Archive for janeiro \22\UTC 2011

Um jantar pungente e delicado no restaurante Osaka, no hotel W de Santiago

22/01/2011

A inauguração do hotel W, em Santiago, é um dos símbolos do momento atual da capital chilena. É chique, é bonito, é caro, é luxuoso, é cool.

Ontem aproveitei que estou hospedado próximo dali, em Las Condes, e fui jantar no Osaka, um restaurante nipo-peruano, nascido em Lima e com uma unidade também em Buenos Aires (a próxima será em São Paulo). Uma cozinha delicada, mas pungente, com ingredientes frescos, alguma criatividade e um cardápio que vai para além das especialidades japonesas e peruanas, trazendo receitas de inspiração também na Tailândia.

Tive um jantar soberbo no balcão do sushi bar acompanhado de tacinhas do ótimo espumante Cono Sur brut.

Tudo começou com as boas vindas do chef: um pequeno e delicioso atum empanado, crocante e untuoso que só, em molho ácido e picante de tamarindo.

Depois, uma seleção de sashimi, com 12 cortes: quatro de cojinova, um peixe que não conhecia, de carne rosada, delicioso, polvo e salmão.

Em seguida, o aburo, um dos “protein rolls”, um rolinho de peixe branco recheado com alface em tirinhas, abacate com um molho picante incrível.

A etapa seguinte foi escolhida na lista de cevichitos, servidos em pequenas colheres; No caso, o meu foi o indo, com polvo, banana caramelada e manga, temperados em molho delicioso.

Para encerrar, vieiras à maneira tailandesa, por coincidência servidas nas mesmas colherinhas. Uma beleza.

Depois, subi para o terraço, no vigésimo primeiro andar, para “uma copa de tinto” enquanto apreciava a linda vista da noite santiaguina, com direito a lua cheia. Tudo perfeito, se não fosse pela trilha sonora, aquelas chatíssimas músicas eletrônicas que não sei porque tanta gente gosta… que horror.

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Barros Luco, sanduíche clássico da cozinha chilena

21/01/2011

Logo que fui apresentado ao sanduíche Barros Luco, numa deliciosa degustação na Valdivieso, me lembrei imediatamente da sopa Leão Veloso e do filé à Osvaldo Aranha.

A receita é muito simples: um sanduíche de filé malpassado com queijo, um clássico da cozinha chilena. Me fez lembrar o Rio também por causa de um clássico das casas de suco da cidade, o sanduíche de filé com palmira, que merece ser apreciado.

O sanduíche nasceu no restaurante do Congresso chileno, feito a pedido do presidente Ramón Barros Luco.

Um primo dele, Barros Jarpa, talvez com ciúme, também criou um sanduíche. Mas meio sem graça, um misto quente comum, só de queijo e presunto…

Sou mais o Barros Luco.

O rico filé a lo pobre

19/01/2011

Carne na brasa, ovo, batata frita e cebola: fórmula infalível

A receita é simples, como muitas das mais tradicionais. Pegue-se um belo filé e, de preferência na brasa, jogue-o sobre a grelha, só o tempo suficiente para deixar o enterior sangrento, macio e com muitos sucos, se esparramando no prato. Por cima vai um ovo frito (ou dois, quem sabe?), de preferência com a gema mole. Ao redor disponha batatas fritas e cebolas desmaiadas na manteiga, cozidas longamente, até se transformarem quase num purê, com sabor levemente caramelado.

Pronto, está feito o filé a lo pobre, talvez a receita mais característica do Chile, encontrada de Norte a Sul do país. Esse aí da foto foi o meu jantar de ontem, no restaurante do hotel Villa El Descanso, na estrada perto de Curicó.

É uma espécie de primo transandino de um clássico do Rio de Janeiro, o bife a cavalo.

Já tinha provado o prato outras vezes em Santiago, num restaurante da Calle Pio Nono que era muito frequentado por Pablo Neruda, e cujo nome agora não me recordo.

É isso aí.

