Archive for janeiro \11\-02:00 2011

Alfaia: casa portuguesa, com certeza

11/01/2011

Bolinhos de bacalhau, sequinhos e crocantes, com azeite, pimenta e um tinto parrudo

De vez em quando, especialmente entre os descendentes de portugueses, como é o meu caso, dá uma vontade imensa de comer um bacalhau. Aí, pensamos: o Antiquarius é um investimento caro, o Adegão Português e o Adonis estão relativamente longe, a Gruta de Santo Antônio fica lá em Niterói… Para esses casos, o Alfaia, em Copacabana, é a melhor solução. A casa é autenticamente lusitana, mas faz concessões: tem peixe à belle meunière, moquecas, camarão à milanesa (ou com catupiry), e filé à Oswaldo Aranha, entre outras receitas clássicas.
O cardápio, claro, começa com bolinhos de bacalhau, sardinhas portuguesas, azeitonas, pataniscas de bacalhau, polvo à dorê. Quem quiser ainda apode pedir um fumegante caldo verde.
 
Eu nunca tinha visitado a casa, escondidinha na Rua Inhangá, pertinho da estação Cardeal Arcoverde do Metrô, e foi assim que fomos até lá. De entrada pedimos como não poderia ser diferente, bolinhos de bacalhau. Crocantes e saborosos, estão à altura de um bom restaurante português. Regue com azeite e pimenta para ficar ainda melhor. Quem quiser ainda pode comprar a massa para fritar em casa.
 
A carta de vinhos é que não tem muita opção, com variedade bem modesta. Podiam ampliar um pouco, focando principalmente nos produzidos em Portugal, claro.
 

Bacalhau à brás: lascas refogadas com cebola, ovo mexido, batata palha, salsinha... Delícia a R$ 68 (e dá até para dois)

Já a lista de pratos de bacalhau é digna. Tem à Gomes Sá, à Bras, Alfaia, Patuscada, à Moda, ao Murro, à Bras. Custam de R$ 92 a R$ 129. As meias porções, que custam entre R$ 62 e R$ 68, servem até duas pessoas, desde que não estejam com muita fome (para um casal me parece bem, mas para dois homens não sei, não).
Eu fui no bacalhau Bacalhau à Bras ($ 62, a meia porção). É este aí da foto acima, com lascas generosas refogadas com cebola, alho, ovos mexidos, batata palha, azeitonas pretas e salsinha. Dividi com a filha, e sobrou. Estava bem gostoso, com boa quantidade do peixe e harmonia entre os ingredientes. Novamente, uma boa regada com azeite torna tudo ainda melhor.
 
Além das receitas de bacalhau, merecem atenção os pratos com polvo, que reafirmam o caráter ibérico do lugar (tem à portuguesa, à espanhola e com arroz de brócolis).  
 
Satisfeito, dispensei as sobremesas. Mas, pelo que vi circulando pelo salão, são muito bem feitas. Tem aquela listinha de delícias conventuais: toucinho do céu, ovos moles de Aveiro, pastel de Santa Clara e pastel de natas. Entre os doces, mais concessões para as tradições da mesa brasileira: tem goiabada com catupiry e pudim de leite.
 
O Alfaia entrou definitivamente para a minha lista de bons restaurantes.

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Impressões do verão em Búzios

