Archive for dezembro \30\UTC 2010

Um feliz 2011 a todos. No ano que vem a gente volta

30/12/2010

O blog anda com muita preguiça, curtindo a folga de fim de ano, sem muita vontade de escrever, navegar pela internet, fotografar… Nada disso. Estamos dedicados ao ócio. De maneira que tudo indica que as atividades normais só serão retomadas no ano que vem, a partir de segunda-feira, dia 3 de janeiro.

Ao menos os últimos dias têm sido de boas histórias, restaurantes, vinhos e outras coisas boas da vida. Não vai faltar assunto para o começo de 2011.

Aproveito, então, para deixar a todos os votos de um Ano Novo incrível, com muito amor, paz e outras necessidades básicas do ser humano, como viagens, amigos, comidas, gargalhadas, afagos, beijos, piadas, mergulhos, encontros, brindes, festas etc etc etc.

Obrigado a todos pela companhia.

E um lindo 2011 pra toda a rapaziada que visita este espaço.

Feliz Natal! Merry Christmas! Joyeux Noël! Buon Natale! Frohe Weihnachten! Feliz Navidad! عيد ميلاد مجيد! Kαλά Χριστούγεννα!

24/12/2010

E, no mais, desejo a todos um Feliz Natal!

Merry Christmas! Joyeux Noël! Buon Natale! Frohe Weihnachten! Feliz Navidad! عيد ميلاد مجيد Kαλά Χριστούγεννα!

E um 2011 com muitas viagens, vinhos, boa comida, amigos e outras coisas gostosas.

Na foto, a casa em que nasceu Tomás Antônio Gonzaga, o poeta Dirceu, em 1744 na cidade do Porto, enfeitada para o Natal.

Mil dias na Toscana: um aperitivo bem saboroso

23/12/2010
“A mulher do padeiro oferece faraona, galinha d’angola assada com azeitonas pretas e verdes. Tem também um artista, lombo de porco recheado com ervas e assado sobre ramos de funcho selvagem, uma caçarola, com a tampa ainda fechada, de tripa com tomates, cebolas e vinho branco, assada o dia inteiro em fogo baixo. Há todo tipo de pequenos assados e guisados, em porções reduzidas, suficientes para satisfazer dois, talvez três apetites moderados”.
Entre os regalos recebidos nesses últimos dias um dos que mais me agradou foi o livro “Mil dias na Toscana”, de Marlena de Blasi.
Comecei a ler hoje, a caminho do trabalho. Salivei com as muitas descrições de banquetes como esse acima, uma festança para comemorar a chegada de um casal a um vilarejo toscano.
A trama gira ao redor desse casal, que deixa Veneza para viver do outro lado da Itália.
Tô curtindo a leitura. Está sendo um lindo aperitivo para a viagem que pretendo fazer nas férias do próximo ano, em setembro: a Itália.

Esplanada Grill, a melhor carne do Rio

20/12/2010

O salão do restaurante de esquina, em Ipanema, com o divertido quadro da Monalisa carioca

Fiquei com vontade de escrever sobre o Esplanada Grill. Porque em tempos de badalação em torno da inauguração do CT Boucherie, que é muito bom, venho humildemente jogar uma brasa nesta churrasqueira.
Há ótimos endereços para se entregar aos pecados da carne no Rio. Na Majórica, à moda clássica, no Porcão, à maneira farta, na CT Boucherie, à francesa, no Giuseppe Grill, com elegância, nas galeterias, para economizar. E por aí vai. No Rio a carne não é fraca, embora muito se diga em oposição a isso.
É possível comer bons cortes em várias propostas e preços diferentes. Rodízio, a la carte, no espeto, na grelha, na brasa, na pedra vulcânica, na Zona Sul, na Zona Norte…  Mas quando bater aquela vontade de comer os melhores cortes bovinos do Rio de Janeiro não há lugar que se compare ao Esplanada Grill, em Ipanema. A casa de esquina é um endereço mais que seguro para saborear picanhas, costelas, fraldinhas etc etc etc.
Já vi o Boni lá, tragando vinhos de alto gabarito e preço, numas duas ou três oportunidades e isso, como se sabe, já é um bom indicador da qualidade da comida. Ou não é?

O costelão, delicioso, que se desmancha na boca: um absurdo de bom!