E peço desculpas aos que deixaram perguntas na caixa de comentários. Vou tentar colocar em dia, mas o tempo livre está muito curto por aqui, trabalhando todos os dias das 7h à meia-noite praticamente.

Deu no New York Times: 2011 é o ano de Santiago, e cá estamos nós

18/01/2011

Mercado Central: uma das sete razões para se visitar Santiago, segundo o jornal El Mercurio

Cheguei no domingo à noite em Santiago, para um giro de uma semana por vários vales vinícolas do país: Maipo, Colchagua, Chachapoal, Aconcagua, Maule…

Trata-se de um momento interessante para se visitar a capital chilena, e o país, de uma maneira geral. Isso porque na semana passada o New York Times elegeu Santiago como “a cidade para se visitar em 2011”.

Parece que mesmo os chilenos foram pegos de surpresa com a notícia. Na edição de domingo do El Mercurio, lido a bordo do voo da Lan, foi publicada uma boa reportagem intitulada “Cómo Santiago pasó de ser um lugar taciturno a uma ciudad vibrante”.

Mesmo os santiaguinos estão meio na dúvida se isso é verdade ou não. Para os amantes do vinhos e da gastronomia marinha, eu não tenho dúvidas de que Santiago é um destino fenomenal. Jovens interessados em vida noturna também encontram boas possibilidades na cidade, bem como quem deseja comprar artigos eletrônicos, que não apresentam os preços dos EUA, mas estão bem abaixo do que é cobrado no Brasil, coisa de pelo menos 50% mais barato.

A reportagem lista sete razões para Santiago haver recebido a indicação do NYT:

– O encanto do Mercado Central

– Atrativos nos arredores (vinícolas, estações de esqui e praias, como Viña Del Mar)

– O glamour do bairro El Golf

– A boemia de Bellavista

– O Cerro Santa Lucía, e o seu tiro de canhão

– As ruazinhas de Lastarria

– Os restaurantes de peixes e frutos do mar

De fato, a cidade mudou bastante desde a primeira vez em que estive lá, no meio de 2005. Ganhou hotéis como o W, em El Golf. Pipocam prédios modernos. O metrô se expandiu bastante, de maneira que hoje é possível até visitar vinícolas facilmente pegando trens no Centro. E uma série de novos atrativos culturais, como o Museu da Moda.

A reportagem também fala de tendências no âmbito do turismo, que vão desde oferta de eventos culturais, a viagens de cruzeiro, enoturismo e, é isso mesmo, turismo médico: há muitos bolivianos, peruanos e colombianos que visitam o Chile para fazer cirurgias, principalmente as estéticas. Também se fala de Buenos Aires, destacando que a capital chilena é mais limpa e segura (e é mesmo).

A matéria também fala do lapislázuli, uma pedra azul que só é encontrada em dois países, no Chile e no Afeganistão. E também indica que os acontecimentos de 2010 (terremoto e resgate dos mineiros) também contribuíram, certamente, para os destaque que o país alcançou a nível mundial.

Santiago é mesmo uma delícia, e está cada vez melhor. Mas ainda prefiro Buenos Aires. E o Rio de Janeiro, claro.

De volta ao Bar Luiz: aniversário e promoção imperdível

15/01/2011

  

Troquei de mal com o Bar Luiz há cerca de dois anos, quando o mais que centenário restaurante abandou o chope da Brahma pelo da Sol em troca de uma bela grana. Não dá, velho amigo, Sol no chope não dá.

De lá para cá só tinha voltado à casa uma única vez. A cozinha continuava igual, mas o chope realmente… Intragável. Que saudade daquele colarinho branco, daquele frescor… O chope da Sol é pesado, de espuma frágil e inconsistente, com amargor desequilibrado. Enfim, um equívoco do mestre cervejeiro. E, em consequência, do administrador do bar.

Hoje precisei ir ao Centro na hora do almoço para comprar uns itens de informática e fotografia no Edifício Avenida Central.

