Gero x Fasano: qual é o melhor restaurante para um almoço nos dias de semana, com o menu mezzogiorno

O bar do Fasano al Mare, sempre com champanhes a gelar: menu a R$ 78

Mas e então: afinal, qual é o melhor restaurante para um almoço nos dias de semana, com o menu mezzogiorno, Gero ou Fasano?

O salão do Gero: almoço chique e sempre gostoso a R$ 85

No post anterior eu escrevi sobre a personalidade de cada um dos restaurantes, elementos figurarivos, metáforas, seguindo uma linha de raciocínio absolutamente psicológica. Clima, decoração, conceito, arquitetura, localização e por aí nos fomos. Nem falamos de comida, que é, no fundo, o que mais importa em um restaurante.

Abobrinhas fritas: valem fácil, fácil, os R$ 7 de diferença e são uma ótima companhia para uma taça de borbulhas

Hoje a intenção é comparar os dois cardápios.  O preço é bem equivalente: R$ 85 no Gero e R$ 78 no Fasano. A diferença de R$ 7 se justifica totalmente. No Gero a refeição começa sempre ao sabor das lâminas de abobrinha fritas, crocantes, salgadinhas, indispensáveis e inesquecíveis. Peça uma taça de espumante para fazer a boca comendo o legume deliciosamente preparado. No Fasano essa cortesia não há.    

Couvert do Gero: é bom, mas é caro (R$ 20) e inflaciona demais a conta do mezzogiorno

Em ambos eu dispenso o couvert, que custa R$ 20 e, assim, aumenta a conta (da comida) em 25%, em média. Acho que não vale a pena, ainda que os grissini sejam ótimos e os pães, bem gostosos, assim como as pastinhas que acompanham a brincadeira, pelo tempo que o cliente quiser. Ou seja, se a idéia é um almoço longo, que vá pela tarde adentro, acho que aí, sim, pode começar a valer pena.

O menu do Gero é bem maio, com 22 pratos quentes para escolher, entre eles esse belo ravióli de hadocck com aspargos e açafrão

Os menus são bastante diferentes entre si, e o do Gero é muito maior: são dez entradas e 22 pratos principais (nove massas, cinco risotos e oito “piatti diversi”, com receitas de carne e pescados), contra nove entradas e cinco pratos principais no Fasano.

O irresistível carpaccio com torradinhas de migas indispensáveis é o único prato que se repete, acho eu

Acho que apenas um prato se repete, o carpaccio de filé, servido com vinagrete de azeitonas pretas e pinoles. Carpaccio e Fasano têm tudo a ver e acho esta sempre uma boa opção, melhorada ainda mais pelas torradinhas de pão de miga, complemento perfeito à delicadeza da carne, dando crocância ao conjunto.

Minilulas com ervilhas e nhoque de azeitona no molho de tomate: para mim, a melhor entrada considerando as duas casas da famiglia Fasano em Ipanema

Na minha opinião a seleção de entradas do Fasano  al Mare é bem mais interessante, criativa, e mesmo gostosa. Acho sublime o “calamaretti com piselli e gnocchetti di olive nere”, uma espetacular combinação de minilulas com grãos de ervilhas fresca, pedacinhos de tomate e um sensacional nhoque feito com azeitonas pretas. Adoro essa. Em segundo na minha lista de preferência aparece o carpaccio de atum com champignon, tomate seco e rúcula.

Outra boa pedida no Fasano: polvo grelhado em cesta de pão com feijão branco

Igualmente fazem bonito o polvo grelhado em cesta de pão com feijão branco (grão, aliás, que é um dos ingedientes favoritos do chef Luca Gozanni) e a cevada com salmão, molho de nozes e vinagre balsâmico. Também recomendo, especialmente para os dias quentes, a salada caprese com azeitonas pretas, a saldada verde com presunto de Parma, tomate seco e ricota defumada e os legumes grelhados com trouxinha de brie e rúcula.

O menu de almoço é uma bela oportunidade de provar o vitello tonnato, um clássico

No Gero a base é mais clássica. Para pegar leve podemos escolher entre a salada caprese, esta com mussarela de búfala e tomate ou a salada com queijo da cabra e pêra, que fica uma beleza com um vinho bem jovem e fresco, com um bom Sauvignon Blanc. O menu de almoço é uma boa oportunidade de experimentar o vitello tonnato, clássico da famiglia Fasano, delicadas fatias de carne de vitelo cobertas com molho de atum e alcaparras, tudo servido geladinho, pura refrescância.