Sim, abro exceções e posso explorar também os cortes ovinos e suínos, de forma que costelinhas de cordeiro, leitão à pururuca e pernil de javali também possuem lugar cativo na minha estima, e na lista de pedidos.
Nunca provei ali outra coisa que não essas carnes. Mas reparo nos garçons que circulam no salão, e vejo que saem bonitos o peito de pato, e os camarões, esses crustáceos aparecem grandiosos em algumas receitas.
Aprecio todo o modus operandi da casa, gosto do processo proposto ali. As coisas começam com o couvert, que vale mesmo à pena porque, além de cestinha de pães, pastinhas, manteiga, azeite e outras trivialidades, dá uma boa palinha do menu, servindo linguicinhas e costelinhas de porco, com bom molho vinagrete e farofa idem. Aqui cabe o destaque: o pão de queijo é de fazer mineiro encomendar missa. Ah, sim, tem uma saladinha da casa também, temperada na hora. Aqui cabe lembrar: pedindo o couvert o serviço, especialmente de farofa e de salada, vai até o fim da refeição, o quem significa dizer que ao pedir a carne é possível dispensar a guarnição (eu, pessoalmente, nesses casos não sei dispensar uma boa travessa de batata frita, que com o sangue da carne e a farofa cria uma massaroca capaz de me causar suspiros de felicidade, e não vejo melhor companhia para uma boa carne na brasa).
Mas voltemos ao princípio da refeição. É preciso frisar que a casa é uma das poucas no Rio a servir ainda nos dias de hoje o beef tea, um clássico, robusto, perfumado e restaurador caldo de carne, daqueles de levantar defunto. Reza a lenda que não há melhor remedia para uma ressaca. Quem sou eu pra duvidar.
Para este apreciador de morcelas, cabidelas e outras delícias sanguinárias, é um alento encontrar ali a “morcilla española”, tão rara por aí, infelizmente. Dificilmente eu não peço uma no começo.
Para os que gostam de iguarias finas o cardápio tem seduções como o jamón serrano e o parmigiano reggiano.

Bife ancho, o meu corte preferido, escoltado por fritas e farofa, uma perfeita combinação de sabores e texturas

Mas, para mim, o Esplanada Grill é a melhor churrascaria do Rio não por isso aí, mas por algo também muito simples, a qualidade da carne. Jamais comi ali sequer razoavelmente. Sempre em alto nível de excelência. Sempre, em quaisquer ocasiões, as carnes estavam no ponto certo, das costelas de boi e pernis suínos até o cortes mais delicados, como primerib, ojo de bife, picanha bombom, a costeleta de cordeiro (e também as lingüiças do mesmo ovino, feitas na casa), o bife de chorizo, o sirloin Red Angus…  Tudo sempre no ponto, respeitando as diferenças de cada corte, tudo sempre em bom tempero, com uns cristais de sal sempre a iluminar a carne. As carnes essas que merecem aplausos, sempre sangrentas ou se desmanchando. As que precisam derreter sempre são passíveis de serem cortar com colher. Os acompanhamentos sempre adequados. Coisas simples, tipo arroz com feijão, e fritas e farofa e saladinha. Sendo que o arroz, por exemplo, pode ser do tipo biro-biro, engraçado como seu nome.
Sobremesas??? Sei lá!!!

Um detalhe simpático: quando chegamos o nosso guardanapo está assim, engravatado como um garçom daqueles à moda antiga, por sobre o prato

 Acho o Esplanada Gril tão bom, mas tão bom, que em duas ocasiões, a caminho do Gero, que fica na esquina seguinte, parei ali mesmo, e troquei a cozinha italiana clássica pelo pecado da carne. E, cá entre nós, não é mole dispensar o Gero, né? Só mesmo por uma boa causa, ou um bom corte.

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Charada do Dia: em que restaurante vemos essa Monalisa Carioca?

20/12/2010

Alguém aí sabe?

É um dos melhores restaraurantes da cidade, sem dúvida.

Um jantar de ouro no Terzetto

18/12/2010

 

Vieiras gratinadas: sucesso absoluto na mesa

Como muito sozinho. Em viagens de trabalho, e mesmo no Rio, por impulso motivado simplesmente pelo prazer, visito às vezes bons restaurantes sem qualquer companhia. Só eu, a curiosidade, a sede e a câmera. É a fome sendo juntada com a vontade de comer. Talvez seja isso. Mas cada vez mais acredito que as boas refeições devem ser feitas em família, ou com amigos, que são, na verdade, a família sem parentesco.