10/01/2011

Mix de entradinhas do tailandês Sawasdee: uma das delícias de Búzios

Búzios hoje tem até rodoviária. Escrevo de dentro dela, cozinhando meus miolos num calor infernal. A rodoviária de Búzios, noto neste instante, é do tamanho de um ônibus, daqueles que a Viação 1001, única empresa que opera no terminal, usa para transportar passageiros entre o Rio de Janeiro e o balneário mais, como dizer¿, badalado do Brasil.
Búzios está lotada neste verão que pelo menos por aqui, chegou com muita força. Que soleira gostosa fez no final de semana. Estou até ardido, vermelho (pareço até turista paulista).
Búzios está muito, mas muito cheia. “Nunca vi na vida um verão tão lotado como este”, revela o meu motorista de táxi, de aquatáxi, naturalmente. Teve momentos em que três navios estavam atracados junto à costa da cidade. Imagine quanta gente não circulou por ali. Pousadas estão todas lotadas, e muito caras. Paguei R$ 500 pára passar duas noites na pousada Solar do Peixe Vivo, que embora seja uma das mais bem localizadas, bem na Orla Bardot, em frente à estátua do JK (aliás, o ex-presidente se hospedava naquela casa), é uma das piores em que já estive (pelo menos nos últimos dez anos): o ar-condicionado não funcionava direito, a tomada do frigobar estava quebrada e o chuveiro era fraco (ainda bem que não precisei, porque a água quente era impossível de usar).
A verdade é que Búzios consegue ser uma delícia mesmo no verão: só os peixes e frutos do mar sempre frescos do Satyricon, os pratos apimentados, adocicados e ácidos do Sawasdee, e suas respectivas vistas para a praia da Armação, os mergulhos na Azeda, o fim de tarde no La Rocka, na Praia Brava, só isso já fazem Búzios valer a pena a qualquer tempo. Mas não resta dúvida que no inverno é muito melhor: quase não chove, os preços estão melhores, os restaurantes e ruas muito mais vazio. Búzios só é mesmo civilizada naquele tedioso período entre o carnaval e o Natal.
Mas adoro este lugar. Búzios é bom a qualquer tempo. Mesmo neste caos. Há fila para tudo: restaurantes, mesmo os ruins, lanchonetes, bares, mercadinhos, farmácias, vans e o que mais for.
Podia ser ainda muito pior. Sorte é que boa parte dessa massa de turistas que visita Búzios nesta época resolve fazer o totalmente dispensável passeio de 19 praias e três ilhas. Para isso, enfrentam, filas gigantescas no cais de embarque. Uma loucura. Vai lá que eu não vou. O Tal passeio que cobriria toda a península é a maior enganação. É mais ou menos assim.
– Aquela ali é a praia … era a Praia Azeda. Agora vamos parar para um mergulho. Cinco minutos depois, zarpamos.
Tudo isso com música ruim e alta, gente bêbada enchendo a cara, crianças chorando, casais discutindo a relação… Um inverno a bordo. Mas há quem gosto, acredito eu. Como disse, vai que eu não vou.
Sorte que muita gente prefere esse tour marinho infernal a se dedicar à praia. Sorte, muita sorte. Porque no verão, pelo menos de manhã, quando sai a maior parte dos passeios, ainda dá para ir à praia. Se esse pessoal não fosse passear de barco, não daria para ir a praia nem de manhã. Ontem, até o meio-dia e meia, a Azeda estava uma delícia. Depois disso, não dá.  A noite de Búzios é animada, como se sabe. Então, o pessoal acorda tarde. Pelas manhãs a praia é das famílias.
Dei sorte. Consegui antecipar a passagem de ônibus de volta para o Rio do meio-dia para às 11h. Três pessoas desistiram da viagem. Havia duas pessoas querendo antecipar a volta. Eram três lugares sobrando. Dei sorte em dobro. No ônibus lotado, sou o único passageiro que viaja sem ninguém ao lado.
Continuo a escrever remotamente. Agora na poltrona 27 do ônibus da 1001 (a 28 está ocupada pelo computador). Estamos parados no Graal. Não vou descer. Interrompi a leitura de “Mil dias na Toscana”, de Marlena de Blasi, para escrever um pouco mais dessas impressões de um fim de semana em Búzios no verão. Quero subir um post logo que chegar em casa, antes de cair no Samba do Trabalhador, emendando com o Samba da Pedra do Sal.
Agora escrevo de casa. Então, já me despeço. Depois post mais fotos e histórias do fim de semana em Búzios.
Agora, não. Agora a farra me chama. Quero comemorar. Com licença que vou sambar. Com uma passadinha pra comer empadas no Salete antes.