Onde almoçar?, pensei depois de cumprida a missão.

Logo me lembrei do Galeto Central, uma das melhores galeterias da cidade. Cheguei e fui direto ao balcão. Ali só tem balcão. Peguei o lugarzinho que gostava quando trabalhava ali perto, e chamei o atendente. Uma vez, duas vezes, três vezes, quatro. Ninguém me ouviu ou viu – quer dizer, acho que até viu, mas fingiu não ver. Resolvi ir embora.

Hummm, e agora?

Vou dar mais uma chance ao Bar Luiz, tão pertinho daqui…

Quando chegou o cardápio a capa tinha um cartaz convidativo, dizendo que até o dia 31 de janeiro o casa está com uma ótima promoção de aniversário. Essa eu não sabia. Assim como eu o Bar Luiz nasceu em janeiro. Curti.

Quando abri o menu clássico a casa vi que havia realmente promoções muito boas. Vejam só as fotos de celular.

Salsichão com  salada de batatas de R$ 26 por R$ 15? Eisbeis com salada de batas, de R$ 45 por R$ 27?

Milanesa com salada de batatas de R$ 28 a R$ 15,50 (dá até para dois, embora eu tenho comido solo)? Tá bom demais.

As ofertas vão ocupando outras seções do cardápio. Sobremesas…
pudim de leite a R$ 1,50? Parece piada.

E até o chope Sol, que é muito ruim e devia ser dado de graça, caiu de R$ 5 para R$ 3. Mas essa promoção mal dá para ser aproveitada. Não dá para beber mais de um desses chopes da Sol. Nos tempos da Brahma, apreciava facilmente uns cinco chopes tipo schinitt,  servidos com espuma densa naqueles copões de boca larga, com 400 ml. Delícia, no nível do Bar Brasil. Hoje é difícil passar do primeiro.

Mas a promoção é mesmo incrível, uma bela oportunidade de provar o cardápio desse tradicionalíssimo alemão que se rendeu ao capitalismo, mas ao menos mantém o nível da comida. A salada de batata continua sendo a melhor de todas, e o bife à milanesa que ocupa um prato inteiro, com a carne fininha e uma crosta bonita, tudo muito bonito e uniforme. A inesquecível língua defumada à milanesa deve estar como sempre. E imagino que não tenha como as salsichas possam ter piorado. Nem o kassler, e o eisbein, e a lentilha garni.

Lá no fundo do bar, na mesma mesa em que já vi também o Chico, o Buarque, estava o Sergio Cabral, pai com um grupo grande, que à certa altura cantarolou umas músicas mostrando que são profissionais do ramo.

Sei que podia ser melhor se o chope colaborasse. Mas saí de lá contente, apesar de toda a tristeza dos acontecimentos dos últimos dias.

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Tristeza e alegria

15/01/2011

Se apegar às cidades é gostoso. Mas também pode ser muito dolorido.

Ilha Grande, São Luis do Paraitinga, Teresópolis, Vale do Cuiabá… Lugares tão queridos. Tão massacrados. Num período tão curto. Tão perto da gente.  

Até Bom Jardim, onde nunca estive, é um lugar querido e elevado na minha estima, por causa dos Erthal que adoro.

São José do vale do Rio Preto, onde também nunca pisei, sempre teve lugar cativo no coração: desde o dia em que descobri que Águas de Março foi composta ali. Mas o que vai fazer esse lugar estar sempre na minha lembrança, perdão, meu ídolo Tom, é a dona Ilair, protagonista de uma das cenas mais bonitas que já vi na vida. Pensando bem, ela ali, bravamente, querendo salvar o cachorro, e preocupada em sobreviver para cuidar dos filhos, como gritou no momento de agonia, de maneira heróica agarrada à vida, foi a cena mais bonita, comovente e impressionante que já vi na vida. O amor materno, o respeito aos animais, o valor imenso dado à vida. E o esforço dos vizinhos, a presença de espírito deles, a força de dona Ilair. Uma coisa linda. No meio de tantas lágrimas de tristeza, pingam algumas de esperança.