Ontem, por exemplo,voltei ao Terzetto. E sabe o que acontece? A comida estava boa como sempre esteve, apesar da saída recente do maitre e sommelier João de Souza, craque da restauração brasileira, o camisa 10 e capitão do time, que vai abrir outro restaurante em Ipanema.

A comida estava ótima como sempre, mas estava também ainda mais gostosa. E sabe qual é a razão? Muito simples. Estava acompanhado do pai e da filha. Bastaria um deles, e um bom prato, para a refeição já ser memorável. Mas com os dois juntos é covardia. Parece piada, mas nunca tinha ido, com os dois juntos, a um grande restaurante. O Terzetto é. Reuniões de família, infelizmente, e contra a minha vontade, acontecem geralmente no Porcão. Talvez no Ráscal. Mas nunca em bons restaurantes. Modéstia à parte, as melhores refeições que fazemos em família são mesmo aqui em casa, quando cuido do menu, com tanto cuidado e carinho que acaba até ficando gostoso. A verdade é que comer em casa é sempre uma delícia, mesmo que a comida não seja lá essas coisas. Aqui em Chez Agostini só falta a sobremesa, que não é mesmo o meu forte. Alguém tem um bom pudim aí? Mas, antídoto para isso é o vinho do Porto, o Sauternes e tantos outros.

Mas ontem, não. Ontem o trio visitou o Terzetto. Que programa gostoso, e isso – ao mesmo tempo – é e não é uma metáfora. Três gerações se deliciando.

Papai ia pedindo uma bisque de lagosta, de entrada, um ravióli não lembro de quê e um ossobuco de vitelo. Eu, vieiras gratinadas, risoto de lagostins com aspargos e espumante, e, para encerrar o percurso salgado, um magret de canard com foie gras. O pai, como convém nessas ocasiões, cresceu o olho sobre as minha vieiras.

– Hum, dá para trocar o meu ravióli por essas vieiras gratinadas?

– Claro que sim.

E a Maria emendou.

– Pai, posso ficar com a concha da vieira? – perguntou a mocinha, claramente se lembrando de um recente almoço no Satyricon de Búzios, quando vimos vieiras, lagostas, ouriços e ostras vivas em aquários. Até hoje ela guarda a concha que ganhou de presente do garçom.

– Mas, pai, essa vieira também é viva?

– Não, filha, essa já tá morta. Você vai provar e vai adorar, te garanto.

– E a lagosta do vovô, é viva?

– Não, também tá morta. É uma sopinha muito gostosa, você devia provar, sabia?

– Ah, tá. No verão eles servem lá a lagosta viva, lembra que o moço falou?

Incrível, mas a Maria se lembra em detalhes da entrevista informal que fiz com o garçom do Satyricon quando fui a Búzios com ela para escrever uma matéria sobre os 15 anos de emancipação do balneário, listando 15 programas imperdíveis, e é claro que uma refeição no veterano Satyricon estava na seleção. Impressionante ela se lembrar disso.

– Ah, e o garçom ainda pegou o espinho (nota do blogueiro: espinho = ouriço) com a mão, lembra? E depois a lagosta. Papai também pegou a lagosta pela antena.

Nem eu me lembrava que tinha puxado os crustáceos para fora d´água para ela ver melhor. Mas ela não se esquece. Que engraçado, né?

Foi ótimo. Estava tudo uma delícia. Pizza branca e pães com azeite e berinjela grelhada, para início de conversa. Chandon Excellence acompanhando. Depois, bisque de lagosta, vieiras gratinas e risoto de camarão com aspargos e espumante. Nas taças, um bom branco italiano, que o descompromisso da ocasião me fez esquecer do nome. E também um Chadonnay chileno. Quando chegaram o ossubuco de vitelo e o magret com foie abrimos um gostoso Barbera d’Alba 2008 do Vietti. Terminamos com torta de amêndoa com chocolate e dois sorvetes, um com calda de frutas vermelhas, outra ao chocolate. Claro, com um bom Fonseca Tawny 10 anos, beleza de encerramento.