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Verão carioca: amor e ódio

08/01/2011

Abricó de macaco: coisas cariosas

Eu adoro o verão do Rio. Mas, ao menos tempo, tenho pavor do que acontece no período. A cidade fica lotada, com visitantes normais e benvindos, mas também outros muito estranhos, como relatou brilhantemente hoje o João Ximenes Braga em sua coluna no caderno Ela, do jornal O Globo. Adoro São Paulo, adoro os paulistas. Mas como são estranhos os turistas paulistas… pelo menos esses que gostam de visitar o Rio de Janeiro. E Búzios. E Paraty. E Ilha Grande. E Mauá. Cruzes.

Fica difícil até comer um pastel de camarão com um chope. Fui ao Jobi na noite de quinta. E cadê o meu banquinho do lado de fora¿ O lugar estava insuportável, tive que me mandar para o Clipper, esse menos famoso entre os forasteiros e, por isso, mais vazio e sossegado.

Escrevo de dentro do ônibus que me traz a Búzios. Meia hora do portal da cidade até o trevo de Geribá. Culpa do verão, das férias. De qualquer modo, com ou sem atraso na chegada, Búzios é sempre bom. Viajar para encontrar a filha e os amigos é sempre bom. Mergulhar na Azeda é sempre bom. Comer no Satyricon é sempre boa. Isso faz da vida bela.

Mas o verão tem também a sua bossa. Janeiro, em especial, ainda mais para um capricorniano. É o ano que se anuncia, É o carnaval que vai chegando. É a vontade irresistível de cair no samba. É a floração do abricó de macaco, e seu perfume que lembra jasmim.

Trânsito para chegar em Búzios é ruim, Mas pelo menos o tempo abriu. Faz um lindo dia de sol. Podia ser pior. Caminho livre, mas tempo ruim. Sou mais o sol. E olha só que incrível esse flamboyant todo florido, o mais lindo tom alaranjado, Olha essa moça que vai a caminho do mar, com a formosura de uma garota de Ipanema. Olha o céu azul, os as aroeiras, os  cactos, as pitangueiras, os coqueiros, as gaivotas, as poucas nuvens…

Olha só o ponto final do ônibus. Chegamos.

E mais abricó de macaco: que beleza!

Aboim, um boteco com vista do mar, pastel, PF, cerveja gelada e uísque: para que mais?

06/01/2011

Pequenino e sem mesas, é um típico "bunda de fora"

Há bares que só poderiam mesmo existir no Rio de Janeiro. O Aboim, na rua Souza Lima, já ali pelo Posto 6,  é um deles.
Para início de conversa, está na quadra da praia de Copacabana. Dali avistamos o mar, e até uma nesga do forte, a pontinha onde estão os canhões.
É muito pequeno, como mostra a foto, um autêntico bunda de fora. Lá dentro, um pequeno balcão, com estufa envidraça que exibe parte dos pratos do dia: pernil, carne assada, costelinha de porco, lombinho. Cada um custa módicos R$ 9.

Pra quem gosta de uísque, preços camaradas, saca só

Os pastéis (tem carne, camarão, carne seca, frango, palmito, queijo), sem dúvida entre os melhores da cidade, saem a R$ 3 cada um. O de camarão, o de carne seca e o de carne são os mais famosos. E não conheço endereço mais barato para se beber uísque. Onde já se viu Red Label a R$ 10?

Olha quantas marcas diferentes de malte

Tem um montão de rótulo, digno de uisqueria chique.
Ah, sim, quem só quiser petiscar pode pedir porções das carnes dos pratos do dia. Custa R$ 17, e a meia porção, R$ 10.
Detrás do balcão quem comanda tudo é a Débora, com simpatia. Ele é ajudada por dois rapazes, um que cuida do atendimento, e faz uma boa caipirinha, e o cozinheiro, que faz um feijão e uma farofa sensacionais. A carne seca é linda, com molho espesso por fora e interior rosadinho, uma belezura, acompanhada de abóbora. A rabada das quintas (acho) e domingos (com certeza) é digna de oração. Também tem mocotó, às quintas, e aquilo tudo que a gente ama, comida de botequim, com jeito de antigamente. O Aboim é demais. O único prato servido todos os dias é a carne assadas. Os acompanhamentos, na quantidade que o freguês desejar, são feijão, farofa, macarrão e arroz. A carne vem em pratinho à parte. E a pimenta, da casa, é da boa.

O PF de pernil, sensacional: ai, mas que prazer

Chego no balcão, peço meus pastéis, minha cerveja. Depois, um PF de pernil que estava sensacional, só com feijão e farofa, do jeitinho que pedi. Realmente estava ótimo. Sem mais a dizer. O molho, a carne, o tempero do feijão, com carnes salgadas, a farofa crocante, com pedacinhos de bacon, a pimenta ardida. Ai, mas que prazer.
É gostoso observar o movimento de pessoas no Aboim. Há de tudo. O policial vem, bate um papo, nega a água que lhe é oferecida, reclama do Réveillon de Copacabana: “Esse pessoal é fogo. Quer todo mundo ir embora na mesma hora. De dois milhões de pessoas que estiveram lá, metade saiu praticamente junto, depois da queima de fogos”.
O porteiro chega de uniforme e pede dois PFs de carne seca. O pintor de pares, todo respingado de tinta, também faz uma encomenda para os colegas: quatro PFs para viagem. Um senhorzinho pede dois pastéis, também viajando. Chega o garotão, sem camisa e tatuado, fumando um cigarrinho: mais um PF de pernil sai na quentinha. O guardador de carros vem e também da um alô. E um senhor de meia idade anuncia que vai para casa comer uma peixada na panela de barro, para depois “ir para a internet comprar e vender ações”. Não é incrível. Enquanto isso, eu observo também o mar, as moças bonitas que vão e voltam da praia, a vida carioca como ela é.
Poucos lugares podem ser tão agradáveis para se passar depois da praia do que o Aboim. Não é à toa que, principalmente nos dias ensolarados, principalmente no verão e, em espacial, aos domingos, o boteco fica lotado no fim de tarde, começo da noite.

No mais, adoro os botecos de Copa: Mônaco, Pavão Azul, Real Chope, Caranguejo, Belo Bar, Panamá, Adega Pérola…

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Taberna Alpina, em Teresópolis: tudo como antes, o que é uma delícia

04/01/2011

Bife tartar da Taberna Alpina: "- Quer que eu misture ou o senhor mesmo faz?"

Terminei 2010 tomado de certa nostalgia gastronômica, visitando alguns restaurantes tradicionais. No penúltimo dia do ano voltei à Taberna Alpina, em Teresópolis. Tirando a ausência da antiga dona, Dona Erna Nathan, de cabelos brancos e pescoço torto, que vivia no balcão perto da entrada (e do Seu Bela Snir, o seu sócio), tudo parece estar exatamente como no início dos anos 1980, quando fui apresentado ao lugar. As toalhas de pano vermelhas (eu achava que eram verdes), as garrafas decorando as paredes, os garçons de paletó branco e gravatinha borboleta, as mesas sempre cheias e uma agradável saletinha com paredes de madeira chamada Escondidinho.
O cardápio, evidentemente, continua imune a alterações. As especialidades alemães são o carro-chefe: salsichas, eisbein, kassler na ilustre companhia de salada de batatas e chucrute. Ou, ainda, um goulash muito bom.

O pato assado, envolto em molho delicioso e encorpado, uma das estrelas do menu da casa, no Centro de Teresópolis

Também é um clássico da casa o pato assado, com molho espesso, que é servido com croquetes e purê de maçã. A língua de boi defumada é deliciosa. Tem até “herrings a la creme”, ou seja, arenque ao molho de creme de leite. Também há lanchinhos à moda antiga, como torradas com manteiga, café com leite, waffles…Sem falar em pratos clássicos do receituário tradicional, como churrasco misto, filé com fritas e por aí vai. É um lugar relativamente barato. Com cerca de R$ 50 um casal almoça e ainda bebe umas cervejinhas.
Mas eu resolvi visitar o restaurante para provar o steak tartar da casa, ali chamado bife tartar mesmo. Ele é servido assim, como na foto, com a carne no meio, coroada com uma gema de ovo, e os temperos ao redor: cebola picada, picles, alcaparras, páprica…
– Quer que eu misture ou o senhor mesmo faz? – perguntou o garçom.
Fiquei curioso a ver a técnica do moço, mas não resisti à possibilidade de ficar ali, briancando de misturar aos pouquinhos, ora com mais cebola, ora carregado na páprica, ora molhando a mistura com molho inglês, ora afogando em mostarda escura.
Ali, refúgio gastronômico de orientação alemã, o prato é servido com um bom pão preto, e não com batatas fritas. É mais saudável, mas confesso que senti falta de umas batatinhas para dar contraste de textura e temperatura. Enfim… Mas o momento foi glorioso, ainda mais na companhia de uma gostosa garrafa de Therezópolis, uma grande cerveja, das melhores do país.
Lembro-me bem. Quando eu era criança, até a adolescência, a taberna Alpina era um dos melhores restaurantes não só de Teresópolis, mas do Rio de Janeiro mesmo. Era um clássico. Continua absolutamente igual. Eu é que mudei. Ainda bem que ainda existem lugares que preservam essa memória, visual, sentimental, gustativa. Ainda bem que não fizeram alguma daquelas reformas horrendas que descaracterizaram tantos bons lugares de nossa estima. Quando eu entro na Taberna Alpina alguma coisa acontece no meu coração. Não sei bem dizer o que é. Sei que é bom.

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Previsões gastronômicas para 2011: será?

03/01/2011

Alho negro chegou com tudo ao Rio: acima, o filé de cherne com molho da iguaria e purê de banana servido no Quadrucci

Depois de estabelecer as gostosas metas a serem cumpridas em 2011, um prognóstico gastronômico para o período.
– O milho vai brilhar: a chef Roberta Sudbrack, depois de explorar os múltiplos sabores e texturas de ingredientes como quiabo, chuchu, maxixe e banana vai dedicar os estudos em 2011 ao milho. A chef, que conquistou todos os prêmios no ano passado certamente vai continuar nos brindando com a sua culinária precisa, criativa e emocional. Ele já ensaiava a utilização deste cereal há algum tempo, como quando criou o uma espécie de purê de milho, tipo pamonha ou curau, servido com ovas e um crocante de banana. E também o ovo caipira em praliné de farinha de milho. Ademais, ela adora servir uma boa broa de milho, mais ainda com queijo da Serra da Canastra. Anota aí: em 2011 o milho vai nos dar muitas alegrias.
– A hora de Felipe Bronze: o chef parece estar em seu melhor momento, comandando o restaurante Oro, no Jardim Botânico. Mais maduro, com técnica mais apurada uma a proposta de dar uma nova cara a receitas e combinações clássicas de ingredientes (como rabada e polenta, porco e maçã), Comi lá maravilhosamente bem, e preciso voltar para ver como estão os novos pratos, como a rabada com polenta e alho negro e os harbúrgeres, e também o sorvete feito à mesa (eses dois últimos não pude provar quando visitei a casa). Anota aí: 2011 vai ser o ano de Felipe Bronze, que ao que parece vai conquistar alguns importantes prêmios logo, logo, como estrela do Guia Quadro Rodas. Merecidamente.
– A popularização do alho negro: o ingrediente nobre, de origem japonesa, é resultado de um longo e complicado processo de amadurecimento que lhe dá a cor escura, dando sabor adocicado e uma textura macia. O ingrediente não chega a ser novidade. No ano passado ele chegou com força ao Brasil, não apenas através de importações, mas pelas mãos de Marisa Ono, uma paulistana descendente de japoneses que passou a produzir o alho negro (custa R$ 100 o quilo). Assim, está virando figurinha fácil nos restaurantes do Rio, como Oro (que já serve uma rabada com polenta e alho negro), Bazzar (a partir da próxima quinta-feira entra em cartaz um filé com alho negro e gratin de pupunha com grana padano) e Quadrucci. Já esteve também no cardápio do Eça, mas parece que por lá não fez muito sucesso, não.
– É tempo de se visitar botecos no subúrbio: com as UPPs, aposto que o carioca, e também os turistas, vão passar a ir mais a verdadeiras entidades da cidade, como o Amendoeira, o Adonis, Bar da Portuguesa, o Cachambeer, o Original do Brás e tantos outros respeitáveis botecos, muitas vezes deixados de lado por medo das pessoas de circularem à noite por bairros como Vila da Penha, Benfica, Maria da Graça. Agora está bem mais tranquilo, e a tendência é que vá melhorando.

Também acho que vai ser:
– O ano da invasão paulista: segundo boatos, uns dez restaurantes de São Paulo, entre os melhores da cidade, estão buscando endereço no Rio. Alex Atala, Due Cuocchi, Kinoshita, Fogo de Chão, Figueira Rubayat, Maní, Piselli (de Juscelino Pereira)… Estão todos de olho no Rio, assim como os grupos hoteleiros internacionais de luxo (o Hyatt já veio, e há um montão de outras bandeiras com planos, como Four Seasons. Seria bárbaro, mas faltam bons terrenos para isso).
– O uso de ingredientes locais e orgânicos vai, enfim, deslanchar no Rio, com muitos produtos vindo de cidades do estado, que estão mostrando competência na produção rural, com resultados cada vez melhores.
– Parece que, enfim, o carioca está aprendendo e gostando de beber vinho branco. Tenho notado que andam faltando rótulos em alguns restaurantes, porque simplesmente acabaram. Também vejo, em número cada vez maior, baldes cheios de gelo com garrafas de vinho branco. Eu apoio totalmente.

P.S. – Quando chegar em casa post umas fotos para ilustrar esse e o o post abaixo.

Metas para 2011

03/01/2011

O delicioso gran piatto di mare, do restaurante Satyricon, em Búzios, a nossa próxima parada, a partir de sábado

Nunca comecei um ano tão animado, com tantas metas e objetivos, sonhos e vontades.

Até como forma de medir as conquistas, resolvi escrever esse montão de desejos.

É o meu compromisso comigo mesmo.

Um feliz 2011 a todos, com muitas vitórias!

Algumas boas viagens já estão marcadas: Búzios no próximo fim de semana, Chile de 16 a 23 e Jericoacoara no fim do mês, além de Salvador e Boipeba, confirmadas para fevereiro, depois Nova Friburgo, Brasília e Petrópolis, essas três últimas entre fevereiro e março. E ainda vai ter Buenos Aires, em algum momento do primeiro semestre, Amsterdã e San Sebastián, em abril  provavelmemte, e Paris com EuroDisney, em setembro, de férias.

As metas para o ano são:

Perder, pelo menos, dez quilos:

Visitar, pelo menos, dez países: Chile, Portugal, Holanda, Argentina, França, África do Sul.

Visitar, pelo menos, cinco estados brasileiros: Ceará; Bahia; São Paulo

Visitar, pelo menos, cinco cidades fluminenses (Rio e Teresópolis não contam): Búzios; Petrópolis, Nova Friburgo

Comer, pelo menos, dez estrelas Michelin: Le Ciel Bleu (Amsterdam, 2 estrelas), Yamazato (Amsterdam, 1 estrela)

Comer, pelo menos, 30 estrelas do Guia Quatro Rodas: Sawasdee (Búzios, 1 estrela); Cipriani (Rio, 1 estrela); Amado (Salvador, 1 estrela), Paraíso Tropical (Salvador, 1 estrela), Mistura (Salvador, 1 estrela), Olympe (Rio, 3 estrelas), Dona Irene (Teresópolis 2 estrelas), Fasano al Mare (Rio, 2 estrelas), Gero (Rio, 1 estrela), Il Perugino (Petrópolis, 1 estrela), Roberta Sudbrack (Rio, 2 estrelas), Crescente (Nova Friburgo, 1 estrela)

Ler, pelo menos, dez livros: Mil dias na Toscana; A viúva Clicquot; Um ano na Provence; Toujours Provence; Um bom ano; A razão gulosa

E, no mais:

– Ir mais à praia

– Ir mais à serra

– Passar mais tempo com a filha

– Passar menos tempo na internet

– Trabalhar muito, conquistar novos espaços

– Descansar muito

– Rir sempre, mesmo sem razão

– Aprender a fazer filminhos para a internet

– Organizar o escritório

– Consertar todos os probleminhas do carro, e arrumar a documentação dele