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O pescado mora ao lado: o negócio agora são os ingredientes locais

14/01/2011

O cação buziano servido no Bazzar, que trabalha com diversos produtos flumineses: pato de Sapucaia, queijo de cabra de Teresópolis, melado de Macaé, farinha de mandioca de Barra do Itabapoana, aipim de Cachoeiras de Macacu, parmesão de Resende...

Quando o tempo permite, todas as manhãs o mergulhador Francisco Loffredi, ex-integrante da seleção brasileira de pesca submarina, nada até a laje Santo Antônio, na Praia de Ipanema, ponto famoso entre os praticantes do esporte por reunir uma imensa população de delícias. São apenas cerca de cinco minutos de braçadas. Ali ele arpoa robalos, barracudas, cavalas, anchovas e outras espécies de peixe muito valorizadas na cozinha. Ao sair do mar, basta atravessar a Avenida Vieira Souto para dar destino nobre ao trabalho do dia. O chef do restaurante Fasano al Mare, o italiano Luca Gozzani, não poderia receber pescados mais frescos. Com essa matéria-prima especial ele está criando menus diferentes a cada dia, de acordo com o que o mar ali defronte ao restaurante ofereceu ao arpão do pescador.
— Vou explorar o frescor do peixe, porque é o que mais importa. A ideia é criar receitas que valorizem isso, como carpaccio, tartar, uma massa recheada, a posta grelhada servida com molho simples. Para um chef, ter um pescador trabalhando para você é como um sonho — comenta Luca.
Também em Ipanema, o carioquíssimo restaurante Bazzar reafirma essa sua condição ao buscar no próprio Estado do Rio quase toda a matéria-prima de seus restaurantes: tem cação de Búzios, pato de Sapucaia, queijo de cabra de Teresópolis, melado de Macaé, farinha de mandioca de Barra do Itabapoana, aipim de Cachoeiras de Macacu, parmesão de Resende… Quem pede uma das receitas mais gostosas da casa, o escondidinho de pato com purê de aipim e queijo de cabra, está provando um prato 100% fluminense.
— Se estendermos o conceito de ingrediente local para Minas e São Paulo, por exemplo, que estão logo ali, já abraçamos quase 100% do cardápio. Estamos fazendo o dever de casa. Nossa preocupação é com o estímulo ao desenvolvimento de fornecedores locais, que visitamos pessoalmente. Além de garantirmos o frescor, buscando ingredientes próximo diminuímos a emissão de carbono.
Esse movimento de valorização dos ingredientes locais que agora ganha força por aqui fez fama nos Estados Unidos e envolve não só o uso de ingredientes produzidos nas proximidades, mas também certificações orgânicas. Primeiro Napa Valley, depois Nova York e daí para o mundo.
— Conheço pessoalmente quase todos os produtores rurais que fornecem para o meu restaurante. De vez em quando os levo até Londres para mostrar como uso os ingredientes deles, que são feitos com cuidado e paixão. A maneira como cultivam, cuidam e embalam os produtos impressiona: entregam-nos cada abobrinha, cada queijo, cada maçã como se fosse um bebê — relata o português Nuno Mendes, do restaurante Viajante, na capital inglesa, um dos mais talentosos da geração pós-Ferran Adrià.
Jean-Georges Vongerichten, chef estelar e estrelado de Nova York, com vários restaurantes nos EUA e na Ásia, é outro adepto convicto dessa filosofia.
— Produtos locais vêm direto da fazenda para a cidade, acabam de ser colhidos, e realmente têm um sabor que não se compara ao dos ingredientes que foram transportados de lugares distantes. Trabalho com os mesmos agricultores há muitos anos e tenho visitado as suas fazendas. Uma ou duas vezes por ano, meu chef de cuisine, Mark Lapico, organiza uma viagem com os nossos cozinheiros para uma das fazendas que trabalham conosco. Acho que é muito importante para todos os funcionários dos meus restaurantes saber de onde vêm os nossos produtos — diz o chef, que fez do seu novo endereço, o ABC Kitchen, em Nova York, o emblema disso: ali só entram ingredientes locais e orgânicos. — Sempre usei produtos orgânicos vindos das redondezas de Nova York em todos os meus restaurantes, na medida do possível. Mas só agora pude abrir uma casa onde o enfoque, a sua razão principal de ser, é apostar nessa tendência.
