Blason, na Casa Julieta de Serpa: com Joãozinho e Landry, parece que agora vai

 

Champanhe Barnaut, um blanc de noirs: começo em grande estilo

O restaurante Blason, fazendo uma alusão futeboleira, tinha um belo estádio, a Casa Julieta de Serpa, uma linda mansão na Praia do Flamengo, enfeitada com móveis antigos, obras de arte, porcelanas, instrumentos musicais centenários. Sem dúvida, um dos espaços mais bonitos da cidade. Mas o time não se acertava em campo: o restaurante patinava sobre uma cozinha irregular e um serviço quase amador, tudo isso considerando os preços praticados. Fui várias vezes na casa, e não posso dizer que sempre comi mal: mas sempre faltava alguma coisa. Algumas vezes até comi bem. Mas faltavam craques.

No finalzinho do ano passado anunciaram uma contratação de peso para cuidar do salão: o sommelier gaúcho João Souza, um dos maiores craques da gastronomia carioca, que sabe tudo de comes e bebes, maitre de excelência, figura rara.

O primeiro ato de um jantar de gala: patê de faisão com passas, que caiu com uma luva na companhia da taça de champanhe

Em janeiro contrataram mais um cobra, o chef francês Pierre Landry, que tem no currículo o mítico (e saudoso) Le Saint Honoré e até pouco tempo dava expediente no ótimo Mok, no Leblon (nunca me esqueço de um jantar que ele preparou com o Atala, lá no Mok: cada um fez três pratos, e os três melhores eram exatamente os do Landry). Agora a cozinha tem um maestro, que criou um cardápio bem interessante com pratos como tempura de flor de abobrinha recheada, carpaccio de shitake, azeite de trufa branca e parmesão e tartare de salmão ligeiramente defumado sobre salada de aipo e maçã (entradas)  e risoto de camarão com morangos, ravióli aberto de cogumelos selvagens, escalope de foie gras e azeite, fricassée de cavaquinha provençal com pequenos legumes, peito de pato grelhado, figos assados com vinho do Porto e compota de acelga e carré de cordeiro, sauce douce à La’il, gratin de abobrinha (entre os principais), além de nougat gelado em calda de nectarina e petit gateau de chocolate meio amargo, creme inglês de baunilha.

Com um craque no meio de campo, o Joãozinho no comando do salão, e outro no ataque, o Landry, pilotando o menu, o Blason para que enfim tem um elenco à altura do estádio.

Na semana passada tive uma noite para lá de agradável no salão rococó, dividindo a mesa com amigos queridos.

No princípio manejamos os pães, que ainda podem melhorar, com azeite e manteiga. Um brinde.

O amuse bouche já trouxe uma assinatura Landry: uma delicado faisão desfiado com passas, uma espécie de patê que deixou um gostinho de quero mais.

Carpaccio de namorado com broto de rúcula e pimenta-rosa: cadê o meu sal?

Depois, um carpaccio de dourado com brotinhos de rúcula. O peixe estava fresco, cortado fininho, mas senti falta de uma flor de sal. No carro, voltando para casa, falávamos do jantar.

– Gostei de tudo, mas o meu carpaccio de peixe estava sem sal, com um pouquinho de flor de sal ficaria perfeito.

– Ué, o meu tinha.

– O meu também.

– E o meu também.

Bem, então foi só comigo…que pena.

Mas chega de digressão. Voltemos à mesa.

Pode debaixo dessa massa, uma suruba de frutos do mar em molho perfumado. Bem fez a Luciana Plaas, que levantou a "manta" para fazer a foto, revelando os pescados

Depois do dourado sem sal, a chegada de um ravióli aberto de frutos do mar me fez sorrir novamente. Simplicidade e harmonia. Era uma suruba de frutos do mar, preparados em molho espesso, daqueles que só os craques na cozinha sabem preparar, com sabor bem dosado dos pescados, coberta com uma massinha como a encobrir a indecência.

Vinhaço, vinhaço, vinhaço!

Delícia, ainda mais na ilustre companhia do vinho escolhido pelo Joãozinho, o fora-de-série Chassagne-Montrachet de Hubert Lamy, fantástico.

Cordeiro em crosta de ervas com uma adorável tortinha de abobrinha, na escolta de um bom Nero d'Avola de duas safras diferentes

No circuito salgado haveria ainda uma outra etapa, um filé de cordeiro em crosta de ervas acompanhado de uma tortinha de abobrinha que me fez corar de felicidade. Para um fã incondicional de cordeiro é muito nobre saborear uma tortinha de abobrinha que de ilustre acompanhamento virou estrela do espetáculo…

Vinhaço, vinhaço, vinhaço, vinhaço, vinhaço, vinhaço!!!

Antes da sobremesa ainda apreciamos esse Aloxe-Corton do Domaine Antonin Guyon, uma belezura de vinho, fino, elegante, frutado, leve, fresco. Delícia. Um tinto perfeito para o verão.

Tortinha de figo com sorvete: delicadeza

Encerramos a jornada com outra tortinha, dessa vez doce, com rodelinhas delicadas de figo, coroada com uma bolinha de sorvete e uma calda de vinho do Porto que vou te contar…

Monbazillac: fecho de ouro, olha só a cor...

… na muito nobre companhia desse Monbazillac do Château Ramon, um gran finale.

Índice de posts de bares e restaurantes na cidade do Rio de Janeiro: clique aqui.

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Uma resposta to “Blason, na Casa Julieta de Serpa: com Joãozinho e Landry, parece que agora vai”

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    […] Blason […]

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