Um jantar de ouro no Terzetto

 

Vieiras gratinadas: sucesso absoluto na mesa

Como muito sozinho. Em viagens de trabalho, e mesmo no Rio, por impulso motivado simplesmente pelo prazer, visito às vezes bons restaurantes sem qualquer companhia. Só eu, a curiosidade, a sede e a câmera. É a fome sendo juntada com a vontade de comer. Talvez seja isso. Mas cada vez mais acredito que as boas refeições devem ser feitas em família, ou com amigos, que são, na verdade, a família sem parentesco.

Ontem, por exemplo,voltei ao Terzetto. E sabe o que acontece? A comida estava boa como sempre esteve, apesar da saída recente do maitre e sommelier João de Souza, craque da restauração brasileira, o camisa 10 e capitão do time, que vai abrir outro restaurante em Ipanema.

A comida estava ótima como sempre, mas estava também ainda mais gostosa. E sabe qual é a razão? Muito simples. Estava acompanhado do pai e da filha. Bastaria um deles, e um bom prato, para a refeição já ser memorável. Mas com os dois juntos é covardia. Parece piada, mas nunca tinha ido, com os dois juntos, a um grande restaurante. O Terzetto é. Reuniões de família, infelizmente, e contra a minha vontade, acontecem geralmente no Porcão. Talvez no Ráscal. Mas nunca em bons restaurantes. Modéstia à parte, as melhores refeições que fazemos em família são mesmo aqui em casa, quando cuido do menu, com tanto cuidado e carinho que acaba até ficando gostoso. A verdade é que comer em casa é sempre uma delícia, mesmo que a comida não seja lá essas coisas. Aqui em Chez Agostini só falta a sobremesa, que não é mesmo o meu forte. Alguém tem um bom pudim aí? Mas, antídoto para isso é o vinho do Porto, o Sauternes e tantos outros.

Mas ontem, não. Ontem o trio visitou o Terzetto. Que programa gostoso, e isso – ao mesmo tempo – é e não é uma metáfora. Três gerações se deliciando.

Papai ia pedindo uma bisque de lagosta, de entrada, um ravióli não lembro de quê e um ossobuco de vitelo. Eu, vieiras gratinadas, risoto de lagostins com aspargos e espumante, e, para encerrar o percurso salgado, um magret de canard com foie gras. O pai, como convém nessas ocasiões, cresceu o olho sobre as minha vieiras.

– Hum, dá para trocar o meu ravióli por essas vieiras gratinadas?

– Claro que sim.

E a Maria emendou.

– Pai, posso ficar com a concha da vieira? – perguntou a mocinha, claramente se lembrando de um recente almoço no Satyricon de Búzios, quando vimos vieiras, lagostas, ouriços e ostras vivas em aquários. Até hoje ela guarda a concha que ganhou de presente do garçom.

– Mas, pai, essa vieira também é viva?

– Não, filha, essa já tá morta. Você vai provar e vai adorar, te garanto.

– E a lagosta do vovô, é viva?

– Não, também tá morta. É uma sopinha muito gostosa, você devia provar, sabia?

– Ah, tá. No verão eles servem lá a lagosta viva, lembra que o moço falou?

Incrível, mas a Maria se lembra em detalhes da entrevista informal que fiz com o garçom do Satyricon quando fui a Búzios com ela para escrever uma matéria sobre os 15 anos de emancipação do balneário, listando 15 programas imperdíveis, e é claro que uma refeição no veterano Satyricon estava na seleção. Impressionante ela se lembrar disso.

– Ah, e o garçom ainda pegou o espinho (nota do blogueiro: espinho = ouriço) com a mão, lembra? E depois a lagosta. Papai também pegou a lagosta pela antena.

Nem eu me lembrava que tinha puxado os crustáceos para fora d´água para ela ver melhor. Mas ela não se esquece. Que engraçado, né?

Foi ótimo. Estava tudo uma delícia. Pizza branca e pães com azeite e berinjela grelhada, para início de conversa. Chandon Excellence acompanhando. Depois, bisque de lagosta, vieiras gratinas e risoto de camarão com aspargos e espumante. Nas taças, um bom branco italiano, que o descompromisso da ocasião me fez esquecer do nome. E também um Chadonnay chileno. Quando chegaram o ossubuco de vitelo e o magret com foie abrimos um gostoso Barbera d’Alba 2008 do Vietti. Terminamos com torta de amêndoa com chocolate e dois sorvetes, um com calda de frutas vermelhas, outra ao chocolate. Claro, com um bom Fonseca Tawny 10 anos, beleza de encerramento.

Deste jantar jamais me esquecerei.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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6 Respostas to “Um jantar de ouro no Terzetto”

  1. Mari Ceratti Says:

    Perfeição! E não preciso dizer mais nada.

  2. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Terzetto […]

  3. Dri Says:

    To esperando confirmação da minha reserva no Chez Agostini, mas é mais complicado que El Bulli pré fechamento!!

    Hahahahahaha

    • brunoagostini Says:

      🙂
      Vamos combinar, Dri. O segundo semestre foi complicado, agora passou 🙂

      beijos

      • Guilherme Lopes Says:

        O Bruno me deve uma feijoada no Chez Agostini tem um tempão!

        Bom finalzinho de ano pro cê e para a sua família. E uma baita 2011, com várias refeições tipo essa aí!

        Abraço!

        ; )

      • brunoagostini Says:

        Pô, mas para isso você precisa estar aqui no Rio. 🙂
        Feliz 2011!
        Abração

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