Para que alguns dos chefs mais estrelados do Rio possam criar os seus menus, todas as segundas, quartas e sextas-feiras são dias de trabalho intenso no Sítio Verde Orgânico, em Petrópolis. Na serra, três vezes por semana, os funcionários colhem, limpam e embalam os produtos da temporada. Isso porque às terças, às quintas e aos sábados acontecem as entregas em alguns dos melhores restaurantes do Rio, como Olympe (de Claude Troisgros), Roberta Sudbrack, entre outros, que aderiram a essa proposta. Mas os delicados produtos não são exclusividade dos chefs: o sítio também entrega em domicílio e tem uma barraca no Circuito Carioca de Feiras Orgânicas.
Mais que apenas comprador, Claude Troisgros virou parceiro no negócio. Foi com seu capital que o sítio passou por melhorias. O chef francês, por exemplo, bancou a construção do galinheiro que abastece os seus restaurantes com ovos e frangos caipiras. Também foi ele quem ampliou a linha de produtos, levando várias matrizes de plantas raras no Rio, como ora-pro-nóbis, essencial na cozinha mineira, e jambu, ícone da gastronomia paraense, além de azedinha, ingrediente fundamental para o clã Troisgros (nos anos 1970, o pai de Claude, Pierre, criou uma receita de salmão com azedinha que virou símbolo da nouvelle cuisine).
— Desde 2004, quando abri o Olympe, uso os produtos do sítio, que são cultivados com extremo cuidado. Há cerca de dois anos me disseram que fechariam as portas. Então, dei uma ajuda financeira e hoje somos parceiros, eles me pagam em produtos — conta o mais carioca dos chefs franceses, que gosta de usar a linha de hortaliças pequenas, como mininabos, cenouras e abobrinhas, além de brotinhos de rúcula e agrião, entre outros babies. — Agora estamos começando a fazer minijambu — conta Claude, animado.
Se Claude Troisgros se associou a um produtor, a chef Ana Castilho, do Aprazível, fez mais: comprou uma fazenda em Conceição do Mato Dentro, em Minas Gerais, seu estado natal. Não só a propriedade, mas também a vizinhança, fornece uma série de ingredientes para o restaurante de Santa Teresa: as frutas vêm da fazenda dela mesma, mas a linguiça é feita por um vizinho; o pernil de porco, por um outro; o queijo, por um terceiro; e assim por diante. As compotas (doce de leite, doce de mamão, goiabada, figo em calda e doce de laranja) que fazem sucesso no final das refeições também têm DNA mineiro. Uma outra parte dos produtos usados no restaurante, como o inhame e o feijão-de-corda, é comprada na feira orgânica da Glória, direto dos produtores.
A Pousada Tankamana, em Petrópolis, segue o mesmo caminho e consegue ter os produtos mais frescos possíveis a poucos passos do chef. Isso porque os proprietários acabaram de construir uma horta, linda e imensa, com uma grande variedade de hortaliças e flores: tem agrião, aipo, alfaces de todo tipo, brócolis, chicória frisée, espinafre, radicchio, rúcula, salsinha, aneto, manjericão, sálvia, tomilho, hortelã, alecrim, cebolinha, cebolinha francesa, coentro, nirá, amor-perfeito e capuchinha, com produção suficiente para abastecer tanto a pousada quanto o hotel Solar do Império, no centro de Petrópolis, dos mesmos donos. A horta não serve apenas para suprir as cozinhas, mas é também atração para os hóspedes, que recebem aulas sobre hortaliças orgânicas e plantios caseiros, e ainda podem levar para casa, ao fim da viagem, um buquê com alguns dos itens disponíveis na estação.
Pioneiro na produção de orgânicos no Brasil, desde 1989, o Sítio do Moinho, também em Petrópolis, abastece um monte de restaurantes cariocas com seus produtos frescos e manipulados com extremo cuidado na propriedade. No total, são mais de 70 itens produzidos ali no sítio, que fica na localidade de Santa Mônica. Tudo irrigado com água puríssima, de um poço a 103 metros de profundidade.
— Esse conceito é muito mais abrangente do que apenas produzir ingredientes frescos e livres de agrotóxicos. Envolve também aspectos ecológicos e sociais, de respeito ao meio ambiente e aos agricultores, de gerar benefícios à comunidade ao redor. Todos os meus mais de 80 funcionários, por exemplo, têm carteira assinada, e nós fazemos programas em parceria com escolas públicas. Ser orgânico é ser sustentável — diz Dick Thompson, dono do sítio em sociedade com a mulher, Ângela.
O Instituto Biodinâmico (IBD) reconhece o trabalho desenvolvido ali emitindo dois certificados: um relativo ao cultivo orgânico; outro, o chamado Certificado EcoSocial, para essas ações. O Sítio do Moinho inaugurou na Rua General Urquiza, no Leblon, uma charmosa lojinha, na qual é possível encontrar vários desses produtos, além de uma seleção de importados — todos com certificação orgânica.
E pato orgânico? Também tem. As aves, criadas pela granja Selo Verde, em Sapucaia, crescem seguindo práticas sustentáveis, que respeitam o ecossistema, e estão presentes em alguns dos bons restaurantes cariocas, como o Oui Oui, além do Bazzar.
Alguns produtos começam a dar destaque a determinadas regiões. É o caso, por exemplo, da goiabada cascão de Ponte Nova, em Minas Gerais, sucesso absoluto em vários endereços cariocas — da sorveteria Mil Frutas, que usa o doce para fazer o sabor “romeu e julieta”, ao estrelado Le Pré Catelan, passando pelo Giuseppe Grill. No restaurante francês do Sofitel, na Avenida Atlântica, a goiabada acompanha, simplesmente, a trilogia de foie gras, escoltando esse que é um dos ingredientes mais caros do mundo.
— Não consigo mais viver sem a goiabada “cascón” de Ponte Nova — diz o francês Roland Villard, sem disfarçar o sotaque. — Tem um sabor incrível — elogia o chef, que usa o doce mineiro para compor o prato de fígado gordo, com três pequenas porções: um picolé em crosta de avelã; um crème brûlée de foie gras, e um escalope grelhado ao molho de hibisco com crepe de biju recheado de chutney de goiabada cascão.
Além de Petrópolis, com uma série de pequenos produtores que fornecem cogumelos, trutas, ervas, escargots, pato e um monte de artigos agropecuários para os nossos restaurantes, outra fonte de ingredientes nobres e frescos é a Estrada Teresópolis-Friburgo, eixo que produz grande parte das folhas consumidas no Rio de Janeiro. Os queijos da Cremerie Genève, também na Teresópolis-Friburgo, por exemplo, estão em alguns dos melhores restaurantes franceses da cidade, como Le Pré Catelan e Garcia & Rodrigues.
— O melhor é que, em um único lugar, eles produzem uma enorme diversidade de queijos, o que na França seria impossível, porque cada região tem a tradição de fazer o seu. E mais uma coisa: não ficam nada a dever aos exemplares importados — exalta Roland Villard.
O restaurante Bazzar, além de comprar os queijos da Cremerie Genève, também se abastece com outros produtos da região serrana. Saem ainda do chamado circuito Terê-Fri o mel e as hortaliças da casa.
Outra queijaria fora de série é o Sítio Solidão, em Miguel Pereira. A propriedade produz uma linha especial, com destaque para os de leite de ovelha, preparados da mesma forma que os famosos exemplares da Serra da Estrela, em Portugal, de consistência cremosa e sabor intenso.
O litoral também contribui com essa oferta. Angra e Paraty fornecem, além de cachaça, farinha e mariscos criados em fazendas marinhas. Búzios e toda a Região dos Lagos se destacam no abastecimento de peixes frescos. Um dos destaques do menu atual do restaurante Bazzar traz essa assinatura: é o cação buziano com purê de banana-da-terra, maxixe e um molho suave à base de dendê e leite de coco. A cara do Rio e do Brasil.
— Esse conceito de eat local não é apenas uma opção mais saborosa. É necessária — resume bem Cristiana Beltrão, do Bazzar.

P.S. – Esta reportagem foi escrita para a edição de novembro passado da revista Oh!

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Fotoblog: um sábado de verão em Búzios

13/01/2011


Foi no sábado passado, dia 8. Peguei o ônibus das 8h04 na Rodoviária Novo Rio. Às 11h15 já estava aí, no cais de Búzios (para ler outro post sobre a viagem, basta clicar aqui). Viagem tranquila, lendo um livro, descansando, bem melhor que de carro. Um pouco mais demorado, mas bem mais barato e confortável. Farei mais vezes, tanto para Búzios quanto para Paraty, dois destinos que dispensam facilmente o carro. Dá para fazer tudo o que importa andando.


Acontece que tomei um susto ao chegar ali no comecinho da Orla Bardot. Não havia um nem dois, mas…


Três navios fundeados  naquele mar abençoado por Deus e bonito por natureza, pertinho do litoral.
Se a cidade já estava lotada de visitantes “terrestres”, a julgar pelo trânsito na chegada, imagine com todos esses passageiros. Tem gente que reclama das cidades que recebem cruzeiros… Vai dizer isso para os comerciantes e operadores de receptivo…


A estátua dos três pescadores era um dos pontos preferidos para as fotos. Assim, na maré baixa, dá para se chegar até lá sem qualquer problema.

Búzios é demais. Tem praias lindas, alguns ótimos restaurantes e, em alguns momentos, e com alguma boa vontade, até se parece com Paraty.


“Essa camisa aí faz o maior sucesso com o povo dos navios”, disse o dono da barraca que exibia esse campeão de vendas.


A cidade estava cheia, muito cheia. A ponto de um barqueiro me dizer que nunca tinha visto a Armação dos Búzios assim. A nossa sorte é que grande parte desses visitantes quer fazer o totalmente dispensável passeio de barco “19 praias e 3 ilhas”. Ainda bem. E, para isso, enfrentam longas filas.

Olha aí de novo o jeitinho paratiano que algumas construções da Orla Bardot têm.


Fui direto para a pousada Casas Brancas para um mergulho na piscina…


… curtir o visual imbatível dali do alto do Morro do Humaitá…

… e receber uma massagem no spa. Pensei assim: “Eu mereço”.
Mas duro mesmo foi ter que depois voltar para o Solar do Peixe Vivo, a pousada em que fiquei, muito ruim, apesar de bem localizada (e com diária a R$ 250!!!).


Depois fui dar uma voltinha pela cidade. Hibiscus são a cara de Búzios, não é verdade?


Fui caminhando pela Orla Bardot em direção à Azeda. Passei pela Praia dos Ossos (se fosse para ter uma casa em Búzios, queria que fosse ali. Adoro).


Muito obrigado.
(E a grafia de “fresco bool” na placa dispensa comentários)


Ao contrário de muita gente, não sou contra cruzeiros em Búzios. Só acho que eles não podem ficar tão próximos da praia, não é mesmo??
Essa aí, no caso, é a querida Azeda.


Olha só isso. Que abuso desse capitão!


E mais um retrato desse acinte.


Como a praia  Azeda estava insuportavelmente cheia (eram umas 15h30, o auge da lotação), só dei uns três mergulhinhos e voltei. Estava com fome. Resisti bravamente aos salgados e sucos do Gil (seria o Castelo Branco?), porque queria guardar o apetite para o almoço, que aconteceria lá no restaurante do Casas Bancas.

Voltei caminhando pelo mesmo trajeto. Com a maré cheia, e nessa contraluz, não é que a estátuas dos três pescadores até perece real? Repara só.


Então fui saciar a fome. Primeiro um gostoso, fresco, ácido e adequado ao momento tartar de atum, saboreado com esse visual todo aí. Demais.

(Agora por outro ângulo)

Depois, um peixe ao molho de maracujá acompanhado de um arroz de siri no estilo New Orleans, bem puxado nos temperos, algo meio creole, saca?
Tudo  isso na companhia de umas três taças de um branquinho bem gelado, simples mas gostoso.
(E já que falamos de comida, vale publicar aqui o link para o post do grande Pedro Landim, que também esteve em Búzios no fim de semana passado, e descobriu um restaurante bem legal do qual eu nunca tinha ouvido falar)

De lá peguei um táxi para curtir o fim de tarde no la Rocka, na Praia Brava. Não levei câmera. Mas mesmo que levasse, as fotos seriam impublicáveis.
😉
Saí de lá quase à meia-noite… Mais não conto.

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Pequenos e exclusivos: hotéis, albergues e pousadas para se hospedar com charme e conforto no Rio de Janeiro

13/01/2011

A graciosa piscina do Santa Teresa Hotel: bairro é o que concentra o maior número desses meios de hospedagem cheios de bossa

Para os leitores desse blog vale publicar aqui o link para uma matéria que fiz lá para o site do Boa Viagem sobre meios de  hospedagem charmosas no Rio de Janeiro. Há desde pousadas pequeninas, como a Casa 32, no Largo do Boticário, com apenas três quartos, a hotéis como o Santa Teresa, com mais de 40, além de bar, restaurante e spa frequentados pela população da cidade.

Prato-à-porter: o menu fashion do chef Nao Hara

12/01/2011
 
Ontem começou o Fashion Rio.
“O Bruno pirou. falando de moda agora…”, pode estar pensando você.
Não, não, não.
Acontece que o Nao Hara, um dos mais talentosos chefs da cidade, criou um cardápio inspirado em grifes que participam dos desfiles. Como sempre, revelando sua criatividade ao compor pratos leves, delicados, harmoniosos e surpreendentes como ceviche quente de vieiras com sorbet de tomate e manjericão. Custa R$ 80 por pessoa, para entrada, prato principal e sobremesa, escolhidas numa interesante lista que dá vontade de provar de tudo. O menu, servido no restaurante Nao, do Fashion Mall, fica em cartaz até o fim do mês.
 
É assim.
Entradas: Armani (lagostim grelhado com tartare de pupunha), Cris Barros (rolinho vietnamita recheado com maminha desfiada com ervas e brotos de beterraba) ou Alexandre Herchcovitch (ceviche quente de vieiras com sorbet de tomate e manjericão).
 Pratos principais: Jack Vartanian (bacalhau grelhado com tomates ao forno recheado com batatas, azeitonas e ervas), Ricardo Almeida (confit de canard com gateau de abobora ao toque de gengibre e palha de shitake) ou Alma Surf (8 peças de sushi exótico (atum com foie gras, atum com pistache ao mel de gengibre, salmão com maracujá brulé, salmão com geleia de rosas, salmão com tartare, tartare de vieiras, tempura de camarão e sushi de agulhão confitado).
Sobremesas: Rosa Chá (circuito belga, combrownie, brigadeiro de colher com gengibre, soufler, trouxinha ao forno de musse com foie gras e sorvete) ou Diesel (circuito tropical: com profitelores de banana caramelada, cheese cake de goiaba com tomilho, cocada queimada com gengibre na colher, manga grelhada com pimenta rosa e abacaxi com creme de baunilha).
 
E aí, gostou? Eu curti. E quero provar. Tudo.
E eu, que não entendo nada de moda, acho que os pratos têm a ver com as grifes…

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