Deste jantar jamais me esquecerei.

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CT Boucherie, o “açougue da família Troisgros”: bom, mas vai ficar muito melhor

15/12/2010

O letreiro luminoso do "açougue" dos Troisgros

Até em razão do tamanho miúdo, o restaurante CT Boucherie promete ser a grande estrela desse verão que vai chegando com tudo. A casa muito simpática do mestre Claude Troisgros, o mais carioca dos chefs de cozinha franceses, ainda mais por isso a cara da estação, já está funcionando, meio na encolha. Meio na encolha? É, sem fazer alarde, sem divulgar, sem pedir notinha em jornal. E mesmo assim já tem fila na porta.

Ontem, quando vi que teríamos um fechamento tranqüilo no jornal, e que daria para sair cedo, procurei na internet o telefone do lugar para saber o horário de funcionamento. Apesar do restaurante nem ter ainda “aberto oficialmente”, foi fácil achar o número.

– Boa tarde. Até que horas vocês funcionam hoje? Vocês aceitam reserva? – perguntei.

– Abrimos ao meio-dia e vamos até às 16h. Depois reabrimos às 19h e vamos até por volta da meia-noite.

– E se eu chegar pouco depois das 23h, consigo mesa sem ter que esperar em fila?

– A essa hora acredito que não tenha mais fila. Mas todas as noites tem tido, por volta das 21h a casa está uma loucura.

Uma terça-feira chuvosa, às 23h15: fila na porta

 

Bom, cheguei pouco depois das 23h no restaurante que fica junto a um albergue chique, no comecinho da rua Dias Ferreira, no Leblon. Do lado esquerdo. De cara me lembrei de restaurantezinhos de bairro em Paris, com uma frente envidraçada onde lemos algumas especialidades da casa: ostras, steak tartare e por aí vai.

O salão simpático visto através da porta de vidro

Lá dentro temos paredes de azulejo, uns salames e presuntos de mentinha pendurados (a casa é bonita, mas ando implicando com muitos recursos cenográficos, com restaurante com assinatura, não só de arquiteto, mas também de decorador). No alto das paredes brancas, foram desenhados vários cortes de carne – é como um menu artístico e decorativo.

Legendar, pra quê?

Na parede um quadro anuncia o prato do dia: penne com paleta de cordeiro. Nham nham nham.

O salão começando a esvaziar

Quando ia colocar o meu nome na lista de espera, encontrei uma amiga que jantava com a família na varanda. Sentei-me com eles, quando vi que já tinha uma mesinha lá dentro, como que tivesse pronta a me esperar. É, não foi difícil entrar para jantar, ainda que a visão da fila ainda do táxi tenha sido desanimadora. Logo entrei e percebi que pouco depois disso a fila acabou. Anota aí: a boa é chegar para jantar no CT Boucherie entre 23h e 23h30.

Paredes de azulejo, acima enfeitadas com desenhos de cortes de carne: cardápio visual

Como era de se esperar em casa em início de carreira, o serviço estava meio confuso. Meio, não, completamente. Parte da culpa vem do sistema de rodízio de acompanhamentos, que ainda está longe de se mostrar bem azeitado. Os garçons ainda batem cabeça. Ao meu lado um casal reclamava não só da morosidade da equipe, mas também da qualidade da comida.

– Pô, só falta agora a máquina do cartão de crédito não funcionar. A costeleta de cordeiro estava horrível. Muito sabor junto, uma coisa desequilibrada. O serviço também está uma merda – disse o rapaz, com requintes de crítico gastronômico, fuzilando o garçom, que só pôde pedir desculpas, com uma cara meio atordoada, enquanto aguardava a máquina autorizar o débito.

Eu dei mais sorte que ele, o cliente. Estava em dúvida sobre o que pedir. Se o chateaubriand, o bife de chorizo superior, o primeribe, o bife de tira… O wagyu dispensei por razões econômicas: custa exatos R$ 168. A costeleta de cordeiro, por via das dúvidas, foi logo limada da minha lista de possibilidades. O pato também, quando soube que era feito na chapa, porque eu tava querendo uma brasinha, mora? Havia bacalhau, mas acabei de voltar de Portugal, não preciso. Vamos às carnes.

Primerib com molho bernaise e parte de seus acompanhamentos: farofa de panko e batatinhas fritas

 

Fui reduzindo as possibilidades até chegar a uma dúvida difícil entre três cortes: o primerib, que acho sensacional, o bife de chorizo, que é sempre bom, e a tira de picanha, ainda que a minha amiga tenha falado mal desta carne ao mesmo tempo em que elogiava o bife de chorizo do marido. Convicto, fui no primerib. O garçom sugeriu o molho bordelaise, feito com vinho tinto. Mas eu tava querendo algo ainda mais clássico, e fui testar o bernaise. Havia, ainda entre as opções de molho incluídas nas carnes um chimichurri, um barbecue assinado pelo Thomas Troisgros, filho do Claude, e um de mostarda, entre outros – inclusive um que podemos classificar de criativo, a manteiga de tomate seco com mel (isso deve ser bom, hein!).

O balcão que exibe presuntos e embutidos (tudo de mentirinha): no momento o rapaz finalizava um creme brulée, repare

Em tempo: a lista de entradas me deixou salivando. Tem uma linda seleção de presuntos e embutidos de origem ibérica, incluindo jamón serrano. Também há bolinhos de bacalhau crocantes, um carpaccio de shiitake trufado com grana padano e um já famoso carpaccio de melancia apresentado no programa Larica Total. Fiquei doido pra provar, ainda, o mil folhas de palmito, tartare de atum e vinagrete oriental. Também tem um bom steak tartare tradicional, com ovo de codorna, fondue de queijo reblochon, espuma de batata e jamón ibérico, aipim crisp com brie derretido e geleia de pimenta. Nos dias de semana o almoço executivo custa R$ 28, não custa lembrar. Também há coisas levinhas, variações da salada du boucher (de tomate seco e cereja, maçã, parmesão, castanha de caju, croutons e ervas), que pode ser servido com uma série de aditivos, como gorgonzola ou salmão defumado.

Mesmo que o primerib estivesse muito macio, que quase dava para cortar com colher, uma boa faca é sempre bom...

Mas ontem fiquei só nas carnes. Quando pedimos  qualquer corte ele vem acompanhado de um potinho de fritas, uma travessinha de farofa de panko e outra com umas bananinhas carameladas. Ah, e também uma mousse de agrião que vem ao lado, e um potinho de molho a escolha.

Risoto de quinoa com cogumelos: mostrou bom potencial, cremoso, mas estava muito salgado

Além disso, somos servidos pelo “rodízio” de acompanhamentos, com várias porções com coisas interessantes, como as vagens passadas no alho, o tomate recheado, a couve-flor gratinada e um risoto de quinoa com cogumelos que mostra enorme potencial, mas no meu caso estava salgado demais (uma pena).

O garçom serve o melhor purê de baroa que já passou pelo meu prato

Mas sensacional mesmo era o purê de baroa, de longe o melhor que já comi. No meu caso, tinha sido preparado naquele instante. Demais. Até repeti.

O serviço está mesmo confuso ainda. Tenho certeza que é só ajuste de equipe, logo tudo vai transcorrer bem. Garanto. Minha água com gás, sem exagero algum, demorou uns 15 minutos para chegar. O vinho, depois de me ser apresentado a garrafa, ficou uns cinco minutos na mesa, à espera de ser aberto. Em várias oportunidades eu balancei o braço, convocando algum garçom para me atender, e eles não viam, ou fingiam não ver (numas duas ocasiões percebi que viram, mas ignoraram. Falha grave, muito grave, para um garçom).

Um close na bela peça de primerib: estava muito bom

Pedi o primerib, como ia dizendo. À esta altura, começaram a se redimir. Primeiro veio o maitre, falando da carne escolhida.

– O primerib é um corte que merece ser servido malpassado, o senhor gosta assim?

– Pedi ao ponto do chef. Sempre faço isso, salientando que gosto de carne malpassada. Afinal, ninguém melhor que o chef para saber o ponto certo de suas carnes, não é verdade?

– Claro, vou lá na cozinha reforçar o seu pedido.

Quando a carne foi servida o maitre voltou, perguntando se estava boa. Eu disse que estava ótima, e estava mesmo. Depois veio o chef, saber se estava tudo bem. Muito bem. Depois, ele ainda voltou mais uma vez à mesa. Perguntou sobre a comida. Tive que ser sincero.

