Astrodome fecha as portas. E eu choro

 

Uma das refeições mais emocionantes do ano passado foi, sem dúvida, o almoço no restaurante Astrodome.  Foi até gostosa a comida. Mas a emoção não veio daí, sim das lembranças do avô, que comia ali sempre, e me levou diversas vezes para acompanhá-lo. Chorei, como choro agora.

Deu hoje no Ancelmo: o Astrodome fechou.

Era de se esperar. Senti um clima de fim de festa no ar. Sei lá. Decadence avec elegance. 

Vou aproveitar para incluir, lá no Índice de posts de restaurantes, ao lado do nome da casa, uma cruz, indicando o seu falecimento. Até porque quero escrever sobre outros restaurantes que agonizam mas não morrem, como o samba. Caso, por exemplo, do Cosmopolita, que sucumbe ao mau gosto que impera nas novas gerações de cariocas, que andam fresquentando e adorando lugares para lá de estranhos, não é verdade? Assim, sofrem alguns clássicos. Uns merecidamente, caso do Lamas e do Le Coin (o II, porque o I já se foi há tempos. Em seu lugar abriu mais um restaurante inexpressivo, e talvez haja gente que goste dele). Outros sem qualquer razão de ser, como o Cosmopolita e o Nova Capela.

Anúncios

3 Respostas to “Astrodome fecha as portas. E eu choro”

  1. Cris Beltrão Says:

    A gastronomia é um INGREDIENTE CULTURAL muito pouco valorizado, e a história do Rio se escreveu pelas paredes desses e outros restaurantes e botequins. No momento atual do Brasil, com tanta gente no Mundo prestando atenção ao que fazemos, fico feliz de brasileiros ressuscitando o interesse nas coisas da “terra”. Mas além de dar preferência ao que é nosso em termos de ingrediente, por que não reservar um espaço ao que é nosso em termos de tradição? Ninguém quer um lugar mal cuidado, claro. Mas nós, do ramo de restaurantes, sabemos o absurdo que é levar uma casa qualquer, dados os altos impostos, a legislação trabalhista pré-histórica e outros tantos problemas. Que dirá uma casa antiga, em que o ladrilho hidráulico tem que ser garimpado a preço de ouro porque não existe mais, em que as estruturas antigas sofrem mais do que as novas construções, em que o estilo de parede caiada ou o piso de madeira antiga tem que ser substituído por outros inferiores de acordo com as normas da vigilância sanitária, em que um saleiro não pode mais existir e tem que ser substituído por odiosos e irritantes saquinhos. No Mundo, existem legislações menos ridículas além incentivos para lugares como esses, para que esses restaurantes não percam sua identidade e seu público. Essa é a minha prece. Choramos todos.

  2. Mosteiro: um restaurante que merece uma missa em sua homenagem (e uma pensata sobre o trabalho das assessorias de imprensa e o dos repórteres) « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] as responsáveis por restaurantes tradicionais fecharem as portas, no caso o post falava do Astrodome. Mas que bobagem. As assessorias apenas fazem o seu trabalho. Quem está errado mesmo são as […]

  3. É a vida: um almoço no terraço « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] na mesa do restaurante. Escrevi um post em casa (e mais um quando o lugar […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: