Fim de Tarde: clássico, escondidinho e com um polvo sensacional

Polvo com lulas, tudo puxado no azeite com páprica e alho, servidos com arroz de açafrão

 Tenho uma queda por restaurantes tradicionais, clássicos. Ainda mais os do Centro da cidade. Aprecio as cadeiras de madeira e couro, os garçons – de cabelos brancos –  usando a gravatinha borboleta, a toalha de algodão, os guardanapos de pano, a presença constante dos donos, e não dos “sócios investidores”. Essa semana revisitei o Fim de Tarde, restaurante mais velho que eu, inaugurado em 1973. Fica escondidinho ali na rua Miguel Couto, a um tropeço da Presidente Vargas, nas cercanias da Candelária. Mas chega de nariz de cera e vamos direto ao lide: o polvo foi um dos melhores que já comi nos últimos tempos, um dos mais perfeitos da vida. Sem exagero. E olha que, por pura predileção, sou um voraz consumirdor de polvo. 

Jamón, queso y una copa de vino

 

Mas vamos lá do começo. Na chegada, o garçom repousou a cestinha de pães, uma travessinha de azeitonas e outras mais, com pasta de grão-de-bico, patê e um azeite francês, raridade por aqui. Um pratinho de jamón fez as honras da casa, ao lado de fatias de gouda, que rapidamente foram sumindo do prato. Abrimos um bom branco espanhol (a casa tem uma linda adega, com boa seleção de rótulos), Protos Verdejo 2009. 
 
Então fomos ao menu. Bem interessante, com forte acento espanhol, inclusive com seções dedicadas às especialidades ibéricas.  Também há pratos cariocas, como picadinho, e outros bem brasileiros, como carne-seca com nhoque de aipim, bobó de camarão, virado à paulista, moqueca e churrasco à gaúcha. Fiquei na dúvida do que pedir. Mas, na verdade, quem escolheu meu almoço foi Juan Marcos Perez Alonso, quem comanda o salão, e também a porta ao lado do pai, Juan Alvarez Alonso, que está desde o início no comando da casa.  Sei que Juan Marcos foi sugerindo e eu fui, entusiasmado, acatando.
 
O início foi promissor: uma tortilla caprichada, que além dos ingredientes de sempre, a batata, o ovo e a cebola, ainda ganha a companhia saborosa de fatias de algum embutido ibérico, de sabor intenso, como um bom chorizo espanhol perfumado na páprica. Depois, uma salada de garbaznos, ou seja, grão-de-bico, acompanhado novamente do irresistível chorizo.
 
Pois já contente pela preleção, recebi animado o prato que trazia tentáculos de polvo e rodelinhas de lula, muito macios e suculentos, passados em alguma frigideira com boa dose de temperos: o azeite, o alho e a páprica. Para amaciar a receita veio um arroz de açafrão levemente cremoso, muito úmido e bem condimentado com tomate, cebola e algo mais que nem posso saber. Estava macio e saboroso. Foi o melhor polvo dos últimos tempos.  
 E olha que eles usaram uma mescla de pápricas, doce e picante, sem saber que sou fã de pimentas.

– Da próxima vez, então, colocamos só a picante, disse o garçom, mui simpatico.
No mais, adoro este nome. Ainda mais no verão, que nos brinda com fins de tarde tão lindos.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.
 

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2 Respostas to “Fim de Tarde: clássico, escondidinho e com um polvo sensacional”

  1. Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro « Rio de Janeiro a Dezembro Says:

    […] Fim de Tarde […]

  2. Julio Says:

    QUERO IR E COMPROVAR O PULPO A LA FERIA

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