– Tava tudo muito bom, mas o risoto de quinoa com cogumelos estava muito salgado.

– Ah, é? Vou ver o que aconteceu. Obrigado por avisar.

Um bom Malbec francês

Acompanhei tudo com um bom tinto de Cahors, o que significa ser um Malbec francês. Uva sempre boa para carne. A carta de vinhos, aliás, é bem interessante, privilegiando os franceses, com preços entre R$ 60 e R$ 300. Justo.

No fim da refeição, a hostess simpática ainda veio puxar papo, enquanto o chef, já de roupa trocada, passou pela última vez à minha frente, desta vez se despedindo. Mineira há seis meses no Rio, a hostess discorreu sobre a maravilha que é morar nesta cidade. Pronto, pegou no meu ponto fraco. Conquistou-me.

Antes disso, se eu fosse dar nota para o serviço, cravaria 4. Mas como simpatia é quesito relevante em tudo nessa vida, depois da abordagem do maitre, do chef e da hostess, subi para 6. Aprovado. Mas é preciso melhorar a performance.

Ah, sim. A minha conta também demorou a chegar, mas pelo menos o meu cartão de crédito passou rapidinho…

Ah, sim, parte 2: já ia me esquecendo das sobremesas, até porque, ontem nem pedi. Há uma seleção de picolés da Diletto, todos os que provei sempre deliciosos (nunca experimentou? Então corre pro Zona Sul, que tem um refrigerador cheio deles. São ótimos, vários sabores, todos feitos com matéria-prima de primeira qualidade. O melhor picolé que já provei, no nível dos melhores sorbets e sorvetes que já provei).

Também há uma lista de doces que apresenta um repertório bem interessante. Tem mousse na colher, petit gateau de doce de leite com sorvete de tapioca (preciso provar isso), espuma de framboesa, crepe suflê de frutas vermelhas… Boa oferta.

Quer saber? Adorei o CT Boucherie.

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Tempêro com Arte: bom, bonito e barato, um restaurante para todas as horas em Teresópolis (e o favorito da filha)

14/12/2010

– E aí, onde vamos jantar hoje?
– Quero uma pizza no Tempêro com Arte.
– Mas de novo?

O agradável salão com a bonita adega: bom, bonito e barato

Sempre que pergunto à filha, em Teresópolis, onde ir comer ela me vem com essa resposta (sim, pergunto a ela onde ir, e geralmente cumpro as suas vontades). Não adianta eu sugerir o banquete russo da Dona Irene, as receitas ótimas de bacalhau da Camponesa da Beira, ou mesmo as pizzas delicadas da Manjericão, ou as especialidades alemães da taberna Alpina, ou os gloriosos pescados do Caldinho de Piranha. De nada adiantam as minhas alegações. Quase que invariavelmente acabamos lá Tempêro com Arte (sim, com circunflexo: imagino que seja porque ali o tempero é acentuado), devorando pizzas feitas com carinho no forno a lenha, isso quando não pedimos o indecente e delicioso filé ao pato, que combina catupiry e alho frito com um mignon alto e bem grelhado, escoltando por feijão cremoso, arroz soltinho, batata frita sequinha e farofa bem tostada. Ontem não foi diferente, tudo terminou em pizza.

Maria faz palhaçada na "bodega": visita obrigatória, ainda mais no calor

O restaurante, que já tem 19 anos de estrada, apresenta uma relação qualidade-preço admirável. Para começar, a comida é boa e barata, assim como a carta de vinhos, com boa oferta e preços para lá de interessantes, talvez seja a menor margem de lucro entre os restaurantes fluminenses (não conheço melhor).

O forno para as pizzas: charmoso e bonito, né?

Como se isso fosse pouco, todo o resto conspira a favor de uma linda refeição. A começar pelo serviço, que é simpático, eficiente e competente (o serviço de vinhos é feito por gente bem treinada, que sabe indicar bons rótulos, sem ganância, e ainda cumprem bem toda a liturgia que envolve a bebida). Até o guardador de carros é muito mais simpatico que a média. O ambiente também é muito agradável, um casarão com piso de madeira e paredes de tijolinho, onde chama a atenção o forno a lenha que assa as pizzas e os cormicioni, a massinha preparada de maneira crocante, com coberturas simples como uma deliciosa combinação de alho frito com queijo. A adega é linda, e a Maria sempre pede para visitar o que ela chama de bodega (ali dentro, preciso ficar atento, porque a moça levada troca as etiquetas dos vinhos).

O cardápio é realativamente extenso, apresentando receitas para todos os gostos e estações do ano. Há, por exemplo, uma boa seleção de sopas perfeitas para os dias frios e de saladas, ótimas pedidas para o verão.

O cardápio de ontem, muitas vezes repetido: pizza metade alla'rabiata metade calabresa com azeitonas verdes

Entre as entradas aprecio bastante o charolais na brasa (este queijo de cabra assado no forno à lenha com folhas de rúcula e tapenade), do comiccione rosso (massa de pizza fina e crocante com molho de tomate, alho e parmesão) e do encorpado caldo de feijão. Na maioria das vezes peço mesmo uma pizza. Adoro a Tempero alla’rabiata (com linguicinha, cebola e pimenta dedo-de-moça fatiada), e também a funghi e copa (com mussarela, cogumelos frescos refogados e fatias de copa) e a Genéve (com queijo caprino romano St. Maure e tapenade). Ontem dividimos uma metade Tempero alla’rabiata, metade calabresa.

Há uma boa seleção de massas, na qual destaco o ótimo nhoque de mandioquinha. Nós mesmos escolhemos o molho e, neste caso, fica perfeito o de quatro queijos (quem quiser pode pedir um filezinho também, que vai muito bem, obrigado).

Aos sábados a feijoada é um pedido certeiro, com tempero correto, tempo exato de cozimento das carnes e bons acompanhamentos. Consegue um feito raro: não é muito pesada.

Alguns pratos me chamam a atenção, mas nunca provei embora fique sempre tentado, como o coelho ao vinho branco, o filé de pernil ao molho de limão e a sopa de abóbora com carne-seca e gorgonzola. Ainda hei de provar.

Entre as sobremesas, me encantam os “Doces da Tia Cléo” (de abóbora com coco, de laranja da terra e de banana). Há outras clássicos da doçaria de restaurantes, como pudim de leite condensado, petit gateau, torta alemã, brownie, romeu e julieta, mousse de chocolate. A filha pede sempre uma pizza de banana, vez ou outra com chocolate (ou borda de). Essa, geralmente, eu dispenso. Um dia, espero eu, ela também vai abandonar o hábito. Sou mais as compotas caseiras, o pudim, os bolos…

Quando vejo que a filha insiste em sempre comer lá, o que é do meu agrado, vejo que, desde muito menina, ela mostra bom gosto à mesa. Ontem, me orgulhei, ao fim da refeição.

– Papai, quando eu crescer também vou querer ter um trabalho igual o seu.

Só isso já valeria a viagem até Teresópolis. Mas ainda teve as fatias de pizza compartilhadas entre nós, a redação da cartinha pro Papai Noel, um vinho gostoso… E, mais importante de tudo, o delicioso ato de se matar as saudades.

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Bar do Gomez, um certo armazém de Santa Teresa

13/12/2010

 

Bacalhau, cebola, azeitonas, azeite, pimenta e chope...

O nome oficial é Armazém San Thiago, mas quase ninguém conhece assim. Quando quiser um boteco autêntico em Santa Teresa o melhor é perguntar pelo Bar do Gomez, para mim o mais divertido, bonito, autêntico e gostoso do bairro montanhês.

Para começar, como deveriam ser todos os bares, fica numa casa de esquina (da famosa rua Áurea com uma outra que ignoro). À direita de quem entra, um grande balcão, de onde saem chopes tirados à perfeição, com colarinho espesso e líquido dourado com bom nível de borbulhas, servido, como manda a regra, em copo tipo schinitt, tal os melhores da cidade, como o alemão Bar Brasil e o português Adonis.

Neste balcão existe uma estufa que mantém aquecidos alguns acepipes que são especialidade da casa, como os bolinhos de bacalhau e de carne, as empadas, os croquetes. Todos bem feitos. Ao menos nos fins de semana, quando a casa fica lotada, não se preocupe com o inevitável ressecamento que este recurso impõe, porque eles são vendidos às dezenas, e não dá tempo de ficarem ruins submetidos aos calor. Mas o fato é que o melhor a se fazer é ficar à espreita e aguardar a bandeja sair da cozinha, para pedir os salgados antes mesmo de entrarem na vitrine aquecida, fresquinhos. Assim é mesmo melhor.