Carpaccio de peixe branco no Gero: fresco e leve

O carpaccio de peixe branco do dia é sempre bom, temperado com pedaços miudinhos de cenoura e abobrinha, tirinhas de hortelã e flor de sal, tudo regado com bom azeite e uma pimentinha moída na hora. Para quem quiser algo mais quente, temos duas – e ótimas – polentas, uma com molho de cogumelos, outra com cogumelos e lingüiça. Italianíssimo.

Salmão marinado com dill e mostarda em grãos: olha só que belezura de entrada

Também recomendo com ênfase o salmão marinado com dill e mostarda em grãos, igualmente servido na ilustre companhia das torradinhas de pão de miga, um escândalo para essas ocasiões de carnes cruas.
Os dois percursos de entrada são ótimos, mas pessoalmente hoje estou mais para o Fasano, que vai liderando a parada por 1 a 0, vitória magra, bem apertada.

Purê de batata finalizado à mesa: sensacional, ótima companhia para carnes (e também para um bom peixe do dia grelhado)

Agora vamos à seleção de pratos principais. Neste quesito, em termos de quantidade, o Gero bate de longe, como já foi falado: são 22 pratos, contra apenas cinco do Fasano, divididas entre massas, carnes e uma seleção de receitas com destaque para pescados e carnes (neste setor é sempre uma boa pedir este fantástico purê, finalizado à mesa). Na casa da Aníbal de Mendonça fica até difícil escolher. Há coisas sensacionais, como o ravióli de pato com molho de laranja, outro clássico da grife Fasano, um espetáculo. Ainda no setor de massas, brilha nas tardes de verão o linguine com vôngoles, a clássica lasanha com ragu de carne (ou à bolonhesa, como se convencionou chamar por aqui), o tortelli de haddock com molho de aspargos e açafrão (maravilhoso mesmo, mas um pouco seco, pedindo uma boa regada de azeite bom) e o ravióli de mussarela com molho de tomate e manjericão, um daqueles exemplos de como a comida pode ser simples e divina ao mesmo tempo. 
A seleção de risotos, cinco no total, é bem interessante: tem de aspargos com camarão, de cogumelos secos italianos, de galinha d’angola, de codorna com verduras e de açafrão com ossobuco e cogumelos, todos com o padrão de qualidade habitual das casas do grupo, o que significa ingredientes de boa procedência e tempo correto de cozimento.

Galinha d'angola com cogumelos e duas polentas: meu favorito no Gero

Encerra o extenso menu os pratos diversos, lista que traz sempre um peixe do dia, que pode ser servido com acompanhamentos variados, o pargo cozido com molho de alcachofrinhas, e piccata al limone (que são delicados escalopinhos de vitela com molho de limão), entre outras receitas simples, mas sempre bem executadas. Neste setor eu prefiro, de longe, a faraona al funghi com polenta fresca: trata-se de um macio e suculento filé de peito de galinha d’angola com molho de cogumelos servido com duas polentas frescas, uma amarela e outra branca. Mas não custa lembrar: o purê finalizado à mesa também é ótima companhia, até melhor, eu diria perfeita.

Risoto de camarão com limão siciliano do Fasano, o meu preferido no restaurante da Vieira Souto, boa pedida para o verão ao lado de uma tacinha de vinho branco

Já o Fasano al Mare tem uma lista curta, mas de boa cepa, onde se destacam o risoto de camarão com limão, o meu preferido, sempre delicioso, e o espaguete com vôngole. Com o tempo aprendi também a gostar do salmão pochê ao molho de tomate, azeitonas pretas e purê de batata com ervas finas. O ravióli de mussarela com tomate fresco também é brilhante em toda a sua simplicidade franciscana. Para os carnívoros, a tagliata de filé com alecrim e aceto balsâmico faz bonito (comi o prato duas vezes: numa delas a carne veio muito passada, não curti, mas insisti em provar de novo a receita, porque queria comer carne, e também dar uma segunda chance, e aí ela veio no ponto certo, sangrando, macia, salgadinha).
Aqui, apesar da excelência do risoto de camarão com limão do restaurante praiano, a variedade de pratos e a possibilidade de provar por um preço mais acessível algumas receitas clássicos do grupo Fasano, me faz empatar esse jogo saboroso: 1 a 1.

Mil folhas: imbatível nas duas casas

Agora vamos às sobremesas. Aqui não tem muito o que avaliar: são praticamente as mesmas. O célebre millefoglie Fasano clássico é, nas duas casas, a minha sobremesa preferida, com massa delicada e crocante e um creme delicioso, tudo valorizado pelo creme inglês salpicado de sementinhas de baunilha.

A panna cotta de baunilha é sempre um encerramento de gala: delicado, leve e saboroso

Também vão bem a panna cotta de baunilha, o creme brulée ao limão, …

Tiramisu: outro clássico como fecho de ouro para uma refeição alla italiana

… o tiramisu, …

Tortinha de chocolate com avelãs e sorvete de baunilha, também sempre infalível

…a torta de chocolate com avelãs, o pudim de pão com creme de baunilha, a torta de limão e a “meringata di gelati Allá italiana”, ou seja, suspiros com sorvete. Aqui não poderia ser diferente, há um empate.

Eu diria que uma taça deste vinho, doce e sedutor, é quase obrigatória junto da sobremesa

E não importa onde você esteja, sempre vale a pena investir neste delicioso vinho doce da Di Lenardo para acompanhar as sobremesas dali, especialmente o mil folhas.

Cafezinho espresso do Fasano, com delicados petit fours, como essa cestinha de chocolate com maracujá, à direita, absolutamente deliciosa

Ainda temos o cafezinho, sempre bem-feito e indispensável, especialmente depois de um almoço desses, no meio de um dia de trabalho, para levantar o moral do cidadão. Aquela telha de amêndoas é uma delícia, e acompanha o espresso no Gero e no Fasano, mas este leva uma vantagem, porque ali o pratinho de petit fours é mais interessante, e chega à mesa povoado ainda por uma tortinha de chocolate de enternecer, além de um delicado macaron de chocolate, e de uma espécie de profiteroles com chocolate em pó.
Poderia, por isso, quem sabe, acrescentar mais um ponto ao Fasano, que ganharia a partida por 2 a 1. Mas, pensando bem, não seria justo, até porque, no quesito principal eles ganharam.
Eu, pessoalmente, como já disse, ando numa fase mais Fasano. Mas já me conheço, e sei como é: daqui a pouco muda. E depois muda de novo. E de novo, e de novo…
Declaro, então, um empate técnico na peleja. E cabe a você, de acordo com a sua fome, estado de espírito e outras variáveis, escolher aonde ir. Porque tanto o Gero quanto o Fasano são infalíveis, sempre uma bela pedida para o almoço de segunda a sexta, com preço muito mais interessante que o jantar.  Mas só tome cuidado com a água e o vinho, que podem fazer um estrago na sua conta.

Depois de um almoço assim, é só fazer como cantou Jobim: "andar pela praia até o Leblon". Depois de uma tarde dessas, a vida passa a fazer mais sentido

Obrigado.
Tchau!

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Anúncios

6 Respostas to “Gero x Fasano: qual é o melhor restaurante para um almoço nos dias de semana, com o menu mezzogiorno”

  1. Almoço executivo, o mezzogiorno: qual é o melhor, Gero ou Fasano? « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] « Bar da Amendoeira: a melhor carne seca da cidade, e um dos melhores chopes Gero x Fasano: qual é o melhor restaurante para um almoço nos dias de semana, com o menu mezz… […]

  2. tião Says:

    Parece que o cabrito do capela saiu na coluna do Ancelmo de hj terça feira.
    Teve um desconhecido que foi lá e parece que gostou.Como tem gente boba escrevendo.
    Abraços

  3. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Fasano al Mare (mais um comparativo Gero x Fasano) […]

  4. Carlos (english tips) Says:

    Caro Bruno, satisfação em saber do seu blog, que legal, fui seu guia no Seridó, Carlos no Press trip, se possível vamos adicionar nossos blogs/? http://www.englishtips-self-taught.blogspot.com

  5. Hélio Says:

    Muito bom !

  6. DMR Says:

    Por sugestão deste texto, fui almoçar no Fasano na terça, 8/03/2016. Também seguindo esta sugestão, comi o carpaccio de peixe branco de entrada, o risoto de limão e camarão e o tiramisú, acompanhados de uma taça de Carnenere La Joya, e seguidos de café expresso com amêndoas carameladas. O preço cobrado é desproporcional à qualidade da comida. Muito caro ($247,00)para pratos nota 7 na melhor avaliação! Veio o couvert, com um tipo de focaccia meio seca. O carpaccio não estava com sabor suave, condição essencial para peixe cru, e o risoto estava apenas razoável. (Olha, o risoto de camarão do Via 44, restaurante da classe média trabalhadora de Ipanema, é melhor!). E tem o tiramisú… Afora o creme de mascarpone (muito bom!), deixou a desejar (o biscoito seco precisaria mais humidade e creme para acompanhar!). Enfim, como dizemos no Rio Grande do Sul, não vale o engorde! Tentarei o Gero na próxima!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: