O Eça, do Fred, da Deise e da Nina: satisfação garantida

Penne com camarões: receitas do chef primam pelo equilíbrio, delicadeza. É tudo sempre muito bom

De vez em quando me pego olhando a lista de casas no Índice de posts de bares e restaurantes deste blog e noto que alguns lugares importantes estão faltando, mas não poderiam estar ausentes, pela imensa relevância gastronômica que possuem. É o caso do Eça, no Centro da cidade, um dos meus restaurantes favoritos há quase uma década, desde que comecei a visitá-lo.

Este ano estive lá no restaurante que funciona no subsolo da H. Stern umas quatro vezes, duas delas muito recentemente. Não vou ficar fazendo trocadilhos óbvios que tanta gente já fez, dizendo que o restaurante é uma jóia escondida no Centro ou coisas assim. O que importa é que o Eça é muito bom. E ponto.

O Eça tem uma qualidade rara, que encontro em poucos restaurantes da cidade, isso atestado em pelo menos uma dezena de visitas: assim como o Gero, o D’Amici e o Antiquarius, o Eça é infalível, lugar seguro para uma refeição livre de defeitos. Nesses quatro lugares eu nunca, em toda a minha vida, eu comi mal. E olha que, no barato, estive em cada uma dessas casas pelo menos dez vezes. E nunca, das entradas às sobremesas, nunca comi um prato malfeito. É impressionante.

No Eça é assim. Sempre se come bem. Os pratos primam pela harmonia e leveza. O conjunto é sempre harmonioso, uma linda composição que combina untuosidade, acidez, estrutura, delicadeza. Poderia dizer que peixes são a especialidade do chef, tal a maneira como ele trata bem os pescados. Seja um atum cru coroando uma salada com aspectos crocantes, seja num bom filé imerso em molho ao mesmo tempo leve e cremoso, e muito aerado. Ah, mas os risotos também são ótimos. E as massas. E aquele lombo de cordeiro que nunca sai do cardápio, variando apenas os seus acompanhamentos. Atualmente, para ele, eu recomendo a sensacional frigideira de palmito pupunha, abobrinha e batatinhas. E o que dizer das sobremesas, dos bombons????

Lembro-me ainda dos tempos de vacas subnutridas, no início de carreira, quando era estagiário do JB, que funcionava ali ao lado do Eça, a meia quadra. Uma vez por mês, em média, geralmente naquele dia ou semana mais exaustivos e estressantes, eu me refugiava lá. Porque comer bem cura. Assim, gastava um quarto do salário miúdo almoçando no Eça. Era, afinal, um investimento seguro para um garoto que cada vez mais queria comer bem, mas ainda nem pensava em um dia vir a escrever sobre restaurantes e vinhos. Era só um repórter de turismo que gostava de comer bem.

Nesta época, ali por 2002 e 2003, o restaurante já era comandado pelo trio de ouro que dá expediente ali até hoje: Frédéric De Maeyer, muy talentoso chef belga, cuida da cozinha, Deise Novakoski, do vinho e das bebidas, enquanto a Nina zela pelo bom andamento do serviço no salão.

A cozinha do Fred poderia ser classificada como francesa contemporânea com inclinações italianas e inspiração mediterrânea. Uma loucura, não?

O começo de tudo: prancha de aço escovado com canapés

Tudo começa com a elegante tábua de aço escovado (seria isso mesmo? Matérias, design, isso não é a minha praia). Os canapés deitados sobre a pranchas cariam sempre, mas não muito. Há sempre esse pãozinho de queijo à moda francesa – que alguns chamam Carolina – recheado com um creminho também de queijo (gorgonzola, acho. Quer dizer, acho que varia também). Pode ter um rolinho assim, meio japa, com alga e recheio de salmão (pois é, tem sempre um quê oriental na cozinha do Fred.), como na foto acima. Reformulando a definição: A cozinha do Fred poderia ser classificada como francesa contemporânea com inclinações italianas e inspiração mediterrânea sempre permeada de ingredientes e fórmulas orientais. Assim me parece melhor. O chef é versátil, criativo, é o máximo. Além disso, nota de bastidores, ele é uma figura, sujeito muito divertido e engraçado, em toda a sua timidez. Não à toa é tão querido no meio).Ah, sim, também há sempre algum caldinho, tipo shot, servido em copinho: baroa, batata e por aí vai. Sempre gostoso, sempre reconfortante.

Carolinas quase nunca faltam, mas sua dupla varia: às vezes é uma torradinha delicada assim

A carolina também pode vir na companhia de torradinhas cobertas com cremes delicados. É sempre um ótimo começo.

Para acompanhar pães sempre quentinhos, azeites especiais, flor de sal, pastinhas...

Depois chegam pães sempre quentinhos, bons para serem lambuzados com azeites especiais, manteiga e pastinhas bem feitas (e flor de sal, claro).

Deise sugere um vinho, e sempre faz isso bem. Em tempos de sommeliers tão despreparados com vemos por aí, ser servido pela Deise é uma bênção.

E aí abrimos o menu, que é daqueles raros em que temos vontade de provar tudo. Mas vou parar o post por aqui porque preciso subir a serra. E, então, fica prometido um post para breve descrevendo um pouquinho mais do cardápio. Combinado? Assim acho que consigo compensar a longa ausência do restaurante aqui neste espaço. Chega logo em dose dupla.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

Anúncios

2 Respostas to “O Eça, do Fred, da Deise e da Nina: satisfação garantida”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Eça […]

  2. Ana Duék Says:

    Infalível! Você encontrou o adjetivo perfeito! 🙂

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: