Majórica: churrascaria à moda antiga que faz bonito (que chuleta deliciosa!)

A fachada de pedra do belo prédio antigo: em reformas

 

Em quase um ano e meio no ar este blog nunca ficou tanto tempo sem post novo. É que a viagem da semana passada, de Fortaleza a São Luiz, foi extremamente cansativa e com internet bastante capenga durante quase todo o trajeto – isso quando havia algum sinal.

Mas cá estamos de volta. Retomando o assunto que ainda vigorava por aqui, os restaurantes tradicionais.

Hoje a estrela do post é a churrascaria Majórica, no Flamengo, um clássico inaugurado no começo da década de 1960, quando Porcão sequer sonhava em existir. Eu sempre ouvi impressões conflitantes sobre o lugar. Uns amam as carnes assadas na brasa, em bom ponto, suculentas. Outros acham um restaurante caro que serve comida, no máximo, trivial, muitas vezes com erros na execução. A julgar pela minha visita é um dos melhores endereços para se dedicar aos prazeres da carne. Comi ali uma chuleta sublime, servida em três etapas, com tremenda simpatia pelos garçons (já muitas críticas ao serviço, eu fui muito bem atendido, com cordialidade e eficiência).

O salão com muitos objetos de decoração em clima meio campestre meio espanhol

A fachada de pedra do restaurante está em reforma. Eu gosto do estilo.

Pratos na parede, clientes engravatados à mesa: assim é a Majórica

Lá dentro a decoração é bem á moda antiga, com paredes de madeiras e muitos ornamentos, como pratos. Além do comprido salão principal há mais dois, de tamanho razoável, somando uns 300 lugares – e mesmo assim tem dia, nos fins de semana principalmente, que fica fila na porta.

A enorme churrasqueira, estrela dso pedaço: tudo preparado no calor da brasa

No salão reluz a churrasqueira que chamusca as carnes em fogo alto, bem domando pelos assadores. Parte do balcão que protege as grelhas é ocupada por um refrigerador de vidro, que exibe as carnes, prática antiga do Rio que vem se perdendo (para lugares com muito movimento, como é o caso, a exposição não compromete a matéria-prima, mas tem restaurante de frutos do mar por aí que… não sei não, melhor conservar melhor seus pescados). 

A adega, as frutas e, na frente do garçom, a tal assadeira recheada de franguinhos

Há uma bonita adega no lado oposto ao da churrasqueira e, logo ao lado, sobre uma mesa temos uma assadeira redonda que guarda franguinhos de pele tostada, com alto índice de pedidos. Ali há muitas frutas, outra prática tradicional que vem se perdendo nos restaurantes do Rio.

À espera da linguiça, o copinho de Jerez ao lado do menu de couro

Rejeitei o couvert, mas logo pedi uma lingüiça que, em homenagem ao nome da casa e à origem ibérica da casa, foi devidamente escoltado por um copinho de Jerez Tio Pepe, que sempre cai bem com embutidos, acepipes bem salgados e tapas em geral.

O garçom servindo o embutido que vai até a mesa no espeto: dá vontade de pedir dois

A lingüiça era de boa qualidade, assada no ponto certo, e servida com uma belezura de vinagrete. Bom começo de churrascada.

Uma observação: nesta etapa também considero que deve ser ótimo pedido a fritada espanhola ou seja, uma tortilla, que cai como uma luva ao lado de um trago de Jerez fino.  

A partir daí tive enorme dificuldade. Apenas observando o cardápio fiquei indeciso. Levantei-me e fui até o balcão refrigerado que guarda os diversos cortes servidos. Admirado com a beleza de uma bandeja de T-bone, fiquei propenso a pedir este. Mas realmente fiquei em dúvida. Havia belas peças de picanha, apresentada em pelo menos três cortes: inteira (uma lindeza que ser três “mas tem gente que come só” adverte o garçom), ponta (a também conhecida como picanha nobre) e especial (no espeto). Também salivei ao ver steaks de filé mignon apetitosos, fraldinhas insinuantes e um contra-filé de fazer argentino não sentir saudades de um bife de chorizo. E, ainda que o propósito da tarde fosse uma carne bovina sangrenta, fiquei tentado ao ver belos e branquinhos filés de cherne, prontos para dourar na brasa. E igualmente fiquei com imensa vontade de provar os bifinhos de porco à milanesa, que também foram vetados porque o que queria mesmo era uma carne assada no carvão.

O preço não é barato: as carnes custam entre R$ 25 (o peito de frango grelhado) e R$ (dois cortes de picanha: a ponta e a chamada especial, ambas para dois), sem acompanhamento. A melhor solução para escolher as guarnições é optar pelas fórmulas combinadas, como a Oswaldo Aranha, que vem com farofa, arroz, batatas portuguesas (mas pedi a suflê, ali chamada “batata pastel”) e alho frito (que pode ser servido no prato ou à parte, como pedi). Também tem guarnição à francesa, que dispensa maiores esclarecimentos, e à majórica, que o garçom tratou de me explicar e eu me encarreguei de esquecer. Custam R$ 19,50 (e, junto com qualquer carne, servem duas pessoas bem). E, entre as opções de guarnição “solo”, temos aquilo tudo a que nos habituamos a ver em casas do gênero: arroz biro-biro, cebola empanada, aspargos na manteiga, brócolis ao alho e óleo, banana à milanesa, creme de espinafre, farofa dolabella, aquela com muito ovo e alguma farinha… Eu, que aprecio um bom filé à cavalo vejo com bons olhos a possibilidade de pedir um ovo frito. Também recomendo, para acompanhar a carne adequadamente e com muito menos calorias, a salada de rúcula com tomate que, coisa rara entre saladas, tem ótimas referências.

Então, como dizia, fui até a vitrine refrigerada para escolher minha carne. Cheguei a pedir o t-bone, que custa R$ 50. E, num gesto simpático, o garçom me recomendou a chuleta, ao preço de R$ 43, observando o meu apreço por carnes que venham com osso.

A chuleta servida com o acompanhamento à oswaldo aranha: encaixe perfeito, carne macia, uma delícia

A batata suflê me pareceu a melhor da cidade. E a farofa de ovos cumpriu bem o seu papel de absorver os caldos que a carne malpassada vai soltando conforme é fatiada pela faca. O arroz, que não me comove, estava ok

 E a carne estava ótima, um pedação alto junto ao osso. Macia, com sabor defumado da fumaça do carvão, rosadinha, suculenta e com bom nível de sal. Como disse, era um corte grande, que serviria duas pessoas. Eu estava só.

Depois de um tempo a carne pode voltar à brasa, por sugestão do garçom: recomendo

Logo veio o garçom, me oferecendo levar a carne novamente à churrasqueira para levar um susto e voltar quentinha. Ótima solução, em boa hora, porque ela já vinha esfriando. A carne voltou e pouco depois lá estava eu soltando a carne do osso, com alguma dificuldade.

– Posso levar para desossar e trazer só a carne – ofereceu o garçom, para o meu imediato consentimento.

Fechei a refeição saboreando essa que é a melhor parte, aquela carne macia e úmida que se localiza colada ao osso.

Dispensei as sobremesas, lista que tem como emblema a torta Santiago, feita com nozes e servida com sorvete de creme. Essa fica para a próxima, assim como a tortilla, a salada de rúcula com tomate, as versões de picanha, os bifinhos de porco à milanesa, as receitas de cordeiro, a maminha de alcatra fatiada, o galetinho inteiro… Para as próximas, melhor dizendo.

Depois pedi o café.

E saí contente.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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5 Respostas to “Majórica: churrascaria à moda antiga que faz bonito (que chuleta deliciosa!)”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Majórica […]

  2. Luca Says:

    Eu acho que faltam no rio churrascarias que não funcionem no sistema rodízio. Além da Majórica (da qual eu também gosto), tem a facada do Esplanada Grill e não consigo lembrar mais de nada.

  3. Júlio Says:

    Bruno, bela lembrança.A farofa com ovos é qqr coisa.Tem tb a Plataforma mas acho que perdeu todo o encanto.Majórica é uma ótima pedida.
    abs.

  4. Celso Says:

    Plataforma era o maximo, eu tinha mesa cativa lá, mas infelizmente nos dias de hoje, morreu, perdeu o encanto. Já a majorica, é um espetáculo.

  5. Rachel Says:

    Quando soube do incêndio, senti uma dor lembrando de quanto tempo eu passava mastigando aquela comida deliciosa e apreciando os lustres, os quadros, as janelas antigas, os pratos…

    Obrigada pelas fotos!

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