Saveiros medonhos ameaçam as traineiras tradicionais de Paraty

O cartão-postal clássico de Paraty: imagine isso aí cheio de saveiro paulista...

Hoje li uma matéria assustadora n’O Globo, falando da proliferação dos imensos saveiros em Paraty, para até 200 pessoas, que ameaçam os barqueiros tradicionais da cidade, com suas modestas e coloridas traineiras. Ameaçam o ecossistema social, a cultura caiçara, a sustentabilidade do turismo, e a própria qualidade de receptivo da cidade. Esses saveiros são medonhos, um horror. Geralmente os donos são empresários paulistas, predadores, que subornam guias de turismo e gerentes de pousada para venderem seu produto horrendo: um passeio de barco com roteiro viciado, vendido a grandes grupos, uma farofada horrorosa. Cabe à prefeitura mandar para longe essa corja de corsários. Eles atrapalham Paraty. Atrapalham até os próprios turistas.

O que pode ser melhor? Você pode escolher um passeio de saveiro num barco com música alta, que vende comida e bebida de má qualidade a preços altos, no meio de uma multidão. Ou, então, você pode ir até o cais e escolher o barquinho tocado pelo barqueiro mais simpático, negociar com ele um roteiro, e sair navegando, parando onde quiser, escutando a música escolhida, comendo onde há comida boa, e não comissionada. O passeio de saveiro custa uns R$ 25 por pessoa. E não vale um tostão. Com a traineira tradicional, capitaneada pelo caiçara, o valor vai variar entre R$ 40 e R$ 120 por pessoas (no primeiro caso, para um grupo de cerca de 10 pessoas, no segundo, para um casal – mas pensa só que delícia é sair de barco pela baía de Paraty com uma traineira exclusiva para você: dá para levar um champanhe, boa trilha sonora no laptop, máscaras de mergulho e quem sabe até umas ostras, queijos, pães e vinhos comprados na cidade, um piquenique em alto mar). E, além de tudo, papear com os caiçaras é sempre ótimo, uma aula. O passeio de saveiro é um inferno no paraíso. Sair navegando de traineira caiçara é um luxo no paraíso.

O problema impressiona, entre outras razões, pelo mau gosto que acomete os usuários de saveiros. Certamente o passeio, com música alta, dezenas de companheiros de barco, paradas para almoço e petiscos a bordo de qualidade medonha e outra qualidades adversas, é o pior programa a se fazer em Paraty, que tem tantas possibilidades: bater pernas pelo Centro Histórico, dar umas escapadas às praias de Trindade, ter um almoço longo no Le Gite d’Indaiatiba, visitar algum alambique, fazer uma caminhada até a Praia do Sono, passear de canoa no Saco do Mamanguá, tomar banho de cachoeira, assistir ao teatro de bonecos, comer um camarão casadinho no Lapinha,

O cais, à noite, e suas lindas traineiras coloridas

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3 Respostas to “Saveiros medonhos ameaçam as traineiras tradicionais de Paraty”

  1. Carlos Octavio Says:

    muito bem !! a monopolização é um lixo tem que acabar. .a industrialização vai acabar com o o turismo tradicional como acabou com a pesca caiçara. abaixo a monopolização!!!

  2. zelito viana Says:

    Sem duvida nenhuma, a “industrialização do turismo”, destruiria todo o charme de uma cidade como Paraty, mas é muito difícil combater a competência, a disciplina e o gosto pelo trabalho dos empreendedores paulista, pra vence-los só mesmo aprendendo a trabalhar como eles.

  3. sylvio p.mazzolli Says:

    É tao gostoso navegar de traineira que vou comprar uma.Esses saveiros gigantes vao acabar com o charme de Paraty.Eles so pensam nos lucros.Abaixo os saveiros.

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