Bottarga é uma ova! O novo cardápio de verão do Bazzar, e a volta de um velho (e delicioso) conhecido

O salão do restaurante na rua Barão da Torre, em Ipanema: a cara do Rio

 

Outro dia, via Facebook, vi uma foto de um carpaccio de pato com queijo de cabra.

Bateu um flashback. Lembrei-me na hora.

“Epa, esse foi o primeiro prato que eu comi no Bazzar, na primeira vez em que visitei o restaurante, ali por volta de 2004, 2005 quem sabe”.

A receita é um encanto: a carne do pato é enrolada com recheio do queijo de cabra cremoso, como se fosse um rocambole, para então ser fatiada delicadamente, e depois regada com azeite e salpicada com tomilho fresco. Uma delícia, uma beleza. Quando vi a foto no Facebook, vibrei: porque estava indicando que a receita está voltando ao cardápio da casa em Ipanema. Vibrei! Preciso voltar lá logo.

Estive no restaurante da rua Barão da Torre não faz muito tempo. Acabei me tornando amigo da Cristiana Beltrão, a dona. Compartilhamos o amor pela comida, pelos vinhos e pelas viagens, e pelo Rio de Janeiro, pela leveza da vida, pelas crianças. E pelo menos a cada dois meses, em média, a gente se encontra para uma noitada que vai pela madrugada adentro, com direito a muitas risadas e, é claro, muitos comes e bebes, e muito papo ao redor de viagens, comidas e bebidas. Já é quase uma confraria, com a presença sempre erudita do nobilíssimo Pedro Mello e Souza, do Claudio de Freitas, o chef, e também da Ana Paula Krebs, braço direito da Cristiana Beltrão no comando da marca, que tem os cafés e também a fábrica que produz caldas, molhos e gostosuras vendidas em mercados. Às vezes gente como Célio Alzer se junta a nós. É ou não é imperdível?

Cada vez a Cristiana arruma um motivo diferente para armar o imperdível encontro.

“Tô com uns vinhos novos aqui que quero botar na carta, vamos provar? Quero a sua opinião”.

“O Claudio criou uns pratos novos para o menu de verão, você tem que experimentar”.

“Estamos agora bolando um menu infantil. Traz a Maria que ela vai amar”.

A última dessas visitas era para degustarmos uns belos vinhos italianos que estão entrando na carta de vinhos, e também para provar os pratos novos que estão em cartaz no menu de verão, porque além da lista regular o menu sempre tem algo extra, de acordo com a estação, a sazonalidade do produto, a temperatura.

Assim, tivemos uma noite longa, numa mesa que se formou ali pelas 20h e só se desfez lá pelas duas da madrugada. E ainda tinha gente querendo ficar mais… Saíamos com dó dos garçons…

Começamos ao sabor de algumas borbulhas, incluindo um Taittinger, regalito do Pedrão. E fomos indo, começando com os pães quentinhos (adoro a torradinha de focaccia!) e os azeites temperados.

Carpaccio de vieiras, para se comer de palitinho: arigatô!

O primeiro desses pratos de verão era o carpaccio de vieiras, servido com um molho fresco à base de coentro. Só a parte branca, mais delicada, é fatiada e temperada com essa mistura: a parte vermelha é preparada separadamente, mantendo a sua textura usual, e sabor intenso, amenizado por um leve toque adocicado. Na companhia de uma flûte de Taittinger, então, ficou ainda melhor…

Creme de baroa com urucum e ovas de tainha

Depois, creme frio de baroa com urucum e ovas de tainha, inspirado na vichyssoise, leve e saborosa, com textura aveludada e sabor instenso, perfeito para os dias quentes.  

Ovas de tainha curadas, como uma bottarga, e depois transformadas em pó, que temperada efusivamente a sopinha fria.

– Bottarga é uma ova! Se é feito no Brasil, são ovas de tainha. Descobri um fornecedor de Santa Catarina sensacional, chamado Bottarga Gold. Mas eu prefiro chamar de ova de tainha mesmo – diz a Cristiana Beltrão, defensora fervorosa do uso de ingredientes brasileiros, principalmente os cariocas (como escrevi numa reportagem publicada aqui no blog há pouco tempo, eles usam pato de Sapucaia, queijo de cabra de Teresópolis, melado de Macaé, farinha de mandioca de Barra do Itabapoana, aipim de Cachoeiras de Macacu, parmesão de Resende).

Vietti Roero Arneis, um belo vinho, que foi muito bem com as receitas com as ovas de tainha

Para acompanhar, uma beleza de vinho, o Vietti Roero Arneis, um vinho seco e direto, sem madeira, muito elegante e gastronômico, com aromas florais e cítricos.

Vinhaço que se deu muito bem tanto com o creme de baroa quanto com o passo seguinte na brincadeira, no qual também brilham as ovas de tainha.

Simplicidade, leveza e sabor: espaguete com ovas de tainha

Trata-se de uma receita simples, como deve ser um bom espaguete, só passado no azeite com uns temperinhos e um toque de ovas de tainha.

Vinhaço, vinhaço, vinhaço!

Depois mudamos o vinho, mas continuamos no mar. Na taça, o sensacional Monteriolo, de Luigi Coppo, um Chardonnay do Piemonte, feito sob inspiração da Borgonha, uma coisa de maluco. Vinhaço, um gigante.

Que beleza: moquequinha de vieiras

Só mesmo algo desse porte para encarar um dendê, ainda que rodeado de delicadezas. No caso, conchinhas de vieiras, temperadas com sutileza no leite de coco e azeite da palma, com um crocante de alho poró. Bela dupla essa, unindo Bahia e Itália com escala na França.

Inesquecível: filé com gratinado de palmito pupunha, alho negro e grana padano

Depois pedimos um tinto, e já me esqueci qual foi. Mas não me esqueço do filé rosado servido com gratinado de palmito pupunha com alho negro e grana padano (aliás, devo tenho que escrever sobre o tal alho negro, que me encanta. Andei provando várias receitas, e também me arriscando a preparar alguma coisa com ele aqui em casa. E que ingrediente versátil. Vai bem com peixe, como no Quadrucci, vai bem com carne, como no Bazzar, e mesmo com rabada, como no Oro, e ainda, numa massinha simples, só com creme de leite e grana parmesão. Tô adorando). Só de ver a cara do prato dá para ver que está muito bom, não é verdade?

Cubinhos de tapioca, para encerrar

Encerramos com esses cubinhos de tapioca com leite de côco, umas lasquinhas de limão siciliano com calda de açaí com guaraná e banana (essa calda agora faz parte do meu café da manhã quase diariamente, dando sabor ao iogurte natural).

 Eram cerca de 2h. Um pouco ainda a contragosto, fomos embora felizes.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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8 Respostas to “Bottarga é uma ova! O novo cardápio de verão do Bazzar, e a volta de um velho (e delicioso) conhecido”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Bazzar […]

  2. Cris Beltrão Says:

    Só marcando outro encontro pra comentar esse encontro… Desculpa boa o suficiente?
    Adorei, querido! A noite, o post, a festa e a gentileza.

  3. Dri Says:

    Está realmente tudo com uma cara ótima! Mas vontade, água na boca mesmo, me deram o carpaccio, a moquequinha e principalmente o filé. O spaguetti eu confesso que dispensaria…

  4. Júlio Says:

    Fomos em 6 , 2 do Rio e 4 de Brasilia.Sensacional.Creme de baroa com ovas de tainha.Uma delicia.

  5. vivian Says:

    Os pratos estao lindos! Na minha proxima visita ao Rio quero comer esse filé suculento!

  6. Daniel Soares. Says:

    Qual é a marca dos molhos, e em qual supermercado eu encontro?

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