Outra virtude é haver boa pimenta malagueta preparada ali, e azeite, que também temperos adequados a boa parte das receitas. Se há Tabasco, não vi… Isso, como se sabe, soma ainda mais pontos para este lugar na minha estima. Tabasco em boteco é algo grave como chope quente e sem colarinho, ou cerveja choca.

A casa é de origem espanhola, mas tem bem um jeitinho português, sendo mesmo os nacos de bacalhau com cebolas e azeitonas a melhor pedida de petisco.

Mas o que faz do Armazém San…, ops, do Bar do Gomez um lugar especial nem é exatamente a sua boa comida, mas principalmente a ambiência, um belo salão à moda antiga, com mesas de mármore e cadeirinhas de madeira, muitos quadros pela parede (fotos do começo do século passado, recortes de jornal… ) e armários graciosos, daqueles típicos dos secos e molhados de outrora, cenografia original, e muito linda. Seria capaz de ir lá só para apreciar a decoração do lugar. Isso sem falar numa cordialidade gostosa dos atendentes. Tem um clima que não se encontra mais facilmente por aí, sabe¿ Um Rio que vai se perdendo e a gente quer encontrar. E, é claro, o fato de estar em Santa Teresa. O que já não é pouca coisa.

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Restaurante da Alzira, no Cais da Ribeira, ótima pedida no Porto

10/12/2010

Com paredes de pedra e um serviço simpático, a casa serve ótima comida

Ontem, eu, a Deise Novakoski, o João de Souza e o Alexandre Lalas, no intuito de, finalmente, podermos comer bem nesta viagem de gastronomia sofrível (a culpa não é de Portugal, mas da organização) nos desgarramos do grupo.

Primeiro visitamos o bonito, mas muito mal cuidado, mercado do Bolhão, com linda estrutura de ferro e um time de barraqueiros que pode ser divertidíssimo ou muito mal educado.

De lá visitamos uma bela confeitaria, com serviço muito ruim. E decidimos ir até o Cais da Ribeira para almoçar. Pedimos informações sobre como chegar até lá caminhando a um trio de homens que estava a atravessar a rua. Depois, pedimos uma dica de restaurante por lá. Eles nos indicaram, mostrando conhecimento de causa, o Restaurante da Alzira.

– Ei, já ouvi falar bem deste lugar, vamos lá? – eu disse.

E lá fomos nós descendo as ladeiras da cidade do Porto. Chegamos ao cais e achamos o restaurante, de frente para o Rio. É um lugar muito agradável, com paredes antigas de pedra e um serviço mui simpático.

Fizemos uma bela refeição. Quando subi para ver o andar de cima da casa, estava sobre a mesa uma travessa com belo pedaço de lombo de porco rodeado por batatinhas ao forno. Que perfume. Ali percebi que iríamos ter um belo almoço. E assim foi. Perguntei pelo prato, e o garçom informou que era o almoço deles, os funcionários. Nunca tive tanta vontade de ser garçom…

Pois o nosso almoço não ficou para trás. Começamos com as melhores sardinhas fritas que já provei, na companhia de um lindo bruto. Depois pedimos um branco, que escoltou o sublime e cremoso arroz de tamboril, que também levava uns camarões, com tempero forte, untuoso, uma delícia. Encerramos o percurso salgado com um cabrito com batatinhas ao forno, na escolta de um tinto (mas o prato também foi bem com o branco que ainda restava no copo). Fechamos o almoço com um lindo rocambole de laranja (e também provei uma torta de chocolate e um toucinho do céu). Tudo, é claro, na companhia de uma garrafa de Porto, o que é sempre bom, mas ainda consegue ser muito melhor quando apreciado ali, de frente para a Vila Nova de Gaia, onde estão os armazéns que guardam esta preciosa bebida. À nossa frente estava o armazém da Noval, que dispensa apresentações.

Depois de umas boas três horas à mesa, voltamos muito felizes para o hotel, para inveja dos colegas que almoçaram muito mal, uma vez mais. Assim, até pude dispensar o inacreditável jantar que, apesar dos bons vinhos, foi servido de pé (que horror).

Hoje espero novamente poder fugir do grupo…