagar – de ficar no balcão ao estilo “bunda de fora”, essa estética botequeira tipicamente carioca na qual derrieres ficam voltadas à rua, num projeto arquitetônico de valorização de espaço absolutamente genial. Preferia ficar lá por várias razões, entre as quais o fato de que ali os pratos custam a metade do preço do salão. Nem é metade exatamente. A matemática é mais complexa. Os pratos no balcão “bunda de fora” custam cerca de um terço do preço dos que são servidos no salão, trazendo apenas um pouco mais que  metade da quantidade, servida num prato. Sim, é um PF mesmo. Dos melhores que já comi na vida.

Bolinhos de bacalhau: entre os melhores da cidade, com casquinha crocante e recheio de massa muito saborosa e bem temperada

Enquanto isso, lá dentro, cada receita é apresentada elegantemente, como nos melhores restaurantes, em travessas, em quantias fartas para serem compartidas por pelo menos duas pessoas (bom mesmo é estar em grupo, e pedir várias receitas, para ir mordiscando tudo, aleatoriamente: primeiro os bolinhos de bacalhau carnudos, depois os camarões gordos, os lagostins explosivos, o cherne tenro, a lagosta apetitosa, os anéis de lula crocantes, e o polvo que parece manteiga quente de tão macio.  Impressionante como são bons os frutos do mar e peixes no Rio Minho. Impressionante. Fecha parêntese).

Detalhe dos azulejos da fachada do restaurante

 Pra provar um pouco de tudo, a melhor pedida é o misto de frutos do mar grelhados, com filé de cherne, polvo, camarões, cavaquinha, mexilhões e lulas preparados na chapa e acompanhados de arroz de brócolis e alho frito. Mas este prato só está disponível no salão.

O poalvo ao alho e óleo custa cerca de R$ 20: não há comida melhor no Rio de Janeiro a este preço

Não tem problema, o cardápio “bunda de fora”, se não é extenso, pelo menos é varido e consitente. Tem bobó de camarão, cherne com molho de camarão, sopa Leão Veloso, que teria sido criada ali, polvo ao alho e óleo com arroz de brócolis (sempre com uma porção extra de alho frito). Nessas sinfonias marinhas sempre cabe um belo fio de azeite e algumas colheradas (ou gotículas, dependendo do gosto de cada um) do forte molho de pimenta da casa, belo conjunto de malaguetas adormecidas num caldo bem temperado, com louro e alho, acredito, num resultado aromático, intenso e ardente, como devem ser os molhos de pimenta que infelizmente andam em faltam por aí, assim como as boas casas do ramo “comida brasileira simples e bem feita”).
Gostava de acompanhar o almoço com um garrafa de Serramalte, isso num tempo em que Serramalte não era cerveja servida no Rio de Janeiro, mas no Rio Grande do Sul. Não havia, como há hoje, em qualquer boteco. Mas no Rio Minho tinha.

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O baile de debutantes de Búzios

12/11/2010

A Orla Bardot, passarela de Búzios, que está completando 15 anos hoje

Búzios está completando exatamente hoje 15 anos de emancipação de Cabo Frio. Claro que só podia mesmo cair emendando com um feriado, né?

Coincidentemente agora, em mais dez minutos, tô pegando a estrada para lá.

Confesso que não é o baile de debutantes buziano, nem a provável edição especial – e histórica – do jornal O Peru Molhado, que me levam até lá.

Vou conferir as novidades, entre elas os novos cardápios do Marina, com assinatura do Danio Braga, e do Quadrucci, que tá de chef novo, Ronaldo Canha.

Também está nos planos um almoço no Satyricon, que é um espetáculo, possivelmente o restaurante mais agradável do Estado do Rio de Janeiro (junto do Le Gite d’Indaitiba, em Paraty), com uma varanda deliciosa, com vista para os barquinhos que balançam na Armação.

Também vamos brindar com champanhe no bar La Rocka, na Praia Brava, que embora tenha poucos anos de vida, uns dois ou três, no máximo, é um dos lugares mais especais da península, um bar pé na areia muito chique, com comida de primeira linda, e uma seleção de pescados frescos de pirar o cabeção.

Outro boteco praiano de responsa, o Quiosque do Ranieri, na (ainda) desconhecida Praia de José Gonçalves, também será visitada. Será no domingo, que passo no Breezes Búzios Resorts & Spa, em Tucuns, perto dali.

E, claro, sempre de olho nas surpresas que todo o bom caminho nos reserva.

Astrodome fecha as portas. E eu choro

11/11/2010

 

Uma das refeições mais emocionantes do ano passado foi, sem dúvida, o almoço no restaurante Astrodome.  Foi até gostosa a comida. Mas a emoção não veio daí, sim das lembranças do avô, que comia ali sempre, e me levou diversas vezes para acompanhá-lo. Chorei, como choro agora.

Deu hoje no Ancelmo: o Astrodome fechou.

Era de se esperar. Senti um clima de fim de festa no ar. Sei lá. Decadence avec elegance. 

Vou aproveitar para incluir, lá no Índice de posts de restaurantes, ao lado do nome da casa, uma cruz, indicando o seu falecimento. Até porque quero escrever sobre outros restaurantes que agonizam mas não morrem, como o samba. Caso, por exemplo, do Cosmopolita, que sucumbe ao mau gosto que impera nas novas gerações de cariocas, que andam fresquentando e adorando lugares para lá de estranhos, não é verdade? Assim, sofrem alguns clássicos. Uns merecidamente, caso do Lamas e do Le Coin (o II, porque o I já se foi há tempos. Em seu lugar abriu mais um restaurante inexpressivo, e talvez haja gente que goste dele). Outros sem qualquer razão de ser, como o Cosmopolita e o Nova Capela.